A
GRATUIDADE GRACIOSA DA
GRAÇA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Porque
todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.
João 1:16.
Tudo
no evangelho de Jesus Cristo tem que ser inflexivelmente gracioso e
gratuito. O grande teólogo Charles Hodge
disse certa vez que, nada que não
seja gratuito é seguro
para os pecadores... A
não ser que sejamos
salvos pela graça, não
podemos absolutamente ser
salvos. Parece que ele quer dizer que a graça que não é
inteiramente grátis e graciosa não tem a menor graça e corre
riscos de mercado. O evangelho é a mensagem da graciosa graça bem
humorada. É uma graça sem ônus, sem bônus e sem donos.
Jesus
é a plenitude do evangelho e o evangelho é a excelência da graça.
Não há uma boa notícia na lei. O evangelho é uma boa nova, mas a
lei é uma ameaça para a nossa conduta. Tudo o que a lei faz é
mostrar a rabujice do ser humano e a gravidade do pecado. Se não
houvesse lei não haveria infrator, por isso, a lei serve para
instigar a nossa violação e diagnosticar a natureza rebelde do ser
humano.
A
lei decreta a norma e demanda o comportamento. Só que ela não é
capaz de produzir aquilo que ela requer. O filósofo e matemático
francês Blaise Pascal disse com precisão
que a lei exige o
que não pode dar,
enquanto a graça dá
tudo o que exige.
A
fé cristã é a ciência da graça. Tudo aquilo que o verdadeiro
cristianismo requer, a graça providencia e promove. Mas é bom que
se diga logo, que a fé cristã não prega o antinominianismo, isto
é: ela não abole a lei. Alguém disse que havia
graça no reinado da
lei e há lei
no reinado da graça.
A questão é que a lei em si nunca provê aquilo que exige, enquanto
a lei na graça só exige aquilo que a graça pode fornecer.
O
Novo Testamento define Deus como sendo a Divindade de toda a graça.
Ora, o Deus
de toda a
graça, que
em Cristo vos
chamou à sua
eterna glória,
depois de
terdes sofrido
por um pouco,
ele mesmo vos
há de
aperfeiçoar, firmar,
fortificar e
fundamentar. 1
Pedro 5:10. Não
existe o conceito da graça em nenhuma religião na terra e não há
um Deus que seja absolutamente gracioso, senão a Trindade Santa.
O
evangelho é a encarnação da graça em repique. A plenitude do
evangelho é graça sobre graça, e Jesus Cristo é o único
emissário dessa graça. Ele é a incorporação da graça e a sua
canalização fluente. Porque a
lei foi dada
por intermédio
de Moisés; a
graça e a
verdade vieram
por meio de
Jesus Cristo.
João 1:17.
Na
matemática a ordem das parcelas não altera o produto. Porém, aqui
não podemos trocar a seqüência das palavras. A graça antecede a
verdade na medida em que ela é a razão de tudo na vida cristã,
inclusive da verdade. Sendo assim a verdade não é fruto de esforço
na pesquisa, e sim da revelação graciosa de Jesus Cristo. Tudo o
que o filho de Deus recebe em sua vida é resultado da graça plena
em Cristo Jesus. Aquele que
não poupou o
seu próprio
Filho, antes,
por todos nós
o entregou,
porventura, não
nos dará
graciosamente com
ele todas as
coisas? Romanos
8:32.
O
apóstolo João mostra que Cristo, ao se encarnar, tomou a forma
humana superlotada da graça plena e da verdade completa. Ele
esvaziou-se da sua infinita glória, mas encheu-se da plenitude da
graça e da verdade para manifestar a glória compatível com a
compreensão humana. Seria impossível para um pecador mirar a face
gloriosa do Deus majestoso. E o
Verbo se fez
carne e
habitou entre
nós, cheio
de graça e
de verdade, e
vimos a sua
glória, glória
como do
unigênito do
Pai. João
1:14.
Não
é imaginável para qualquer mortal a concepção absoluta da glória
fulgurante do Deus exaltado. A amplitude e intensidade do esplendor
majestoso de Deus são ofuscantes para a mente finita. Ele é
descrito como: o único
que possui
imortalidade, que
habita em luz
inacessível, a
quem homem
algum jamais
viu, nem é
capaz de ver.
A ele honra
e poder
eterno. Amém!
1 Timóteo
6:16. É impraticável a um ser mortal
vislumbrar a gloriosa majestade divina e permanecer vivo e inteiro.
Cristo
em sua glória absoluta é inconcebível para o pensamento humano e
inacessível para os nossos sentidos, bem como os seus juízos são
insondáveis. Ele encontra-se fora da nossa compreensão e distante
de qualquer análise. Ó profundidade
da riqueza,
tanto da
sabedoria como
do conhecimento
de Deus! Quão
insondáveis são
os seus
juízos, e
quão inescrutáveis,
os seus
caminhos! Romanos
11:33.
Deus
precisava se esvaziar de sua glória plena, para que nós pudéssemos
conhecê-lo cheio de graça e de verdade. Só um Deus totalmente
gracioso pode ser de fato verdadeiro. A verdade sem a graça é dura
demais. Ninguém, em sã consciência e de modo sensato, suportaria a
realidade do pecado e da morte, sem a esperança de um perdão
incondicional e da vida eterna. É impossível alguém ser honesto
onde não há clemência. Sem a graciosidade da graça, a existência
humana é implausível e a verdade detestável.
Tudo
o que Deus faz na vida dos seus filhos é somente pela graça. Não
existe uma alternativa de contrapartida que demande o desempenho. No
Reino de Deus não há uma linha de crédito que exija saldo médio.
Tudo é rigorosamente gracioso. E, se
é pela
graça, já
não é pelas
obras; do
contrário, a
graça já
não é
graça. Romanos
11:6.
O
Deus de toda graça é realmente um Deus elegante. Ele não aceita
propina nem negocia as suas dádivas. No Reino da graça não há
gratificações, gorjetas, brindes ou recompensas pela atuação.
Ninguém pode equilibrar a balança com algum mérito, desde que
Cristo garanta toda a sua salvação, tanto para os judeus como para
os gentios, somente pela graça. Mas cremos
que fomos
salvos pela
graça do
Senhor Jesus,
como também
aqueles o
foram. Atos
15:11.
A
questão mais sutil surge quando os salvos pela graça tentam, de
algum modo, indenizar, com os seus méritos, a bondade de Deus. Muita
gente que se declara nova criatura vive querendo ressarcir as dádivas
divinas com o seu porte executivo. Restituir a operação da graça é
tão absurdo quanto arriscar-se em repor a energia solar. Ninguém
precisa colocar lenha na fogueira do sol, muito menos compensar a
graça de Deus.
Graça
retribuída é aberração. O Deus de toda graça não carece de
coisa alguma e nada solicita de nossa parte, que antes mesmo não
tenha nos suprido. Tudo que Deus nos pede é porque já nos dotou
graciosamente. O rei Davi sabia disso muito bem quando disse: Porque
quem sou eu,
e quem é
o meu povo
para que
pudéssemos dar
voluntariamente estas
coisas? Porque
tudo vem de
ti, e das
tuas mãos to
damos. 1
Crônicas 29:14.
Paulo,
o apóstolo da graça, entendia com clareza este ponto. Para ele não
há a menor dúvida que tudo na vida cristã é o resultado da ação
soberana de Deus. Porque dele,
e por meio
dele, e para
ele são
todas as
coisas. A
ele, pois, a
glória eternamente.
Amém! Romanos
11:36.
A
causa de tudo é a vontade suprema do magnífico Senhor. O processo
que dirige tudo nesse mundo entrópico são as ações governadas
pelo poder da excelência pessoal do Deus de toda graça. O fim de
todas as coisas é a conformidade de tudo ao propósito da
determinação soberana do Deus absoluto.
Sendo
assim, nada nesse universo corre à revelia dos desígnios divinos, e
"você nunca precisará mais do Deus pode suprir". Isto
significa que tudo o que Deus demanda de nossa parte, ele mesmo já
nos equipou com as condições para a realização.
O
Deus de toda graça é enormemente delicado e conveniente. Ele nunca
irá pedir alguma coisa para nós, que antes não tenha
aprovisionado. Por exemplo, quando ele diz: Sede
santos, porque
eu sou santo.
1 Pedro 1:16,
não está exigindo de nós uma santidade na base do nosso esforço,
mas uma santidade que pode ser compartilhada com a sua. Um bilionário
não pode dizer a um pobre mendigo, compre um iate luxuoso, sem
incorrer numa humilhação, a menos que ele dê o cheque com o valor
para efetuar o negócio.
A
graça não exige santidade de nós, ela nos capacita com a santidade
de Deus a crescermos em santidade. Exigir do incapaz, sem
capacitá-lo, é simplesmente um contra-senso. Quando Jesus disse ao
paralítico de Betesda: Levanta-te, toma
o teu leito
e anda. João
5:8, ele não estava zoando do coitado. A
palavra de Jesus, levanta-te, era o poder da graça em ação. Ele
não estava exigindo que o paralítico se levantasse. Ele estava
capacitando e ordenando ao aleijado andar. A graça primeiro
habilita, depois ordena.
A
gentileza da graça é algo extraordinário. Deus nunca violenta a
vontade humana e ao mesmo tempo a sua graça é irresistível na
experiência dos seus eleitos. Sem impor a sua vontade, Deus,
mediante a sua graça, atrai a nossa vontade de tal maneira à sua
vontade, que nós acabamos por aceitar voluntariamente a vontade de
Deus, como sendo a nossa alternativa de viver. Não existe graça
imposta. Deus não institui a sua graça por decreto, nem obriga as
pessoas a recebê-la à força. A anuência da vontade em acolher a
graça é uma obra graciosa da delicadeza divina. O Deus da graça é
realmente polido e afável e tudo o que ele nos dá tem a marca da
sua benigna inspiração. Somos cativados apenas por sua
benevolência. Ou desprezas
a riqueza da
sua bondade,
e tolerância,
e longanimidade,
ignorando que
a bondade de
Deus é que
te conduz ao
arrependimento? Romanos
2:4.
Toda
a mudança séria de mentalidade promovida pela graça tem o toque
afetuoso da bondade de Deus. Não é a truculência que nos causa
arrependimento. O sofrimento pode ser um amplificador para chamar a
atenção do distraído que vive absorto em seus interesses
particulares. Mas é a suavidade da graça que desencadeia a mudança
interna.
O
Deus de graça é o mesmo da justiça exercida na cruz, que se torna
fato na vida dos eleitos através da paciência de Deus. Não
retarda o
Senhor a sua
promessa, como
alguns a
julgam demorada;
pelo contrário,
ele é
longânimo para
convosco, não
querendo que
nenhum pereça,
senão que
todos cheguem
ao arrependimento.
2 Pedro 3:9.
Ao terminar este estudo, quero ressaltar um lance na experiência do
Dr. A W Tozer,
quando sua igreja lhe conferia certo preito de reconhecimento. Ele
foi preciso ao declarar: se vocês soubessem
quem eu sou de
fato, vocês não me
dariam a glória que
me deram. Mas como
Deus sabe de fato
quem eu sou, ele
me dá sempre a
sua graça. Graças ao Deus de toda graça
por sua gratuita e graciosa graça. Amém.
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