sexta-feira, 25 de maio de 2012

O CONHECIMENTO PESSOAL DE DEUS


O CONHECIMENTO PESSOAL DE DEUS
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá


Porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio. Atos 17:23.
Certa ocasião, quando Albert Einstein chegara aos Estados Unidos, depois receber o prêmio Nobel de Física, em razão de sua Teoria do Relativismo, sendo assediado pelos repórteres, a sua esposa discretamente o esperava a uma distância do tumulto. Um repórter percebendo a Sra. Einstein distraída, aproximou-se dela e perguntou: A senhora conhece a Teoria do Relativismo desenvolvida pelo seu marido? Com muita gentileza a dama respondeu: Eu conheço apenas o Sr. Einstein.
O conhecimento a respeito de um assunto difere qualitativamente do conhecimento relacional de uma pessoa. Saber tudo sobre alguma área do conhecimento de alguém não quer dizer nada com relação ao envolvimento pessoal. Podemos ser doutos na teoria da informação e nulos na intimidade. O conhecimento acerca de alguém é completamente diferente do conhecimento gerado pela convivência. Podemos saber muito sobre uma pessoa e não ter nenhum tipo de comunicação com ela. Inteirar-se e interessar-se sobre alguém está muito distante do companheirismo.
Uma coisa é conhecer Deus teologicamente, outra muito diferente é conhecê-lo na singeleza da comunhão. Saber tudo sobre os atributos de Deus não significa nada com referência à amizade ou relacionamento. Watchman Nee quando chegou na China depois dos seus estudos no seminário, descobriu que as iletradas lavadeiras cristãs tinham muito mais intimidade com Deus do que ele com todos os conhecimentos teológicos. Ele sabia muito do ponto de vista acadêmico, elas tinham familiaridade. Foi por este motivo que Packer insistiu: Um pouco de conhecimento de Deus vale muito mais do que uma grande quantidade de conhecimento sobre Ele. Pode-se conhecer muito sobre a divindade sem que haja o menor conhecimento de Deus. Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. Oséias 4:1. O homem pode prestar culto ao Deus desconhecido, vivendo sem o conhecimento pessoal dele.

Há muitos sábios no âmbito da teologia que encantam as platéias com suas palavras cheias de detalhes e informações, mas nada demonstram do seu conhecimento pessoal de Deus. Precisamos de algo mais do que um discurso informativo. A grande necessidade da Igreja é de camaradagem com Deus. Alguém já disse: Não estou interessado no seu discurso repleto de instruções; eu quero ver as marcas de sua intimidade com Deus, pois o meu coração almeja conseguir a mesma amizade, e você pode me ajudar mostrando como conseguiu andar no secreto da comunhão. Há urgência na vida de intimidade e numa pregação que revele os traços desta convivência. Falar informando não é o mesmo que falar inspirando. Uma bela comunicação não significa uma real comunhão. O conhecimento dos fatos da Bíblia pode ser um motivo de admiração, mas o conhecimento do Deus que se revela na Bíblia será certamente o motivo da adoração. O autor do clássico inglês, The Cloud of Unknowing (A Nuvem do Desconhecido), diz: Eleve seu coração a Deus num impulso de amor; busque a Ele, e não suas bênçãos. Daí por diante, rejeite qualquer pensamento que não esteja relacionado com Deus. E assim não faça nada com sua própria capacidade, nem segundo sua vontade, mas somente de acordo com Deus. Para Deus esse é o mais agradável exercício espiritual.
A grande tragédia pessoal é que eu não sei nada sobre Deus e não testeunho nenhum conhecimento pessoal com Ele. Falar sobre Deus não significa falar com Deus. Vivemos num século em que a igreja sinaliza uma vasta informação teológica, mas que não revela o menor traço de verdadeira comunhão com Deus. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. Apocalipse 3:20. Aqui Jesus encontra-se fora do perímetro da comunhão, sem nenhuma comunicação com a igreja. A mensagem da igreja de Laodicéia demonstra sua arrogante presunção de nada necessitar: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, entretanto, o Senhor Jesus Cristo, o cabeça da igreja, está afastado do seu relacionamento. Ele não faz parte de suas cogitações; no máximo, pode ser mencionado como um mero coadjuvante do processo da auto estima egoísta. Jesus permanece do lado de fora buscando uma intimidade com esta igreja autocrata.
A falta do conhecimento pessoal de Deus tem manifestado a mornidão nauseante que caracteriza a experiência da igreja contemporânea. Há um enjôo impregnado no modelo auto-suficiente dos laudicenses. Nem mesmo a agitação do "louvor" ou o emocionalismo dos chamados "dons" têm garantido o aquecimento verdadeiramente espiritual. A animação frenética não significa avivamento. O salmista percebeu esta realidade muito bem quando expressou: Lembro-me... de como passava eu com a multidão de povo e os guiava em procissão à Casa de Deus, entre os gritos de alegria e louvor, multidão em festa. Por que estás abatida ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Salmo 42:4-5a. O sacudir do esqueleto ou o abanar das narinas não exorciza o tédio do espírito, uma conseqüência da ausência de comunhão com Deus. O anseio do coração do homem é saudade de Deus. Como a corça suspira pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus? Salmo 42:1-2. A. W. Tozer bradou em 1948: É justamente a ausência deste anseio que tem conduzido a esse baixo nível espiritual que presenciamos em nossos dias. Uma vida cristã estagnada e infrutífera é resultado da ausência de uma sede maior de comunhão com Deus. Suas palavras são mais atuais hoje, do que há cinqüenta anos.

Jó era um representante autêntico desta espécie informada. Eu te conhecia de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. 42:5. O aviso de segunda mão não pode se constituir verdadeiro conhecimento. Ele tinha notícias de Deus, mas não o conhecia com intimidade, "mesmo sabendo que um Deus compreendido não é absolutamente Deus." Mas o mundo está perecendo por não conhecer a Deus, e a Igreja padece fome espiritual por não contar com a sua presença. Muitas vezes eu falo sobre Deus, eu oro a Deus, mas raramente eu falo com Deus. Há muita oração que não passa de um monólogo insistente e enfadonho. A oração não é um monólogo, mas um diálogo; a voz de Deus em resposta à minha é a parte fundamental. Ouvir a voz de Deus é o segredo da certeza de que Ele ouvirá a minha, insistia Andrew Murray. A falta de conhecimento pessoal de Deus é o grande desastre que se abateu na vida da Igreja do século XX. Com muita vergonha eu tenho de me expor como membro deste grupo de ignorantes. Somos a história da falência, em matéria de comunhão. Mesmo que tenhamos amor pela verdade, não é suficiente ter comunhão com a verdade, pois esta é impessoal. Precisamos ter comunhão com o Deus da verdade. E a verdade tem demonstrado, que na verdade, não temos uma verdadeira comunhão com o Deus da verdade. Sto. Agostinho foi simplesmente radical com a experiência cristã: Se você é um fracasso em sua vida de devoção, você é um impostor em todas as outras coisas. Lamento confessar a minha catástrofe pessoal, mas tenho sido um fracasso na intimidade pessoal com Deus, e como dizia Spurgeon, se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo. Por misericórdia, Senhor, concede-nos a graça do conhecimento pessoal de Deus, pela comunhão íntima do teu Espírito. Amém.

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