PARADOXO
OU COMPLEMENTO?
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Estamos
diante de uma situação embaraçosa. Se o apóstolo Paulo está
correto, a justificação é pela fé. Se é Tiago quem está certo,
a justificação é pelas obras. Como vamos encarar este dilema? Na
verdade, não há nenhum dilema aqui. Não se trata de um paradoxo
mas de um complemento. Paulo e Tiago somam. Não há discordância ou
contradição. Paulo fala da raiz, Tiago ocupa-se do fruto. A raiz da
justificação é a fé, enquanto o fruto, são as boas obras. Somos
justificados pela fé, para praticar boas obras.
Os
dois enfocam lados diferentes de uma mesma experiência. O apóstolo
Paulo refere-se ao fato espiritual da justificação perante Deus,
mas Tiago fala dos efeitos da justificação diante dos homens.
Quando somos justificados pela graça de Deus, perante Ele, é
mediante a fé somente. Sabendo, contudo,
que o homem
não é
justificado por
obras da lei
e sim
mediante a fé
em Cristo
Jesus, também
temos crido
em Cristo
Jesus, para
que fôssemos
justificados pela
fé em Cristo
e não por
obras da lei,
pois, por
obras da lei,
ninguém será
justificado. Gálatas
2:16. E como dizia João Calvino, é
só a fé que
justifica, mas a fé
que justifica não está
só. Por isso, quando nos apresentamos diante dos homens
demonstramos a fé que temos através das boas obras. Se a nossa fé
não tem resultado prático de boas obras é falsa. Fé
inoperante é tão inútil
quanto palavras vãs. Meus
irmãos, qual
é o
proveito, se
alguém disser
que tem fé,
mas não
tiver obras?
Pode, acaso,
semelhante fé
salvá-lo? Assim,
também a fé,
se não tiver
obras, por si
só está
morta. Tiago
2:14 e 17.
A fé verdadeira e
viva, que o Espírito
Santo coloca no coração,
simplesmente não pode ser
inoperante, afirmava Martinho Lutero.
Paulo
vê a fé como fábrica de boas obras. Tiago vê as boas obras como
prova de que há fé. A única fé que salva é a fé que realiza.
Toplady disse que se Deus lhe
conceder fé como de
Paulo, logo você terá
as obras de Tiago.
Biblicamente ninguém pode ser justificado diante de Deus pelas
obras, mas nenhum justificado pode deixar de produzir boas obras; e
Blanchard conclui: A justificação nunca
resulta de boas obras;
ela sempre resulta em
boas obras. A relação entre a justificação
gratuita pela fé e a obediência que resulta nas boas obras é
fundamental. Sabemos que
tudo o que
a lei diz,
o diz àqueles
que estão
debaixo dela,
para que toda
boca se cale
e todo o
mundo esteja
sob o juízo
de Deus.
Portanto, ninguém
será declarado
justo diante
dele baseando-se
na obediência
à lei, pois
é mediante a
lei que nos
tornamos plenamente
conscientes do
pecado.Você pode
ver que tanto
a fé como
as suas obras
(de Abraão) estavam
atuando juntas,
e a fé
foi aperfeiçoada
pelas obras.
Assim como o
corpo sem
espírito está
morto, também
a fé sem
obras está
morta. Romanos
3:19-20, Tiago
2:22 e 26
(NVI). Qualquer tentativa de fazer a
justificação depender dos méritos é roubar da graça sua
gratuidade e acrescentar obras à graça salvadora. Qualquer
tentativa de retirar as boas obras como resultado da justificação
pela fé é destituir o significado real da salvação pela fé. No
trono da justificação os méritos não valem nada, são
insuficientes; mas no processo da santificação as boas obras
atestam a vida e o valor da fé. A fé sem a ação das boas obras é
mero cadáver da religião.
As
boas obras são conseqüência da salvação graciosa através da fé.
Todas as obras realizadas antes da regeneração do ser humano não
são consideradas boas obras em razão da maldade do coração.
Segundo Jesus não existe ninguém realmente bom. Por
que você me
chama bom?
Não há
ninguém que
seja bom, a
não ser
somente Deus.
Lucas 18:19(NVI).
Só Deus é essencialmente bom. Toda bondade humana encontra-se
poluída pelos interesses do pecado. Mesmo os atos mais abnegados
carregam satisfações egoístas extremamente sutis. Nenhum
capital produz mais
interesse do que o
bem que fizemos. A bondade
humana não é verdadeiramente boa. Em face do temperamento e da
educação podemos encontrar algumas boas pessoas, mas não pessoas
boas. Nenhuma quantidade de boas obras pode fazer de nós pessoas
boas. Precisamos ser convertidos pela bondade de Deus antes de
realizar as boas obras. A bondade de
Deus é a raiz
de toda bondade; e
a nossa bondade, se
temos alguma, origina-se em
Sua bondade. Considerem:
uma árvore
boa dá bom
fruto; uma
árvore ruim,
dá fruto
ruim, pois
uma árvore é
conhecida pelo
seu fruto. A
árvore boa
não pode dar
frutos ruins,
nem a árvore
ruim pode dar
frutos bons.
Mateus 12:33
e 7:18 (NVI).
A árvore má precisa ser convertida em árvore boa para poder dar
bons frutos. As boas obras também só aparecem depois da conversão
do pecador em nova criatura. Antes de produzir as boas obras devemos
ser transformados em pessoas boas, com a bondade de Deus, mediante a
graça de Cristo. Porque somos
criação de
Deus realizada
em Cristo
Jesus para
fazer as boas
obras, as
quais Deus
preparou de
antemão para
que nós as
praticássemos. Efésios
2:10(NVI).
Primeiramente
Deus desfez a obra da escravidão do pecado em nossas vidas, na cruz
em Cristo, e depois nos fez novas criaturas pela nossa ressurreição,
juntamente com Cristo. Ele rescindiu o antigo contrato de escravos do
pecado, no sacrifício de Jesus Cristo, e nos contratou como servos
da justiça para a realização das boas obras. Quando Cristo morreu,
nós fomos incluídos nele para morrermos com Ele, sendo
justificados, pois quem
morreu justificado
está do
pecado. Romanos
6:7. Quando Cristo ressuscitou, fomos feitos
novas criaturas, pela vida de Cristo. O cristão não é alguém que
teve um novo começo em sua vida, mas aquele que perdeu a sua vida na
cruz com Cristo a fim de receber uma nova vida na ressurreição, e
começar com ela a prática das boas obras. Não há justificação
no cristianismo pelas obras da lei, mas nenhum justificado pela graça
de Cristo se justifica sem a prática das boas obras. Assim
brilhe a luz
de vocês
diante dos
homens, para
que vejam as
suas boas
obras e
glorifiquem ao
Pai de vocês,
que está nos
céus. Mateus
5:16( NVI). Só os
filhos do Pai celestial, justificados pelo sacrifício de Jesus
Cristo, podem produzir as boas obras que realmente O glorifiquem. No
Evangelho, a salvação do ser humano é unicamente pela graça em
Cristo através da fé, mas a fé que salva é a fé que segue na
produção das boas obras que glorificam a Deus. Ninguém pode ser
salvo pelas obras, mas nenhum salvo pela graça se furta ao exercício
das boas obras.
As
obras dos não salvos são moedas de recompensa. Elas são utilizadas
para angariar alguma indenização. Todas as obras que exigem
retribuição ou compensação não podem ser consideradas boas. As
boas obras dos salvos são desprendidas de quaisquer vantagens; são
expressões da eterna gratidão em face da plena salvação que lhes
foi concedida totalmente pela graça. As boas obras são boas, porque
são isenta de gratificação ou agradecimento, pois são as obras
puras de Deus em nós. Jesus Cristo
se entregou
por nós a
fim de nos
remir de toda
maldade e
purificar para
si mesmo um
povo particularmente
seu, dedicado
à pratica de
boas obras.
Tito 2:14
(NVI). Só os justificados pela graça, segundo
Paulo, podem praticar as legítimas boas obras que Tiago exige da
justificação. Justificação e santificação
são diferenciáveis, mas
não separáveis. Aleluia! Amém!
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