O PADRÃO
DE PATRÃO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Pois
o próprio
Filho do
Homem não
veio para ser
servido, mas
para servir e
dar a tua
vida em
resgate por
muitos. Marcos
10:45.
No
Reino de Deus, quem quer ser patrão deve ter o padrão de servo.
Jesus se intitula um servo ao dizer que veio para servir. Cristo é
Deus, Senhor de toda a criação, contudo, Cristo Jesus é o
Deus-homem que veio ser um serviçal. Ele é Senhor do serviço.
Jesus
é o único Senhor dos senhores, mas vive como o Servo dos servos.
Tendo descido do céu como o Criador do universo, viveu aqui na terra
com uma missão de criado. Era o dono do mundo agindo na simplicidade
de um doméstico. Por isso, a maior opulência do senhorio de Cristo
é abonar o encargo daquele que é servo.
Ser
servo de Cristo é ser servo do Servo. Cristo veio para servir e o
cristão, servo de Jesus Cristo, só serve se vive para servi-lo. O
servo de Cristo se absorve apenas no serviço que agrada a Cristo.
Porventura, procuro
eu, agora, o
favor dos
homens ou o
de Deus? Ou
procuro agradar
a homens? Se
agradasse ainda
a homens, não
seria servo
de Cristo.
Gálatas 1:10.
O
serviço cristão está voltado exclusivamente para Cristo. Somos
servos de Cristo e nunca serventes dos homens. Quando servimos a um
sujeito qualquer, estamos servindo sujeitos a nossa relação com
Cristo. Tudo quanto
fizerdes, fazei-o
de todo o
coração, como
para o Senhor
e não para
homens, cientes
de que
recebereis do
Senhor a
recompensa da
herança. A
Cristo, o
Senhor, é
que estais
servindo; Colossenses
3:23-24.
Segundo
Jesus, quem o serve como servo, o segue como Senhor. O mister do
cristão é para Cristo, com a finalidade de honrá-lo. Ele não
busca ser reconhecido pelas suas tarefas, mas em reconhecer aquele
que veio apenas para servir. A recompensa do servo de Cristo é
servi-lo com abnegação. Se alguém
me serve,
siga-me, e,
onde eu
estou, ali
estará também
o meu servo.
E, se alguém
me servir, o
Pai o
honrará. João
12:26.
Aquele
que serve a Cristo não pode servir a outro Senhor. Ninguém
pode servir a
dois senhores;
porque ou há
de aborrecer-se
de um e
amar ao
outro, ou se
devotará a
um e
desprezará ao
outro. Não
podeis servir
a Deus e
às riquezas.
Mateus 6:24.
Dois senhores ao mesmo tempo, se excluem mutuamente,
esfacelando a integridade do servo.
É
impraticável a dualidade no comando. Não há saúde emocional
quando o subalterno encontra-se entre o fogo cruzado de duas vontades
dominantes. O servo de Cristo está servindo a Cristo. Todas as vezes
que o servo de Cristo se preocupa com a opinião dos homens, sua
ocupação perde a importância do legítimo servo do Senhor. Todo
serviço do cristão é dedicado ao seu Senhor. Quanto
a vós
outros, servos,
obedecei a
vosso senhor
segundo a
carne com
temor e
tremor, na
sinceridade do
vosso coração,
como a
Cristo, não
servindo à
vista, como
para agradar
a homens, mas
como servos
de Cristo,
fazendo, de
coração, a
vontade de
Deus; Efésios
6:5-6.
Nenhum
servo de Cristo deve se ocupar com outro serviço que não seja
servir a Cristo. A carreira de qualquer filho de Deus está ligada ao
objetivo de glorificá-lo acima de tudo e de todos. Por isso, nenhum
soldado em
serviço se
envolve em
negócios desta
vida, porque
o seu
objetivo é
satisfazer àquele
que o
arregimentou. 2
Timóteo 2:4.
A
profissão do discípulo de Cristo é ser um servo de Cristo. Nenhuma
pessoa que serve a Cristo tem licença para se intrometer em assuntos
que servem apenas para promover os interesses humanos. O nosso alvo
deve ser o serviço que glorifique ao Senhor e nunca o sucesso
pessoal, ou mesmo, um simples progresso da humanidade.
O
serviço cristão está dividido em duas áreas. Há uma tarefa
voltada para a edificação espiritual e uma empreitada assistencial
que visa o bem estar das pessoas, mas tudo é feito para a glória de
Deus. Então, os doze
convocaram a
comunidade dos
discípulos e
disseram: Não
é razoável
que nós
abandonemos a
palavra de
Deus para
servir às
mesas. Mas,
irmãos, escolhei
dentre vós
sete homens
de boa
reputação, cheios
do Espírito
e de
sabedoria, aos
quais encarregaremos
deste serviço;
Atos 6:2-3.
Todos
os cristãos servem a Cristo como o Senhor, mas também servem aos
homens como servos de Cristo. Alguns são chamados para servir no
aperfeiçoamento dos santos, e outros, nas necessidades dos homens. E
ele mesmo
concedeu uns
para apóstolos,
outros para
profetas, outros
para evangelistas
e outros para
pastores e
mestres, com
vistas ao
aperfeiçoamento dos
santos para o
desempenho do
seu serviço,
para a
edificação do
corpo de
Cristo, Efésios
4:11-12.
Vemos
que há dois serviços extraordinários na igreja de Cristo: aquele
que está voltado para a edificação do Corpo, a igreja de Cristo,
através da proclamação da Palavra e da oração, e aquele que
cuida das carências humanas, servindo a mesa. As duas ocupações
são essenciais no desenvolvimento da vida cristã, e cada um é
chamado por Deus para ser uma bênção em qualquer uma dessas áreas.
O
cristão é um servo que serve ao Senhor do serviço. O modelo do seu
serviço é formatado pelo caráter do seu Senhor, servindo com
grande alegria. Veja como Paulo se deleitava nos seus afazeres.
Entretanto, mesmo que
seja eu
oferecido por
libação sobre
o sacrifício
e serviço da
vossa fé,
alegro-me e,
com todos
vós, me
congratulo. Filipenses
2:17. Uma vida
sem contentamento é
semelhante a uma candeia
sem óleo.
A
alegria é o melhor combustível para o trabalho. O bom humor
lubrifica a máquina da vida, porquanto sem ele, o motor começa a
chiar e a roncar. Muita gente que vive reclamando de sua lide, sofre
dessa síndrome do desgosto travento. Mas o serviço digno é aquele
que é feito com exultação. Servi ao
SENHOR com
alegria, apresentai-vos
diante dele
com cântico.
Salmos 100:2.
Se
o júbilo é indispensável para lidar com o batente de cada dia, a
humildade é vital para o bom desempenho. Mas vós
não sois
assim; pelo
contrário, o
maior entre
vós seja
como o menor;
e aquele que
dirige seja
como o que
serve. Pois
qual é
maior: quem
está à mesa
ou quem
serve? Porventura,
não é quem
está à
mesa? Pois,
no meio de
vós, eu sou
como quem
serve. Lucas
22:26-27.
Sam
Jones disse que, humildade é
a aceitação do lugar
designado por Deus, seja
na frente ou na
retaguarda. O servo de Cristo não exige uma posição de
destaque, nem se ressente quando é descartado por ordem divina. A
marca válida da humildade vai além do vexame, quando o servo,
humilhado, aclama o Senhor que permitiu a humilhação.
Muitos
falam de sua humildade com orgulho, mas nada pode ser mais falso que
uma promoção da modéstia. Aquele que propaga ou defende as suas
qualidades humildes não passa de um mercenário, tentando vender as
quinquilharias como se fossem tesouros.
Uma
vez que não há vanglória da humildade, também não deve haver
cobrança no sentido de que os outros atuem como nós atuamos. Marta
exibe sua implicância diante da irmã, quando exige um procedimento
de Maria semelhante ao seu. Marta agitava-se
de um lado
para outro,
ocupada em
muitos serviços.
Então, se
aproximou de
Jesus e
disse: Senhor,
não te
importas de
que minha
irmã tenha
deixado que
eu fique a
servir sozinha?
Ordena-lhe, pois,
que venha
ajudar-me. Lucas
10:40.
Esse
estilo exigente é a esteira dos traços típicos da presunção.
Toda pessoa soberba e atrevida, normalmente não concorda com o jeito
desigual dos outros, por isso, costuma fazer crítica, ordenando um
amoldamento ao seu modo arrogante de agir.
Mas
a atitude apropriada do serviço cristão não determina uma
obediência coagida. Aliás, não existe tal comportamento no
cristianismo. Obediência por obrigação é escravatura. Ninguém
pode ser forçado a servir a Cristo. Todos devem viver servindo
de boa
vontade, como
ao Senhor e
não como a
homens, Efésios
6:7.
O
padrão de Cristo para o serviço é voluntário e segundo a
capacidade que Deus provê. Não é um trabalho imposto, tampouco sob
nossas condições. Se alguém
fala, fale de
acordo com os
oráculos de
Deus; se
alguém serve,
faça-o na
força que
Deus supre,
para que, em
todas as
coisas, seja
Deus glorificado,
por meio de
Jesus Cristo,
a quem
pertence a
glória e o
domínio pelos
séculos dos
séculos. Amém!
1 Pedro 4:11.
Todo
serviço cristão tem como intuito principal promover a glória de
Deus e abastecer as necessidades do seu povo. O apóstolo Paulo via
no serviço a chance de acudir aqueles que careciam de cuidados.
Porque o serviço
desta assistência
não só
supre a
necessidade dos
santos, mas
também redunda
em muitas
graças a
Deus. 2
Coríntios 9:12.
A
vida cristã tem pois esse carimbo muito claro: a glória de Deus
acima de tudo e de todos, a edificação dos santos, a pregação do
evangelho aos pecadores e o serviço com alegria, humildade, sem
cobrança, no poder de Deus, a fim de suprir aqueles que precisam
desse serviço . Aquele que
deste modo
serve a
Cristo é
agradável a
Deus e
aprovado pelos
homens. Romanos
14:18.
Quero
terminar esse assunto, chamando a atenção para três ameaças sutis
na labuta do discipulado evangélico, às quais todos nós estamos
sujeitos. O risco de servir
com o propósito de
merecer o favor divino.
Muitos servem a Deus buscando o merecimento para a sua salvação. O
serviço, nesse caso, é um requisito para a aceitação do servente.
Deus deve nos abençoar porque nós estamos servindo a ele.
O
perigo de servir preocupado
com a aprovação dos
homens. Aqui nos tornamos dependentes daquilo que
os outros vão nos dizer. Muita gente perde o foco da missão quando
está sujeita à opinião pública. Todo serviço cristão que se
angustia com a concordância do observador, acaba se
descaracterizando do seu fim, que é servir apenas ao Senhor.
A
ameaça de usar o
serviço como moeda de
escravização daqueles que
recebem os benefícios.
Muito serviço tem sido usado como algema invisível para prender
os mais carentes. As pessoas necessitadas se tornam subservientes
daqueles que as servem, quando estes se valem de favores para
vincular a vítima aos seus interesses.
O
que presta um serviço qualquer para glória de Deus deve se perceber
apenas como um instrumento. O cano escondido na parede é o condutor
da água em benefício dos usuários. Apesar de sua importância ele
permanece oculto. Aquele que oferece o serviço não tem precisão de
se gabar, mas quem o recebe nunca pode deixar de agradecer.
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