sexta-feira, 4 de maio de 2012

PRESERVANDO A UNIDADE DO CORPO


PRESERVANDO A UNIDADE DO CORPO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
"Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. 1 Coríntios 12:12."
Jesus Cristo só tem um corpo na terra – a sua igreja. Ele não tem muitos corpos como se fosse um monstro com uma cabeça e vários corpos. A igreja de Deus é única, ainda que esteja espalhada em vários lugares.
A igreja de Jesus Cristo é singular, conquanto se reúna em lugares diferentes ao mesmo tempo. Não há várias igrejas de Cristo, distintas e distantes uma das outras. Existe a igreja, corpo de Cristo, com diversidade de expressões. A igreja, porém, é una e exclusiva. O certo é que muitos membros, mas um corpo. 1 Coríntios 12:20.
O reino de Deus é comparado, por Jesus, a um campo em que o semeador plantou a boa semente de trigo, mas o inimigo veio de noite e espalhou o joio. Trigo e joio crescem juntos na mesma lavoura. O trigo representa os filhos de Deus, enquanto o joio os filhos do maligno. Aqui encontramos um problema de identificação, pois os dois são similares no aspecto. As aparências são enganadoras.
Muitos confundem a igreja de Jesus Cristo com as estruturas religiosas. A importância do continente, por vezes, fica misturada com o conceito do conteúdo. Não é raro nos equivocarmos com a forma, a ponto de apreciarmos mais a embalagem do que o produto. Mas é bom lembrar que a substância da igreja é o trigo, nunca o joio.
Creio que nas muitas denominações cristãs podemos encontrar a igreja de Cristo. Nenhum grupo religioso no seio do cristianismo deve ser aceito, a priori, como igreja de Cristo, mas em todos os grupos cristãos, que pregam a palavra de Deus sob o foco da salvação somente em Cristo, pode-se perceber a igreja de Cristo. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. Mateus 18:20.
A igreja não é uma organização. Ela é um organismo vivo que tem organização. Mas a igreja é antes de tudo o corpo de Cristo aqui na terra. Não há um corpo com um membro só; sendo assim, ela é a reunião de mais de um membro, em nome de Cristo.
A Trindade é a coexistência divina em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Eles não são três deuses, mas a coesão do único Deus que se manifesta com três personalidades distintas. Essa concordância da Trindade é a matriz da unidade da igreja.
A igreja é formada pelas pessoas que foram regeneradas pelo Espírito Santo através da obra vicária de Cristo Jesus. Ela é constituída por todos aqueles que foram crucificados juntamente com Cristo, passando a viver por meio da vida ressuscitada que Cristo recebeu na sepultura. Todos os indivíduos que foram incluídos em Cristo, pela fé, ganharam a experiência de morte e ressurreição, fazem parte da igreja de Cristo.
A igreja é a reunião de um povo que foi liberto da escravidão do pecado, a fim de viver exclusivamente para a glória de Deus. O alvo da igreja é a exaltação de Deus, por isso, tudo que ela pratica tem como objetivo principal a glorificação do seu Senhor. Tu és o meu Deus, render-te-ei graças; tu és o meu Deus, quero exaltar-te. Salmos 118:28.
O Pai nos regenerou, através do Espírito Santo para que possamos viver com a vida de Cristo ressuscitado, para sua glória. O ponto alto dessa obra regeneradora é a cruz, que consegue despejar a arrogância do pecado, sem, contudo, anular o valor da personalidade humana. Ainda que o crente não seja despersonalizado, ele não é autônomo.
Os membros da igreja de Cristo são pessoas esculpidas pelos efeitos da cruz, porém dotadas de expressão pessoal. Não há bonecos marionetes no corpo de Cristo, nem robôs teleguiados. O corpo de Cristo é composto de gente capaz de tomar decisões subjetivas sob o controle de sua vontade, dirigida pelo Espírito Santo.
O que está em jogo na unidade do corpo não é a uniformidade das idéias, mas a disposição do coração. Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um corpo; porque todos participamos do único pão. 1 Coríntios 10:17.
A igreja é um pão sem a menor individualidade na farinha. Todos os grãos de trigo foram moídos, e deste modo não ostentam sua aparência particular. O alvo supremo dos integrantes do corpo é a unidade do todo. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor. Efésios 4:15-16.
A integridade da igreja é tema dos crucificados. Somente aqueles que foram marcados pelos feitos da cruz podem cogitar do projeto da unidade. O grande fator que determina a harmonia do corpo é a consideração de uns pelos outros, delineada pela obra da cruz. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Filipenses 2:3.
O apóstolo Paulo aponta algumas qualidades indispensáveis para a promoção da caminhada digna do cristão, a única responsável pela promoção da unidade. Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; Efésios 4:1-3.
Humildade e mansidão são as marcas da personalidade de Cristo. Sem esses predicados não é possível falar de conciliação. A concordância espiritual sempre acontece no perímetro desses atributos divinos, por isso Jesus orou ao Pai, pedindo: eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. João 17:23.
Não é razoável admitir a homogeneidade da massa sem que haja a renúncia do anseio de distinção. Perguntaram, certa vez, ao missionário Hudson Taylor, por que razão ele só viajava nos trens de segunda classe. – Porque não vagões de terceira classe – foi a sua pronta resposta. A humildade sempre se afeiçoa ao lugar designado por Deus.
Além destas duas características fundamentais, Paulo se refere também à paciência, como elemento básico para esse plano. Não é admissível tratarmos da unidade sem tolerância. Há um provérbio chinês que diz: com paciência as folhas da amoreira se tornam vestidos de seda. Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, Romanos 15:5.
Alguém disse também que zelo sem tolerância é fanatismo. Sendo assim, o amor que conecta os cristãos deve ser mais intenso do que as pendências que os reparte. Suportar uns aos outros em amor é o distintivo da verdadeira unidade. Quem ama suporta os fracos ainda que não se compadeça da sua covardia.
O amor tolerante não significa transigência dos princípios eternos. Creio que a contemporização é sempre lesiva quando envolve o holocausto dos preceitos divinos. Todavia é preciso indulgência quando se fala de aliança, pois a intransigência pode ser a grande responsável pela falta de coesão nos relacionamentos.
O apóstolo ainda fala da paz como um item vital para preservar a unidade da igreja. Sto. Agostinho dizia que muito mais do que simples ausência de guerra, a paz define o estado do homem que vive em harmonia com Deus, consigo mesmo e com os outros.
Não é paz a qualquer custo, mas a paz que estampa o preço do sangue do Cordeiro. Não se pode viver promovendo bifurcação onde o Cordeiro proclama unidade. O alvo da fé cristã é Cristo, e o objetivo de Cristo é a maturidade que se reflete em consistência. Até que todos cheguemos à unidade da e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, Efésios 4:13.
O amadurecimento da experiência sempre evidencia adesão. A unidade do corpo é o resultado de vidas ajuizadas que souberam depender da suficiência de Cristo. Quem está sujeito apenas ao Senhor Jesus Cristo não causa separação no corpo de Cristo.
A grande demonstração de maturidade espiritual é o agenciamento da unidade adequada da igreja. Os promotores da paz são mencionados por Jesus como sendo os legítimos filhos de Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Mateus 5:9.
Não creio na adoção de filhos de Deus daqueles que patrocinam as castas. Não há classes elevadas ou categorias especiais na casa do Pai. Ainda que alguns possam estar mais amadurecidos, a sua maturação nunca favorece a discriminação. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Romanos 12:10.
Se há alguém que é mais espiritual, esse só pode ser aquele que acende a unidade do corpo de Cristo. É sempre bom saber que as divergências e as dificuldades não podem apagar o fogo da aliança sob a cobertura do Espírito Santo. F R Maltby disse que Jesus prometeu a seus discípulos três coisas: eles seriam totalmente corajosos, absurdamente felizes e estariam constantemente em problemas.
Para mim os problemas fazem parte da vida da igreja e seria um absurdo pensar na igreja de Cristo que não enfrenta problemas. Todavia, que, pela misericórdia de Deus, eu não seja parte desses problemas. Que o Senhor me faça, pela sua graça, promotor da unidade e nunca criador de caso ou desagregador da ordem.
Os verdadeiros cristãos para se unirem, precisam se reunir com o mesmo propósito que Cristo demonstrou em sua oração sacerdotal. não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. João 17:11. Guardados no nome do Pai, vivamos todos em unidade para a glória do Senhor da igreja. Amém.

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