sexta-feira, 1 de junho de 2012

OS INDÍCIOS DE UMA IGREJA DE CRISTO


OS INDÍCIOS DE UMA IGREJA DE CRISTO
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá


Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Mateus 16:18.
 
 
Jesus indagou dos seus discípulos qual era o conceito que o povo fazia de sua pessoa e qual era o julgamento que eles próprios tinham dele. A opinião do povo divergiu, pois eles obtiveram apreciações variadas. Mas o ponto de vista de Pedro foi fora de série. Ele declarou que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo. Essa resposta impulsionou o Senhor Jesus a fazer uma declaração mostrando que o juízo de Pedro não foi de iniciativa própria, mas uma participação do Pai. Ele não tinha noção do que estava dizendo, já que o apreço ao Messias é um assunto de revelação. Ao afirmar que Jesus era o Cristo, Pedro lançou a pedra fundamental na edificação da igreja. O alicerce da igreja é a confissão de que Jesus é o Cristo, jamais que Pedro é a pedra, pois não se constrói a base com um pedregulho.  Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. 1 Coríntios 3:11.
 
A igreja é uma sociedade cristocêntrica que foi justificada pela morte de Cristo, que vive pela ressurreição de Cristo, que age pela graça de Cristo e que espera a vinda de Cristo. Nada na igreja está fora da suficiência de Cristo, por isso, a sua agenda tem que ser rigorosamente centrada na pessoa de Cristo. Sendo assim, precisamos examinar com cuidado quais são os itens essenciais da pauta no funcionamento de uma igreja autêntica. O que caracterizar a igreja de Cristo de outra comunidade qualquer? Essa é uma questão que precisamos analisar usando algumas palavras-chave. Para melhor entendimento do assunto vou salientar os termos marcantes que identificam a igreja. Primeiro, a igreja é uma assembléia de pessoas regeneradas, que se reúnem em nome de Jesus e na conexão de sua autoridade. Ela não é um simples ajuntamento de indivíduos sujeitos apenas a um ritual sem a plena submissão a Cristo. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. Mateus 18:20.
 
A igreja é uma reunião dos eleitos de Deus, e, nunca, uma elite dos esnobes que exigem o reino dos céus. Na assembléia dos santos não há lugar para pernósticos que demandam prestígio. A igreja não é um assentamento de sem-céu reivindicando uma gleba no paraíso; é apenas um grupo de gente crucificada que vive na dependência da graça de Deus. A igreja é Cristo vivendo em seu povo, de modo que o povo vive a vida de Cristo. Segundo, a igreja é uma assembléia de adoração ao Cordeiro. Ela se reúne não para levar vantagens, mas para cultuar o  Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Não há lugar no corpo de Cristo para a exibição de um corpo sarado ou de corporativismo religioso. O centro do culto é a pessoa de Cristo. Se adorarmos a Cristo  buscando o  nosso interesse pessoal ou o nosso bem-estar, não estamos de fato adorando a Cristo. Adoração é a prioridade da igreja. Ninguém que foi alcançado pela obra salvadora de Cristo pode viver sem prestar sempre o culto verdadeiro àquele que o salvou. A adoração cristã é a resposta de um coração profundamente agradecido por uma tão grande salvação. Qualquer pessoa inteligente pode adorar o Criador pela sua criação, mas só os regenerados podem adorar o Cordeiro imolado por sua salvação. De fato, o Pai não carece de coisa alguma, mas o vemos na pista caçando um adorador. A procura de Deus é por adoradores legítimos e não por atuantes em shows. Mas vem a hora e chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. João 4:23.
 
A verdadeira adoração cristã tem como objetivo prioritário exaltar o Cordeiro de Deus, o único Salvador, colocando-o em seu devido lugar em nossas vidas. Ninguém, além dele, tem direito a destaque especial no verdadeiro culto cristão. O cântico do coral celeste tem um refrão inalterável: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Apocalipse 5:12.
 
A adoração ao Cordeiro vem antes da oração ao Pai e a oração ao Pai, quase sempre precede a ação do Espírito Santo. Adorar, orar e agir são três verbos congregados numa só palavra, adoração. Nesse vocábulo se define a vivência da igreja no lance mais majestoso que um crente presta àquele que é a razão de sua salvação. Terceiro, a igreja é a assembléia que adora ao Cordeiro, recebendo em acolhimento todos os indignos que vêm a Cristo. Uma das marcas registradas de uma igreja de Cristo é o seu consentimento em receber os desprezíveis. Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus. Romanos 15:7.
 
Um indício da igreja é a aceitação dos fracos com o mesmo amor com que ela foi aceita. Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.  Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu. Romanos 14:1-3.
 
Uma comunidade que discrimina os anêmicos morais e desconsidera os estropiados espirituais não pode ser considerada como uma casa de saúde no reino de Deus. Certa feita, alguns pretensiosos fizeram objeções ao tratamento que Jesus dava aos marginalizados e tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores. Marcos 2:17.
 
A finalidade de um hospital é o tratamento dos enfermos e uma das razões da igreja é o asilo bondoso de miseráveis exilados. Mas os hipócritas nunca simpatizaram com esse modo de Jesus agir, pois não gostam de uma igreja acolhedora. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles. Lucas 15:2.
 
O quarto indício da verdadeira igreja de Cristo é o amor com que os seus membros se amam. Ninguém poderá ser considerado discípulo de Cristo se não amar uns aos outros. O amor fraterno é o uniforme de serviço dos discípulos de Cristo. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. João 13:35.
 
O amor é a grife da conduta cristã e o protocolo que define toda a metodologia dos seus expedientes. Segundo o apóstolo Paulo, qualquer ação na igreja deve ser feita sob o patrocínio do amor, pois ele nunca se regozija com a ruína das pessoas e sempre se alegra com o seu êxito. Todos os vossos atos sejam feitos com amor. 1 Coríntios 16:14.
 
Alguém disse que no mundo de tanta incoerência e absurdos, as riquezas voam, o conforto desaparece, a esperança fenece, a saúde empobrece, somente o amor permanece.  O mandamento original de Cristo é tão somente amar, sintetizando todos os preceitos num amor semelhante ao dele. Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. João 13:34.
 
A igreja de Cristo sucessivamente será conhecida pelo calibre do seu amor interno. O dever pode nos levar a fazer as coisas com esmero, mas só o amor pode nos levar a fazê-las com a maior perfeição, sempre considerando o bem estar dos outros acima de nosso êxito e da nossa honra pessoal. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Romanos 12:10.
 
O amor faz a diferença em qualquer relacionamento. Stephen Olford disse que o amor é o poder nuclear que conserva unido o corpo da igreja cristã. Paulo diz que quem ama tem cumprido a lei. E Santo Agostinho pontua: ame e faze o que quiseres. Nenhum principio ético pode ir além das dimensões do amor ágape. O quinto vestígio de uma igreja de Cristo é a alegria. Northcote Deck afirmou que um cristão sem alegria é um difamador de seu Senhor, enquanto Billy Sunday insistia que se você não tem alegria na vida cristã, existe vazamento em algum lugar de seu cristianismo. Uma igreja assisada não significa uma igreja sisuda. Pode-se viver com seriedade e intimamente alegre. Aliás, C. S. Lewis disse que alegria é coisa séria no céu. Segundo a Bíblia, a alegria íntima comprova a participação do crente no Reino de Deus, uma vez que ele goza de um contentamento sem qualquer motivação externa e sem a menor regulagem emocional. Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Romanos 14:17.
 
Uma igreja alegre testemunha a presença de Cristo em suas celebrações. Não é possível adorar o Deus da alegria com um espírito enfastiado. Maria compôs muito bem a letra do seu cântico: Magnificat. Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, Lucas 1:46-47.
 
Finalmente, o sexto sinal de uma igreja cristocêntrica é o anúncio sistemático da pessoa de Cristo. A mensagem da igreja é Cristo. Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; 1 Pedro 2:9.
 
Richard Baxter, no século XVI, sustentava que se conseguirmos pregar somente Cristo para nosso povo, teremos pregado tudo a eles. Andrew Bonar também disse que uma profunda diferença entre pregar doutrina e pregar Cristo, sendo assim, a maior tarefa de um pregador é afinar a sua viola no diapasão da vida de Cristo. Paulo sabia que seria desqualificado se saísse do plano que o Rei deixou aos seus arautos. Foi por isso que ele fincou o pé. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.  E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós.  A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, 1 Coríntios 2:2-4.
 
Ao terminar este estudo quero deixar uma definição que me parece desenhar a verdadeira comunidade dos santos. A igreja é uma assembléia cristocêntrica dos adoradores aceitos pela graça, que vive para acolher os banidos e bandidos, a fim de amá-los com o amor com que foi amada por Cristo, e com alegria celebrar essa tão grande salvação que faz questão de anunciar na pessoa de Cristo, como única razão de sua existência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário