quinta-feira, 31 de maio de 2012

A VIDA DA MORTE


A VIDA DA MORTE
Por: Glenio Fonseca Paranaguá


Nós nascemos neste mundo sob o domínio da morte. A raça humana, em conseqüência do pecado, está contaminada por um vírus mortal. Nós nascemos com uma vida limitada pelo perímetro da morte. Todo homem nasce com a sina da morte. Não nascemos para viver, apenas vivemos para morrer. A vida que herdamos de Adão encontra-se completamente infestada da rebeldia do pecado, e, com efeito, somos reféns da morte. Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Romanos 5:12. Somos da linhagem da morte, pois a raiz do pecado resulta de fato numa espécie moribunda. Nossa história aponta para um funeral, cada instante da vida é um passo para a morte. Assim, nascer é começar a morrer, dizia Pierre Cornielle.
Deus deu ao homem, no jardim do Éden, duas opções: a árvore da vida e a árvore que resultava na morte. Por razões interesseiras o homem preferiu a planta da morte e a nossa geração ficou essencialmente comprometida com a sepultura. O mundo é um grande hospital e cada pessoa é um paciente desenganado. A estatística mais exata que se pode avaliar é: de cada pessoa que nasce, uma morre. Assim, a morte exclui a diferença entre o rei e o mendigo e derruba tanto o cavaleiro quanto o peão. Não há lógica no mundo da morte, pois quando suas garras se manifestam vão os sadios e os doentes, vão os velhos e as crianças. Ela é a rainha que domina o mundo do pecado, nivelando todos os homens ao título de defunto.
Mas a morte, antes de fazer um cadáver, faz um solitário. A morte não é extinção, em qualquer acepção dessa palavra. É sempre separação. Com o pecado, o homem ficou separado de Deus. Este isolamento espiritual é realmente a conotação mais abrangente da morte. Insulado no egoísmo, a raça humana encontra-se afastada de Deus. Desligados da árvore da vida, somos motivados por uma existência torturada pelos flagelos da extinção. Separado da vida de Deus, o homem é governado pelos temores da morte. Somos uma geração de mortos espirituais contaminados com os pavores da morte, andando num corpo mortal. Somos uma espécie de fantasmas em carne, forçando a pulsação do sangue de um cadáver. O homem natural é apenas um instante da alma vivente. Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Tiago 4:14.
Por mais vivo que pareçamos, estamos inseridos nos domínios da morte. O pecado abriu as portas da morte e nós somos prisioneiros deste sistema. Foi por este motivo que Jesus Cristo se encarnou. Ele tinha como objetivo salvar o homem do pecado e da morte, sendo, por isso, necessária sua encarnação. Visto como os filhos participam de carne e sangue, também Ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda vida sujeitos à servidão. Hebreus 2:14-15. Se não fosse por causa do pecado de Adão, a morte nunca teria tido um princípio; e se não fosse por causa da morte de Cristo, o pecado nunca teria fim. Jesus se encarnou para encarar as conseqüências do pecado e destruir, por meio de sua morte, a tirania do pecado e da morte, aniquilando o déspota infernal da morte.
A obra consumada de Jesus Cristo é a salvação eterna do homem, que é executada em dois tempos. Primeiro, a salvação espiritual que foi iniciada na cruz e concluída na ressurreição. Segundo, a salvação do corpo que será realizada quando o Senhor Jesus retornar para buscar os santos e depois implantar o seu reino. A obra de Cristo é perfeita. Antes de regenerar o corpo, Ele regenera o espírito. A salvação espiritual sustenta os santos propósitos de Deus. Mesmo com um corpo mortal sujeito às tentações do pecado, o ser humano regenerado pela vida de Cristo pode viver, aqui na terra, uma vida de profunda santidade. Ainda que o corpo esteja sujeito à morte, agora nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. Romanos 8:1-2. Uma vez participantes da morte de Cristo, fomos isentados de todos efeitos espirituais do pecado. Fomos incluídos no corpo crucificado de Jesus Cristo no Calvário para sermos co-participantes de sua morte para o pecado. Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Romanos 6:6-7. A mesma Bíblia que anuncia a morte do Jesus da história, anuncia a nossa morte juntamente com Ele. Se é um fato histórico que Jesus morreu na cruz, é fato de revelação divina que nós morremos com Ele na mesma cruz. Do mesmo modo, assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, nós também ressuscitamos espiritualmente com a vida de Cristo. Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição. Romanos 6:5.
A grande verdade das Escrituras com relação aos pecadores é que Cristo atraiu a todos no seu corpo quando foi levantado na cruz e deste modo realizou uma morte compartilhada. A morte de Jesus é a nossa morte, pois não tendo pecado não deveria morrer. Ele morreu a minha morte para o pecado e eu devo levar sempre e por toda a parte a sua morte, a fim de manifestar a sua vida em meu corpo mortal. A morte de Jesus era a nossa e, quando nós levamos pela fé a sua morte como nossa, temos condições de expressar a sua vida em nossos corpos mortais como nossa vida. Uma vez mortos para o pecado em Cristo, ganhamos a vida de Cristo na sua ressurreição. Perdemos a nossa vida juntamente com Cristo e recebemos uma nova vida na ressurreição. A obra de Cristo não é reformar a nossa velha vida, mas crucificá-la. Cristo tira a nossa vida na cruz e nos dá uma outra vida na ressurreição. Não há salvação cristã envolvendo restauração da vida adâmica. Para a vida do pecado, só a morte. Deus não aproveita nada de nossa antiga vida contaminada pelo pecado. Ele a crucifica e substitui pela nova vida de Cristo. A vida que salva o pecador é a vida ressuscitada. Não há salvação sem ressurreição e não há ressurreição sem morte. Primeiro temos que morrer para a vida pervertida pelo pecado e depois ressurgir com a vida ressuscitada da morte. É levando sempre e em todo lugar o morrer de Jesus que temos garantido a manifestação da vida de Jesus em nossos corpos mortais. Em um funeral genuinamente cristão, enterramos algo, não alguém; aquilo que baixa à sepultura é a casa, não o inquilino. A morte do corpo mortal é o prenúncio do homem eterno. Morremos e ressuscitaremos com corpos glorificados para que não venhamos mais a morrer. Deus não fez o homem para a perdição. Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Ora o último inimigo que de ser aniquilado é a morte. 1Coríntios 15:21 e 26. Assim a morte do corpo não passa de um incidente físico em uma carreira imortal. Os santos que morrem podem ser merecidamente invejados enquanto os pecadores que vivem podem ser igualmente lamentados. Para o cristão, a morte física é o êxodo, o içar das âncoras, a chegada ao lar. Aqui somos navios ancorados; na morte somos lançados em nosso verdadeiro elemento. Sou um morto em Cristo que vou morrer no meu corpo para alcançar a vida abundante que nasce da morte.

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