A
RESSURREIÇÃO, UM ABSURDO
LÓGICO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Visto
que a morte veio por um homem, também por um homem veio a
ressurreição dos mortos. 1 Coríntios 15:21.
Paulo
afirma que a fé cristã se fundamenta numa espécie de loucura. Há
uma aberração no entendimento do poder de Deus, que fere
frontalmente os princípios da coerência lógica. Certamente,
a
palavra
da
cruz
é
loucura
para
os
que
se
perdem,
mas
para
nós,
que
somos
salvos,
poder
de
Deus.
1
Coríntios
1:18.
Ele
afirma que a cruz, um sinal evidente da fraqueza humana e um
instrumento de morte, é a demonstração do poder de Deus. É
paradoxal esta afirmação, mas ela contém o extrato da verdade
evangélica. No reino de Deus a fraqueza é a expressão do poder. A
Palavra afirma que Deus é amor, e a maior manifestação do seu amor
é a cruz. Ela sintetiza de modo claro a disposição divina para
justificar o objeto do seu amor. Deus não mede esforços para
alcançar aqueles que ele ama. Por isso, Cristo se esvazia até o
limite da cruz para conseguir provar, na sua extrema fraqueza, a
dimensão infinita do amor divino. A cruz é o palco onde o poder do
amor se expressa de modo mais intenso. A loucura do evangelho é
diagnosticada pela fraqueza de Deus. Um Deus fraco com uma cruz nas
costas sintetiza a maior revelação de poder que o ser humano pode
conhecer. O poder da humildade é mais forte do que o poder do
orgulho. O poder do amor é infinitamente mais potente do que o poder
do ódio.
A
onipotência divina agora se manifesta na aceitação da cruz. O Deus
todo poderoso se deixa morrer sob a crueldade da crucificação.
Cristo que tem todo poder para se defender dessa atrocidade, se
submete humildemente ao sofrimento, a fim de demonstrar a abrangência
do seu amor incondicional. A fraqueza de Cristo crucificado, na
verdade, é a maior comprovação do poder absoluto do amor de Deus.
Mas
Deus
prova
o
seu
próprio
amor
para
conosco
pelo
fato
de
ter
Cristo
morrido
por
nós,
sendo
nós
ainda
pecadores.
Romanos
5:8.
Paulo
diz que um Deus louco e fraco é mais ajuizado e mais poderoso que
tudo aquilo que conhecemos no mundo. Porque
a
loucura
de
Deus
é
mais
sábia
do
que
os
homens;
e
a
fraqueza
de
Deus
é
mais
forte
do
que
os
homens.
1
Coríntios
1:25.
A cruz é a bitola da fraqueza e a perfeita sintonia com a
insanidade, do ponto de vista humano, e, ao mesmo tempo, é a lucidez
do amor e a expressão da absoluta capacidade de Deus. A cruz é a
porta que se abre para trazer a morte ao Deus onipotente. O Deus
criador da vida detido pela morte é, no mínimo, um contra-senso.
Mas era necessário que Deus se encontrasse com o homem no mesmo
patamar.
Se
o pecado introduziu a morte na história humana e se Deus quer salvar
o homem da condenação do pecado e do seu poder, ele precisava
entrar na raça do homem e chegar até ao degrau da morte. Se Cristo
não tivesse morrido, ele não teria se identificado realmente com a
espécie humana. A sua morte é um sinal da assimilação do pecado.
Cristo Jesus é a encarnação de Deus na geração de Adão, e a sua
morte na cruz é a prova mais poderosa do amor divino e o destaque da
sua loucura e fraqueza. Porém, a fraqueza de Deus é a plataforma de
lançamento do seu poder soberano. Além de sua morte demonstrar a
expressão visível do seu amor incondicional, ela é o único meio
para comprovar a realidade da ressurreição. Porque,
de
fato,
foi
crucificado
em
fraqueza;
contudo,
vive
pelo
poder
de
Deus.
Porque
nós
também
somos
fracos
nele,
mas
viveremos,
com
ele,
para
vós
outros
pelo
poder
de
Deus.
2
Coríntios
13:4.
A
ressurreição de Cristo é a pedra fundamental da salvação. Não
há poder maior do que a restituição da vida que não está mais
sujeita à morte. Jesus Cristo é o primogênito dentre os mortos.
Ele é o primeiro que ressuscitou para nunca mais morrer. Ele
é
a
cabeça
do
corpo,
da
igreja.
Ele
é
o
princípio,
o
primogênito
de
entre
os
mortos,
para
em
todas
as
coisas
ter
a
primazia.
Colossenses
1:18.
A
Bíblia mostra algumas ressuscitações, mas Jesus foi quem iniciou a
ressurreição. Ele é o primeiro que ressuscitou da morte, vencendo
o pecado e a sepultura. E aqui estamos diante de um grande absurdo
lógico, pois a mente natural não é capaz de compreender o poder
desta conquista. A ressurreição é inconcebível para a mente
racional, pois a morte é um assunto sem alternativa para a ciência.
A morte é o fenecimento da vida, a extinção da menor expectativa.
Ela é a pá de cal em qualquer biografia, e um beco sem saída na
história humana. Como se pode falar de ressurreição diante de uma
realidade que extermina com toda esperança existencial?
O
homem natural não tem condições lógicas de admitir a ressurreição
de Cristo ante a impossibilidade humana de reverter o lance cruel da
morte. Se os recursos da ciência não são capazes de reviver um
cadáver, então a ressurreição é uma aberração da fé. De fato,
a ressurreição é um assunto que não consta na pauta da mera
racionalidade. Ainda que ela não seja irracional, seu entendimento
vai além do intelecto. A fé cristã não é antilógica, ainda que
seja enigmática em muitos aspectos. Ora,
o
homem
natural
não
aceita
as
coisas
do
Espírito
de
Deus,
porque
lhe
são
loucura;
e
não
pode
entendê-las,
porque
elas
se
discernem
espiritualmente.
1
Coríntios
2:14.
A
ressurreição é uma categoria espiritual que foge ao controle da
mente. A fé cristã não explica a ressurreição, porém a
ressurreição de Cristo explica a existência da fé cristã. O
cristianismo começa onde termina a competência humana de elucidar
os fatos. Ele inicia na boca de uma sepultura vazia sob a alegação
do entendimento. Alguém disse que o símbolo do cristianismo é uma
cruz desocupada e a prova da fé é um túmulo vazio. João chegou no
sepulcro e o viu escancarado. A grande pedra que vedava a entrada da
sepultura havia sido removida e o corpo não se encontrava no local.
Então,
entrou
também
o
outro
discípulo,
que
chegara
primeiro
ao
sepulcro,
e
viu,
e
creu.
João
20:8. A
tumba abandonada é a estréia da fé abonada pela ausência de
defunto.
As
medidas de governo foram inúteis para deter o milagre da
ressurreição. A escolta policial não pode impedir a surpreendente
manifestação do poder divino, nem a propina conseguiu bagunçar a
convicção das testemunhas. A ressurreição de Jesus Cristo rompeu
todos os obstáculos e estabeleceu a base da fé imperecível. O
cardeal americano Fulton Sheen disse que
Satanás pode aparecer com
vários disfarces como
Cristo, e, no fim
do mundo, apresentar-se-á
como benfeitor e
filantropo; mas Satanás
jamais poderá aparecer com
cicatrizes nas mãos. A
ressurreição de Cristo é a verdade basilar do cristianismo. Cristo
verdadeiramente ressuscitou pelo poder de Deus, trazendo os estigmas
da cruz. Não se trata de nenhum duende ou fantasma, e nem de uma
mera força de energia, ou mesmo de um corpo revivido, como o de
Lázaro, que voltou a morrer. A presença de Jesus ressuscitado não
é um delírio dos apóstolos. Pois,
se
Cristo
não
ressuscitou,
é
vã
a
nossa
pregação,
e
vã,
a
vossa
fé;
1
Coríntios
15:14.
A
cruz e a ressurreição
estão inseparavelmente vinculadas.
A cruz é tão
essencial à ressurreição
quanto esta àquela. Mas,
sem a ressurreição, esta
seria simplesmente a cruz
do martírio. O sinal
da vitória está na
luz da ressurreição, diz G
Aulén. E,
se
Cristo
não
ressuscitou,
é
vã
a
vossa
fé,
e
ainda
permaneceis
nos
vossos
pecados.
1
Coríntios
15:17.
Cristo
Jesus foi crucificado em fraqueza, mas Jesus Cristo ressuscitou em
poder. A alavanca poderosa que movimenta a experiência da salvação
é o poder da ressurreição. A morte de Cristo na cruz em fraqueza
foi responsável pela justificação dos nossos pecados. O poder da
sua fraqueza garante a expiação do transgressor, pois a sua
humilhação favorece a anistia da culpa. Contudo, é o poder da sua
ressurreição que abona a salvação do pecador. Se,
com
a
tua
boca,
confessares
Jesus
como
Senhor
e,
em
teu
coração,
creres
que
Deus
o
ressuscitou
dentre
os
mortos,
serás
salvo.
Romanos
10:9.
A
base do perdão está na morte, mas a base da salvação está na
vida. Nós não somos salvos pela morte de Cristo Jesus, ainda que
essa morte seja fundamental para a nossa salvação, pois não há
ressurreição sem morte. A verdadeira salvação é uma permuta de
vida. Perdemos a vida de Adão na cruz com Cristo e ganhamos a nova
vida na ressurreição de Cristo. E
estando
nós
mortos
em
nossos
delitos,
nos
deu
vida
juntamente
com
Cristo,
—pela
graça
sois
salvos,
e,
juntamente
com
ele,
nos
ressuscitou,
e
nos
fez
assentar
nos
lugares
celestiais
em
Cristo
Jesus;
Efésios
2:5-6.
Ainda
que a ressurreição seja um absurdo aos olhos do entendimento
humano, ela é a grande manifestação do poder de Deus para a
salvação de qualquer pecador. Sim,
deveras
considero
tudo
como
perda,
por
causa
da
sublimidade
do
conhecimento
de
Cristo
Jesus,
meu
Senhor;
por
amor
do
qual
perdi
todas
as
coisas
e
as
considero
como
refugo,
para
ganhar
a
Cristo
e
ser
achado
nele,
não
tendo
justiça
própria,
que
procede
de
lei,
senão
a
que
é
mediante
a
fé
em
Cristo,
a
justiça
que
procede
de
Deus,
baseada
na
fé;
para
o
conhecer,
e
o
poder
da
sua
ressurreição,
e
a
comunhão
dos
seus
sofrimentos,
conformando-me
com
ele
na
sua
morte;
para,
de
algum
modo,
alcançar
a
ressurreição
dentre
os
mortos.
Filipenses
3:8-11.
O
evangelho não começa com o cadáver do seu Deus, nem termina com os
restos mortais dos seus fieis. Há vida em abundância conquistando o
domínio do pecado e da morte. A ressurreição de Jesus Cristo é
tão poderosa que todo aquele que nele crê não pode ficar refém da
morte. Disse-lhe
Jesus:
Eu
sou
a
ressurreição
e
a
vida.
Quem
crê
em
mim,
ainda
que
morra,
viverá;
e
todo
o
que
vive
e
crê
em
mim
não
morrerá,
eternamente.
Crês
isto?
João
11:25-26
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