MERECIMENTO
OU
MISERICÓRDIA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Porque
Deus
a
todos
encerrou
na
desobediência,
a
fim
de
usar
de
misericórdia
para
com
todos.
Romanos
11:32.
A grande luta do
entendimento no âmbito da salvação, fica por conta dos nossos
merecimentos. Isto é: Aquilo que pensamos que merecemos. Uma boa
opinião sobre nós mesmos e o sentimento de que alguém está em
dívida conosco geram a presunção de sermos foco do interesse
especial de Deus. Sentimos que Deus está obrigado a nos salvar, já
que foi Ele quem nos fez, e que não pedimos para ser criados. A
bitola estreita do egoísmo humano presume que Deus está forçado a
providenciar a salvação do pecador. O nosso grande senso de
importância, bordado com direitos e reivindicações, assume uma
postura exigente, fazendo com que a nossa salvação seja uma
prerrogativa natural de nossas qualidades, e o reconhecimento
divino, de que o seu débito, pode ser pago.
Muitos supõem que Deus
se acha coagido com a determinação de salvar o ser humano. A
salvação é vista neste caso como um direito. É apenas uma questão
reivindicatória. Reclame os seus privilégios, pois Ele encontra-se
comprometido com a obrigatoriedade de sua salvação. É uma questão
apenas de regalia; recupere a dignidade que lhe cabe, exija seus
direitos. Esta visão estrábica tem matizes mais suaves, mas sempre
apresenta cobranças embutidas
no reconhecimento. É
uma restauração imposta que exibe a profundidade da presunção
humana. O sindicato espiritual da modernidade religiosa tem
explorado as apelações e cobranças que põem Deus na parede.
Hoje, está em voga, exigir de Deus as bênçãos, e fazer greve de
fome e passeatas em vigília, se as respostas não corresponderem à
solicitação. É muito comum o protesto que apela para reaver os
direitos.
Na verdade o único
merecimento que o homem tem é a condenação ao inferno. Do ponto de
vista bíblico nós não temos qualquer vantagem. Somos pecadores
indignos sem a menor distinção ou privilégio. Como dizia Blaise
Pascal, nascemos iníquos; cada
um tende a agradar
a si mesmo, e
a tendência de agradar
ao eu é o
início de toda desordem.
Somos portadores de uma natureza essencialmente corrupta, que não
tem condições de merecer a mais rudimentar atenção de Deus. O
dilema humano não se fundamenta naquilo que o homem tenta parecer,
mas naquilo que verdadeiramente ele é, quando está no escuro. E
este quadro é profundamente desanimador, pois as conseqüências
relacionadas a esta situação são drásticas. Paga-lhes
segundo as
suas obras,
segundo a
malícia dos
seus atos;
dá-lhes conforme
a obra de
suas mãos,
retribui-lhes o
que merecem.
Salmo 28:4. O que
merecemos é realmente o inferno. Por melhor que nos apresentemos, a
verdade desmascara por completo a nossa presunção. Não há
credenciais que assegurem a excelência de nossos direitos
celestiais, pois, freqüentemente, usamos a dignidade como um manto
que oculta as feridas do nosso coração. Sabe-mos que não temos
merecimentos, mas ainda assim gritamos falsificando depoimentos e
relatórios: O reino de Deus
nos pertence por direito.
Somos seus filhos e
exigimos nossa herança!
É preciso baixar a
bola. A verdade é totalmente outra. Não gozamos de direitos ou
merecimentos, pois somente pela misericórdia de Deus somos
atendidos. Ninguém pode apelar pelas suas razões ou justificar o
seu próprio desempenho. Temos apenas a misericórdia de Deus para
suplicar. O publicano,
estando em
pé, longe,
não ousava
nem ainda
levantar os
olhos ao céu,
mas batia no
peito, dizendo:
Ó Deus, tem
misericórdia de
mim, pecador!
Lucas 18:13.
A apelação é direito
dos injustiçados, mas a súplica é o clamor dos miseráveis
indignos. Sê propício a mim que sou vil, desprezível e infame.
Precisamos ter a mesma visão do ladrão na cruz, quando esboçou a
realidade de nossa essência. Nós estamos
sendo punidos
com justiça,
porque estamos
recebendo o
que os nossos
atos merecem.
Mas este
homem não
cometeu nenhum
mal. Lucas
23:41.
Eu sei que Deus não se
encontra violentado em me considerar. Não há predicados ou
atributos que requeiram sua deferência. Se Ele me ouve é por sua
misericórdia, se Ele me salva é por sua graça. Não há
qualificação que demande instância ou estima. Deus não possui
hipoteca a ser liquidada. Ele não tem saldo devedor, nem age sob
coação. Tudo que Deus faz é movido por seu amor misericordioso,
que não embute vantagens, constrangimentos ou exigências. Ele não
busca interes-ses nem se vê compelido pela obrigação. O cristão
deve se recordar sempre que as infinitas e incondicionais
misericórdias de Deus são imensamente maiores do que suas misérias.
Pois grande é
a tua
misericórdia para
comigo e me
livraste a
alma do mais
profundo poder
da morte.
Salmo 86:13. A
misericórdia de Deus jamais pode ser perfeitamente contabilizada.
Deus dá sua ira
por peso, mas a
sua misericórdia sem
medida.
Deus nunca
age sem propósito; nem
age ao acaso, nem
é vítima das
circunstâncias. A salvação do homem é um projeto de
Deus movido por seu amor misericordioso que não exige merecimento. A
misericórdia é uma dádiva divina que salda completamente nossas
dívidas impagáveis. As misericórdias
do Senhor são
a causa de
não sermos
consumidos, porque
as suas
misericórdias não
têm fim e
se renovam
cada manhã.
Lamentações 3:22-23a.
Deus encerrou a todos debaixo da desobediência a fim de nos aceitar
incondicionalmente em Cristo Jesus, por meio de sua in-finita
misericórdia. Os salvos são expressões legí-timas da graça plena
de Deus. Nem mesmo a fé ou o arrependimento brotam espontaneamente
do coração humano. São donativos imerecidos da graça
que está especialmente
associada com os homens
em seus pecados, como
a misericórdia está
geralmente associada com os
homens em sua miséria.
Ao Senhor, nosso
Deus, pertence
a misericórdia
e o perdão,
pois nos
temos rebelado
contra ele.
Daniel 9:9.
Por este motivo, os
santos de Deus, salvos pela misericórdia e graça de nosso Senhor
Jesus Cristo são pessoas inteiramente agradecidas. Eles sabem que
não merecem nada de bom. É absoluta manifestação da graça sermos
salvos. Como é estranho que
o Senhor tenha de
insistir com aqueles que
salvou do abismo, para
que eles demonstrem
gratidão! Dar graças a Deus é a expressão verdadeira
de alguém que foi alcançado pela misericórdia de Deus. Um coração
agradecido pela salvação gratuita e imerecida encontra-se em festa
permanente. É inconcebível um cristão exigente de seus supostos
direitos. Sendo assim sua linguagem revela profundo reconhecimento e
total gratidão ao Senhor pelo tudo que lhe foi dado. Em
tudo dai
graças, porque
esta é a
vontade de
Deus em
Cristo Jesus
para convosco.
1Tessalonicenses 5:18.
Se não há merecimento
também não há direito. Ninguém pode reivindicar o que não
merece. Porém, se não merecemos e recebemos, não resta outra
postura, senão uma vida de inteiro louvor. Agradecer, pode ser uma
atitude civilizada, mas viver agradecido em constante louvor, é o
reflexo de uma vida transformada. Não é possível ser salvo pela
graça e não demonstrar profunda gratidão. Não há no mundo
exagero mais belo do que a gratidão de um coração verdadeiramente
liberto pela misericordiosa graça de Deus. A adoração genuína e o
louvor autêntico são a memória de um coração agradecido, que
nunca pode esquecer os benefícios desmedidos do amor de Deus.
Os ingratos e invocados
não fazem parte do coral divino, uma vez que vivem desentoando com
os seus protestos contradizentes, suas impugnações ressentidas e
seus lamentos vitimados. A demanda dos direitos anula a harmonia do
canto. Não há sinfonia de gratidão vinculada com a exigência dos
merecimentos. Não existe hino de louvor que fale dos direitos
humanos. Para solfejar a música celestial é preciso afinar-se com a
misericórdia de Deus e render tributos de entranhada gratidão.
Bendize , ó
minha alma,
ao Senhor, e
tudo o que
há em mim
bendiga ao
seu santo
nome. Bendize,
ó minha
alma, ao
Senhor e não
te esqueças
de nem um
só de seus
benefícios. Salmo
103:1-2.
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