OS
LANHOS
DO
LENHO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Tomaram
eles,
pois,
a
Jesus;
e
Ele
próprio,
carregando
a
sua
cruz,
saiu
para
o
lugar
chamado
Calvário,
Gólgota
em
hebraico,
onde
o
crucificaram
e
com
Ele
outros
dois,
um
de
cada
lado,
e
Jesus
no
meio.
João
19:17-18.
Um
dia, Deus criou o universo. Neste tempo, quando ainda não havia
tempo, o Soberano absoluto resolveu criar um mundo, com o seu poder
ilimitado. Ele criou todas as coisas como lhe aprove. Deus
tem todo o poder
coerente com a perfeição
infinita. Tudo foi feito com um intuito. Não há
imprevistos na criação. O que Deus
faz, ele sempre teve
o propósito de fazer.
E, Ele faz tudo o que faz, porque é onipotente, onisciente e
onipresente. Sendo Deus, não tem necessidade de nada, e não está
constrangido a prestar contas de nenhuma de suas decisões. Deus não
pode ser obrigado por nada e a ninguém deve qualquer explicação.
Um
dia, Deus criou o homem. Ele o criou conforme à sua imagem e
semelhança. Mas o homem é um enigma na criação. Eis
o que
tão-somente achei:
que Deus fez
o homem reto,
mas ele se
meteu em
muitas astúcias.
Eclesiastes 7:29. O
ser humano é um grande paradoxo: por um lado, criatura divina,
marcado com os dedos de Deus; por outro lado, uma figura assinalada
pela rebeldia destruidora do egoísmo. O homem é uma criatura boa
que se estragou. O pecado degradou
o homem de tal
forma que, a partir
do que ele é
agora, não podemos formar
nenhum conceito do que
ele deveria ser, afirmava
Andrew Murray. Sendo assim, tudo o que o homem coloca a mão, ele
perverte.
Um
dia, Deus se encarnou. O Deus Todo-Poderoso se tornou homem. O
criador do universo virou criatura. O Senhor soberano transformou-se
em um servo dependente. Como pode o absoluto se reduzir aos limites
da finitude humana? Isto é muito grande para nossa compreensão. A
cabeça coberta por um chapéu não pode cobrir a extensão deste
conhecimento. Há um grande mistério nesta posição. Jesus
Cristo é Deus na
forma de homem. Tão
completamente Deus como se
não fosse homem. Tão
completamente homem como se
não fosse Deus. Deus,
totalmente Deus, num homem, totalmente homem. Ele é o encontro do
Divino com o humano. Quando Jesus desceu
à terra não deixou
de ser Deus. Quando
voltou ao céu não
deixou de ser homem.
Um
dia, o Deus encarnado tomou uma cruz. Nada pode ser mais espantoso.
Aqui estamos diante da maior das maravilhas. É extraordinário
pensar que o Criador tornou-se criatura, que o Senhor tornou-se
servo, que o Deus absoluto tornou-se um homem relativo. Mas, o mais
espantoso de tudo, é ver que o Deus-Homem se fez pecado por nós. O
puro converteu-se em podre. O santo transformou-se em vil. É
incrível pensar que Cristo Jesus, a mais elevada expressão da
grandeza divina, se torne a mais baixa manifestação do caráter
humano. É terrível imaginar Deus pregado numa cruz. É horrível a
visão do Senhor da vida esmagado pelo peso da morte.
Um
dia, Deus criou uma árvore. A árvore que Deus criou tinha vida e
era verde. Mas um dia, esta árvore secou. A árvore que Deus criou
morreu. Um dia, a morte entrou no jardim e a árvore verde ficou
cinza. Um dia, cortaram a árvore seca e cinza do jardim, e fizeram
do lenho de madeira uma cruz, e pregaram nela o Senhor da vida,
fazendo lanhos no seu corpo santo. Como explicar o Criador cravado
sobre um lenho de madeira, que Ele criou? Como esclarecer o fato de
que o Senhor da vida está encarcerado pela morte? Eis o grande
mistério do amor de Deus, pois a morte de Cristo foi o mais terrível
golpe já desferido contra o império da morte. Só um Deus encarnado
no homem poderia ter um corpo para ser picado pela morte. Mas, a
morte feriu a si
própria, causando sua
própria morte, quando
feriu a Cristo.
Um
dia, o Deus da cruz liquidou com o poder do pecado e da morte. A
Bíblia diz que foi o pecado de um homem que introduziu a morte no
mundo. Portanto, assim
como por um
só homem
entrou o
pecado no
mundo, e pelo
pecado, a
morte, assim
também a
morte passou
a todos os
homens, porque
todos pecaram.
Romanos 5:12. Se
não fosse através do
pecado de Adão, a
morte não teria seu
começo, e se não
fosse pela morte de
Cristo, o pecado não
teria o seu fim.
Sabemos perfeitamente que o pecado e a morte perderam seu poder
quando tocaram o corpo de Jesus Cristo. A morte do Senhor Jesus foi o
funeral da morte. O diabo, o tirano da morte, nunca imaginou que ao
enterrar Jesus, estava realizando as exéquias da morte. A sepultura
escancarada deixou o inferno em polvorosa. O Cristo ressuscitado
trazia os lanhos da morte. Não era uma ficção. O seu corpo teria
que mostrar os sinais da vida depois da morte. A vida ressuscitada
não é a vida de Adão. Quando o soldado lancetou o peito do Senhor,
deixou a marca permanente que tripudia sobre os domínios da morte.
Vemos Jesus se manifestando aos apóstolos e chamando o duvidoso Tomé
a constatar a vitória da vida. E logo
disse a Tomé:
Põe aqui o
teu dedo e
vê as minhas
mãos; chega
também a tua
mão e põe-na
no meu lado;
não sejas
incrédulo, mas
crente. João
20:27. O seu corpo, agora, já não é mais o
mesmo. Ele tem os sinais das feridas. A sua vida física não é mais
a do ventre de Maria. É a vida poderosa do Espírito de Deus, que o
ressuscitou dentre os mortos. O seu corpo não tem mais sangue nem
suor, pois Ele os derramou em nosso resgate.
Um
dia, o Deus da cruz e da ressurreição realizou uma eterna e
completa salvação. Todo o pasmo do Evangelho se centraliza na
atração do Cordeiro. Foi naquele gesto universal que o tribunal da
graça nos fez participantes de uma tremenda realidade. Se o pecado
era meu, a morte não poderia ser dele. Se a morte era conseqüência
do pecado, e Ele nunca pecou, logo, a morte dele não poderia ser
sua. Aqui, encontramos a maior expressão do seu amor. Deus se fez
homem para se identificar com os homens. E nesta união, Ele nos
atraiu a si mesmo, fazendo-nos participantes da mesma morte e
ressurreição. Ele assimilou tão profundamente o nosso pecado, que
tornou-se inteiramente responsável por todo o pecado da humanidade,
como se fosse totalmente seu. Foi o nosso pecado que o levou a
morrer, para que, nele, nós pudéssemos ser justificados. Aquele
que não
conheceu pecado,
Deus o fez
pecado por
nós; para
que, nele,
fôssemos feitos
justiça de
Deus. 2
Coríntios 5:21.
Não há tribunal tão
magnífico, nem trono tão
exaltado, nem demonstração
de triunfo tão singular,
nenhuma carruagem tão
imponente, como o patíbulo
em que Cristo subjugou
a morte, o pecado
e o diabo.
Um
dia, o Deus de toda graça derramou o Espírito Santo da promessa,
para nos trazer luz e revelação, no conhecimento da verdade que
realmente pode nos libertar. Não basta saber que Cristo morreu e
ressuscitou. É preciso crer e confiar, de todo o coração, que a
morte de Jesus foi, de fato, a nossa morte, e a sua ressurreição é
a única garantia de que Ele nos salva, pela sua vida. Porque,
se nós,
quando inimigos,
fomos reconciliados
com Deus
mediante a
morte do seu
Filho, muito
mais, estando
já reconciliados,
seremos salvos
pela sua
vida. Romanos
5:10. Deus nunca salva um espectador. A fé
sempre toma posição. A fé que
salva não é concordância
com uma proposição, mas
entrega a uma pessoa.
E a única pessoa digna desta entrega é aquela que tem os lanhos do
lenho, e quanto ao
mais, ninguém
me moleste;
porque eu
trago no
corpo as
marcas de
Jesus. Gálatas.
6:17. Um dia, todos nós iremos comparecer
diante do trono de Deus..
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