A
ESPIRITUALIDADE
DE
JESUS
CRISTO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Disto
também
falamos,
não
em
palavras
ensinadas
pela
sabedoria
humana,
mas
ensinadas
pelo
Espírito,
conferindo
coisas
espirituais
com
espirituais.
1 Coríntios 2:13.
1 Coríntios 2:13.
Espiritualidade é uma
palavra que não consta das Escrituras Sagradas, mas é muito usada
no círculo religioso atual. Fala-se bem desse assunto nos meios
acadêmicos e a espiritualidade tem recebido status de grande valor.
Mas o que de fato significa a espiritualidade? Qual é a sua real
acepção?
Um
amigo falou-me da espiritualidade de Chico Xavier, do Dalai Lama, de
Madre Teresa de Calcutá e de Jesus Cristo como sendo a mesma coisa.
Para ele espiritualidade é uma áurea das coisas místicas, que
envolve o plano transcendental. É algo misterioso e metafísico que
reflete uma categoria especial denominada de espiritualismo.
Hoje em dia preceitos e
princípios são coisas ultrapassadas. O dogma e a doutrina se
tornaram como peças de museu. O que vale, no mundo moderno, é a
espiritualidade. Se você é emblemático, você é atual. Quanto
mais místico, mais crédito você recebe.
A
vida espiritual é transcendente, mas não é enigmática. Ela é
imaterial, sem, contudo, se expressar nessa misticidade de forças
ocultas. O mundo espiritual é distinto do material, contudo ele não
é obscuro. Ainda que a mente natural não o possa apreender, as suas
leis jamais deixam a alma assombrada. Conquanto a vida espiritual
ultrapasse os limites da lógica, ela não é ilógica. Ela pode ser
alógica, mas nunca ilógica.
Muita gente confunde
espiritualidade com as manifestações da alma. Sabe-se que a alma
humana é dotada de muitos poderes latentes. Estes poderes psíquicos,
com freqüência, são vistos como sendo de origem espiritual.
Qualquer pessoa pode fazer alguma demonstração destes poderes, e
todos nós somos portadores de poderes latentes da alma.
Preste atenção e
cuidado! Não se atrapalhe com este assunto. Mesmo que qualquer
pessoa possa exibir os poderes da alma, apenas os espirituais podem
se envolver com aquilo que é rigorosamente espiritual. Alguém só
pode ser considerado espiritual se passar pelo novo nascimento. Não
há espiritualidade fora do mundo espiritual.
Segundo
Jesus
é
preciso
regeneração
para
que
uma
pessoa
se
torne
espírito.
O
que
é
nascido
da
carne
é
carne;
e
o
que
é
nascido
do
Espírito
é
espírito.
João
3:6.
Está
claro
aqui
que
há
dois
nascimentos:
o
da
carne
e
o
do
espírito.
Parece
que
alguém
só
se
torna
de
fato
espiritual
se
tiver
nascido
do
Espírito.
Para
Paulo
o
espiritual
só
pode
ser
benquisto
se
for
compreendido
pelo
espírito.
Ora,
o
homem
natural
não
aceita
as
coisas
do
Espírito
de
Deus,
porque
lhe
são
loucura;
e
não
pode
entendê-las,
porque
elas
se
discernem
espiritualmente.
1
Coríntios
2:14.
Só
quem é espiritual pode apreciar as coisas espirituais. Sendo assim,
a espiritualidade deve ser conceituada exclusivamente do ponto de
vista espiritual. Ninguém que não tenha a vida de Cristo, concedida
pelo Espírito Santo, pode ser acatado como espiritual. A
espiritualidade é atributo do espírito, e somente os renascidos
podem demonstrar os traços legítimos da exata espiritualidade.
Cristo
Jesus
é
o
homem
verdadeiramente
espiritual,
sendo
ele
mesmo
a
fonte
de
toda
a
espiritualidade
verdadeira.
Como
homem
gerado
pelo
Espírito
Santo
ele
vivia,
aqui
na
terra,
na
dependência
do
seu
Pai
celestial.
A
comprovação
da
sua
espiritualidade
é
o
seu
apego
à
vontade
do
Pai.
Porque
eu
desci
do
céu,
não
para
fazer
a
minha
própria
vontade,
e
sim
a
vontade
daquele
que
me
enviou.
João
6:38.
A
evidência
da
vida
espiritual
é
a
conexão
com
a
vontade
de
Deus.
Tudo
o
que
Jesus
fazia
tinha
como
objetivo
satisfazer
a
vontade
do
seu
Pai.
Ele
só
tinha
um
item
no
seu
cardápio.
Disse-lhes
Jesus:
A
minha
comida
consiste
em
fazer
a
vontade
daquele
que
me
enviou
e
realizar
a
sua
obra.
João
4:34.
O
pecado
pretende
tornar
o
ser
humano
independente
de
Deus
e
auto-suficiente.
O
Senhor
Jesus
veio
provar
que
é
possível
se
viver
na
plenitude
da
humanidade,
perfeitamente
submisso
à
vontade
do
Pai.
Sendo
assim,
pode-se
dizer
que
a
espiritualidade
define
o
atrelamento
irrestrito
da
vontade
humana
com
a
vontade
Divina.
Eu
nada
posso
fazer
de
mim
mesmo;
na
forma
por
que
ouço,
julgo.
O
meu
juízo
é
justo,
porque
não
procuro
a
minha
própria
vontade,
e
sim
a
daquele
que
me
enviou.
João
5:30.
Essa
vinculação
integral
da
vontade
humana
com
a
vontade
Divina
estabelece
o
ligamento
da
seleta
espiritualidade.
Jesus
era
um
homem
da
Palavra.
Ele
queria
fazer
a
vontade
do
Pai,
por
isso
ele
buscava
conhecer
o
que
a
Palavra
dizia
a
seu
respeito.
Então,
eu
disse:
eis
aqui
estou,
no
rolo
do
livro
está
escrito
a
meu
respeito;
agrada-me
fazer
a
tua
vontade,
ó
Deus
meu;
dentro
do
meu
coração,
está
a
tua
lei.
Salmos
40:7-8.
Não há espiritualidade
sem a conformação com a vontade de Deus. Não há amoldamento à
vontade de Deus sem o conhecimento da Palavra de Deus. O estágio que
incrementa a espiritualidade começa na ciência da Palavra.
Se
alguém
está
envolvido
na
vida
espiritual
precisa
conhecer
de
modo
espiritual
o
livro
da
espiritualidade.
Essa
noção
não
é
meramente
da
letra,
mas
é
o
conhecimento
que
vem
do
Espírito.
O
apóstolo
Paulo
diz
que
Deus
nos
habilitou
para
sermos
ministros
de
uma
nova
aliança,
não
da
letra,
mas
do
espírito;
porque
a
letra
mata,
mas
o
espírito
vivifica.
2
Coríntios
3:6.
Sem
os
dados
espirituais
revelados
pela
Palavra
de
Deus
não
há
possibilidade
de
nutrição
da
espiritualidade.
As
Escrituras
são
na
verdade
leite
para
o
espírito.
Pedro
diz:
desejai
ardentemente,
como
crianças
recém-nascidas,
o
genuíno
leite
espiritual,
para
que,
por
ele,
vos
seja
dado
crescimento
para
salvação,
1
Pedro
2:2.
A
espiritualidade
de
Jesus
passava
pelo
seu
relacionamento
com
a
Palavra
escrita.
Ainda
que
ele
fosse
o
Verbo
encarnado,
o
seu
alimento
espiritual
vinha
do
seu
envolvimento
com
as
Escrituras.
Para
ele
todo
erro
procedia
da
ignorância
das
Escrituras,
logo,
sua
vida
íntegra
também
derivava
desse
saber.
Respondeu-lhes
Jesus:
Não
provém
o
vosso
erro
de
não
conhecerdes
as
Escrituras,
nem
o
poder
de
Deus?
Marcos
12:24.
Além de ser um homem da
Palavra, Jesus era uma pessoa de oração. Sem o exercício da prece
a espiritualidade se apressa para a invalidez. A oração é
indispensável ao progresso da vida espiritual. Faltam nutrientes
quando há ausência da Palavra, do mesmo modo, não havendo
oxigenação espiritual, confirma-se a deficiência na oração.
Ambrósio
dizia
que
a
oração
é
a
asa
com
que
a
alma
voa
para
o
céu,
e
a
meditação,
os
olhos
com
que
vemos
a
Deus.
Jesus
sendo
completamente
Deus
e
ao
mesmo
tempo
homem
por
inteiro,
não
ficou
desobrigado
da
sua
vida
de
oração
e
meditação.
Ele
viveu
em
total
sintonia
com
a
vontade
do
Pai,
submetendo-se
integralmente
aos
seus
decretos.
A
oração
é
o
atributo
que
melhor
expressa
a
vida
de
dependência.
J
Blanchard
afirma
que
orar
não
é
tanto
submeter
nossas
necessidades
a
Deus,
mas
submeter
nós
mesmos
a
ele.
A
espiritualidade
de
Jesus
revela
a
sua
submissão.
Ele,
muitas
vezes,
deixava
as
multidões
para
ter
comunhão
com
o
Pai.
E,
despedidas
as
multidões,
subiu
ao
monte,
a
fim
de
orar
sozinho.
Em
caindo
a
tarde,
lá
estava
ele,
só.
Mateus
14:23.
Ele
sabia
que
sem
intimidade
com
o
Pai
não
há
ministério
para
as
multidões.
A
espiritualidade sem oração é como um telefone celular sem sinal.
Você tem o equipamento, mas falta a difusão. Oração sem humildade
é como um pedinte rejeitando esmola. Os homens mais destacados no
reino de Deus foram mendigos na oração.
Quero ressaltar que a
oração, volta e meia, vem acompanhada de jejum. Jesus nunca fez
greve de fome, mas quando orava, algumas vezes, deixava de comer. O
jejum é uma disciplina vinculada à oração. Não percebo valor no
jejum por si mesmo, mas quando há um intenso desempenho em oração,
o jejum surge em conseqüência.
A
intimidade com a Palavra e a comunhão com o Pai não dispensam o
relacionamento com as pessoas. A espiritualidade de Jesus tinha ainda
um envolvimento com gente. O homem não é um ser avulso nem a sua
espiritualidade deve ser solitária. Jesus freqüentava a sinagoga e
convivia com indivíduos desiguais. O isolamento nunca fez parte do
seu projeto ministerial. Ele era um missionário que se identificava
com o povo.
Jesus era festeiro e
gostava de estar com as pessoas carentes. Ele foi denominado pelos
seus rivais de comilão e beberrão. Certamente esse apelido de
beberrão não foi por causa de grande ingestão de água. Ele vivia
com o povo celebrando e bebendo o produto da videira. A
espiritualidade de Jesus atingia de perto as pessoas que o Pai amava.
Essa espiritualidade era
terrena. Ele viveu como homem num meio humano. Não se deve pensar em
Jesus como um ser extraterreno, mesmo sabendo que ele era Divino. Sua
espiritualidade era terrena e humana, embora nunca fosse carnal.
Jesus
apreciava
o
diálogo
e
sempre
procurava
estar
com
pessoas,
ocasionando
encontros.
Ele
é
a
ponte
que
liga
Deus
aos
homens.
Além
disso,
sua
missão
visa
reconciliar
os
oponentes.
Dessarte,
não
pode
haver
judeu
nem
grego;
nem
escravo
nem
liberto;
nem
homem
nem
mulher;
porque
todos
vós
sois
um
em
Cristo
Jesus.
Gálatas
3:28.
A
igreja
é
um
projeto
de
Jesus.
É
uma
concepção
de
irmandade.
Ela
é
uma
reunião
de
gente
alcançada
pela
graça,
para
viver
em
grupo.
A
comunhão
dos
santos
faz
parte
da
espiritualidade
saudável.
Não
é
o
comum
na
comunidade
dos
santos
uma
convivência
insular
ou
competitiva.
Rogo-vos,
irmãos,
pelo
nome
de
nosso
Senhor
Jesus
Cristo,
que
faleis
todos
a
mesma
coisa
e
que
não
haja
entre
vós
divisões;
antes,
sejais
inteiramente
unidos,
na
mesma
disposição
mental
e
no
mesmo
parecer.
1
Coríntios
1:10.
A
espiritualidade de Jesus aponta para uma vida de comunidade. Não é
bom o retraimento que redunde em exílio social. A missão da igreja
envolve a comunhão dos santos, bem como a pregação aos dispersos,
dominados pela rebeldia. Não existe espiritualidade sem solitude,
mas não há solitude que se ampare na solidão. A solitude é o
momento de ficar a sós com Deus, mas isso não significa um retiro
da associação com outros.
O
modelo
de
Jesus
apresenta-se
com
solidariedade.
A
reunião
da
igreja
tem
como
base
a
adoração
a
Deus
e
a
amizade
com
os
irmãos.
Não
creio
em
espiritualidade
solitária.
Não
deixemos
de
congregar-nos,
como
é
costume
de
alguns;
antes,
façamos
admoestações
e
tanto
mais
quanto
vedes
que
o
Dia
se
aproxima.
Hebreus
10:25.
A
espiritualidade de Jesus Cristo fundamenta-se na busca da vontade de
Deus Pai revelada nas Escrituras, fortalecida pela oração e mantida
na unidade do corpo. Todos nós precisamos de alimento espiritual, do
exercício da fé, do companheirismo devocional e do cumprimento da
missão. Ninguém pode perder de vista as Escrituras Sagradas,
desprezar a oração, afastar-se das reuniões da igreja,
esquecendo-se da sua missão, que não sofra danos em sua
espiritualidade.
Espero que você tenha
entendido que a espiritualidade é assunto de quem é espiritual. Que
só é espiritual quem nasceu de novo por meio de sua morte e
ressurreição com Cristo, efetuadas, na experiência, pela revelação
do Espírito de Deus. Que o Espírito Santo leva os espirituais para
o terreno sagrado da Palavra, da oração, da comunhão com a igreja
e da missão. Que a igreja deve ser uma comunidade de estímulos
espirituais para que em tudo Deus Pai seja glorificado, os irmãos
sejam edificados e os pecadores sejam alcançados pela graça plena.
E que toda igreja de espirituais é uma agência missionária.
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