A
VIDA ESPIRITUAL EM
LABORATÓRIO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Alguém
já disse que as pedras preciosas não podem ser polidas sem fricção
nem o povo de Deus aperfeiçoado sem provações. A vida espiritual
autêntica também tem o seu teste de qualidade. É necessário
provar o coração dos santos, para que eles vejam o seu grau de
dedicação. Certamente que as provas não são aplicadas para que o
professor saiba, mas, para que o aluno constate o seu nível de
conhecimento. Todo treinamento eficaz visa capacitar o aprendiz na
habilitação de suas tarefas. As exigências do treinador estão
voltadas para o aprimoramento do atleta.
Deus,
sendo onisciente, não carece de qualquer informação a nosso
respeito. Ele não precisa nos provar para saber o índice de nossa
fidelidade ou infidelidade. Não há nada
que esteja além do
olho de Deus. Qualquer
pessoa pode contar as
sementes de uma maçã,
mas só Deus pode
contar todas as maçãs
que brotarão de uma
semente. Deus nunca será apanhado de surpresa, nem haverá
incidentes em seus planos. Entretanto, nós, em razão da finitude e
do engano do coração, precisamos, realmente, destas experiências,
para constatar a coerência de nossa fé. Assim, como a peneira
separa o trigo da palha, assim, as provações separam o grão cheio
do chocho.
As
provações sempre estão voltadas para os nossos corações. Cada
crise pode representar a
hora em que Deus
dá início a novas
dimensões em nossas vidas.
Deus seleciona os seus melhores amigos com os testes de laboratório
mais especializados. Muitas vezes, ele permite que sejamos provados
em um plano muito alto. Dizem que Ele recruta os seus fiéis oficiais
nas montanhas mais elevadas, quando admite as demonstrações de
poder semelhante ao seu, para nos distrair de sua pessoa. Sem dúvida
nenhuma, estamos aqui nos limites da precisão. Deus, com freqüência,
autoriza certos profetas a falarem coisas prodigiosas e realizarem
feitos extraordinários, com a finalidade de nos desviar a atenção
de sua pessoa. A mensagem do profeta era exata e as conclusões nos
pareciam corretas, mas o objetivo final é nos afastar do amor ao
nosso Deus. Tudo aquilo que, por mais excepcional que seja, nos
desencaminha da intimidade secreta e da dedicação absoluta a Deus,
constitui-se na prova final de nosso coração. Quando somos postos à
prova, revelamos os recursos escondidos de nossa alma. No controle de
qualidade, este é o exame mais aprimorado para constatar as
intenções e propósitos do coração.
O
chamado de Deus é a vocação para uma vida pura e inteiramente
devotada a Ele, que somente podem conhecê-la aqueles que abandonaram
toda falsidade e ilusão, toda aparência que imita a autenticidade
dos relacionamentos com Deus. O engano mais sutil é aquele que mais
se assemelha ao legítimo. A mentira mais astuta é a analogia da
verdade. Portanto, o teste mais difícil é o discernimento entre o
autêntico e o similar. A mensagem parecida estabelece a maior
exigência no exame dos fatos. Quanto mais parecido, mais acuidade.
As piores mentiras são
aquelas que mais se
aproximam da verdade, e a
pesquisa mais laboriosa recai sempre na esfera das semelhanças.
Quando o pregador fala uma mensagem coerente, ortodoxa, bem
concatenada, mas com intenções invisíveis de minimizar o valor da
graça plena, de diluir a centralidade de Cristo crucificado e
desconsiderar a nossa co-crucificação com Cristo, podemos observar,
com certeza, que estamos diante de um terreno minado. Uma mensagem
correta nem sempre significa uma mensagem exata. E, no reino de Deus,
o que conta é a fidelidade. Apolo pregava com precisão, em Éfeso,
a respeito de Jesus. Ele, pois,
começou a
falar ousadamente
na sinagoga.
Ouvindo-o, porém,
Priscila e
Áqüila, tomaram-no
consigo e,
com mais
exatidão, lhe
expuseram o
caminho de
Deus. Atos
18:26. As distorções que observamos nos
crentes de Éfeso, quando o apóstolo Paulo chegou lá, são frutos
da semelhança na pregação de Apolo. A falta de precisão pode ser
a grande tragédia que se abate na vida da igreja atual.
Muitos
mensageiros falam coisas interessantes e com bom conteúdo, contudo,
o recado acaba nos distanciando do amor intenso e da comunhão
permanente com Deus. Toda comunicação, por mais importante que seja
e por mais verdadeira que nos pareça, se não nos mantiver vivos
numa intimidade com Deus, por meio de sua graça plena, é armadilha
em nosso caminho. Tudo aquilo que nos arremete para a periferia do
amor de Deus, e que não nos torna radicais em sua amizade, é exame
de vestibular. Com certeza estamos sendo provados. Freqüentemente,
Deus nos expõe aos grandes temas e nos permite entrar em contato com
os assuntos mais vibrantes, a fim de percebermos as inclinações
profundas de nosso coração. Há muitas pegadinhas por trás de
temas relevantes e de profetas consumados. Quando as ambições de
nossa alma se animam pela satisfação do conhecimento ou pelas
vantagens que venhamos a experimentar, e não pelo relacionamento
pessoal com Deus mesmo, estamos com problemas. A areia é tão
movediça que Paulo nos alerta até mesmo para a sua mensagem ou a
pregação de anjos vindo dos céus. Mas, ainda
que nós ou
mesmo um anjo
vindo do céu
vos pregue
evangelho que
vá além do
que vos temos
pregado, seja
anátema. Gálatas
1:8. Não se descuide, pois o zelo
é como o fogo;
necessita tanto de alimento
quanto de vigilância. Cuidado
com a pregação correta, em que se mistura o ministério dos anjos.
Todo
assunto que nos aparta da comunhão íntima com Jesus Cristo é
experiência de laboratório. O objetivo principal de nossa
convocação é a comunhão com nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de
participarmos da real comunhão com o Pai. Fiel é
Deus, pelo
qual fostes
chamados à
comunhão de
seu Filho
Jesus Cristo,
nosso Senhor.
1 Coríntios
1:9. A ênfase do Evangelho é consagração
integral. William Temple afirmava: Cristianismo é
a dedicação total de
tudo o que conheço
a meu respeito a
tudo o que conheço
a respeito de Jesus
Cristo. Toda a vida deve estar sujeita à pessoa soberana
de Cristo. Não é sem razão que Deus providencia testes que apontem
as intenções do coração. Muitos que parecem flamejantes se
esfriam rapidamente, quando se envolvem com sinais, prodígios e
profecias que se realizam. Quantas cabeças já rolaram e quanta
gente boa tem se desviado com a pregação esmerada, que sutilmente
nos alonga da pessoa de Cristo. Ficamos tão envolvidos com o êxito
da missão espiritual, que perdemos de vista o relacionamento com
Deus. E como disse Santo Agostinho, Se você
é um fracasso em
sua vida de devoção,
é um impostor em
todas as outras coisas.
Deus sente prazer em
nós quando sentimos prazer
nele. Identificação com Cristo é o alvo final da
redenção. Comunhão com Deus é o objetivo da criação. Tudo
aquilo que interfere na nossa comunhão com Deus e que nos mantém
ocupados com os ídolos mais disfarçados, com certeza é um teste de
coração. O acesso a Deus está aberto, somente para aqueles que
sabem discernir, numa escala de valores correta, as verdadeiras
prioridades. É como alguém dizia: Estar pouco
com Deus é fazer
pouco de Deus. O grande risco
ainda se encontra na sedução de grandes temas e de mensagens
tremendas, que ardilosamente nos esfriam de uma comunhão perfeita
com Deus. Não é suficiente
ter comunhão com a
verdade, pois esta é
impessoal. Precisamos ter
comunhão com o Deus
da verdade. Aqui está a prova: qualquer
coisa que arrefeça nosso relacionamento pessoal com Deus, por mais
correta que seja, deve ser descartada por completo de nossas vidas.
Buscar-me-eis e me
achareis quando
me buscardes
de todo o
vosso coração.
Jeremias 29:13.
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