A
VIDA DA MORTE
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Nós
nascemos neste mundo sob o domínio da morte. A raça humana, em
conseqüência do pecado, está contaminada por um vírus mortal. Nós
nascemos com uma vida limitada pelo perímetro da morte. Todo homem
nasce com a sina da morte. Não nascemos para viver, apenas vivemos
para morrer. A vida que herdamos de Adão encontra-se completamente
infestada da rebeldia do pecado, e, com efeito, somos reféns da
morte. Portanto, como
por um homem
entrou o
pecado no
mundo, e pelo
pecado a
morte, assim
também a
morte passou
a todos os
homens por
isso que
todos pecaram.
Romanos 5:12. Somos
da linhagem da morte, pois a raiz do pecado resulta de fato numa
espécie moribunda. Nossa história aponta para um funeral, cada
instante da vida é
um passo para a
morte. Assim, nascer é
começar a morrer, dizia
Pierre Cornielle.
Deus
deu ao homem, no jardim do Éden, duas opções: a árvore da vida e
a árvore que resultava na morte. Por razões interesseiras o homem
preferiu a planta da morte e a nossa geração ficou essencialmente
comprometida com a sepultura. O mundo é
um grande hospital e
cada pessoa é um
paciente desenganado. A estatística mais
exata que se pode avaliar é: de cada pessoa que nasce, uma morre.
Assim, a morte exclui a
diferença entre o rei
e o mendigo e
derruba tanto o cavaleiro
quanto o peão. Não há
lógica no mundo da morte, pois quando suas garras se manifestam vão
os sadios e os doentes, vão os velhos e as crianças. Ela é a
rainha que domina o mundo do pecado, nivelando todos os homens ao
título de defunto.
Mas
a morte, antes de fazer um cadáver, faz um solitário. A
morte não é extinção,
em qualquer acepção dessa
palavra. É sempre
separação. Com o pecado, o homem ficou separado de Deus.
Este isolamento espiritual é realmente a conotação mais abrangente
da morte. Insulado no egoísmo, a raça humana encontra-se afastada
de Deus. Desligados da árvore da vida, somos motivados por uma
existência torturada pelos flagelos da extinção. Separado da vida
de Deus, o homem é governado pelos temores da morte. Somos uma
geração de mortos espirituais contaminados com os pavores da morte,
andando num corpo mortal. Somos uma espécie de fantasmas em carne,
forçando a pulsação do sangue de um cadáver. O homem natural é
apenas um instante da alma vivente. Digo-vos que
não sabeis o
que acontecerá
amanhã. Porque,
que é a
vossa vida? É
um vapor que
aparece por
um pouco, e
depois se
desvanece. Tiago
4:14.
Por
mais vivo que pareçamos, estamos inseridos nos domínios da morte. O
pecado abriu as portas da morte e nós somos prisioneiros deste
sistema. Foi por este motivo que Jesus Cristo se encarnou. Ele tinha
como objetivo salvar o homem do pecado e da morte, sendo, por isso,
necessária sua encarnação. Visto como
os filhos
participam de
carne e
sangue, também
Ele participou
das mesmas
coisas, para
que pela
morte aniquilasse
o que tinha
o império da
morte, isto
é, o diabo;
e livrasse
todos os que,
com medo da
morte, estavam
por toda vida
sujeitos à
servidão. Hebreus
2:14-15. Se não fosse
por causa do pecado
de Adão, a morte
nunca teria tido um
princípio; e se não
fosse por causa da
morte de Cristo, o
pecado nunca teria fim.
Jesus se encarnou para encarar as conseqüências do pecado e
destruir, por meio de sua morte, a tirania do pecado e da morte,
aniquilando o déspota infernal da morte.
A
obra consumada de Jesus Cristo é a salvação eterna do homem, que é
executada em dois tempos. Primeiro, a salvação espiritual que foi
iniciada na cruz e concluída na ressurreição. Segundo, a salvação
do corpo que será realizada quando o Senhor Jesus retornar para
buscar os santos e depois implantar o seu reino. A obra de Cristo é
perfeita. Antes de regenerar o corpo, Ele regenera o espírito. A
salvação espiritual sustenta os santos propósitos de Deus. Mesmo
com um corpo mortal sujeito às tentações do pecado, o ser humano
regenerado pela vida de Cristo pode viver, aqui na terra, uma vida de
profunda santidade. Ainda que o corpo esteja sujeito à morte, agora
nenhuma condenação
há para os
que estão em
Cristo Jesus,
que não
andam segundo
a carne, mas
segundo o
Espírito. Porque
a lei do
Espírito de
vida, em
Cristo Jesus,
me livrou da
lei do pecado
e da morte.
Romanos 8:1-2. Uma
vez participantes da morte de Cristo, fomos isentados de todos
efeitos espirituais do pecado. Fomos incluídos no corpo crucificado
de Jesus Cristo no Calvário para sermos co-participantes de sua
morte para o pecado. Sabendo isto,
que o nosso
homem velho
foi com Ele
crucificado, para
que o corpo
do pecado
seja desfeito,
para que não
sirvamos mais
ao pecado.
Porque aquele
que está
morto está
justificado do
pecado. Romanos
6:6-7. A mesma Bíblia que anuncia a morte do
Jesus da história, anuncia a nossa morte juntamente com Ele. Se é
um fato histórico que Jesus morreu na cruz, é fato de revelação
divina que nós morremos com Ele na mesma cruz. Do mesmo modo, assim
como Cristo ressuscitou dentre os mortos, nós também ressuscitamos
espiritualmente com a vida de Cristo. Porque, se
fomos plantados
juntamente com
Ele na
semelhança da
sua morte,
também o
seremos na da
sua ressurreição.
Romanos 6:5.
A
grande verdade das Escrituras com relação aos pecadores é que
Cristo atraiu a todos no seu corpo quando foi levantado na cruz e
deste modo realizou uma morte compartilhada. A morte de Jesus é a
nossa morte, pois não tendo pecado não deveria morrer. Ele morreu a
minha morte para o pecado e eu devo levar sempre e por toda a parte a
sua morte, a fim de manifestar a sua vida em meu corpo mortal. A
morte de Jesus era a nossa e, quando nós levamos pela fé a sua
morte como nossa, temos condições de expressar a sua vida em nossos
corpos mortais como nossa vida. Uma vez mortos para o pecado em
Cristo, ganhamos a vida de Cristo na sua ressurreição. Perdemos a
nossa vida juntamente com Cristo e recebemos uma nova vida na
ressurreição. A obra de Cristo não é reformar a nossa velha vida,
mas crucificá-la. Cristo tira a nossa vida na cruz e nos dá uma
outra vida na ressurreição. Não há salvação cristã envolvendo
restauração da vida adâmica. Para a vida do pecado, só a morte.
Deus não aproveita nada de nossa antiga vida contaminada pelo
pecado. Ele a crucifica e substitui pela nova vida de Cristo. A vida
que salva o pecador é a vida ressuscitada. Não há salvação sem
ressurreição e não há ressurreição sem morte. Primeiro temos
que morrer para a vida pervertida pelo pecado e depois ressurgir com
a vida ressuscitada da morte. É levando sempre e em todo lugar o
morrer de Jesus que temos garantido a manifestação da vida de Jesus
em nossos corpos mortais. Em um funeral
genuinamente cristão, enterramos
algo, não alguém; aquilo
que baixa à sepultura
é a casa, não
o inquilino. A morte do corpo mortal é o
prenúncio do homem eterno. Morremos e ressuscitaremos com corpos
glorificados para que não venhamos mais a morrer. Deus não fez o
homem para a perdição. Porque, assim
como a morte
veio por um
homem, também
a ressurreição
dos mortos
veio por um
homem. Ora o
último inimigo
que há de
ser aniquilado
é a morte.
1Coríntios 15:21
e 26. Assim a morte
do corpo não passa de um incidente físico em uma carreira imortal.
Os santos que morrem
podem ser merecidamente
invejados enquanto os
pecadores que vivem podem
ser igualmente lamentados.
Para o cristão, a
morte física é o
êxodo, o içar das
âncoras, a chegada ao
lar. Aqui somos navios
ancorados; na morte somos
lançados em nosso
verdadeiro elemento. Sou um morto em Cristo
que vou morrer no meu corpo para alcançar a vida abundante que nasce
da morte.
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