sexta-feira, 4 de maio de 2012

O PADRÃO DE PATRÃO


O PADRÃO DE PATRÃO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá

Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a tua vida em resgate por muitos. Marcos 10:45.
No Reino de Deus, quem quer ser patrão deve ter o padrão de servo. Jesus se intitula um servo ao dizer que veio para servir. Cristo é Deus, Senhor de toda a criação, contudo, Cristo Jesus é o Deus-homem que veio ser um serviçal. Ele é Senhor do serviço.
Jesus é o único Senhor dos senhores, mas vive como o Servo dos servos. Tendo descido do céu como o Criador do universo, viveu aqui na terra com uma missão de criado. Era o dono do mundo agindo na simplicidade de um doméstico. Por isso, a maior opulência do senhorio de Cristo é abonar o encargo daquele que é servo.
Ser servo de Cristo é ser servo do Servo. Cristo veio para servir e o cristão, servo de Jesus Cristo, só serve se vive para servi-lo. O servo de Cristo se absorve apenas no serviço que agrada a Cristo. Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo. Gálatas 1:10.
O serviço cristão está voltado exclusivamente para Cristo. Somos servos de Cristo e nunca serventes dos homens. Quando servimos a um sujeito qualquer, estamos servindo sujeitos a nossa relação com Cristo. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; Colossenses 3:23-24.
Segundo Jesus, quem o serve como servo, o segue como Senhor. O mister do cristão é para Cristo, com a finalidade de honrá-lo. Ele não busca ser reconhecido pelas suas tarefas, mas em reconhecer aquele que veio apenas para servir. A recompensa do servo de Cristo é servi-lo com abnegação. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. João 12:26.
Aquele que serve a Cristo não pode servir a outro Senhor. Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Mateus 6:24. Dois senhores ao mesmo tempo, se excluem mutuamente, esfacelando a integridade do servo.
É impraticável a dualidade no comando. Não há saúde emocional quando o subalterno encontra-se entre o fogo cruzado de duas vontades dominantes. O servo de Cristo está servindo a Cristo. Todas as vezes que o servo de Cristo se preocupa com a opinião dos homens, sua ocupação perde a importância do legítimo servo do Senhor. Todo serviço do cristão é dedicado ao seu Senhor. Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; Efésios 6:5-6.
Nenhum servo de Cristo deve se ocupar com outro serviço que não seja servir a Cristo. A carreira de qualquer filho de Deus está ligada ao objetivo de glorificá-lo acima de tudo e de todos. Por isso, nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. 2 Timóteo 2:4.
A profissão do discípulo de Cristo é ser um servo de Cristo. Nenhuma pessoa que serve a Cristo tem licença para se intrometer em assuntos que servem apenas para promover os interesses humanos. O nosso alvo deve ser o serviço que glorifique ao Senhor e nunca o sucesso pessoal, ou mesmo, um simples progresso da humanidade.
O serviço cristão está dividido em duas áreas. Há uma tarefa voltada para a edificação espiritual e uma empreitada assistencial que visa o bem estar das pessoas, mas tudo é feito para a glória de Deus. Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; Atos 6:2-3.
Todos os cristãos servem a Cristo como o Senhor, mas também servem aos homens como servos de Cristo. Alguns são chamados para servir no aperfeiçoamento dos santos, e outros, nas necessidades dos homens. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, Efésios 4:11-12.
Vemos que há dois serviços extraordinários na igreja de Cristo: aquele que está voltado para a edificação do Corpo, a igreja de Cristo, através da proclamação da Palavra e da oração, e aquele que cuida das carências humanas, servindo a mesa. As duas ocupações são essenciais no desenvolvimento da vida cristã, e cada um é chamado por Deus para ser uma bênção em qualquer uma dessas áreas.
O cristão é um servo que serve ao Senhor do serviço. O modelo do seu serviço é formatado pelo caráter do seu Senhor, servindo com grande alegria. Veja como Paulo se deleitava nos seus afazeres. Entretanto, mesmo que seja eu oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-me e, com todos vós, me congratulo. Filipenses 2:17. Uma vida sem contentamento é semelhante a uma candeia sem óleo.
A alegria é o melhor combustível para o trabalho. O bom humor lubrifica a máquina da vida, porquanto sem ele, o motor começa a chiar e a roncar. Muita gente que vive reclamando de sua lide, sofre dessa síndrome do desgosto travento. Mas o serviço digno é aquele que é feito com exultação. Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. Salmos 100:2.
Se o júbilo é indispensável para lidar com o batente de cada dia, a humildade é vital para o bom desempenho. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve. Lucas 22:26-27.
Sam Jones disse que, humildade é a aceitação do lugar designado por Deus, seja na frente ou na retaguarda. O servo de Cristo não exige uma posição de destaque, nem se ressente quando é descartado por ordem divina. A marca válida da humildade vai além do vexame, quando o servo, humilhado, aclama o Senhor que permitiu a humilhação.
Muitos falam de sua humildade com orgulho, mas nada pode ser mais falso que uma promoção da modéstia. Aquele que propaga ou defende as suas qualidades humildes não passa de um mercenário, tentando vender as quinquilharias como se fossem tesouros.
Uma vez que não há vanglória da humildade, também não deve haver cobrança no sentido de que os outros atuem como nós atuamos. Marta exibe sua implicância diante da irmã, quando exige um procedimento de Maria semelhante ao seu. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Lucas 10:40.
Esse estilo exigente é a esteira dos traços típicos da presunção. Toda pessoa soberba e atrevida, normalmente não concorda com o jeito desigual dos outros, por isso, costuma fazer crítica, ordenando um amoldamento ao seu modo arrogante de agir.
Mas a atitude apropriada do serviço cristão não determina uma obediência coagida. Aliás, não existe tal comportamento no cristianismo. Obediência por obrigação é escravatura. Ninguém pode ser forçado a servir a Cristo. Todos devem viver servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens, Efésios 6:7.
O padrão de Cristo para o serviço é voluntário e segundo a capacidade que Deus provê. Não é um trabalho imposto, tampouco sob nossas condições. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! 1 Pedro 4:11.
Todo serviço cristão tem como intuito principal promover a glória de Deus e abastecer as necessidades do seu povo. O apóstolo Paulo via no serviço a chance de acudir aqueles que careciam de cuidados. Porque o serviço desta assistência não supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus. 2 Coríntios 9:12.
A vida cristã tem pois esse carimbo muito claro: a glória de Deus acima de tudo e de todos, a edificação dos santos, a pregação do evangelho aos pecadores e o serviço com alegria, humildade, sem cobrança, no poder de Deus, a fim de suprir aqueles que precisam desse serviço . Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Romanos 14:18.
Quero terminar esse assunto, chamando a atenção para três ameaças sutis na labuta do discipulado evangélico, às quais todos nós estamos sujeitos. O risco de servir com o propósito de merecer o favor divino. Muitos servem a Deus buscando o merecimento para a sua salvação. O serviço, nesse caso, é um requisito para a aceitação do servente. Deus deve nos abençoar porque nós estamos servindo a ele.
O perigo de servir preocupado com a aprovação dos homens. Aqui nos tornamos dependentes daquilo que os outros vão nos dizer. Muita gente perde o foco da missão quando está sujeita à opinião pública. Todo serviço cristão que se angustia com a concordância do observador, acaba se descaracterizando do seu fim, que é servir apenas ao Senhor.
A ameaça de usar o serviço como moeda de escravização daqueles que recebem os benefícios. Muito serviço tem sido usado como algema invisível para prender os mais carentes. As pessoas necessitadas se tornam subservientes daqueles que as servem, quando estes se valem de favores para vincular a vítima aos seus interesses.
O que presta um serviço qualquer para glória de Deus deve se perceber apenas como um instrumento. O cano escondido na parede é o condutor da água em benefício dos usuários. Apesar de sua importância ele permanece oculto. Aquele que oferece o serviço não tem precisão de se gabar, mas quem o recebe nunca pode deixar de agradecer.

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