terça-feira, 15 de maio de 2012

A EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA


A EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá
Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. 1Coríntios 15:22.
O tratamento de Deus está limitado apenas a dois homens. No pecado, Deus ajustou com Adão. Na salvação, Ele consertou com Jesus. Os efeitos do pecado na raça humana são decorrentes da desobediência de Adão. As conseqüências da salvação são resultado da obediência de Cristo Jesus. Deus trata conosco através de dois homens.
            Todos nós somos herdeiros naturais de Adão. A Bíblia mostra que de um fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos dantes ordenados e os limites da sua habitação. Atos 17:26. Isto implica na unidade da raça. Somos um tronco com muitos galhos. Uma única raça composta de muitos povos, tribos e nações. A ciência tem chegado à conclusão que o DNA da humanidade é singular. Todos os povos fazem parte de uma mesma origem, e apesar das diferenças externas temos uma estirpe idêntica.
            A Bíblia mostra que no dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Gênesis 5:1b. Adão foi feito à imagem e semelhança de Deus, porém, em razão do pecado, esta imagem ficou comprometida. Dr. Tozer disse certa vez: Alguém que negue que o homem decaído tem em si algo do que ele foi outrora, não é verdadeiramente defensor da Bíblia. Isto significa que o pecado deformou essencialmente a natureza humana ao ponto de desfigurar por completo a semelhança divina. Quando Adão gerou a sua descendência já o fez com a sua semelhança, no pecado. Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e chamou o seu nome Sete. Gênesis 5:3. A humanidade traz agora as características de seu genearca. Todos os efeitos do pecado de Adão foram transmitidos por sucessão hereditária à sua geração. Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram. Romanos 5:12. Nossa pecaminosidade é decorrente de nossa descendência adâmica.
            Adão não foi apenas o primeiro homem da terra, foi também o cabeça de toda a raça humana. Tudo o que aconteceu com Adão no pecado passou naturalmente para sua prole. Somos hoje uma raça caída em razão do comprometimento compartilhado na lei da unidade genética. Após a queda de Adão todos nós nascemos caídos, o que não é nossa culpa pessoal, mas uma infelicidade solidária. Ninguém pode anular a relação de causa e efeito no processo da vida. O homem sem umbigo vive ainda em cada membro da raça. A graça não corre no sangue, mas a corrupção sim. Pecador gera pecador, mas santo não gera santo, afirmava Matthew Henry. Todos nós nascemos poluídos pelo pecado em virtude de nossa conformidade inerente com a natureza de Adão.
            Contudo, Thomas Goodwin mostrou que aos olhos de Deus dois homens: Adão e Jesus Cristoe esses dois homens têm todos os outros ligados a si. Aqui temos o grande projeto da graça de Deus para salvar a humanidade do seu pecado, por meio de um outro homem. Se em Adão todos os homens se tornaram pecadores, em Cristo todos os homens podem receber a salvação partilhada. Do mesmo modo que Adão é o cabeça da raça depravada, Jesus Cristo é o cabeça da raça regenerada. Neste dois homens nós encontramos a resposta para a história humana. Adão falando de uma relação natural com o pecado e Jesus Cristo apelando para uma realidade sobrenatural da libertação do pecado. Porque, se, pela ofensa de um homem, morreram muitos, muito mais a graça de Deus, que é de um homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. Romanos 5:15b. Não resta dúvida que tudo o que Deus trata conosco, trata através destes dois homens. Tudo o que somos no pecado, foi-nos dado em Adão. Tudo o que somos pela graça, foi-nos dado em Jesus Cristo.
            O plano de Deus para salvar o ser humano da perversão do pecado fundamenta-se totalmente na pessoa de Jesus Cristo. Ele veio ao mundo com a missão de regenerar a humanidade degenerada. E para tanto, Ele tinha que ser o representante de todos os homens, incluindo a todos em seu próprio corpo. Ora, se todos os homens estavam em Adão naturalmente, quando ele pecou, todos precisavam estar em Cristo, sobrenaturalmente, quando Ele estivesse realizando a salvação. E foi assim que Ele atraiu a todos no momento de sua crucificação. E eu, quando for levantado da terra (na cruz), todos atrairei a mim mesmo. João 12:32. Jesus não era apenas o procurador da humanidade, mas também avocou para si a condição de incluir a todos no seu sacrifício. Aos olhos de Deus Ele era a humanidade. Todos nós estávamos identificados na sua pessoa. Ele era o gênero humano universal, uma pessoa coletiva, na totalidade de todas as pessoas. Ele era uma pessoa com todas as pessoas, por isso as Escrituras o chamam de último Adão. Na cruz Ele morreu como o último Adão. Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante. 1Coríntios 15:45.
            Como nosso embaixador Ele incorporava a comunidade e morria a morte que era de todos. Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram. 2 Coríntios 5:14. Se o salário do pecado é a morte, só a morte para o pecado por meio de Jesus pode garantir a vitória da salvação. O nosso julgamento tem que passar pelo crivo da graça de Deus que engloba a todos no sacrifício de Jesus, a fim de realizar num só ato de justiça a reabilitação de todo aquele que crê. Pois assim como por uma ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação que vida. Romanos 5:18. Fomos adicionados no corpo de Cristo, pelo poder da graça de Deus, para experimentarmos como parceiros, os mesmos efeitos de sua justiça. A morte de Cristo foi de fato a nossa morte, pois fomos anexados juntamente com Ele na mesma imolação. Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? Romanos 6:3. A nossa imersão em Jesus Cristo visava agregar-nos à sua morte. Fomos batizados ou plantados em Jesus para morrermos a fim de recebermos a sua vida na nossa ressurreição juntamente com Ele. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição. Romanos 6:5.
            Quando Adão pecou, todos nós pecamos. Todos nós estávamos nele, quando ele caiu no pecado. Mas, quando Jesus morreu na cruz, todos nós precisávamos ser incluídos na sua morte, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Em Adão a nossa experiência compartilhada era de modo natural. Em Cristo a nossa experiência é mediante a fé segura nos fundamentos da Palavra de Deus. Não podemos unir-nos a Cristo porque o sentimos, mas porque Deus o disse, e precisamos crer em sua Palavra mesmo quando não a entendemos. A verdade de Deus é o alicerce de toda experiência sólida. Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade. E a verdade da Bíblia é esta: Fiel é esta palavra: se morremos com ele, também viveremos com ele. 2Timóteo 2:11. Cremos, como diz a Escritura, e descansamos na graça soberana da verdade de Deus, com a mesma ênfase de Phillips Brooke, a verdade é sempre forte, não importa quão fraca pareça, e a falsidade é sempre fraca, não importa quão forte pareça. A verdade das Escrituras mostra que temos a nossa salvação completa na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. A salvadora não é a concordância com uma proposição, mas a entrega total a uma pessoa. Se alguém está em Cristo é uma nova criatura, as coisas velhas passaram, eis que tudo foi feito novo. 2Coríntios 5:17.

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