sexta-feira, 25 de maio de 2012

A GRATUIDADE GRACIOSA DA GRAÇA


A GRATUIDADE GRACIOSA DA GRAÇA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá


Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. João 1:16.
Tudo no evangelho de Jesus Cristo tem que ser inflexivelmente gracioso e gratuito. O grande teólogo Charles Hodge disse certa vez que, nada que não seja gratuito é seguro para os pecadores... A não ser que sejamos salvos pela graça, não podemos absolutamente ser salvos. Parece que ele quer dizer que a graça que não é inteiramente grátis e graciosa não tem a menor graça e corre riscos de mercado. O evangelho é a mensagem da graciosa graça bem humorada. É uma graça sem ônus, sem bônus e sem donos.
Jesus é a plenitude do evangelho e o evangelho é a excelência da graça. Não há uma boa notícia na lei. O evangelho é uma boa nova, mas a lei é uma ameaça para a nossa conduta. Tudo o que a lei faz é mostrar a rabujice do ser humano e a gravidade do pecado. Se não houvesse lei não haveria infrator, por isso, a lei serve para instigar a nossa violação e diagnosticar a natureza rebelde do ser humano.
A lei decreta a norma e demanda o comportamento. Só que ela não é capaz de produzir aquilo que ela requer. O filósofo e matemático francês Blaise Pascal disse com precisão que a lei exige o que não pode dar, enquanto a graça tudo o que exige.
A fé cristã é a ciência da graça. Tudo aquilo que o verdadeiro cristianismo requer, a graça providencia e promove. Mas é bom que se diga logo, que a fé cristã não prega o antinominianismo, isto é: ela não abole a lei. Alguém disse que havia graça no reinado da lei e lei no reinado da graça. A questão é que a lei em si nunca provê aquilo que exige, enquanto a lei na graça só exige aquilo que a graça pode fornecer.
O Novo Testamento define Deus como sendo a Divindade de toda a graça. Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. 1 Pedro 5:10. Não existe o conceito da graça em nenhuma religião na terra e não há um Deus que seja absolutamente gracioso, senão a Trindade Santa.
O evangelho é a encarnação da graça em repique. A plenitude do evangelho é graça sobre graça, e Jesus Cristo é o único emissário dessa graça. Ele é a incorporação da graça e a sua canalização fluente. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. João 1:17.
Na matemática a ordem das parcelas não altera o produto. Porém, aqui não podemos trocar a seqüência das palavras. A graça antecede a verdade na medida em que ela é a razão de tudo na vida cristã, inclusive da verdade. Sendo assim a verdade não é fruto de esforço na pesquisa, e sim da revelação graciosa de Jesus Cristo. Tudo o que o filho de Deus recebe em sua vida é resultado da graça plena em Cristo Jesus. Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Romanos 8:32.
O apóstolo João mostra que Cristo, ao se encarnar, tomou a forma humana superlotada da graça plena e da verdade completa. Ele esvaziou-se da sua infinita glória, mas encheu-se da plenitude da graça e da verdade para manifestar a glória compatível com a compreensão humana. Seria impossível para um pecador mirar a face gloriosa do Deus majestoso. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. João 1:14.
Não é imaginável para qualquer mortal a concepção absoluta da glória fulgurante do Deus exaltado. A amplitude e intensidade do esplendor majestoso de Deus são ofuscantes para a mente finita. Ele é descrito como: o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém! 1 Timóteo 6:16. É impraticável a um ser mortal vislumbrar a gloriosa majestade divina e permanecer vivo e inteiro.
Cristo em sua glória absoluta é inconcebível para o pensamento humano e inacessível para os nossos sentidos, bem como os seus juízos são insondáveis. Ele encontra-se fora da nossa compreensão e distante de qualquer análise. Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Romanos 11:33.
Deus precisava se esvaziar de sua glória plena, para que nós pudéssemos conhecê-lo cheio de graça e de verdade. Só um Deus totalmente gracioso pode ser de fato verdadeiro. A verdade sem a graça é dura demais. Ninguém, em sã consciência e de modo sensato, suportaria a realidade do pecado e da morte, sem a esperança de um perdão incondicional e da vida eterna. É impossível alguém ser honesto onde não há clemência. Sem a graciosidade da graça, a existência humana é implausível e a verdade detestável.
Tudo o que Deus faz na vida dos seus filhos é somente pela graça. Não existe uma alternativa de contrapartida que demande o desempenho. No Reino de Deus não há uma linha de crédito que exija saldo médio. Tudo é rigorosamente gracioso. E, se é pela graça, não é pelas obras; do contrário, a graça não é graça. Romanos 11:6.
O Deus de toda graça é realmente um Deus elegante. Ele não aceita propina nem negocia as suas dádivas. No Reino da graça não há gratificações, gorjetas, brindes ou recompensas pela atuação. Ninguém pode equilibrar a balança com algum mérito, desde que Cristo garanta toda a sua salvação, tanto para os judeus como para os gentios, somente pela graça. Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram. Atos 15:11.
A questão mais sutil surge quando os salvos pela graça tentam, de algum modo, indenizar, com os seus méritos, a bondade de Deus. Muita gente que se declara nova criatura vive querendo ressarcir as dádivas divinas com o seu porte executivo. Restituir a operação da graça é tão absurdo quanto arriscar-se em repor a energia solar. Ninguém precisa colocar lenha na fogueira do sol, muito menos compensar a graça de Deus.
Graça retribuída é aberração. O Deus de toda graça não carece de coisa alguma e nada solicita de nossa parte, que antes mesmo não tenha nos suprido. Tudo que Deus nos pede é porque já nos dotou graciosamente. O rei Davi sabia disso muito bem quando disse: Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. 1 Crônicas 29:14.
Paulo, o apóstolo da graça, entendia com clareza este ponto. Para ele não há a menor dúvida que tudo na vida cristã é o resultado da ação soberana de Deus. Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.
A causa de tudo é a vontade suprema do magnífico Senhor. O processo que dirige tudo nesse mundo entrópico são as ações governadas pelo poder da excelência pessoal do Deus de toda graça. O fim de todas as coisas é a conformidade de tudo ao propósito da determinação soberana do Deus absoluto.
Sendo assim, nada nesse universo corre à revelia dos desígnios divinos, e "você nunca precisará mais do Deus pode suprir". Isto significa que tudo o que Deus demanda de nossa parte, ele mesmo já nos equipou com as condições para a realização.
O Deus de toda graça é enormemente delicado e conveniente. Ele nunca irá pedir alguma coisa para nós, que antes não tenha aprovisionado. Por exemplo, quando ele diz: Sede santos, porque eu sou santo. 1 Pedro 1:16, não está exigindo de nós uma santidade na base do nosso esforço, mas uma santidade que pode ser compartilhada com a sua. Um bilionário não pode dizer a um pobre mendigo, compre um iate luxuoso, sem incorrer numa humilhação, a menos que ele dê o cheque com o valor para efetuar o negócio.
A graça não exige santidade de nós, ela nos capacita com a santidade de Deus a crescermos em santidade. Exigir do incapaz, sem capacitá-lo, é simplesmente um contra-senso. Quando Jesus disse ao paralítico de Betesda: Levanta-te, toma o teu leito e anda. João 5:8, ele não estava zoando do coitado. A palavra de Jesus, levanta-te, era o poder da graça em ação. Ele não estava exigindo que o paralítico se levantasse. Ele estava capacitando e ordenando ao aleijado andar. A graça primeiro habilita, depois ordena.
A gentileza da graça é algo extraordinário. Deus nunca violenta a vontade humana e ao mesmo tempo a sua graça é irresistível na experiência dos seus eleitos. Sem impor a sua vontade, Deus, mediante a sua graça, atrai a nossa vontade de tal maneira à sua vontade, que nós acabamos por aceitar voluntariamente a vontade de Deus, como sendo a nossa alternativa de viver. Não existe graça imposta. Deus não institui a sua graça por decreto, nem obriga as pessoas a recebê-la à força. A anuência da vontade em acolher a graça é uma obra graciosa da delicadeza divina. O Deus da graça é realmente polido e afável e tudo o que ele nos dá tem a marca da sua benigna inspiração. Somos cativados apenas por sua benevolência. Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? Romanos 2:4.
Toda a mudança séria de mentalidade promovida pela graça tem o toque afetuoso da bondade de Deus. Não é a truculência que nos causa arrependimento. O sofrimento pode ser um amplificador para chamar a atenção do distraído que vive absorto em seus interesses particulares. Mas é a suavidade da graça que desencadeia a mudança interna.
O Deus de graça é o mesmo da justiça exercida na cruz, que se torna fato na vida dos eleitos através da paciência de Deus. Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. 2 Pedro 3:9. Ao terminar este estudo, quero ressaltar um lance na experiência do Dr. A W Tozer, quando sua igreja lhe conferia certo preito de reconhecimento. Ele foi preciso ao declarar: se vocês soubessem quem eu sou de fato, vocês não me dariam a glória que me deram. Mas como Deus sabe de fato quem eu sou, ele me sempre a sua graça. Graças ao Deus de toda graça por sua gratuita e graciosa graça. Amém.

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