Glenio Fonseca Paranaguá
“Portanto,
assim como
por um só
homem entrou
o pecado no
mundo, e pelo
pecado, a
morte, assim
também a
morte passou
a todos os
homens, porque
todos pecaram.
Pois todos
pecaram e
carecem da
glória de
Deus.” Romanos 5:12 e 3:23.
O que é o pecado? Alguns
dizem que é orgulho. Outros afirmam que é rebeldia. Há também os
que sustentam ser autonomia. Na verdade o pecado foi uma atitude
teomaníaca de Adão que originou a sua separação de Deus, bem como
de toda a sua descendência. No pecado a criatura fica apartada da
comunhão com o seu Criador. O ser humano se torna morto, isto é,
separado espiritualmente de Deus.
O
pecado é uma oposição da criatura ao governo do Criador. O homem
criado à imagem e semelhança de Deus não aceita a idéia de não
ser como Deus. Essa é a base de toda a rebeldia egoísta do pecado.
Somos uma raça contaminada pelo egoísmo e tentamos viver às nossas
próprias custas.
A trama do pecado propõe
a auto-coroação do ser humano como se ele fosse o próprio Deus. O
que está latente em todo o comportamento pecaminoso é a arrogância
autônoma de quem quer se dirigir por conta própria. Sendo assim,
podemos dizer que o pecado é uma sugestão de independência, em que
a criatura tenta viver com os seus recursos naturais. No fundo dessa
obstinação reside um sentimento de soberania.
O pecado é hereditário
e universal. Todos nós nascemos em pecado e ninguém pode dar uma de
João-sem-braço achando-se imaculado. Davi percebeu claramente este
fato quando disse: Eu nasci
na iniqüidade,
e em pecado
me concebeu
minha mãe. Salmos
51:5. Isso não significa que o seu nascimento tenha sido
adulterino, mas que ele foi gerado no âmbito de uma raça perversa e
presunçosa. Todos os seres humanos, exceto Jesus, foram concebidos
em pecado.
Outrossim, o pecado é
sempre uma oposição a Deus. Todo crime é contra a humanidade, mas
o pecado é radicalmente contra a Divindade. Apesar de Davi ter
cometido dois ou três crimes
no contexto desse salmo, ele diz que o seu pecado era somente contra Deus. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar. Salmos 51:4.
no contexto desse salmo, ele diz que o seu pecado era somente contra Deus. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar. Salmos 51:4.
A prova de nossa
pecaminosidade é a morte. O apóstolo Paulo diz que o único lucro
do pecado são os restos mortais. Porque o
salário do
pecado é a
morte, mas o
dom gratuito
de Deus é
a vida eterna
em Cristo
Jesus, nosso
Senhor. Romanos 6:23.
Todos nós somos
pecadores por natureza, não tendo qualquer inclinação natural por
Deus. Nenhum pecador busca automaticamente a Deus. Não existe essa
disposição espontânea do ser humano procurar o Deus verdadeiro,
voluntariamente. Veja como o salmista expõe a tendência humana. Do
céu, olha
Deus para os
filhos dos
homens, para
ver se há
quem entenda,
se há quem
busque a
Deus. Salmos 53:2. E Paulo
reitera de modo definitivo: não há
quem entenda,
não há quem
busque a
Deus; Romanos 3:11.
A proposta do pecado ao
ser humano é a sua emancipação de Deus e nunca a sua aproximação
dele. Não há interesse instintivo do pecador com relação à
intimidade com Deus. Tudo o que o pecador almeja é a sua isenção
no que diz respeito à busca pessoal de Deus, pois no íntimo, o
pecado propõe que o ser humano seja ele mesmo, o seu deus.
Ora, se ninguém busca a
Deus naturalmente, quando resolve buscá-lo, quem o fez buscar?
Aqui entra a graça. Porquanto a
graça de
Deus se
manifestou salvadora
a todos os
homens, educando-nos
para que,
renegadas a
impiedade e
as paixões
mundanas, vivamos,
no presente
século, sensata,
justa e
piedosamente, Tito
2:11-12.
O pecado nos tornou
arrogantes e teimosamente rebelados contra Deus. O Deus
trino não faz parte da nossa agenda repleta de compromissos. Mas a graça vem em Cristo
de um modo polido, e, irresistivelmente nos atrai para o coração do Pai. Somos convidados por um amor incondicional a participar de um relacionamento sem cobranças.
trino não faz parte da nossa agenda repleta de compromissos. Mas a graça vem em Cristo
de um modo polido, e, irresistivelmente nos atrai para o coração do Pai. Somos convidados por um amor incondicional a participar de um relacionamento sem cobranças.
Todas as religiões do
mundo começam com a iniciativa humana de criar um deus à imagem e
semelhança da criatura e de fazê-lo digno de veneração. Nessas
religiões vemos a criação construindo seus ídolos e altares como
um invento de sua imaginação. Porém, no Cristianismo é o Criador
quem empreende a busca da criatura. A boa notícia do Evangelho
mostra o eterno Caçador farejando e perseguindo a caça que ele ama
com amor integral, até alcançá-la. No Evangelho é a graça que
procura o desgraçado.
Pecado é tudo o que
pretende exaltar a criatura em lugar do Criador. O sentimento que nos
enaltece é ameaçador. A carência de elogio ou a cata de um tamanco
que nos eleve é muito arriscada, pois podemos torcer o pé. O pecado
gosta do culto à personalidade. A graça é a contratura do Criador
para obter a cria na dimensão da criatura. Na graça, o Deus
absoluto não temeu se reduzir até ao diâmetro de servo com bacia
nas mãos e cruz nas costas, pois, antes, a
si mesmo se
esvaziou, assumindo
a forma de
servo, tornando-se
em semelhança
de homens; e,
reconhecido em
figura humana,
Filipenses 2:7.
Se o pecado pode ser
definido como a arrogância da teomania humana, a graça pode ser
descrita como Deus na estatura de um homem se revelando totalmente
favorável àquele que é o mais detestável dos rebeldes. O caráter
da graça é a indignidade do indigente. Quanto mais descrédito
perante a lei, mais crédito diante da graça. O Evangelho é a boa
nova para os canalhas e o habeas-corpus a todos os sentenciados ao
inferno.
Alguém disse que graça
é mais do que favor a quem não merece, é favor cabal àquele que
tem completo demérito. A questão não é se a pessoa não tem algum
merecimento, mas se ela tem total desmerecimento. A graça só requer
integral desonra a fim de poder honrar aquele que é o mais cafajeste
dos pecadores. Sobreveio a
lei para que
avultasse a
ofensa; mas
onde abundou
o pecado,
superabundou a
graça, Romanos 5:20.
Jesus mostrou o estilo
magnânimo do reino da graça, quando contou uma parábola de um
homem rico que preparou uma grande ceia e convidou muita gente.
Todavia os convidados não deram bola para o convite nem fizeram caso
da festa. Eles eram muito importantes e tinham negócios vantajosos
em vista.
Talvez aqueles convidados
tenham rejeitado o ingresso ao banquete da graça, porque eles
eram nobres demais a fim de participar de um festival que não lhes custasse coisa alguma, nem lhes agregasse algum valor especial. A reação daquele senhor perante o promoter é um sintoma do caráter da graça: Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Lucas 14:21.
eram nobres demais a fim de participar de um festival que não lhes custasse coisa alguma, nem lhes agregasse algum valor especial. A reação daquele senhor perante o promoter é um sintoma do caráter da graça: Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Lucas 14:21.
A graça não exclui
ninguém, todavia tem-se percebido que os ilustres não se sentem à
vontade no salão de festas do reino da graça. Aquele chamamento foi
ecumênico, mas apenas
os deficientes puderam comemorar o evento. O único bloqueio para a celebração do evento é a justiça própria com seus direitos e privilégios.
os deficientes puderam comemorar o evento. O único bloqueio para a celebração do evento é a justiça própria com seus direitos e privilégios.
Jesus contou uma outra
parábola em que um rei comemorava as bodas do seu filho, quando um
penetra tentou fazer uma boquinha livre. Naquela época era costume
do dono da festa, que fosse rico, dar as vestes festivais para os
convidados, a fim de ninguém se sobressair sobre os outros. Contudo,
havia alguém naquele banquete destoando. Entrando,
porém, o rei
para ver os
que estavam à
mesa, notou
ali um homem
que não
trazia veste
nupcial e
perguntou-lhe: Amigo,
como entraste
aqui sem
veste nupcial?
E ele
emudeceu. Mateus
22:11-12.
O mérito é o nosso
maior problema. Nós não gostamos da graça nem aceitamos com
facilidade a dependência divina. Viver tão somente pelo
consentimento da opinião do céu é uma
dificuldade terrível para os atrevidos da terra. Mas aquele rei não concordou com a permanência daquele abusado que quis ditar as regas da festa com a sua indumentária. Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:13-14.
dificuldade terrível para os atrevidos da terra. Mas aquele rei não concordou com a permanência daquele abusado que quis ditar as regas da festa com a sua indumentária. Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:13-14.
O traje na Bíblia
tipifica a questão da justiça. Aquele intrometido queria ser aceito
com a sua justiça e não com a justiça do rei. A graça nunca
acolhe quem se traja com a sua justiça, uma vez que os celebrantes
da festa do Rei sempre se vestem com as roupas que lhe foram dadas no
hall do Palácio. Só a justiça de Cristo pode atender a dignidade
do pecador. Assim, ninguém entra no reino de Deus portando sua
reputação pessoal.
Um tempo desses, estive
numa capital do Nordeste celebrando um casamento. O pai do noivo
acabou esquecendo o seu terno na cidade onde mora, bem distante do
local da festa, o que causou uma situação embaraçosa. Um dos tios
do noivo tinha mais de um terno, que podia emprestá-lo, mas o pai
não quis, pois havia alguma diferença na compleição física, e
todos nós queremos ficar bem na foto. Ele teve que comprar uma roupa
nova, ainda que tivesse um terno de grife, só para ficar confortável
na festa.
No reino de Deus nós
seremos aceitos somente com a vestimenta de Cristo. Ela é a
única justiça feita sob medida. Nenhuma indumentária pessoal será admitida nesse aprazível ágape da graça absoluta. Nós só participaremos da festa, se Cristo for a nossa identidade. Pois todos vós sois f ilhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Gálatas 3:26-27. Quero apenas lembrar aqui, que este batismo não é em águas, mas na identificação com Cristo.
única justiça feita sob medida. Nenhuma indumentária pessoal será admitida nesse aprazível ágape da graça absoluta. Nós só participaremos da festa, se Cristo for a nossa identidade. Pois todos vós sois f ilhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Gálatas 3:26-27. Quero apenas lembrar aqui, que este batismo não é em águas, mas na identificação com Cristo.
O Pai só nos aceita
plenamente na pessoa do seu Filho amado. Sendo assim, não há
necessidade de vestuários complementares. O filho pródigo, mendigo
maltrapilho, quando foi recebido como fidalgo na casa do seu pai, foi
acolhido sob as expensas e os cuidados do tesouro paterno. O
pai, porém,
disse aos
seus servos:
Trazei depressa
a melhor
roupa, vesti-o,
ponde-lhe um
anel no dedo
e sandálias
nos pés; Lucas
15:22.
Graça
é a coleção de inverno, o guarda-roupa preparado pelo Pai para os
filhos malroupidos. É o Pai condecorando os falidos com a excelência
da aristocracia. É o pecador sendo recebido no reino de Deus apenas
pela justiça de Cristo.
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