DA
LEI À
GRAÇA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
A
lei
foi
dada
por
meio
de
Moisés,
mas
a
graça
e
a
verdade
vieram
por
meio
de
Jesus
Cristo.
João
1:17.
VFL
A
Bíblia está dividida em dois testamentos. O Antigo Testamento é
fundamentalmente a escritura da lei, enquanto o Novo Testamento é o
pacto da graça. Conquanto o Velho Testamento trate muito da graça,
o seu leito preferencial implica nos princípios da lei. Moisés, com
as leis, é a marca da antiga dispensação. Por outro lado, o Novo
Testamento, não revogando a lei, cuida especialmente do projeto
sublime da graça, por meio de Jesus Cristo. A mensagem essencial da
Nova Aliança é a graça de Deus com sua plena realização em favor
do homem.
A
lei de Moisés é antes de qualquer coisa um diagnóstico da natureza
humana. Ela veio para revelar a incapacidade do ser humano de se
salvar pelos seus próprios méritos. Uma vez que nos tornamos
incapazes de cumprir literalmente os ditames da lei, fica impossível
a nós chegar ao Reino de Deus por meio da prática da lei. Sendo as
exigências da lei rigorosas e nossa condição de satisfazê-las
absolutamente precária, torna-se inviável a salvação por
intermédio da lei. Na visão que o Espírito Santo deu a Paulo, a
lei veio para trazer o conhecimento perfeito do pecado e fazê-lo
volumoso diante de nossos olhos. Não há
homem nenhum
que, por
fazer o que
a lei manda,
possa ser
declarado justo
diante de
Deus, pois a
lei simplesmente
mostra o
nosso pecado.
A lei veio
para aumentar
o pecado.
Romanos 3:20
e 5:20a VFL.
Como mostra a Bíblia, a função da lei é ressaltar a gravidade da
pecaminosidade humana e jamais propiciar a salvação.
Entretanto,
ninguém poderá chegar ao Reino de Deus sem a salvação. Sendo
assim, Deus enviou Jesus Cristo cheio de graça e verdade para nos
salvar exclusivamente por meio de sua graça. Temos como princípio
de que a graça consiste na realização soberana de Deus em
benefício do indigno pecador. A graça só é graça quando Deus
realiza tudo e dá tudo em favor do desmerecido. Enquanto a lei exige
estrita precisão no cumprimento de suas exigências, a graça
satisfaz todos os requisitos da lei em Cristo e voluntariamente
imputa as condições realizadas ao transgressor incompetente. A
nossa salvação é pura dádiva graciosa de Deus. A essência
substancial da doutrina da graça é que Deus é favoravelmente em
nosso benefício. Deus se inclina propício e benigno em socorro do
desprezível pecador. Alguém já disse que a graça
é algo mais do
que favor imerecido...
graça é favor demostrado
onde há absoluto demérito
na pessoa que a
recebe.
Nas
leis de mercado, a troca lucrativa movimenta o comércio. Tanto o
vendedor como o comprador devem perceber alguma vantagem. Não pode
haver negócio sem o câmbio dos interesses proveitosos. No Reino de
Deus as vantagens ficam apenas do lado do homem. A graça permuta a
santidade de Deus pelo pecado humano. O valioso pelo vil. Deus assume
os pecados da natureza humana em Cristo, perdoando toda a rebeldia, e
recompensando o pecador com a santa justiça imputada graciosamente.
De fato há uma doação e não uma partilha. O princípio da graça
é transformar o débito em crédito, a miséria em abundância, a
fraqueza em força, a enfermidade em saúde, o pecado em santidade, o
inferno em céu. A graça não negocia com o homem na base do troco,
nem Deus aceita gorjeta. Nada que não
seja gratuito é seguro
para os pecadores... A
não ser que sejamos
salvos somente pela graça,
não podemos absolutamente
ser salvos, enfatiza Charles Hodge. Tudo o
que Deus tem para nós é oferecido gratuitamente. No Reino de Deus
não há prestações ou promissórias a serem resgatadas, nem o nome
fica seprocado.
Entretanto,
depois de sermos salvos pela graça, pode-se correr o risco de
pretendermos a santificação mediante as obras da lei. Muitas vezes
me vejo tentando ser aceitável diante de Deus, por meio de meu
desempenho. É muito sutil a passarela do empenho. Muitas vezes o
zelo diligente exibe sua performance, na tentativa de capitalizar
algum dividendo. Alguns homens
que tinham
vindo da
região da
Judéia estavam
ensinando os
irmãos e
diziam: Se
vocês não
forem circuncidados,
de acordo com
o costume de
Moisés, não
poderão ser
salvos. Atos
15:1 VFL. A igreja nascente mal
saía da casca do ovo e já enfrentava as bitolas da tradição
judaica nas leis de Moisés. Sempre achamos que a graça não é
suficiente para concretizar a obra da salvação, precisamos dar uma
mãozinha neste assunto. Parece que Deus não é competente para
completar a obra que começou em nós. É muito comum apelarmos para
os nossos méritos transformados pela graça, a fim de cooperar com a
obra da graça no desenvolvimento de nossa salvação. Achamos que a
salvação pode ser mediante a graça, mas a santificação fica em
parte por nossa conta. Paulo, escrevendo aos crentes da Galácia,
fica surpreso com a atitude deles quando indaga: Será
que vocês
são tão
tolos que,
tendo começado
uma vida com
o Espírito,
estão agora
se aperfeiçoando
com as suas
próprias forças?
Gálatas 3:3 VFL.
Sabemos
que a regeneração do homem é obra exclusiva da graça de Deus, mas
a santificação do homem é também plena expressão da graça de
Deus. Alguém já escreveu que a regeneração é pela graça mas a
santificação é pelas obras. Porém, a Bíblia mostra que tanto a
regeneração como a santificação são obras suficientes da graça.
Pois vocês
são salvos
pela graça,
por meio da
fé, e isto
não vem de
vocês, é
dom de Deus;
não por
obras, para
que ninguém
se glorie. Que
o próprio
Deus da paz
os santifique
inteiramente. Que
todo o
espírito, a
alma e o
corpo de
vocês sejam
conservados irrepreensíveis
na vinda de
nosso Senhor
Jesus Cristo.
Aquele que os
chama é fiel
e fará isso.
Efésios 2:8-9
e 1Tessalonicenses
5:23-24 NVI. Quando
as Escrituras afirmam que o próprio Deus é o agente da
santificação, elas sustentam que a graça é a causa desta obra.
Contudo, esta graça não deixa o homem pasmo e inativo. A graça de
Deus operante no homem não o torna indolente e contemplativo.
Aqui,
entretanto, precisamos verificar a diferença entre as obras da lei e
a operação da graça na vida do crente. Não existe graça
inoperante. Não há cristão genuíno apático ou negligente. Mas a
distinção entre os executivos da religião e os laboriosos da graça
se verifica em três aspectos: 1ª) A glória. O religioso esforçado
valoriza a sua desenvoltura e conta ponto com o seu encargo, buscando
os aplausos. Mas o crente da graça sabe que o seu trabalho é fruto
da operação de Deus e portanto, o louvor pertence a Ele. 2ª) A
força. Na execução da tarefa religiosa o esforço humano causa
cansaço e desânimo, enquanto o homem da graça ganha força na sua
fraqueza. Quando o poder é de Deus não há desencorajamento. 3ª) A
meta. O resultado final de um religioso é o êxito de sua
interpretação. O sucesso de sua missão é o salário de sua
realização. Porém, a finalidade última do laborioso da graça é
a glória de Deus, quer se encontre na prisão ou no palácio. Como
John Newton, podemos dizer: Não sou o
que posso ser, não
sou o que devo
ser, não sou o
que quero ser, não
sou o que espero
ser; mas agradeço a
Deus porque não sou
o que outrora era,
e posso dizer agora
como o grande apóstolo:
Mas pela graça
de Deus sou
o que sou.
E a sua
graça que
Ele me deu,
não foi
desper-diçada. Ao
contrário, trabalhei
muito mais do
que todos os
apóstolos. (Embora
não tenha
sido eu mesmo
quem trabalhou,
mas a graça
de Deus que
estava comigo.)
1Coríntios 15:10
VFL.