GRAÇA,
O
QUE
É
GRAÇA?
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
E,
imediatamente,
curvando-se
Moisés
para
a
terra,
o
adorou;
e
disse:
Senhor,
se,
agora,
achei
graça
aos
teus
olhos,
segue
em
nosso
meio
conosco;
porque
este
povo
é
de
dura
cerviz.
Perdoa
a
nossa
iniqüidade
e
o
nosso
pecado
e
toma-nos
por
tua
herança.
Êxodo
34:8-9.
O
conceito mais difícil de ser compreendido é o da graça. Phillip
Yancey disse que graça significa
que não há nada
que possamos fazer para
Deus nos amar mais.
E graça significa que
não há nada que
possamos fazer para Deus
nos amar menos. A
graça significa que Deus
já nos ama tanto
quanto é possível um
Deus infinito nos amar.
Nada de bom, justo ou digno pode aumentar o amor de Deus para
conosco. Nada de mau, injusto ou indigno pode diminuir o seu amor em
nosso benefício. A graça não depende dos merecimentos do homem. A
graça não pode ser anulada pelos defeitos do homem. Não há nada
que possamos fazer positivamente que desperte o interesse da graça a
nosso favor. Não há nada de negativo que possa desfazer a ação da
graça em benefício do pecador. Então, por que Moisés achou graça
aos olhos do Senhor? Quais os requisitos necessários para alguém
achar graça diante do Senhor?
A
graça é um assunto ligado ao pecado. Jesus veio ao mundo para
salvar o mundo do pecado. Para salvar o mundo, teve que vir como um
homem do mundo. Ele se esvaziou de si mesmo quando se encarnou. Ele
não perdeu a plenitude de sua natureza divina, mas se deixou
despejar da grandeza divina. Ainda que Ele fosse totalmente Deus em
sua essência e totalmente homem em sua manifestação, ainda que as
duas naturezas estivessem em sua plenitude, Ele se deixou esvaziar de
sua grandeza divina, para se encher da totalidade da graça. Para
salvar o homem do pecado, Jesus se esvaziou de si mesmo e se encheu
da graça. E o Verbo
se fez carne
e habitou
entre nós,
cheio de
graça e de
verdade, e
vimos a sua
glória, glória
como do
unigênito do
Pai. João
1:14. A graça está relacionada por completo
com o pecado da raça humana. Se há pecado, tem que haver graça
para a salvação. As trevas só podem ser dissipadas pela luz e o
pecado só pode ser vencido pela graça. A água tem o poder de
apagar o fogo, assim como a graça tem o poder de aniquilar o pecado.
Quando as chamas consumiam as florestas brasileiras, em razão de
forte seca, o clamor geral era por chuva. Todas as reportagens
mostravam os sofridos camponeses suplicando chuva. Só as
águas de cima podem
apagar este inferno, dizia um
agricultor desolado. Quando as chuvas chegaram, os focos de incêndio
foram sendo extintos, um a um, pelas águas abundantes.
Para
salvar do pecado, não há outro remédio. A Bíblia mostra que só a
graça pode neutralizar a força do pecado. Sobreveio
a lei para
que avultasse
a ofensa; mas
onde abundou
o pecado,
superabundou a
graça, a fim
de que, como
o pecado
reinou pela
morte, assim
também reinasse
a graça pela
justiça para
a vida
eterna, mediante
Jesus Cristo,
nosso Senhor.
Romanos 5:20-21. A
condição para a manifestação da graça é o pecado. A lei serve
para avolumar a realidade pecaminosa. A função da lei é fazer
sobressair a gravidade do pecado. Mas a graça surge para extinguir a
força do pecado e a condenação da lei. Sem a amplificação da
seriedade do pecado, produzida pela lei, a graça parece uma coisa
pálida e de pouco valor. Porém, quando sabemos o tamanho do gigante
Golias, entendemos a grandeza da vitória de Davi. Só podemos
avaliar as dimensões da graça quando vemos o exagero maligno do
pecado. A missão da lei não é salvar mas revelar a graveza do
pecado. Visto que
ninguém será
justificado diante
dele por
obras da lei,
em razão de
que pela lei
vem o pleno
conhecimento do
pecado. Romanos
3:20.
Contudo,
a graça de
Deus se
manifestou salvadora
a todos os
homens. Tito
2:11. A salvação é coisa da graça. Onde se
fala de salvação para o pecado, tem que se falar de graça. Ou
seja, a graça se apresenta onde há pecado. Moisés achou graça
diante do Senhor. Isto significa que a graça achou Moisés na
condição de indigno pecador. Se remédio é assunto para doente, a
graça é assunto para o desgraçado pecador. Moisés não foi
encontrado pela graça por ser o mais qualificado, mas, na verdade,
por ser o mais indigno. Não são as qualidades que convocam a
operação da graça de Deus, pelo contrário, são os defeitos e
fraquezas que acionam todos os benefícios graciosos da inexplicável
graça divina. Quando o apóstolo Paulo estava orando para que Deus
removesse dele um certo espinho na carne, mensageiro de Satanás que
o esbofeteava, a resposta de Deus foi muito estranha: A
minha graça
te basta,
porque o
poder se
aperfeiçoa na
fraqueza. De
boa vontade,
pois, mais me
gloriarei nas
fraquezas, para
que sobre mim
repouse o
poder de
Cristo. 2Coríntios
12:9. Esta é uma resposta esquisita de Deus.
Como podemos encarar as fraquezas como instrumentos de melhoramento?
Os retoques e polimentos, no reino de Deus, ficam por conta da graça,
em meio às nossas grandes fraquezas. Foi neste contexto que o
apóstolo viu a supremacia das fraquezas, das injúrias, das
necessidades, porque quando
sou fraco,
então, é
que sou
forte. Este paradoxo do Evangelho contradiz
toda a expectativa da religião, que propõe a vitória dos fortes.
A
graça não escolhe os melhores, como se fosse uma seleção de
atletas, ou os mais bonitos, como num concurso de misses ou modelos,
mas os piores dentre os piores. A graça é assunto para marginais e
escórias da sociedade. Ao falarmos de hospital lembramo-nos dos
doentes e feridos. Ao falarmos do Evangelho da graça recordamo-nos
dos excluídos, inconvenientes e indecorosos. Falamos das prostitutas
que Jesus acolheu e dos desprezíveis pecadores que comeram com Ele.
Falamos dos leprosos tocados com suas mãos limpas e de todos os
segregados estupidamente confinados ao isolamento. Falamos da
aceitação do intolerável. A graça é um assunto inconcebível
para um mundo de talentos e reputação. Ela é inaceitável para a
mente seletiva. Nada pode ofender tanto o mérito como a graça
plena. A graça é inexplicável no mercado das trocas vantajosas.
Mas a Bíblia é categórica: Não anulo
a graça de
Deus; pois,
se a justiça
é mediante a
lei, segue-se
que morreu
Cristo em
vão. Gálatas
2:21. A mensagem fundamental do Evangelho é a
morte e ressurreição de Cristo, que é revelada na sublimidade da
graça plena de Deus. Foi pela graça que Deus nos aceitou em Cristo,
crucificando juntamente com Ele o nosso homem velho e nos
ressuscitando juntamente com Ele, para vivermos com a vida de Cristo,
em nossa carne mortal sujeita às influências do pecado na carne.
A
graça elege os piores e os aprova completamente mediante a
suficiência de Cristo. Pela graça somos regenerados
independentemente de qualquer esforço humano. A graça nos recebe
através do sacrifício de Cristo e nos admite inteiros em seu corpo,
que é a Igreja, como santos, inculpáveis e irrepreensíveis. A
graça nos capacita a crer no Evangelho e nos arrepender de nós
mesmos. Santo Agostinho dizia que a árvore
boa é a graça;
a árvore má é
a recusa da graça.
O arrependimento é a obra da graça que nos faz negar a nós mesmos,
ou seja: confiar totalmente em nosso acolhimento pela graça.
Porque pela
graça sois
salvos, mediante
a fé; e
isto não vem
de vós; é
dom de Deus;
não vem de
obras, para
que ninguém
se glorie.
Efésios 2:8-9.
Fomos achados por esta extravagante graça. Somos aceitos pela graça
inexplicável. E, estamos sendo aperfeiçoados pela graça inefável.
Não há graça para um cristianismo sem graça, pois a graça é
Deus, em Cristo, realizando tudo que diz respeito à nossa aprovação
incondicional. Graça é Deus assumindo a conta do indigno pecador.
Graça é Deus fazendo tudo para quem nada merece.
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