PERSONAM
TRAGICAM
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Tito
Júlio Fedro contou uma fábula da raposa e a máscara de tragédia:
Personam tragicam forte vulpes
viderant: "O quanta
species," inquit, "cerebrum
non habet!" Certa raposa encontrou,
fortuitamente, uma máscara de tragédia e, de repente, ex-clamou:
Oh! Que bela cabeça! Mas não tem miolos!
Nada
pode ser mais trágico do que a tragédia das aparências. Um
disfarce bem feito para ocultar a realidade, geralmente causa muitos
males. A hipocrisia consome muita maquiagem para dissimular a verdade
dos fatos. Um santo pintado disfarça os defeitos da madeira. Um bom
verniz consegue encobrir muitas falhas na textura das fibras. Uma
máscara de piedade pode ser a dissimulação mais ardilosa de um
coração podre. Quanta gente que finge ser santo só para receber os
aplausos da platéia! As velhas raposas sempre procuram seus
disfarces preferidos. Stephen Crites assevera que certamente
há poucos momentos mais
propensos ao auto-engano,
do que aqueles nos
quais as pessoas estejam
aspirando e se esforçando
por serem honestas. O mal
sempre se fantasia de bem para dar o seu bote. Os vícios precisam se
travestir de virtude a fim de merecer crédito, e deste modo, o
auto-engano é o primeiro artifício para se enganar os outros. Jesus
focalizou o lobo enroupado de ovelha com o firme propósito de
enganar o rebanho. Acautelai-vos dos
falsos profetas,
que se
apresentam disfarçados
em ovelhas,
mas por
dentro são
lobos roubadores.
Mateus 7:15.
A
religião é um palco bem montado para o espetaculo das
falsificações. Muitos atores da tragédia espiritual, mascarados
com a fantasia da santidade, fingem viver a mais sublime experiência
de piedade celestial. Não pretendo aqui esquecer-me de mim mesmo,
sendo apenas cruel com os outros. Eu tenho sofrido na carne a luta
deste drama. Quantas vezes percebo que estou envolvido no ocultamento
de cadáveres. Venho observando com freqüência que o meu
investimento está assiduamente voltado para a preocupação com as
aparências. Prefiro ser melhor diante dos homens do que ser
autêntico diante de Deus. Como diz Cornelius Plantinga Jr, O
auto-engano é um fenômeno
sombrio através do qual
puxamos a coberta sobre
alguma parte de nossa
psiquê... Asseveramos, adornamos
e elevamos o que
sabemos ser falso. Tornamos
belas as realidades feias
e compramos a versão
maquiada. É muito mais fácil ver os defeitos dos outros
do que tratar de nossa própria deformação, por isso Jesus
salientou: Hipócrita, tira
primeiro a
trave do teu
olho e,
então, verás
claramente para
tirar o
argueiro do
olho de teu
irmão. Mateus
7:5. Não podemos esquecer que a maior
hipocrisia frisa sempre a hipocrisia dos outros, a fim de sepultar as
maiores falhas de nosso próprio caráter, pois um
hipócrita é uma pílula
dourada composta de dois
ingredientes: desonestidade natural
e simulação artificial.
Portanto, és
indesculpável, ó
homem, quando
julgas, quem
quer que
sejas; porque,
no que julgas
a outro, a
ti mesmo te
condenas; pois
praticas as
próprias coisas
que condenas.
Romanos 2:1. Foi
por isso que Jesus bateu de frente com todo esquema de dissimulação.
Ele nunca amparou qualquer forma de aparência, sendo extremamente
severo com a figueira que mostrava as suas folhas sem os devidos
frutos. Jesus não amaldiçoou a figueira por não ter frutos, mas
porque ela fingiu ter frutos apresentado a folhagem. Sempre que as
figueiras têm folhas, elas também devem ter frutos. A sentença
pesada de Jesus pretendia condenar as aparências. Machado de Assis
conta de um espartano, convidado
a ouvir alguém que
imitava o canto do
rouxinol, respondeu friamente:
Já ouvi o rouxinol.
As aparências são sempre indecentes.
Dennis
e Barbara Rainey contam a história de um jovem
que tinha acabado de
se formar advogado e
instalou um escritório,
orgulhoso de poder exibir
a placa na frente.
Em seu primeiro dia
de trabalho, sentou-se à
mesa e deixou a
porta aberta, imaginando
como conseguiria seu
primeiro cliente. Ouviu,
então, o ruído de
passos no corredor em
direção ao escritório.
Evitando que seu cliente
potencial percebesse que
era o primeiro, o
jovem advogado pôs o
fone no ouvido e
falando em voz alta
simulou uma conversa como
se alguém tivesse
telefonado. "Oh, sim,
senhor! tenho muita
experiência em direito
comercial... Experiência em
tribunais? Sim, claro,
tenho trabalhado em vários
casos." O ruído dos
passos se aproximou da
porta. "Tenho ampla
experiência em quase todas
as categorias do direito
trabalhista" continuou, falando
alto o bastante para
seu iminente visitante
ouvir. Finalmente, com os
passos já chegando à
porta, respondeu à
hipotética pergunta: "Caro?
Oh, não senhor, sou
muito razoável. Estou
informado de que meus
honorários são os mais
baixos da cidade." O
jovem advogado pediu
desculpas por sua
"conversação" e, tapando
o fone para não
ser ouvido pelo "cliente
que estava na linha",
atendeu o visitante que
já estava diante da
porta. Confiante e amável
disse: "Sim, senhor,
posso servi-lo?"
-
"Bem, o senhor pode"
disse o visitante com
um sorriso maroto. "Sou
da companhia telefônica,
estou aqui para ligar
o seu aparelho!"
O
verdadeiro cristianismo não suporta aparências. Jesus veio para
tirar a máscara da exterioridade. Ninguém precisa fingir o que não
é, pois a graça de Deus busca os pecadores mais indignos. No reino
de Deus não há lugar para atores, mas para pecadores que se
arrependem. Não é preciso inventar moralidade quando se é
justificado pelo sacrifício gracioso de Jesus. A autenticidade do
Evangelho parte da confissão sincera: Tem misericórdia
de mim, miserável pecador.
Só a misericórdia de Deus pode arcar com as misérias humanas. Por
causa da misericórdia o Calvário não se tornou um fórum de
condenação, senão um tribunal de libertação. Mas a
misericórdia de Deus é
misericórdia santa, que
sabe perdoar o pecador,
porém não protegê-lo; é
um santuário para quem
se arrepende, e não
para quem dele presume.
Deus em sua graça aceita o pecador mais torpe e o leva ao arrependimento mais sincero, a fim de viver a vida mais transparente. Diante da graça de Deus ninguém precisa polir a sua aparência nem lustrar a sua imagem. Uma vez aceito pelos méritos suficientes da justiça de Cristo não é mais necessário cobrir-se com a capa do farisaísmo religioso. Desde que Cristo se tornou a nossa justiça, fomos revestidos com o manto sublime de sua própria vida. Deus nos identificou juntamente com Cristo na sua morte, com o objetivo de nos levar a morrer para o pecado, e deste modo ganharmos a própria justiça de Cristo. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. 2Coríntios 5:21. Jesus não caia sepultura nem limpa os copos apenas por fora. Quando Ele assume a responsabilidade da redenção por sua morte, assume também a responsabilidade da santidade com sua vida. Sendo assim, o cristão não é uma vitrine de exposição moralista, mas a manifestação da vida de Cristo em seu interior.
Deus em sua graça aceita o pecador mais torpe e o leva ao arrependimento mais sincero, a fim de viver a vida mais transparente. Diante da graça de Deus ninguém precisa polir a sua aparência nem lustrar a sua imagem. Uma vez aceito pelos méritos suficientes da justiça de Cristo não é mais necessário cobrir-se com a capa do farisaísmo religioso. Desde que Cristo se tornou a nossa justiça, fomos revestidos com o manto sublime de sua própria vida. Deus nos identificou juntamente com Cristo na sua morte, com o objetivo de nos levar a morrer para o pecado, e deste modo ganharmos a própria justiça de Cristo. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. 2Coríntios 5:21. Jesus não caia sepultura nem limpa os copos apenas por fora. Quando Ele assume a responsabilidade da redenção por sua morte, assume também a responsabilidade da santidade com sua vida. Sendo assim, o cristão não é uma vitrine de exposição moralista, mas a manifestação da vida de Cristo em seu interior.
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