NA
ENCRUZILHADA,
UMA CRUZ
Glenio Fonseca Paranaguá
Glenio Fonseca Paranaguá
Mas
longe
esteja
de
mim
gloriar-me,
senão
na
cruz
de
nosso
Senhor
Jesus
Cristo,
pela
qual
o
mundo
está
crucificado
para
mim,
e
eu,
para
o
mundo.
Gálatas
6:14.
Paulo
procura se distanciar de toda a glória que esteja fora do foco da
cruz. Ele se mantém afastado de qualquer honra que foge
completamente das marcas da cruz de Cristo. Para Paulo, a reputação
está configurada com o emblema encarnado dos efeitos eternos da
cruz. Somente uma pessoa tratada pela eficácia permanente da cruz
pode encontrar regozijo numa obra tão radical.
No
caminho
da
existência
humana
há
uma
encruzilhada
cuja
única
placa
de
indicação
é
uma
cruz.
Jesus
mostra
que
há
duas
portas
e
dois
caminhos
neste
mundo,
e
insiste
para
que
entremos
pelo
caminho
restrito:
Entrai
pela
porta
estreita
(larga
é
a
porta,
e
espaçoso,
o
caminho
que
conduz
para
a
perdição,
e
são
muitos
os
que
entram
por
ela),
porque
estreita
é
a
porta,
e
apertado,
o
caminho
que
conduz
para
a
vida,
e
são
poucos
os
que
acertam
com
ela.
Mateus
7:13-14.
Alguns
intérpretes
acreditam
que
a
porta
ampla
se
refere
ao
nosso
nascimento
em
carne.
Todos
nós
nascemos
no
caminho
vasto
do
pecado.
Ninguém
precisa
cometer
pecado
para
se
tornar
pecador.
Todos
nós
já
nascemos
comprometidos
pela
natureza
inclinada
para
a
perdição.
Nascemos,
naturalmente,
no
caminho
dilatado
do
pecado
e
não
há
possibilidade
humana
capaz
de
reverter
as
conseqüências
procedentes
desta
realidade.
Por
outro
lado,
Jesus
declara
que
entremos
pela
porta
apertada
e
andemos
pelo
caminho
estreito,
que
está
sinalizado
pela
cruz.
Se
o
nosso
nascimento
em
carne
aponta
para
o
caminho
espaçoso,
com
certeza,
o
novo
nascimento,
pela
morte
e
ressurreição
de
Cristo,
aponta
para
a
porta
severa
da
morte
e
para
o
caminho
rigoroso
da
cruz.
Nesta
bifurcação
há
uma
decisão
moral:
Entrai!
A
porta
é
estreita
e
estrita.
O
caminho
é
difícil
e
calamitoso.
A
vida cristã não é uma convocação ao pódio, nem um convite a um
convescote. Ainda que seja uma experiência de profundo
contentamento, não é um piquenique. Quando Jesus apelou para a
decisão moral, Ele não fez menção de recreio ou de merenda
escolar. Jesus nunca enganou as pessoas prometendo felicidade barata
num mundo de festejos. Não há carnaval para quem foi identificado
com Cristo na cruz. Ele deixou claro que seu chamamento estava
emoldurado por uma cruz, e isto significava necessariamente a morte
do egoísmo com todas as suas facetas. Então,
disse Jesus
aos seus
discípulos: Se
alguém quer
vir após
Mim, a si
mesmo se
negue, tome a
sua cruz e
siga-me. Mateus
16:24. Conquanto o cristianismo seja
penetrantemente alegre, ele não é folgança. A glória da cruz não
se concilia com o estilo irreverente dos divertimentos
irresponsáveis. Se queremos andar na estrada de Jesus, temos que ser
entalhados no miolo da cruz. Não estamos falando de sisudez ou
gravidade, mas de equilíbrio e sensatez. A cruz como sinal positivo
da aritmética celestial, primeiro subtrai o desdém para depois
acrescentar a consideração. Ela arranca o sofisma e agrega a
estima.
A
cruz é uma realidade séria que exibe uma imensa glória. O apóstolo
Paulo via a excessiva riqueza desta glória na expressão de sua
morte para o mundo e do mundo para ele. O estado de morte alcançado
por ele evidenciava uma libertação que desaguava num contentamento
essencial no seu viver diário. Já que estou morto para aquilo que
antes me dominava com as suas cobranças e exigências, posso viver
com intensidade a vida que me satisfaz totalmente. A alegria da cruz
é exatamente a liberdade de uma vida sem a opressão ou tirania do
mundo.
A
cruz é a única
escada suficientemente alta
para alcançar a soleira
dos céus, sustentava George Boardman.
Ninguém poderá chegar ao reino de Deus sem passar pelo âmago da
cruz. Não basta crer na morte de Cristo em seu benefício, é
preciso crer também em sua morte com Cristo como o seu maior
benefício. Paulo percebia a glória de cruz na medida em que se via
parceiro da mesma crucificação. Ele ressaltava como evidente a
glória da cruz de Cristo, mas como pessoal a sua crucificação na
mesma cruz. Pela qual
o mundo está
crucificado para
mim, e eu,
para o mundo.
Francis
Quarles disse: Aquele que nunca
teve uma cruz, jamais
terá uma coroa. A cruz não é
apenas um ponto de partida, mas também um estilo de vida de todos
aqueles que crêem realmente em Cristo. Ela exerce uma operação tão
radical no coração dos homens que os capacita verdadeiramente a
reinarem em vida por meio de Jesus Cristo. Se,
pela ofensa
de um e
por meio de
um só
(Adão), reinou
a morte,
muito mais os
que recebem a
abundância da
graça e o
dom da
justiça (a cruz) reinarão
em vida por
meio de um
só, a saber,
Jesus Cristo.
Romanos 5:17.
A
cruz não aponta para um chapéu de aposentado ou uma touca de
dormir, mas para um coração do reino. Aqueles que foram pregados na
mesma cruz com Cristo e que vivem sob o patrocínio da experiência
real da cruz, terão como resultado a coroa dos vencedores. Ninguém
deve ficar cansado de
carregar uma cruz quando
tiver certeza de que
receberá a coroa. Sê
fiel até à
morte, e
dar-te-ei a
coroa da
vida. Apocalipse
2:10c. A realeza no
céu é para os
que tiveram na terra
senão um trono – a
cruz, dizia Leoni Kaseff.
Cristo
não tem cruzes de
veludo, sustentava Samuel Rutheford. Não espero uma vida
fácil neste mundo, onde a cruz foi a marca do Senhor Jesus Cristo. O
Espírito Santo nos chamou em Cristo para glorificarmos a Deus e não
para vivermos murmurando em razão dos problemas naturais desta vida.
A murmuração é o diapasão com o qual o diabo afina a sua
orquestra. A música mais cantada no inferno são os lamentos. Alguém
já disse que: O sapo e o
murmurador são produtos da
lama. Paulo e Silas não protestavam, nem reclamavam
quando estavam no cárcere com as costas lanhadas pelas chibatas do
carrasco, mas cantavam louvores a Deus, regidos pelo espírito da
cruz. Conhecer a cruz como uma mensagem, sustentá-la como uma
teologia ou usá-la como um enfeite é negar o seu significado mais
profundo. A cruz não é um sofrimento resignado, não é uma
enfermidade torturante, nem é um fardo de angústia, mas um estilo
de vida decorrente de uma experiência de morte. O grão de trigo
deve primeiro morrer para então produzir muito fruto. Tudo o que é
de nossa natureza humana deve ser tratado pela operação da cruz. Se
é fato que o Senhor Jesus morreu por nós, também é fato que nós
morremos com o Senhor Jesus e precisamos considerar esta realidade
tanto como um ato como também uma atitude. A cruz
é uma senda que,
aos olhos do mundo,
torna-se desonrosa e cheia
de afrontas, mas que aos olhos dos santos é
a expressão maior da sabedoria de Deus e a mais elevada revelação
da sua glória. Se a moralidade pode manter os homens afastados das
cadeias, somente a cruz de Cristo pode libertá-los do inferno e da
vida medíocre dos resmungões queixosos e críticos doentios.
Contudo, Deus me
guarde de me
vangloriar de
alguma coisa
ou pessoa que
não a cruz
de nosso
Senhor Jesus
Cristo, o que
significa que
o mundo é
uma coisa
morta para
mim e eu
sou uma
pessoa morta
para o mundo.
Gálatas 6:14.
Versão: Cartas Para Hoje, de J. B. Phillips.
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