segunda-feira, 28 de maio de 2012

NA ENCRUZILHADA, UMA CRUZ


NA ENCRUZILHADA, UMA CRUZ
 Glenio Fonseca Paranaguá


Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14.
Paulo procura se distanciar de toda a glória que esteja fora do foco da cruz. Ele se mantém afastado de qualquer honra que foge completamente das marcas da cruz de Cristo. Para Paulo, a reputação está configurada com o emblema encarnado dos efeitos eternos da cruz. Somente uma pessoa tratada pela eficácia permanente da cruz pode encontrar regozijo numa obra tão radical.
No caminho da existência humana há uma encruzilhada cuja única placa de indicação é uma cruz. Jesus mostra que há duas portas e dois caminhos neste mundo, e insiste para que entremos pelo caminho restrito: Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. Mateus 7:13-14. Alguns intérpretes acreditam que a porta ampla se refere ao nosso nascimento em carne. Todos nós nascemos no caminho vasto do pecado. Ninguém precisa cometer pecado para se tornar pecador. Todos nós já nascemos comprometidos pela natureza inclinada para a perdição. Nascemos, naturalmente, no caminho dilatado do pecado e não há possibilidade humana capaz de reverter as conseqüências procedentes desta realidade. Por outro lado, Jesus declara que entremos pela porta apertada e andemos pelo caminho estreito, que está sinalizado pela cruz. Se o nosso nascimento em carne aponta para o caminho espaçoso, com certeza, o novo nascimento, pela morte e ressurreição de Cristo, aponta para a porta severa da morte e para o caminho rigoroso da cruz. Nesta bifurcação há uma decisão moral: Entrai! A porta é estreita e estrita. O caminho é difícil e calamitoso.
A vida cristã não é uma convocação ao pódio, nem um convite a um convescote. Ainda que seja uma experiência de profundo contentamento, não é um piquenique. Quando Jesus apelou para a decisão moral, Ele não fez menção de recreio ou de merenda escolar. Jesus nunca enganou as pessoas prometendo felicidade barata num mundo de festejos. Não há carnaval para quem foi identificado com Cristo na cruz. Ele deixou claro que seu chamamento estava emoldurado por uma cruz, e isto significava necessariamente a morte do egoísmo com todas as suas facetas. Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Mateus 16:24. Conquanto o cristianismo seja penetrantemente alegre, ele não é folgança. A glória da cruz não se concilia com o estilo irreverente dos divertimentos irresponsáveis. Se queremos andar na estrada de Jesus, temos que ser entalhados no miolo da cruz. Não estamos falando de sisudez ou gravidade, mas de equilíbrio e sensatez. A cruz como sinal positivo da aritmética celestial, primeiro subtrai o desdém para depois acrescentar a consideração. Ela arranca o sofisma e agrega a estima.
A cruz é uma realidade séria que exibe uma imensa glória. O apóstolo Paulo via a excessiva riqueza desta glória na expressão de sua morte para o mundo e do mundo para ele. O estado de morte alcançado por ele evidenciava uma libertação que desaguava num contentamento essencial no seu viver diário. Já que estou morto para aquilo que antes me dominava com as suas cobranças e exigências, posso viver com intensidade a vida que me satisfaz totalmente. A alegria da cruz é exatamente a liberdade de uma vida sem a opressão ou tirania do mundo.
A cruz é a única escada suficientemente alta para alcançar a soleira dos céus, sustentava George Boardman. Ninguém poderá chegar ao reino de Deus sem passar pelo âmago da cruz. Não basta crer na morte de Cristo em seu benefício, é preciso crer também em sua morte com Cristo como o seu maior benefício. Paulo percebia a glória de cruz na medida em que se via parceiro da mesma crucificação. Ele ressaltava como evidente a glória da cruz de Cristo, mas como pessoal a sua crucificação na mesma cruz. Pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.
Francis Quarles disse: Aquele que nunca teve uma cruz, jamais terá uma coroa. A cruz não é apenas um ponto de partida, mas também um estilo de vida de todos aqueles que crêem realmente em Cristo. Ela exerce uma operação tão radical no coração dos homens que os capacita verdadeiramente a reinarem em vida por meio de Jesus Cristo. Se, pela ofensa de um e por meio de um (Adão), reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça (a cruz) reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Romanos 5:17.
A cruz não aponta para um chapéu de aposentado ou uma touca de dormir, mas para um coração do reino. Aqueles que foram pregados na mesma cruz com Cristo e que vivem sob o patrocínio da experiência real da cruz, terão como resultado a coroa dos vencedores. Ninguém deve ficar cansado de carregar uma cruz quando tiver certeza de que receberá a coroa. fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apocalipse 2:10c. A realeza no céu é para os que tiveram na terra senão um tronoa cruz, dizia Leoni Kaseff.
Cristo não tem cruzes de veludo, sustentava Samuel Rutheford. Não espero uma vida fácil neste mundo, onde a cruz foi a marca do Senhor Jesus Cristo. O Espírito Santo nos chamou em Cristo para glorificarmos a Deus e não para vivermos murmurando em razão dos problemas naturais desta vida. A murmuração é o diapasão com o qual o diabo afina a sua orquestra. A música mais cantada no inferno são os lamentos. Alguém já disse que: O sapo e o murmurador são produtos da lama. Paulo e Silas não protestavam, nem reclamavam quando estavam no cárcere com as costas lanhadas pelas chibatas do carrasco, mas cantavam louvores a Deus, regidos pelo espírito da cruz. Conhecer a cruz como uma mensagem, sustentá-la como uma teologia ou usá-la como um enfeite é negar o seu significado mais profundo. A cruz não é um sofrimento resignado, não é uma enfermidade torturante, nem é um fardo de angústia, mas um estilo de vida decorrente de uma experiência de morte. O grão de trigo deve primeiro morrer para então produzir muito fruto. Tudo o que é de nossa natureza humana deve ser tratado pela operação da cruz. Se é fato que o Senhor Jesus morreu por nós, também é fato que nós morremos com o Senhor Jesus e precisamos considerar esta realidade tanto como um ato como também uma atitude. A cruz é uma senda que, aos olhos do mundo, torna-se desonrosa e cheia de afrontas, mas que aos olhos dos santos é a expressão maior da sabedoria de Deus e a mais elevada revelação da sua glória. Se a moralidade pode manter os homens afastados das cadeias, somente a cruz de Cristo pode libertá-los do inferno e da vida medíocre dos resmungões queixosos e críticos doentios. Contudo, Deus me guarde de me vangloriar de alguma coisa ou pessoa que não a cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, o que significa que o mundo é uma coisa morta para mim e eu sou uma pessoa morta para o mundo. Gálatas 6:14. Versão: Cartas Para Hoje, de J. B. Phillips.

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