DINHEIRO,
BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Qual
é a identidade do dinheiro em sua essência? Como podemos considerar
esse tema: ele é mau em si mesmo ou é bom em sua natureza? Como
podemos classificá-lo quanto à sua origem? Será o dinheiro apenas
uma coisa neutra? Essas são questões que mexem na axiologia do
assunto.
Muitas
pessoas dizem que o dinheiro é bom. Elas afirmam categoricamente que
não há nada de errado com o dinheiro em si. Que o problema é o ser
humano governado pela cobiça. O dinheiro é uma coisa boa que,
eventualmente, pode ter um mau uso.
Há
um outro grupo que não vê qualidades intrínsecas no dinheiro. Eles
acreditam que o sistema monetário é um lance indiferente em seu
valor essencial, isto é: nem mau nem bom. Tudo depende de como se
usa o dinheiro. Não existe dinheiro ruim nem dinheiro bom. Existe
sim, gente que faz uso adequado ou inadequado do dinheiro.
Outros,
porém, consideram o dinheiro um mal necessário. Dizem que ele é
mau em sua origem, mas necessário nesse mundo. Afirmam que não há
dinheiro bom em si mesmo, tão pouco, neutro. A raiz do dinheiro é
de fato má, por isso, ele traz em sua natureza uma influência
maléfica, ainda que possa ser usado de um modo acertado do ponto de
vista moral.
Alguns
estudiosos do assunto dizem que abordar esse tópico da essência
filosófica do dinheiro é típico de cara utópico. Mas não são
tão ilusórias assim essas considerações sobre o tema. Jesus
mostra que a origem das riquezas, na verdade, é injusta. E
eu vos
recomendo: das
riquezas de
origem iníqua
fazei amigos;
para que,
quando aquelas
vos faltarem,
esses amigos
vos recebam
nos tabernáculos
eternos. Lucas
16:9.
Ora,
se os nossos primeiros pais não tivessem pecado no jardim do Éden,
não haveria necessidade de alguém acumular patrimônio. O
imperativo da abastança e a urgência em armazenar passam a existir
na história da raça humana, em razão do desabastecimento da
confiança em Deus. O medo da privação acaba fomentando o acúmulo
de bens. Sendo assim, a riqueza é um produto do pavor pecaminoso. O
pano de fundo das riquezas é o receio da escassez e a falta de
confiança na soberania Divina.
Segundo
Jesus a raiz das riquezas é de procedência injusta, ainda que uma
riqueza qualquer não tenha sido amontoada em decorrência de
injustiça. Isso quer dizer que, se não houvesse pecado, não
haveria acumulação de bens pessoais e que todos teriam as mesmas
coisas de modo compensado. Haveria uma eqüidade comunitária na
repartição.
Creio
que o pecado atingiu, em cheio e radicalmente, todos os recursos
humanos e que não há nenhuma atividade dessa raça isenta de
contaminação soberba. No âmago de qualquer expediente e em
qualquer sujeito podem-se encontrar os sintomas da teomania
que foi inoculada pelo discurso da serpente. Com isso, podemos afirmar que o dinheiro é uma criação eivada de desejos egoístas.
que foi inoculada pelo discurso da serpente. Com isso, podemos afirmar que o dinheiro é uma criação eivada de desejos egoístas.
Sou
daqueles que entendem ser o dinheiro um mal necessário. Não vejo
neutralidade e muito menos bondade essencial nele. A sua origem é
injusta e as suas sugestões estão freqüentemente viciadas pelas
ambições mais interesseiras de uma espécie dominada pela grandeza,
por isso, Jesus mostrou como é difícil ser honesto na administração
do dinheiro. Se, pois,
não vos
tornastes fiéis
na aplicação
das riquezas
de origem
injusta, quem
vos confiará
a verdadeira
riqueza? Lucas
16:11.
Jesus
aqui discursa sobre duas riquezas: aquela que vem de uma linhagem
injusta e a verdadeira riqueza. Uma é carnal, enquanto a outra é
espiritual. De acordo com Jesus, se não soubermos administrar a
riqueza de raiz iníqua, Deus não nos conferirá a verdadeira
riqueza de procedência espiritual.
Saber
gerir apropriadamente o patrimônio terreno é uma habilidade rara
para os habitantes deste planeta. De modo geral, as pessoas são
escravas do dinheiro. Poucas são aquelas que conseguem governar com
sabedoria a fortuna, grande ou pequena, que se encontra sob seu
encargo. A maioria, quando tem alguma riqueza, ou a esbanja num
consumismo descomedido, ou a acumula cada vez mais no seu
pão-durismo. Nesse caso, "o dinheiro é como a água do mar;
quanto mais uma pessoa bebe, mais sede sente".
Além
de ser injusta a origem da riqueza, como ensina Jesus, segundo Paulo,
o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Ele não está
dizendo que o dinheiro é a causa de todos os problemas, mas que o
amor ao dinheiro é o radical maligno
que desvirtua os relacionamentos humanos. Por trás dos desacertos
pessoais e das encrencas sociais, a miúdo, topamos com os ardis
desse amor avarento. Samuel Chadwick disse: "o amor ao dinheiro
é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males
do mundo".
A
história eclesiástica tem sido maculada com as tintas violentas da
cobiça. Vemos com freqüência o governo das igrejas sofrendo com a
influência desastrosa desse amor ao dinheiro. Por trás de muitos
discursos devotos podemos perceber a dissimulação dos desejos que
ambicionam as recompensas monetárias. Porém, como dizia Roger
L’Estrange, "aquele que serve a Deus por dinheiro servirá ao
diabo por salário melhor".
O
dinheiro não é uma ferramenta passiva. Ele é uma coisa que ganha
poder de um personagem e obtém domínio sobre as pessoas. No tronco
do dinheiro existe um troco emocional que o eleva à condição de
dominador. Se alguma pessoa serve a alguém por causa do dinheiro, o
seu serviço acaba se tornando dependente deste déspota.
Jesus
mostra que as riquezas podem ser equiparadas a um deus, quando disse:
Ninguém pode servir
a dois
senhores; porque
ou há de
aborrecer-se de
um e amar
ao outro ou
se devotará
a um e
desprezará ao
outro. Não
podeis servir
a Deus e
às riquezas.Lucas
16:13. Segundo Jesus, as riquezas aqui acabam
tomando a categoria senhoril de deus, podendo exercer autoridade
total na vida das pessoas.
Quando
uma coisa governa uma pessoa, essa coisa fica içada à hierarquia
idólatra da divindade. A idolatria se caracteriza pela divinização
da criatura em lugar do Criador. Qualquer entidade, menor que o Deus
absoluto, assumindo a condição de comando na vida de uma pessoa
inteligente, se constitui numa expressão grosseira de idolatria.
Idolatria
é qualquer coisa criada tomando o lugar de Deus. Quando um ser
humano se entrega a alguém que não seja Cristo ou confia em algo
que não seja eterno, ele se envolve diretamente no esquema infernal
da idolatria. "Um deus fabricado não é Deus".
Confiar
em dinheiro é a divinização da coisa ou a coisificação da
Divindade. Idolatria é qualquer coisa merecendo confiança. Quando
confiamos no dinheiro estamos de fato prestando culto a um tirano que
retira de nós o exercício da verdadeira fé.
Ninguém
pode servir a dois soberanos. Se você serve a Deus não pode servir
ao dinheiro. Se você serve ao dinheiro, jamais poderá dedicar-se a
Deus. Foi William Penn quem disse: "os homens precisam escolher
ser governados por Deus ou estarão condenados a ser governados por
tiranos". Tirano à parte, o dinheiro vive tirando a gente do
sério.
Mas
o dinheiro pode ser um servo útil no reino de Deus, se for gerido
por alguém que serve a Jesus. Se o dinheiro é servo de um servo de
Cristo, então serve para o serviço de Deus. Francis Bacon dizia que
"dinheiro é como esterco: só é bom se for espalhado".
Thomas
Manton afirmava que "não existe defeito que limite e mate mais
efetivamente os sentimentos, que torne as afeições do homem mais
completamente centralizadas em si mesmo, excluindo todos os outros de
participar delas, do que o desejo de acumular bens". Por este
motivo Jesus adverte: Assim, pois,
todo aquele
que dentre
vós não
renuncia a
tudo quanto
tem não pode
ser meu
discípulo. Lucas
14:33.
A
prosperidade, o prestígio e o poder são mais ameaçadores para o
incremento da vida cristã do que a falta de posse, o desprestígio e
a fraqueza. A soberba da riqueza é muito mais perigosa do que o
colapso da pobreza. Isso não significa que a riqueza seja
incompatível com a vida espiritual autêntica, mas nela corre-se
mais risco de auto-suficiência do que nos limites da necessidade. A
autonomia humana é o extermínio da confiança em Deus. Por isso, um
sujeito independente de Deus é alguém insuportável.
Além
disso, nenhuma pessoa salva pela graça se comporta como se fosse
proprietário de algum bem nesse mundo. De fato, os crentes em Cristo
são mordomos e despenseiros das riquezas divinas. Ninguém é dono
de coisa alguma no mundo. Porque nada
temos trazido
para o mundo,
nem coisa
alguma podemos
levar dele. 1
Timóteo 6:7.
A
Bíblia mostra, também, como aqueles que ambicionam tornarem-se
ricos estão sujeitos às emboscadas mais terríveis. A cobiça e a
inveja têm sufocado mais gente na insatisfação e na censura do que
aqueles que morreram afogados no dilúvio de Noé. Ora,
os que querem
ficar ricos
caem em
tentação, e
cilada, e em
muitas concupiscências
insensatas e
perniciosas, as
quais afogam
os homens na
ruína e
perdição. 1
Timóteo 6:9.
O
maior patrimônio que alguém pode ter nesse mundo é o
contentamento. Uma vida vivida com satisfação em qualquer
conjuntura é algo extraordinário. Paulo se matriculou na escola do
regozijo e aprendeu uma das mais belas lições da sua vida. Digo
isto, não
por causa da
pobreza, porque
aprendi a
viver contente
em toda e
qualquer situação.
Tanto sei
estar humilhado
como também
ser honrado;
de tudo e
em todas as
circunstâncias, já
tenho experiência,
tanto de
fartura como
de fome;
assim de
abundância como
de escassez;
Filipenses 4:11-12.
É uma festa a companhia de alguém contente!
O
dinheiro pode ser bênção ou maldição. Tudo depende do modo como
nos relacionamos com ele. Se ele for senhor, nós seremos seus
escravos. Nesse caso estamos em maus lençóis. Se ele for um meio a
serviço de gente contente, então ele pode se constituir em bênção.
Tendo sustento e
com que nos
vestir, estejamos
contentes. 1
Timóteo 6:8.
Precisamos
aprender a nos contentar com o que temos, bem como aprender a
repartir o que temos. Se Deus nos tem permitido administrar uma fatia
maior do bolo, devemos nos dispor a participar com aquele que se
encontra em condição insuficiente. Tenho-vos
mostrado em
tudo que,
trabalhando assim,
é mister
socorrer os
necessitados e
recordar as
palavras do
próprio Senhor
Jesus: Mais
bem-aventurado é
dar que
receber. Atos
20:35.
Além
disso, a escola do contentamento cristão nos ensina a celebrar com
aquele que tem uma porção maior do que a nossa para administrar.
Aqui muita gente fica reprovada, pois é mais fácil compartilhar com
aquele que tem falta, do que partilhar da alegria daquele que tem
mais do que nós. Com freqüência preferimos ajudar o pobre,
exibindo nossa generosidade, do que comemorar o êxito daquele que
nos supera na contabilidade.
Na
academia do contentamento temos três lições básicas relativas ao
uso do dinheiro: A nossa satisfação pessoal em qualquer situação;
a alegria de compartilhar com o carente, bem como investir no reino
de Deus; e a comemoração pelo êxito daquele que nos supera na
supervisão do patrimônio. Você já se matriculou nesse curso?
Nenhum comentário:
Postar um comentário