quinta-feira, 31 de maio de 2012

PARADOXO OU COMPLEMENTO?


PARADOXO OU COMPLEMENTO?
Por: Glenio Fonseca Paranaguá


Estamos diante de uma situação embaraçosa. Se o apóstolo Paulo está correto, a justificação é pela fé. Se é Tiago quem está certo, a justificação é pelas obras. Como vamos encarar este dilema? Na verdade, não há nenhum dilema aqui. Não se trata de um paradoxo mas de um complemento. Paulo e Tiago somam. Não há discordância ou contradição. Paulo fala da raiz, Tiago ocupa-se do fruto. A raiz da justificação é a fé, enquanto o fruto, são as boas obras. Somos justificados pela fé, para praticar boas obras.
Os dois enfocam lados diferentes de uma mesma experiência. O apóstolo Paulo refere-se ao fato espiritual da justificação perante Deus, mas Tiago fala dos efeitos da justificação diante dos homens. Quando somos justificados pela graça de Deus, perante Ele, é mediante a fé somente. Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado. Gálatas 2:16. E como dizia João Calvino, é a que justifica, mas a que justifica não está . Por isso, quando nos apresentamos diante dos homens demonstramos a fé que temos através das boas obras. Se a nossa fé não tem resultado prático de boas obras é falsa. inoperante é tão inútil quanto palavras vãs. Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante salvá-lo? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si está morta. Tiago 2:14 e 17. A verdadeira e viva, que o Espírito Santo coloca no coração, simplesmente não pode ser inoperante, afirmava Martinho Lutero.
Paulo vê a fé como fábrica de boas obras. Tiago vê as boas obras como prova de que há fé. A única fé que salva é a fé que realiza. Toplady disse que se Deus lhe conceder como de Paulo, logo você terá as obras de Tiago. Biblicamente ninguém pode ser justificado diante de Deus pelas obras, mas nenhum justificado pode deixar de produzir boas obras; e Blanchard conclui: A justificação nunca resulta de boas obras; ela sempre resulta em boas obras. A relação entre a justificação gratuita pela fé e a obediência que resulta nas boas obras é fundamental. Sabemos que tudo o que a lei diz, o diz àqueles que estão debaixo dela, para que toda boca se cale e todo o mundo esteja sob o juízo de Deus. Portanto, ninguém será declarado justo diante dele baseando-se na obediência à lei, pois é mediante a lei que nos tornamos plenamente conscientes do pecado.Você pode ver que tanto a como as suas obras (de Abraão) estavam atuando juntas, e a foi aperfeiçoada pelas obras. Assim como o corpo sem espírito está morto, também a sem obras está morta. Romanos 3:19-20, Tiago 2:22 e 26 (NVI). Qualquer tentativa de fazer a justificação depender dos méritos é roubar da graça sua gratuidade e acrescentar obras à graça salvadora. Qualquer tentativa de retirar as boas obras como resultado da justificação pela fé é destituir o significado real da salvação pela fé. No trono da justificação os méritos não valem nada, são insuficientes; mas no processo da santificação as boas obras atestam a vida e o valor da fé. A fé sem a ação das boas obras é mero cadáver da religião.
As boas obras são conseqüência da salvação graciosa através da fé. Todas as obras realizadas antes da regeneração do ser humano não são consideradas boas obras em razão da maldade do coração. Segundo Jesus não existe ninguém realmente bom. Por que você me chama bom? Não ninguém que seja bom, a não ser somente Deus. Lucas 18:19(NVI). Só Deus é essencialmente bom. Toda bondade humana encontra-se poluída pelos interesses do pecado. Mesmo os atos mais abnegados carregam satisfações egoístas extremamente sutis. Nenhum capital produz mais interesse do que o bem que fizemos. A bondade humana não é verdadeiramente boa. Em face do temperamento e da educação podemos encontrar algumas boas pessoas, mas não pessoas boas. Nenhuma quantidade de boas obras pode fazer de nós pessoas boas. Precisamos ser convertidos pela bondade de Deus antes de realizar as boas obras. A bondade de Deus é a raiz de toda bondade; e a nossa bondade, se temos alguma, origina-se em Sua bondade. Considerem: uma árvore boa bom fruto; uma árvore ruim, fruto ruim, pois uma árvore é conhecida pelo seu fruto. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Mateus 12:33 e 7:18 (NVI). A árvore má precisa ser convertida em árvore boa para poder dar bons frutos. As boas obras também só aparecem depois da conversão do pecador em nova criatura. Antes de produzir as boas obras devemos ser transformados em pessoas boas, com a bondade de Deus, mediante a graça de Cristo. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazer as boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos. Efésios 2:10(NVI).
Primeiramente Deus desfez a obra da escravidão do pecado em nossas vidas, na cruz em Cristo, e depois nos fez novas criaturas pela nossa ressurreição, juntamente com Cristo. Ele rescindiu o antigo contrato de escravos do pecado, no sacrifício de Jesus Cristo, e nos contratou como servos da justiça para a realização das boas obras. Quando Cristo morreu, nós fomos incluídos nele para morrermos com Ele, sendo justificados, pois quem morreu justificado está do pecado. Romanos 6:7. Quando Cristo ressuscitou, fomos feitos novas criaturas, pela vida de Cristo. O cristão não é alguém que teve um novo começo em sua vida, mas aquele que perdeu a sua vida na cruz com Cristo a fim de receber uma nova vida na ressurreição, e começar com ela a prática das boas obras. Não há justificação no cristianismo pelas obras da lei, mas nenhum justificado pela graça de Cristo se justifica sem a prática das boas obras. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus. Mateus 5:16( NVI). Só os filhos do Pai celestial, justificados pelo sacrifício de Jesus Cristo, podem produzir as boas obras que realmente O glorifiquem. No Evangelho, a salvação do ser humano é unicamente pela graça em Cristo através da fé, mas a fé que salva é a fé que segue na produção das boas obras que glorificam a Deus. Ninguém pode ser salvo pelas obras, mas nenhum salvo pela graça se furta ao exercício das boas obras.
As obras dos não salvos são moedas de recompensa. Elas são utilizadas para angariar alguma indenização. Todas as obras que exigem retribuição ou compensação não podem ser consideradas boas. As boas obras dos salvos são desprendidas de quaisquer vantagens; são expressões da eterna gratidão em face da plena salvação que lhes foi concedida totalmente pela graça. As boas obras são boas, porque são isenta de gratificação ou agradecimento, pois são as obras puras de Deus em nós. Jesus Cristo se entregou por nós a fim de nos remir de toda maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à pratica de boas obras. Tito 2:14 (NVI). Só os justificados pela graça, segundo Paulo, podem praticar as legítimas boas obras que Tiago exige da justificação. Justificação e santificação são diferenciáveis, mas não separáveis. Aleluia! Amém!

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