quinta-feira, 31 de maio de 2012

O MESMO DESPRENDIMENTO


O MESMO DESPRENDIMENTO
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá


Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. (ARA). Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus. (NVI). Tenham entre vocês o mesmo modo de agir que Cristo Jesus tinha. (BLH). Vocês precisam ter o mesmo desprendimento que caracterizou a decisão de Cristo Jesus. (Paráfrase) Filipenses 2:5.
O apóstolo Paulo movido pelo Espírito Santo enfoca o verdadeiro sentido da experiência cristã autêntica. É preciso ter a mesma disposição mental que houve em Cristo, quando decidiu encarnar-se. A vida cristã legítima é uma trilha de esvaziamento. Ninguém pode ser exaltado sem primeiro ser rebaixado. O engrandecimento vem depois do aviltamento. No Reino de Deus, primeiro se desce, para depois subir.
Na ação do pecado houve um descomedimento. O ser humano quis ser como Deus, e este abuso inchou o pensamento de tal monta, que o homem ficou alucinado por qualquer sentimento de importância e grandeza. A raça de Adão ficou viciada em distinção, prerrogativa ou mérito. Há um desejo trepidante pelo reconhecimento e uma ansiedade maluca por ser honrado. O pecado contaminou seriamente a humanidade com a cobiça superior em favor da relevância. Todos nós queremos, de uma forma ou de outra, ser notados e reconhecidos com algum grau de deferência. A grandeza faz parte de qualquer projeto, e o primeiro lugar é a motivação de toda competição. Somos uma geração alpinista que não se cansa em escalar os lugares elevados e privilegiados. As alturas da fama para o ambicioso é como a água do mar para o sedento, quanto mais bebe, mais anseia; por isso, muito torna-se pouco, quando desejamos um pouco mais.
Se o pecado enfatiza a escala de elevação e se preocupa com a rampa de subida, a salvação projetada por Deus salienta o tobogã que desliza até o nível rente do chão. Paulo chama a atenção dos crentes de Filipos para o modelo de Cristo Jesus, que sendo Deus e estando na mais elevada posição, não se apegou à sua condição de Deus. Cristo não agarrou-se ao mais alto posto, nem fez finca-pé por uma atitude superior a que tinha direito, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Filipenses 2:7-8. Aqui temos o esquema que o apóstolo considera apropriado para a verdadeira vida cristã. Se Cristo sendo Deus se humilhou contraindo a humanidade sujeita à morte de cruz, porque nós como homens ambicionamos tanto ser Deus? Ora, se Cristo sendo o Senhor do Universo se faz servo das criaturas, porque nós como servos apetecemos o senhorio? Ele como Deus absoluto e infinito não precisava se aniquilar até o patamar da finitude humana. Mas Ele o fez. E este ponto foi sublinhado como o molde do cristianismo autêntico. Tenham entre vocês o mesmo modo de agir que Cristo Jesus tinha.
Não é possível ser cristão sem o extermínio da ostentação. Ter a mesma disposição mental de desconsideração à grandeza que houve em Cristo é a cartilha de qualquer pessoa que pretenda renunciar-se a si mesma. Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não for convertido. Ninguém pode ser convertido se não negar-se a si mesmo. Ninguém pode negar-se a si mesmo se não esvaziar-se de suas prerrogativas de elevação ou dignidade. Cristo sendo Deus se humilhou até os limites humanos, e sendo homem se anulou nos termos da morte. Deus se fez homem sujeito à morte, a fim de levar os homens à experiência de morrer para o ego. Cristo desceu ao nível mais baixo para nos libertar das aspirações superiores de importância. Os mortos não têm regalias.
Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus. Cristo se esvaziou para chegar em nosso nível e morreu para nos alcançar no pecado. Ele se humilhou em pura honestidade para nos revelar o seu amor inconquistável. Aquele que quer ser um cavaleiro armado precisa ajoelhar-se para tanto. Se a soberba transformou anjos em demônios, certamente a humildade converte homens em filhos de Deus. Cristo Jesus se humilhou até à morte de cruz e nós necessitamos nos humilhar, crendo em nossa morte na cruz com Cristo. Ninguém pode ser mais humilde do que um morto. É melhor ser um verme humilde do que um anjo orgulhoso. Jesus se rebaixou à condição de morto. O autor da vida se tornou prisioneiro da morte. Mas Ele morreu para nos levar a morrer juntamente com Ele e deste modo nos vivificar com a sua vida na mesma ressurreição. Quem estiver identificado na morte com Cristo goza do mesmo desprendimento de Cristo. Se você quer usufruir a plenitude da vida precisa primeiro descer ao vale da morte. Deus jamais encheu uma pessoa com a vida abundante sem antes esvaziá-la de sua vida medíocre. O trono de Deus só é alcançado quando chegamos no fundo da sepultura. Não há ressurreição com a nova vida sem que haja primeiro a morte da vida velha.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus. Jesus sendo Deus e Senhor se esvaziou em servo. Sendo servo se humilhou até ser homem. Sendo homem se deixou morrer. Sua atitude é inversa à do pecado. O homem ao pecar quer se tornar o Deus imortal. Mas Cristo sendo Deus se fez um homem sujeito à morte. O sentimento do pecado visa a ascendência do ser humano até que tenha assento no trono de Deus. O gesto soberano da salvação desce Cristo pelo funil da encarnação indo até o buraco do túmulo. Se alguém quer subir no altar de Deus precisa inicialmente apear do seu pedestal e descer nas profundezas da cova fúnebre, crendo em sua morte juntamente com Cristo. Nos princípios do Evangelho residem as normas do esvaziamento: É humilhando-se que se é exaltado, e é morrendo que se renasce para a vida eterna. Deus não está interessado em ferir nosso orgulho, mas sim em matá-lo. Somente aqueles que pela aceitam a morte do seu orgulhoso ego juntamente com Cristo, não tendo reputação a proteger nem direitos a reclamar, podem de fato experimentar o mesmo sentimento de Cristo Jesus.
Vocês precisam ter o mesmo desprendimento que caracterizou a decisão de Cristo Jesus. De fato, Jesus foi realmente humilde. Ele tinha todos os direitos garantidos, mas não reivindicou qualquer privilégio. Ele não tinha nenhuma obrigação em salvar o pecador, mas humilhou-se a si mesmo descendo até a mais baixa posição, a fim de nos alcançar com o seu amor, em nosso pecado. Por isso o seu convite tem a sua marca: Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Mateus 11:28-30.(NVI). O descanso gracioso de Cristo é para os seus santos, que sendo os santos mais santos, são sempre os mais humildes, e por serem os mais humildes, não sabem que são humildes. Os santos humildes de Cristo são os melhores amigos de Deus, cheios da humildade de Cristo, expressão do mesmo sentimento. Neste mundo onde Cristo se humilhou, nenhum homem tem razão para se exaltar. Tende em vós o mes-mo sentimento que houve em Cristo Jesus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário