segunda-feira, 4 de junho de 2012

OS LANHOS DO LENHO


OS LANHOS DO LENHO
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá


Tomaram eles, pois, a Jesus; e Ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico, onde o crucificaram e com Ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. João 19:17-18.
Um dia, Deus criou o universo. Neste tempo, quando ainda não havia tempo, o Soberano absoluto resolveu criar um mundo, com o seu poder ilimitado. Ele criou todas as coisas como lhe aprove. Deus tem todo o poder coerente com a perfeição infinita. Tudo foi feito com um intuito. Não há imprevistos na criação. O que Deus faz, ele sempre teve o propósito de fazer. E, Ele faz tudo o que faz, porque é onipotente, onisciente e onipresente. Sendo Deus, não tem necessidade de nada, e não está constrangido a prestar contas de nenhuma de suas decisões. Deus não pode ser obrigado por nada e a ninguém deve qualquer explicação.
Um dia, Deus criou o homem. Ele o criou conforme à sua imagem e semelhança. Mas o homem é um enigma na criação. Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias. Eclesiastes 7:29. O ser humano é um grande paradoxo: por um lado, criatura divina, marcado com os dedos de Deus; por outro lado, uma figura assinalada pela rebeldia destruidora do egoísmo. O homem é uma criatura boa que se estragou. O pecado degradou o homem de tal forma que, a partir do que ele é agora, não podemos formar nenhum conceito do que ele deveria ser, afirmava Andrew Murray. Sendo assim, tudo o que o homem coloca a mão, ele perverte.
Um dia, Deus se encarnou. O Deus Todo-Poderoso se tornou homem. O criador do universo virou criatura. O Senhor soberano transformou-se em um servo dependente. Como pode o absoluto se reduzir aos limites da finitude humana? Isto é muito grande para nossa compreensão. A cabeça coberta por um chapéu não pode cobrir a extensão deste conhecimento. Há um grande mistério nesta posição. Jesus Cristo é Deus na forma de homem. Tão completamente Deus como se não fosse homem. Tão completamente homem como se não fosse Deus. Deus, totalmente Deus, num homem, totalmente homem. Ele é o encontro do Divino com o humano. Quando Jesus desceu à terra não deixou de ser Deus. Quando voltou ao céu não deixou de ser homem.
Um dia, o Deus encarnado tomou uma cruz. Nada pode ser mais espantoso. Aqui estamos diante da maior das maravilhas. É extraordinário pensar que o Criador tornou-se criatura, que o Senhor tornou-se servo, que o Deus absoluto tornou-se um homem relativo. Mas, o mais espantoso de tudo, é ver que o Deus-Homem se fez pecado por nós. O puro converteu-se em podre. O santo transformou-se em vil. É incrível pensar que Cristo Jesus, a mais elevada expressão da grandeza divina, se torne a mais baixa manifestação do caráter humano. É terrível imaginar Deus pregado numa cruz. É horrível a visão do Senhor da vida esmagado pelo peso da morte.
Um dia, Deus criou uma árvore. A árvore que Deus criou tinha vida e era verde. Mas um dia, esta árvore secou. A árvore que Deus criou morreu. Um dia, a morte entrou no jardim e a árvore verde ficou cinza. Um dia, cortaram a árvore seca e cinza do jardim, e fizeram do lenho de madeira uma cruz, e pregaram nela o Senhor da vida, fazendo lanhos no seu corpo santo. Como explicar o Criador cravado sobre um lenho de madeira, que Ele criou? Como esclarecer o fato de que o Senhor da vida está encarcerado pela morte? Eis o grande mistério do amor de Deus, pois a morte de Cristo foi o mais terrível golpe já desferido contra o império da morte. Só um Deus encarnado no homem poderia ter um corpo para ser picado pela morte. Mas, a morte feriu a si própria, causando sua própria morte, quando feriu a Cristo.
Um dia, o Deus da cruz liquidou com o poder do pecado e da morte. A Bíblia diz que foi o pecado de um homem que introduziu a morte no mundo. Portanto, assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Romanos 5:12. Se não fosse através do pecado de Adão, a morte não teria seu começo, e se não fosse pela morte de Cristo, o pecado não teria o seu fim. Sabemos perfeitamente que o pecado e a morte perderam seu poder quando tocaram o corpo de Jesus Cristo. A morte do Senhor Jesus foi o funeral da morte. O diabo, o tirano da morte, nunca imaginou que ao enterrar Jesus, estava realizando as exéquias da morte. A sepultura escancarada deixou o inferno em polvorosa. O Cristo ressuscitado trazia os lanhos da morte. Não era uma ficção. O seu corpo teria que mostrar os sinais da vida depois da morte. A vida ressuscitada não é a vida de Adão. Quando o soldado lancetou o peito do Senhor, deixou a marca permanente que tripudia sobre os domínios da morte. Vemos Jesus se manifestando aos apóstolos e chamando o duvidoso Tomé a constatar a vitória da vida. E logo disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. João 20:27. O seu corpo, agora, já não é mais o mesmo. Ele tem os sinais das feridas. A sua vida física não é mais a do ventre de Maria. É a vida poderosa do Espírito de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. O seu corpo não tem mais sangue nem suor, pois Ele os derramou em nosso resgate.
Um dia, o Deus da cruz e da ressurreição realizou uma eterna e completa salvação. Todo o pasmo do Evangelho se centraliza na atração do Cordeiro. Foi naquele gesto universal que o tribunal da graça nos fez participantes de uma tremenda realidade. Se o pecado era meu, a morte não poderia ser dele. Se a morte era conseqüência do pecado, e Ele nunca pecou, logo, a morte dele não poderia ser sua. Aqui, encontramos a maior expressão do seu amor. Deus se fez homem para se identificar com os homens. E nesta união, Ele nos atraiu a si mesmo, fazendo-nos participantes da mesma morte e ressurreição. Ele assimilou tão profundamente o nosso pecado, que tornou-se inteiramente responsável por todo o pecado da humanidade, como se fosse totalmente seu. Foi o nosso pecado que o levou a morrer, para que, nele, nós pudéssemos ser justificados. Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. 2 Coríntios 5:21. Não tribunal tão magnífico, nem trono tão exaltado, nem demonstração de triunfo tão singular, nenhuma carruagem tão imponente, como o patíbulo em que Cristo subjugou a morte, o pecado e o diabo.
Um dia, o Deus de toda graça derramou o Espírito Santo da promessa, para nos trazer luz e revelação, no conhecimento da verdade que realmente pode nos libertar. Não basta saber que Cristo morreu e ressuscitou. É preciso crer e confiar, de todo o coração, que a morte de Jesus foi, de fato, a nossa morte, e a sua ressurreição é a única garantia de que Ele nos salva, pela sua vida. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Romanos 5:10. Deus nunca salva um espectador. A fé sempre toma posição. A que salva não é concordância com uma proposição, mas entrega a uma pessoa. E a única pessoa digna desta entrega é aquela que tem os lanhos do lenho, e quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus. Gálatas. 6:17. Um dia, todos nós iremos comparecer diante do trono de Deus..

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