sexta-feira, 25 de maio de 2012

O BUMERANGUE DA CONTRIBUIÇÃO


O BUMERANGUE DA CONTRIBUIÇÃO
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá
E isto afirmo: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem com alegria. 2 Coríntios 9:6-7.
Estamos em terreno minado. Logo, todo o cuidado é pouco. Há uma exploração assustadora neste campo, que causa preocupação em qualquer pessoa de bom senso, e que deixa o tema muito melindroso. Batedores de carteira engravatados, protegidos pelo púlpito, têm causado um verdadeiro desastre no seio da igreja. "Trombadinhas" eclesiásticos e aproveitadores do sistema religioso extorquem pessoas crédulas e usurpam-nos o direito de tratar de um assunto tão importante e necessário. Em face desta situação delicada, tornou-se um problema complicado abordar, com a igreja contemporânea, o privilégio da contribuição. Muitos têm fugido do assunto com receio de se envolver na mesma cate-goria dos pilantras que saqueiam o bolso dos crentes e que denigrem o caráter autêntico da fé cristã.
Entretanto, é imprescindível que encaremos os escrúpulos e embaraços causados pelos maus tratos ao tema, para enfocarmos com a maior exatidão o objetivo bíblico da contribuição. Não podemos ocultar a verdade das Escrituras, em face da embrulhada produzida pelos picaretas da fé. Estaríamos covardemente nos escondendo de sa-lientar aquilo que Deus planejou para nortear a con-duta dos seus filhos, com receio de sermos mistu-rados no mesmo balaio de gatos. Mesmo que corramos o risco de ser mal interpretados, não podemos cair na arriosca da omissão. Na vida, somos culpados não do mal que fizemos, como do bem que deixamos de fazer, ressaltava Elizabeth Leseur. Ser negligente com os assuntos relevantes é tão sério como ser infrator das leis morais. Não é tanto o que temos feito errado, mas o que deixamos de fazer certo, que tem causado muita dor de cabeça. Suprimir o ensino da Bíblia sobre a contribuição do crente pode se constituir um problema tão grave, como a exploração enganosa dos comerciantes da crença.
Agora, podemos entrar no estudo. O título aqui fala de um bumerangue, arma de arremesso que volta ao ponto de partida depois de descrever curvas caprichosas. Uma vez lançado retorna à mão do atirador. A primeira questão que queremos apontar aqui é o troco da operação. A oferta é uma bênção para o próprio ofertante. Deus não precisa de nossa oferta. Aliás, Deus não tem necessidade de nada. Ele se basta totalmente. Quando a Bíblia nos convida à prática da oblação, não está advogando qualquer interesse divino, nem requerendo vantagens para Deus. De fato, o principal beneficiário da contribuição é o próprio contribuinte. As nuvens existem por causa da água que derramam. Se não houvesse chuva sobre a terra, não haveria evaporação e conseqüentemente nenhuma nuvem no céu. A vida das nuvens é a doação. O que nos torna ricos neste mundo não é o que tomamos, mas o que damos. Deus nos criou para a doação. Ninguém pode ser realmente feliz se não viver com o propósito de si doar. A maior fonte de ansiedade é o egoísmo ilimitado. Considera-se escravo do maior dos escravos aquele que não serve a outra pessoa a não ser a si próprio. Por isso a libertação do ser humano é a ênfase da obra de Cristo. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. João 8:36. A cruz de Cristo tem como principal efeito a crucificação de nossa natureza egoísta, a fim de recebermos na ressurreição uma vida completamente liberta.
Libertado de si mesmo e de sua preocupação com a vida material, uma das facetas relevantes do programa divino para o desenvolvimento desembaraçado, é a contribuição desobrigada. Certamente os céus estavam pensando na libertação do homem na terra, quando abrigaram o sistema da contribuição voluntária. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. 2Coríntios 8:3-4. Somente os libertos são livres para contribuir com liberdade e liberalidade. Os cristãos de Corinto sentiam prazer em participar do ministério da contribuição, apelando para o privilégio de serem integrantes desta assistência aos santos. Não foi a liderança que solicitou a associação do povo no programa da contribuição, mas os próprios crentes instavam pela oportunidade de estarem envolvidos no direito à cooperação. Sabe-se muito bem que ninguém reivindica dever. Nós reivindi-camos os nossos direitos. O ofertório genuinamente cristão não é uma obrigação, é um direito. Nós somos beneficiados com o prazer de poder oferecer a nossa oferta, com generosidade e sem ostentação.
A lei do bumerangue mostra também que a felicidade verdadeira se encontra no retorno da doação. O apóstolo Paulo afirmou: Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante o trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurado é dar do que receber. Atos 20:35. A recompensa da doação é um contentamento enriquecido. É lucrativo o investimento na contribuição. A alegria é o resultado natural da obediência do cristão à vontade revelada de Deus. Se um cristão não experimenta o gozo na entrega de sua oferta, é porque há vazamento na essência de sua fé. O avarento é um inimigo de Deus e um suicida de sua própria felicidade.
Quando um cristão sobe ao altar para consagração de sua oferta, sobe também com ele o índice da bolsa dos valores permanentes. A alegria é alguma coisa que é multiplicada quando é distribuída junto com a oferta. Você dá com alegria e ganha uma maior alegria em poder dar. Outro aspecto da restituição da oferta, extremamente vantajoso, e que causa certa dificuldade no seu tratamento, é a colheita. A lei da semeadura é bem diferente da lei da ceifa. Sempre se colhe mais do que se planta. Planta-se um grão de milho, sega-se uma espiga. E muita gente sabe disto e quer levar vantagem neste terreno. Interesses à parte, a Bíblia diz que quem planta pouco, (ainda que tenha uma colheita maior do que a plantação), vai ceifar pouco. Quem planta muito vai colher proporcionalmente muito mais do que quem plantou pouco. A lei da reciprocidade é sempre menor na aplicação e maior nos dividendos. Dai, e dar-se-vos-á. Boa medida, recalcada, sacudida e transbordante, generosamen-te vos darão... Lucas 6:38a. Sem qualquer incitação aos desejos carnais, esta é a lei natural da agricultura. Não podemos esperar outra coisa senão o cumpri-mento normal das regras estabelecidas pelo próprio Deus, nos limites da colheita e da coleta.
A oferta cristã é uma expressão da libertação produzida pelo Evangelho e um tratamento da abundância da graça. Cremos que plantar pouco é semear na proporção da velha dispensação. Por exemplo, o dízimo é o mínimo em uma lavoura. Esta era a justiça dos fariseus e Jesus solicitou uma justiça que excedesse em muito à dos escribas e fariseus. O dízimo não deve ser um teto em que paramos de contribuir, mas um piso a partir do qual começamos. Dar apenas o dízimo é cultivar um quintal muito pequeno. Quem não dá o dízimo, isto é, 10% de sua renda, nem fariseu pode ser considerado. A fartura começa quando lançamos mais sementes no solo. Pode-se argumentar que no Antigo Testamento os dízimos eram pagos e, portanto, falando especificamente, não estão na categoria de contribuição voluntária. A contri-buição cristã começa quando damos mais do que um décimo. Se quisermos conhecer a abun-dância dos celeiros temos que aplicar na genero-sidade do plantio. Contam os historiadores que Colgate começou sua vida empresarial comprando uma fábrica falida de sabão. Iniciou sua gerência entregando ao fim de cada relatório financeiro, mais do que o dízimo. No fim de sua vida, a empresa contribuía com um percentual muito grande em relação ao dízimo, e ele vivia com 2% de sua retirada pessoal, devolvendo 98% para aplicação no reino de Deus. Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares. Provérbios 3:9-10.

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