O
BUMERANGUE DA
CONTRIBUIÇÃO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
E
isto
afirmo:
Aquele
que
semeia
pouco,
pouco
também
ceifará;
e
o
que
semeia
com
fartura
com
abundância
também
ceifará.
Cada
um
contribua
segundo
tiver
proposto
no
coração,
não
com
tristeza
ou
por
necessidade;
porque
Deus
ama
a
quem
dá
com
alegria.
2
Coríntios
9:6-7.
Estamos
em terreno minado. Logo, todo o cuidado é pouco. Há uma exploração
assustadora neste campo, que causa preocupação em qualquer pessoa
de bom senso, e que deixa o tema muito melindroso. Batedores de
carteira engravatados, protegidos pelo púlpito, têm causado um
verdadeiro desastre no seio da igreja. "Trombadinhas"
eclesiásticos e aproveitadores do sistema religioso extorquem
pessoas crédulas e usurpam-nos o direito de tratar de um assunto tão
importante e necessário. Em face desta situação delicada,
tornou-se um problema complicado abordar, com a igreja contemporânea,
o privilégio da contribuição. Muitos têm fugido do assunto com
receio de se envolver na mesma cate-goria dos pilantras que saqueiam
o bolso dos crentes e que denigrem o caráter autêntico da fé
cristã.
Entretanto,
é imprescindível que encaremos os escrúpulos e embaraços causados
pelos maus tratos ao tema, para enfocarmos com a maior exatidão o
objetivo bíblico da contribuição. Não podemos ocultar a verdade
das Escrituras, em face da embrulhada produzida pelos picaretas da
fé. Estaríamos covardemente nos escondendo de sa-lientar aquilo que
Deus planejou para nortear a con-duta dos seus filhos, com receio de
sermos mistu-rados no mesmo balaio de gatos. Mesmo que corramos o
risco de ser mal interpretados, não podemos cair na arriosca da
omissão. Na vida, somos
culpados não só do
mal que fizemos, como
do bem que deixamos
de fazer, ressaltava Elizabeth Leseur. Ser
negligente com os assuntos relevantes é tão sério como ser
infrator das leis morais. Não é tanto o que temos feito errado, mas
o que deixamos de fazer certo, que tem causado muita dor de cabeça.
Suprimir o ensino da Bíblia sobre a contribuição do crente pode se
constituir um problema tão grave, como a exploração enganosa dos
comerciantes da crença.
Agora,
podemos entrar no estudo. O título aqui fala de um bumerangue, arma
de arremesso que volta
ao ponto de partida
depois de descrever curvas
caprichosas. Uma vez lançado retorna à mão do atirador.
A primeira questão que queremos apontar aqui é o troco da operação.
A oferta é uma bênção para o próprio ofertante. Deus não
precisa de nossa oferta. Aliás, Deus não tem necessidade de nada.
Ele se basta totalmente. Quando a Bíblia nos convida à prática da
oblação, não está advogando qualquer interesse divino, nem
requerendo vantagens para Deus. De fato, o principal beneficiário da
contribuição é o próprio contribuinte. As nuvens existem por
causa da água que derramam. Se não houvesse chuva sobre a terra,
não haveria evaporação e conseqüentemente nenhuma nuvem no céu.
A vida das nuvens é a doação. O que nos
torna ricos neste mundo
não é o que
tomamos, mas o que
damos. Deus nos criou para a doação. Ninguém pode ser
realmente feliz se não viver com o propósito de si doar. A maior
fonte de ansiedade é o egoísmo ilimitado. Considera-se
escravo do maior dos
escravos aquele que não
serve a outra pessoa
a não ser a
si próprio. Por isso a libertação do ser
humano é a ênfase da obra de Cristo. Se, pois,
o Filho vos
libertar, verdadeiramente
sereis livres.
João 8:36. A cruz
de Cristo tem como principal efeito a crucificação de nossa
natureza egoísta, a fim de recebermos na ressurreição uma vida
completamente liberta.
Libertado
de si mesmo e de sua preocupação com a vida material, uma das
facetas relevantes do programa divino para o desenvolvimento
desembaraçado, é a contribuição desobrigada. Certamente os céus
estavam pensando na libertação do homem na terra, quando abrigaram
o sistema da contribuição voluntária. Porque
eles, testemunho
eu, na medida
de suas
posses e
mesmo acima
delas, se
mostraram voluntários,
pedindo-nos, com
muitos rogos,
a graça de
participarem da
assistência aos
santos. 2Coríntios
8:3-4. Somente os libertos são livres para
contribuir com liberdade e liberalidade. Os cristãos de Corinto
sentiam prazer em participar do ministério da contribuição,
apelando para o privilégio de serem integrantes desta assistência
aos santos. Não foi a liderança que solicitou a associação do
povo no programa da contribuição, mas os próprios crentes instavam
pela oportunidade de estarem envolvidos no direito à cooperação.
Sabe-se muito bem que ninguém reivindica dever. Nós reivindi-camos
os nossos direitos. O ofertório genuinamente cristão não é uma
obrigação, é um direito. Nós somos beneficiados com o prazer de
poder oferecer a nossa oferta, com generosidade e sem ostentação.
A
lei do bumerangue mostra também que a felicidade verdadeira se
encontra no retorno da doação. O apóstolo Paulo afirmou: Em
tudo o que
fiz, mostrei-lhes
que mediante
o trabalho
árduo devemos
ajudar os
fracos, lembrando
as palavras
do próprio
Senhor Jesus,
que disse:
Mais bem-aventurado
é dar do
que receber.
Atos 20:35. A
recompensa da doação é um contentamento enriquecido. É lucrativo
o investimento na contribuição. A alegria
é o resultado natural
da obediência do cristão
à vontade revelada de
Deus. Se um cristão não experimenta o gozo na entrega de
sua oferta, é porque há vazamento na essência de sua fé. O
avarento é um inimigo
de Deus e um
suicida de sua própria
felicidade.
Quando
um cristão sobe ao altar para consagração de sua oferta, sobe
também com ele o índice da bolsa dos valores permanentes. A alegria
é alguma coisa que é multiplicada quando é distribuída junto com
a oferta. Você dá com alegria e ganha uma maior alegria em poder
dar. Outro aspecto da restituição da oferta, extremamente
vantajoso, e que causa certa dificuldade no seu tratamento, é a
colheita. A lei da semeadura é bem diferente da lei da ceifa. Sempre
se colhe mais do que se planta. Planta-se um grão de milho, sega-se
uma espiga. E muita gente sabe disto e quer levar vantagem neste
terreno. Interesses à parte, a Bíblia diz que quem planta pouco,
(ainda que tenha uma colheita maior do que a plantação), vai ceifar
pouco. Quem planta muito vai colher proporcionalmente muito mais do
que quem plantou pouco. A lei da reciprocidade é sempre menor na
aplicação e maior nos dividendos. Dai, e
dar-se-vos-á. Boa
medida, recalcada,
sacudida e
transbordante, generosamen-te
vos darão...
Lucas 6:38a. Sem
qualquer incitação aos desejos carnais, esta é a lei natural da
agricultura. Não podemos esperar outra coisa senão o cumpri-mento
normal das regras estabelecidas pelo próprio Deus, nos limites da
colheita e da coleta.
A
oferta cristã é uma expressão da libertação produzida pelo
Evangelho e um tratamento da abundância da graça. Cremos que
plantar pouco é semear na proporção da velha dispensação. Por
exemplo, o dízimo é o mínimo em uma lavoura. Esta era a justiça
dos fariseus e Jesus solicitou uma justiça que excedesse em muito à
dos escribas e fariseus. O dízimo não
deve ser um teto
em que paramos de
contribuir, mas um piso
a partir do qual
começamos. Dar apenas o dízimo é cultivar um quintal
muito pequeno. Quem não dá o dízimo, isto é, 10% de sua renda,
nem fariseu pode ser considerado. A fartura começa quando lançamos
mais sementes no solo. Pode-se argumentar que
no Antigo Testamento os
dízimos eram pagos e,
portanto, falando especificamente,
não estão na categoria
de contribuição voluntária.
A contri-buição cristã
só começa quando damos
mais do que um
décimo. Se quisermos conhecer a abun-dância dos celeiros
temos que aplicar na genero-sidade do plantio. Contam os
historiadores que Colgate começou sua vida empresarial comprando uma
fábrica falida de sabão. Iniciou sua gerência entregando ao fim de
cada relatório financeiro, mais do que o dízimo. No fim de sua
vida, a empresa contribuía com um percentual muito grande em relação
ao dízimo, e ele vivia com 2% de sua retirada pessoal, devolvendo
98% para aplicação no reino de Deus. Honra ao
Senhor com os
teus bens e
com as
primícias de
toda a tua
renda; e se
encherão fartamente
os teus
celeiros, e
transbordarão de
vinho os teus
lagares. Provérbios
3:9-10.
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