segunda-feira, 11 de junho de 2012

ACEITAÇÃO PELO SACRIFÍCIO DO CORDEIRO


ACEITAÇÃO PELO SACRIFÍCIO DO CORDEIRO
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá


Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo. Gênesis 4:7.

Deus
nunca muda os seus métodos. Adão e Eva foram reconduzidos à comunhão com Deus por meio de um sacrifício. Eles haviam costurado suas tangas de folhas de figueira na tentativa de se apresentarem bem na passarela. Mas o traje não era apropriado para a consagração. O casal não se encontrava adequado diante do Criador, o que exigiu a mudança no guarda-roupa.

O
primeiro sacrifício foi feito pelo próprio Deus e uma nova vestimenta confeccionada. O Criador não aceitou a indumentária murcha, uma vez que sem derramamento de sangue não perdão de pecados. Essa é uma tarifa inegociável. Deus nunca vai admitir um preço mais baixo pela arrogância do pecado. O princípio do perdão é a liquidação do débito. A anistia pode ser decretada mediante a liberação do pagamento. O preço estipulado pela transgressão foi a morte do pecador e a morte de um substituto sem pecado pode abonar a dívida. Assim, um animal sem culpa ficou sendo o avalista provisório desta conta. Nossos primeiros pais pecaram e não podiam ser aceitos sem a morte de animais imaculados pelo o pecado. Deus cumpriu o papel redentor imolando, provavelmente, dois cordeiros para a justificação do par de insurgentes. Aquela morte ficou como o padrão que apontava para o sacrifício de um animal correspondente ao Cordeiro de Deus que havia de vir na plenitude dos tempos.  Deus aceitou Adão e Eva mediante a morte dos animais, e eles foram vestidos com as peles tipificando a justiça do Cordeiro em favor dos réus. Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu. Gênesis 3:21.
A aceitação do pecador diante de Deus é sempre praticada por meio do substituto que assume o pecado do infrator. Esse suplente tem que ser rigorosamente sem defeito e sem culpa, a fim de assumir a iniqüidade do implicado. O defensor não pode ser transgressor, uma vez que seria acusado como co-réu, porém, ao ser sacrificado ele incorpora a culpa do culpado, tornando-se um com o pecador. Este estado de substituto o leva a condição de pecado. Ele não é o pecador, mas chama para si a condição do pecado do violador. A ovelha que morre em favor do pecador é denominada de pecado, uma vez que toma sobre si o pecado do pecador. A questão da aceitação de Caim é basicamente a ênfase no sacrifício. Ele trouxe ao Senhor uma oferta sem sangue e que cheirava suor. Era uma doação da sua cultura agrária e do seu esforço agressivo. A transpiração representa o trabalho, que implica em méritos pessoais. Tudo aquilo que nós oferecemos a Deus com os odores da axila, sempre representa o valor pessoal do ofertante. Deus rejeitou a oferta por causa do ofertante. Caim era muito auto-suficiente. Ele queria ser aceito pelos seus méritos e não pelo sacrifício do Cordeiro. A questão da religião é exatamente esta: a aceitação do pecador pelos seus próprios merecimentos. Todas as vezes que nós tentamos entrar na presença de Deus levando as nossas obras para sermos aceitos, saímos sem qualquer contato pessoal com ele mesmo.
Deus não nos aceita porque somos aceitáveis. Ele nos aceita por causa da sua justiça que foi plenamente satisfeita no sacrifício do Cordeiro. A conversa do Senhor com Caim foi muito clara: Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Oba! Então eu já estou aceito, pois tenho procedido muito bem. Mas o assunto tem outras implicações, pois o Senhor diz: Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta. O quê? O Senhor está me dizendo que se eu não agir correto, o pecado vai me dominar?
Como é que uma pessoa será aceita diante de Deus? É quando ela se comporta impecavelmente ou quando acolhe corretamente o modelo de aceitação divina? Deus não disse a Caim para ele ser bem-comportado, a fim de ser aceito, mas para seguir o padrão que foi dado aos seus pais. Se ele seguisse o mesmo molde do seu irmão, estaria procedendo conforme o esquema de Deus, e seria aceito. Se não, ainda havia chance, pois a ovelha do pecado encontrava-se deitada à porta de sua tenda. O pecado jaz à porta não é uma declaração sobre a aproximação de algum pecado, pois ele é intrínseco à natureza humana. Nenhum pecador vive com o pecado do lado de fora, como se fosse um porco no pátio da fazenda, mas com ele residindo no interior, tal qual um parasita nas entranhas. Veja como o apóstolo Paulo percebia este assunto. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Romanos 7:17.
O que o Senhor está indicando a Caim, é que ainda poderia ser perdoado se pegasse a ovelha do pecado que jazia à porta de sua tenda e a oferecesse em sacrifico sobre o altar. Caim tinha toda a condição de voltar atrás se quisesse, porém se não quisesse, o Senhor foi claro quando disse: o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo. A cobiça do pecado sustenta a nossa arrogância. No fundo da rebeldia encontra-se um poder teomânico que nos torna independentes do Pai. Não há nada mais soberbo do que uma vontade dominada pela ousadia do pecado. A pergunta é: o desejo de quem será contra ti? Do pecado com traços típicos, isto é, como pessoa representada na figura da serpente? O pecado como um estado de insurreição, visto por Paulo como um inquilino permanente, o pecado que habita em mim? Ou o pecado como o regra-três, que é o único que eu posso dominar?
Eu posso resistir ao diabo, mas não posso dominá-lo. Posso expulsá-lo em nome de Jesus, sabendo, entretanto, que é a autoridade do Senhor que realiza esse feito. No caso do pecado que habita em mim, também não posso dominá-lo. Aqui, igualmente, só o Senhor Jesus pode sobrepujá-lo através de sua obra na cruz. Mas o cordeiro expiatório Caim podia imobilizá-lo sobre o altar, oferecendo-o como sacrifício para sua justificação. A única maneira de alguém ser justificado pelo Senhor é através de um sacrifício aceito pelo Senhor. E porá a mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor dele, para a sua expiação. Levítico 1:4. Deus só nos aceita quando o sacrifício é aceito por ele. Nenhuma oferta fora do seu padrão pode servir para a nossa aceitação. Só um sacrifício aceito pelo Senhor pode avalizar a aceitação do pecador. Caim não foi aceito, porque não se submeteu ao critério concebido por Deus. O modelo de Deus nunca mudou, ainda que tenha evoluído a sua revelação. Se a sua oferta for holocausto de gado, trará macho sem defeito; à porta da tenda da congregação o trará, para que o homem seja aceito perante o SENHOR. Levítico 1:3.
No Antigo Testamento vemos sempre um animal sendo colocado como intermediário entre o infrator e o Juiz. No Novo Testamento, o Cordeiro Deus se manifesta na pessoa de Jesus Cristo para realizar essa tarefa. Todos os sacrifícios anteriores apontavam para esse que é a realidade suprema. Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, Hebreus 10:12.
A aceitação de qualquer pecador está condicionada ao sacrifício de Jesus. Nós somos aceitos como filhos de Deus porque o Pai nos aceitou por meio da obra de seu Filho Cristo Jesus. Ninguém pode se rejeitar desde que foi aceito por meio do amor incondicional demonstrado na pessoa de Cristo. Esta é a certeza da nossa salvação. Segundo o apóstolo Paulo nós fomos aceitos e nos tornamos agradáveis ao Pai única e exclusivamente em Cristo, que nos escolheu para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Efésios 1:6. É triste ver muitos que dizem ter aceito a Cristo, vivendo em busca da aceitação de Cristo. Nada pode ser mais falso, pois no evangelho não é o pecador que aceita o Salvador, mas é este quem aceita aquele. A identidade do cristão é sua aceitação incondicional na pessoa de Cristo. A nossa aceitação por Cristo não depende de nossas qualidades nem do nosso desempenho. O Pai nos aceita plenamente por causa da obra consumada por Jesus no Calvário. Ele nos inclui em seu Filho, e mediante a sua obra somos totalmente aceitos. O Pai aceita o sacrifício do seu Filho e uma vez que estamos no seu Filho, somos aceitos no Amado. Nós, hoje, como filhos de Deus, somos agradáveis ao Pai não porque fizemos algo que lhe fosse aprazível, mas por causa da obra perfeita que o seu Filho Jesus Cristo realizou em nosso benefício. Tendo sido acoplados a Cristo na cruz, fomos aceitos pelo Pai tão somente em Cristo. A nossa identificação com Cristo crucificado nos garante uma aceitação integral em seu sacrifício. Caim não foi aceito porque resolveu seguir uma via particular de aceitação através das suas obras meritórias. Muita gente hoje também corre pela mesma ruela apertada, esforçando-se ao máximo para se fazer digna. Contudo, no evangelho, nossa dignidade é assegurada pela suficiência da pessoa de Cristo mediante a sua obra. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8-9.
Você e eu só temos uma alternativa para a construção de uma identidade segura: receber a suficiência de Cristo como a garantia de nossa aceitação. Aquele que crê na obra perfeita de Cristo na cruz e descansa no seu amor irrestrito, jamais poderá se perder nos labirintos da rejeição, pois toda aceitação divina se baseia no sacrifício do Cordeiro. Bendito seja o Cordeiro de Deus que nos aceitou plenamente em seu sacrifício. Feliz é aquele que recebe a suficiência do Cordeiro como a segurança de sua aprovação eterna.

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