quinta-feira, 17 de maio de 2012

A ESPIRITUALIDADE DE JESUS CRISTO


A ESPIRITUALIDADE DE JESUS CRISTO
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá
Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.
1 Coríntios 2:13.
            Espiritualidade é uma palavra que não consta das Escrituras Sagradas, mas é muito usada no círculo religioso atual. Fala-se bem desse assunto nos meios acadêmicos e a espiritualidade tem recebido status de grande valor. Mas o que de fato significa a espiritualidade? Qual é a sua real acepção?
             Um amigo falou-me da espiritualidade de Chico Xavier, do Dalai Lama, de Madre Teresa de Calcutá e de Jesus Cristo como sendo a mesma coisa. Para ele espiritualidade é uma áurea das coisas místicas, que envolve o plano transcendental. É algo misterioso e metafísico que reflete uma categoria especial denominada de espiritualismo.
             Hoje em dia preceitos e princípios são coisas ultrapassadas. O dogma e a doutrina se tornaram como peças de museu. O que vale, no mundo moderno, é a espiritualidade. Se você é emblemático, você é atual. Quanto mais místico, mais crédito você recebe.
             A vida espiritual é transcendente, mas não é enigmática. Ela é imaterial, sem, contudo, se expressar nessa misticidade de forças ocultas. O mundo espiritual é distinto do material, contudo ele não é obscuro. Ainda que a mente natural não o possa apreender, as suas leis jamais deixam a alma assombrada. Conquanto a vida espiritual ultrapasse os limites da lógica, ela não é ilógica. Ela pode ser alógica, mas nunca ilógica.
             Muita gente confunde espiritualidade com as manifestações da alma. Sabe-se que a alma humana é dotada de muitos poderes latentes. Estes poderes psíquicos, com freqüência, são vistos como sendo de origem espiritual. Qualquer pessoa pode fazer alguma demonstração destes poderes, e todos nós somos portadores de poderes latentes da alma.
             Preste atenção e cuidado! Não se atrapalhe com este assunto. Mesmo que qualquer pessoa possa exibir os poderes da alma, apenas os espirituais podem se envolver com aquilo que é rigorosamente espiritual. Alguém só pode ser considerado espiritual se passar pelo novo nascimento. Não há espiritualidade fora do mundo espiritual.
             Segundo Jesus é preciso regeneração para que uma pessoa se torne espírito. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. João 3:6. Está claro aqui que dois nascimentos: o da carne e o do espírito. Parece que alguém se torna de fato espiritual se tiver nascido do Espírito.
  Para Paulo o espiritual pode ser benquisto se for compreendido pelo espírito. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. 1 Coríntios 2:14.
             Só quem é espiritual pode apreciar as coisas espirituais. Sendo assim, a espiritualidade deve ser conceituada exclusivamente do ponto de vista espiritual. Ninguém que não tenha a vida de Cristo, concedida pelo Espírito Santo, pode ser acatado como espiritual. A espiritualidade é atributo do espírito, e somente os renascidos podem demonstrar os traços legítimos da exata espiritualidade.
             Cristo Jesus é o homem verdadeiramente espiritual, sendo ele mesmo a fonte de toda a espiritualidade verdadeira. Como homem gerado pelo Espírito Santo ele vivia, aqui na terra, na dependência do seu Pai celestial. A comprovação da sua espiritualidade é o seu apego à vontade do Pai. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. João 6:38.
             A evidência da vida espiritual é a conexão com a vontade de Deus. Tudo o que Jesus fazia tinha como objetivo satisfazer a vontade do seu Pai. Ele tinha um item no seu cardápio. Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. João 4:34.
             O pecado pretende tornar o ser humano independente de Deus e auto-suficiente. O Senhor Jesus veio provar que é possível se viver na plenitude da humanidade, perfeitamente submisso à vontade do Pai. Sendo assim, pode-se dizer que a espiritualidade define o atrelamento irrestrito da vontade humana com a vontade Divina. Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. João 5:30.
             Essa vinculação integral da vontade humana com a vontade Divina estabelece o ligamento da seleta espiritualidade. Jesus era um homem da Palavra. Ele queria fazer a vontade do Pai, por isso ele buscava conhecer o que a Palavra dizia a seu respeito. Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito;  agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Salmos 40:7-8.
             Não há espiritualidade sem a conformação com a vontade de Deus. Não há amoldamento à vontade de Deus sem o conhecimento da Palavra de Deus. O estágio que incrementa a espiritualidade começa na ciência da Palavra.
             Se alguém está envolvido na vida espiritual precisa conhecer de modo espiritual o livro da espiritualidade. Essa noção não é meramente da letra, mas é o conhecimento que vem do Espírito. O apóstolo Paulo diz que Deus nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. 2 Coríntios 3:6.
             Sem os dados espirituais revelados pela Palavra de Deus não possibilidade de nutrição da espiritualidade. As Escrituras são na verdade leite para o espírito. Pedro diz: desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação, 1 Pedro 2:2.
             A espiritualidade de Jesus passava pelo seu relacionamento com a Palavra escrita. Ainda que ele fosse o Verbo encarnado, o seu alimento espiritual vinha do seu envolvimento com as Escrituras. Para ele todo erro procedia da ignorância das Escrituras, logo, sua vida íntegra também derivava desse saber. Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? Marcos 12:24.
             Além de ser um homem da Palavra, Jesus era uma pessoa de oração. Sem o exercício da prece a espiritualidade se apressa para a invalidez. A oração é indispensável ao progresso da vida espiritual. Faltam nutrientes quando há ausência da Palavra, do mesmo modo, não havendo oxigenação espiritual, confirma-se a deficiência na oração.
             Ambrósio dizia que a oração é a asa com que a alma voa para o céu, e a meditação, os olhos com que vemos a Deus. Jesus sendo completamente Deus e ao mesmo tempo homem por inteiro, não ficou desobrigado da sua vida de oração e meditação. Ele viveu em total sintonia com a vontade do Pai, submetendo-se integralmente aos seus decretos. A oração é o atributo que melhor expressa a vida de dependência.
             J Blanchard afirma que orar não é tanto submeter nossas necessidades a Deus, mas submeter nós mesmos a ele. A espiritualidade de Jesus revela a sua submissão. Ele, muitas vezes, deixava as multidões para ter comunhão com o Pai. E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, estava ele, só. Mateus 14:23. Ele sabia que sem intimidade com o Pai não ministério para as multidões.
             A espiritualidade sem oração é como um telefone celular sem sinal. Você tem o equipamento, mas falta a difusão. Oração sem humildade é como um pedinte rejeitando esmola. Os homens mais destacados no reino de Deus foram mendigos na oração.
             Quero ressaltar que a oração, volta e meia, vem acompanhada de jejum. Jesus nunca fez greve de fome, mas quando orava, algumas vezes, deixava de comer. O jejum é uma disciplina vinculada à oração. Não percebo valor no jejum por si mesmo, mas quando há um intenso desempenho em oração, o jejum surge em conseqüência.
             A intimidade com a Palavra e a comunhão com o Pai não dispensam o relacionamento com as pessoas. A espiritualidade de Jesus tinha ainda um envolvimento com gente. O homem não é um ser avulso nem a sua espiritualidade deve ser solitária. Jesus freqüentava a sinagoga e convivia com indivíduos desiguais. O isolamento nunca fez parte do seu projeto ministerial. Ele era um missionário que se identificava com o povo.
             Jesus era festeiro e gostava de estar com as pessoas carentes. Ele foi denominado pelos seus rivais de comilão e beberrão. Certamente esse apelido de beberrão não foi por causa de grande ingestão de água. Ele vivia com o povo celebrando e bebendo o produto da videira. A espiritualidade de Jesus atingia de perto as pessoas que o Pai amava.
             Essa espiritualidade era terrena. Ele viveu como homem num meio humano. Não se deve pensar em Jesus como um ser extraterreno, mesmo sabendo que ele era Divino. Sua espiritualidade era terrena e humana, embora nunca fosse carnal.
             Jesus apreciava o diálogo e sempre procurava estar com pessoas, ocasionando encontros. Ele é a ponte que liga Deus aos homens. Além disso, sua missão visa reconciliar os oponentes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. Gálatas 3:28.
             A igreja é um projeto de Jesus. É uma concepção de irmandade. Ela é uma reunião de gente alcançada pela graça, para viver em grupo. A comunhão dos santos faz parte da espiritualidade saudável. Não é o comum na comunidade dos santos uma convivência insular ou competitiva. Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. 1 Coríntios 1:10.
             A espiritualidade de Jesus aponta para uma vida de comunidade. Não é bom o retraimento que redunde em exílio social. A missão da igreja envolve a comunhão dos santos, bem como a pregação aos dispersos, dominados pela rebeldia. Não existe espiritualidade sem solitude, mas não há solitude que se ampare na solidão. A solitude é o momento de ficar a sós com Deus, mas isso não significa um retiro da associação com outros.
            O modelo de Jesus apresenta-se com solidariedade. A reunião da igreja tem como base a adoração a Deus e a amizade com os irmãos. Não creio em espiritualidade solitária. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Hebreus 10:25.
            A espiritualidade de Jesus Cristo fundamenta-se na busca da vontade de Deus Pai revelada nas Escrituras, fortalecida pela oração e mantida na unidade do corpo. Todos nós precisamos de alimento espiritual, do exercício da fé, do companheirismo devocional e do cumprimento da missão. Ninguém pode perder de vista as Escrituras Sagradas, desprezar a oração, afastar-se das reuniões da igreja, esquecendo-se da sua missão, que não sofra danos em sua espiritualidade.
            Espero que você tenha entendido que a espiritualidade é assunto de quem é espiritual. Que só é espiritual quem nasceu de novo por meio de sua morte e ressurreição com Cristo, efetuadas, na experiência, pela revelação do Espírito de Deus. Que o Espírito Santo leva os espirituais para o terreno sagrado da Palavra, da oração, da comunhão com a igreja e da missão. Que a igreja deve ser uma comunidade de estímulos espirituais para que em tudo Deus Pai seja glorificado, os irmãos sejam edificados e os pecadores sejam alcançados pela graça plena. E que toda igreja de espirituais é uma agência missionária.

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