A
DIMENSÃO
DESMEDIDA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
A
Palavra
tornou-se
carne
e
viveu
entre
nós.
Vimos
a
sua
glória,
a
glória
como
do
Unigênito
vindo
do
Pai,
cheio
de
graça
e
de
verdade.
João
1:14(NVI).
O
Universo é muito grande. Talvez, muito grande seja ainda muito
pequeno para tentar descrever a grandeza do Universo. O fato é, que
o Cosmo é imenso. São bilhões e bilhões de estrelas maiores,
iguais e menores que o sol. Este é uma estrela de 5º grandeza que
tem cerca de 1.430.000 Km em seu diâmetro. Se fosse
possível cortá-lo em um
milhão de partes iguais,
cada um desses pedaços
seria maior do que
a Terra. Com isto queremos dizer que se uma
estrela de 5º grandeza tem este tamanho, quais são as proporções
do Universo? Estamos diante de uma dimensão incalculável.
A
ciência tem chegado à conclusão de que este macro Cosmo, apesar de
incomensurável, é finito. A astronomia estuda uma grandeza
incalculável, mas contingente. O Universo é imenso, contudo tem
seus limites. Esta é uma proposição científica que nos espanta e
nos encaminha para uma outra questão. Se este Universo fantástico
tem um Criador, o autor deste Universo tem que ser infinitamente
maior do que a sua criação. Logo, se Deus é o criador do Universo,
Ele tem que ser ilimitado. Só um Criador absoluto e infinito pode
criar um mundo exagerado como este. Deus é tão grande, tão
poderoso, tão sábio que Agostinho exclamou: Deus é
um círculo infinito cujo
centro está em toda
parte e cuja circunferência
não está em lugar
nenhum.
Mas,
a maior admiração que nos pasma não se relaciona com a infinitude
divina, e sim com o esvaziamento de Deus até as dimensões de uma
célula humana. Houve um dia em que o Deus absoluto atingiu o
diâmetro da finidade de um óvulo. Você já pensou no Criador do
Universo circunscrito às paredes da menor unidade viva deste
planeta? O Deus infinito encerrado numa célula microscópica? Aqui
reside a maior expressão do amor. Deus se encarna para realizar o
maior milagre do Universo. Ele se humana com o propósito de salvar a
sua criatura da presunção de ser Deus. Como poderemos conceber o
Criador deste Universo imenso adensado na pele humana? Eis o maior
milagre do mundo, Deus se esgotou esvaziando-se até alcançar a
dimensão de um óvulo e entrar no processo da gestação para se
tornar um ser humano, a fim de salvar a raça humana do pecado
arrogante de sua pretensa independência de Deus. Cristo
Jesus, embora
sendo Deus,
não considerou
que o ser
igual a Deus
era algo a
que devia
apegar-se; mas
esvaziou-se a
si mesmo,
vindo a ser
servo, tornando-se
semelhante aos
homens. Filipenses
2:6-7(NVI). Estamos aqui diante de um
acontecimento estupendo. O Deus infinito em sua grandeza se reduz à
insignificância atômica de uma partícula unicelular. O absoluto se
torna ínfimo, para nos revelar a verdadeira grandeza de Deus.
Sabemos
pelas Escrituras Sagradas que o pecado é o movimento altivo do
coração humano na suposição de nossa autonomia. O ser humano
picado pela serpente desconfia que Deus o está iludindo e entende
que pode ser como Deus. A estratégia do pecado na vida de Adão
provoca a alienação de Deus e promove a autocoroação. O pecado
deifica o homem, destronizando a Deus. A essência do pecado é a
separação de Deus e o endeusamento do ego. O orgulho
é o desejo perverso
das alturas, reforça Agostinho, ao analisar
as sutilezas de Lúcifer. Eu vou
subir bem
alto no céu!
Dominarei todos
os anjos,
sentado no
trono mais
importante! Eu
serei a
figura principal
no Monte
Sião, nos
lados do
norte. Subirei
até o último
céu e serei
igual ao
Grande Deus.
Isaías 14:13-14
BV. Todo pedestal corre o risco do
envaidecimento.
Satanás
levou Jesus a um monte muito alto e mostrou-lhe num relance todos os
reinos do mundo. Esta visão das alturas sempre fascinou a plataforma
do poder. Jesus foi testado também com o exame da elevação. O ego
se sente muito bem quando se encontra em destaque. O podium
exalta a dignidade e o reconhecimento apela sempre para a distinção.
Nabucodonosor andava pelo belvedere no alpendre do seu palácio,
quando as cogitações das alturas invadiram os seus pensamentos e
ele declarou: Eu mesmo
com o meu
grande poder
construí esta
bela cidade
de Babilônia
para ser a
minha casa e
a capital do
meu grande
império. Daniel
4:30 BV. O rei foi
dominado pelo poder e precisou pastar sete anos com os animais no
campo, para chegar à conclusão que só Deus merece a exaltação e
o louvor. A ascensão ao poder é fascinante, mas um coração
alteroso e um monte elevado são sempre estéreis. Os picos altos não
retém as águas nem os corações altivos recebem a graça.
A
principal mensagem do Natal aborda especialmente o despojamento de
Jesus Cristo. Ele se esgota por completo de sua estatura Divina para
nos revelar a verdadeira grandeza de Deus. Jesus se encolheu até o
limite máximo da vida, para mostrar que a verdadeira vida não exibe
qualquer sintoma de suntuosidade. Enquanto os homens presumem que,
para serem grandes precisam subir aos postos mais elevados, Deus
mostra que é descendo em humildade e amor que se consegue chegar ao
patamar da excelência. A medida de um homem grande nos limites do
Reino de Deus não se encontra no cargo que ele ocupa mas na carga
que carrega a serviço das pessoas, a fim de glorificar a Deus. Certa
ocasião, quando a mãe de Tiago e João veio solicitar uma distinção
para os seus filhos, Jesus abordou a questão da grandeza com estas
palavras: Quem quiser
tornar-se grande
entre vocês
deverá ser
servo, e quem
quiser ser o
primeiro deverá
ser escravo,
assim como o
Filho do
homem que não
veio para ser
servido, mas
para servir e
dar sua vida
em resgate
por muitos.
Mateus 20:26b-28(NVI).
Deus não se torna
maior se você o
reverencia, mas você se
torna maior se o
serve, insistia Agostinho.
Jesus
não se diminuiu como Deus ao se reduzir em sua estrutura divina. Ele
não ficou menor quando se humilhou tomando uma toalha e lavando os
pés de pobres pescadores. Apesar de se aniquilar até à morte e
morte de cruz, Ele não perdeu as dimensões de sua grandeza. A
verdadeira grandeza do Evangelho não se apresenta na ostentação do
poder faustoso ou da solenidade brilhante. Quando os discípulos
indagaram quem era o maior no reino dos céus, Jesus, chamando
uma criancinha,
colocou-a no
meio deles, e
disse: Eu
lhes asseguro
que, a não
ser que vocês
se convertam
e se tornem
como crianças,
jamais entrarão
no Reino dos
céus. Mateus
18:2(NVI). A grandeza para Jesus é vista nas
dimensões de uma criancinha de colo. O modelo da amplitude celestial
é mensurado no calibre singelo de um bebê indefeso. A dependência
pueril de um neném expressa a magnífica extensão da grandiosidade
divina. Para os conceitos do Reino de Deus, grande é aquele que se
converte em criancinha, elevado é quem se humilha, importante é
quem se considera indigno.
Jesus
é
o
exemplo
desta
postura:
Sendo
Deus
onipotente
se
torna
uma
criança
dependente.
Sendo
Criador
de
tudo
o
que
existe
subordina-se
à
criatura.
Sendo
Senhor
do
Universo
transforma-se
em
servo
de
escravos.
Sendo
dono
de
tudo
se
faz
entranhadamente
pobre.
Pois
vocês
conhecem
a
graça
de
nosso
Senhor
Jesus
Cristo
que,
sendo
rico,
se
fez
pobre
por
amor
de
vocês,
para
que
por
meio
de
sua
pobreza
vocês
se
tornassem
ricos.
2
Coríntios
8:9(NVI).
Jesus
nunca
mostrou
qualquer
apetite
pelo
poder
de
controlar
as
pessoas
ou
governar
o
mundo,
pois
sempre
demonstrou
segurança
nos
propósitos
eternos
de
Deus.
Sendo
Deus
torna-se
homem.
Sendo
homem
faz-se
servo.
Sendo
servo
vai
para
cruz.
Seja
a
atitude
de
vocês
a
mesma
de
Cristo
Jesus.
Filipenses
2:5(NVI).
Só
os
rasteiros
almejam
a
imponência.
Só
os
inferiores
aspiram
à
hierarquia.
Só
os
pequenos
ambicionam
escalar
os
planaltos
do
poder.
Só
o
populacho
se
fantasia
de
nobreza.
Se
Cristo
se
humilhou
por
que
teria
eu
a
necessidade
de
gloriar-me?
Se
o
homem
precisa
gloriar-se
de
qualquer
coisa
como
sua,
deve
fazê-lo
em
relação
à
sua
miséria
e
ao
seu
pecado,
pois
nada
mais
do
que
isto
é
propriedade
dele.
Neste
mundo
onde
Cristo
se
humilhou
por
causa
do
nosso
pecado,
ninguém
pode
se
exaltar.
Se
o
Natal
significa
Deus
nascendo
num
curral,
qual
é
a
verdadeira
dimensão
da
existência?
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