OS
INDÍCIOS
DE
UMA
IGREJA
DE
CRISTO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Também
eu
te
digo
que
tu
és
Pedro,
e
sobre
esta
pedra
edificarei
a
minha
igreja,
e
as
portas
do
inferno
não
prevalecerão
contra
ela.
Mateus
16:18.
Jesus indagou dos seus
discípulos qual era o conceito que o povo fazia de sua pessoa e qual
era o julgamento que eles próprios tinham dele. A opinião do povo
divergiu, pois eles obtiveram apreciações variadas. Mas o ponto de
vista de Pedro foi fora de série. Ele declarou que Jesus era o
Cristo, o Filho do Deus vivo. Essa resposta impulsionou o Senhor
Jesus a fazer uma declaração mostrando que o juízo de Pedro não
foi de iniciativa própria, mas uma participação do Pai. Ele não
tinha noção do que estava dizendo, já que o apreço ao Messias é
um assunto de revelação. Ao afirmar que Jesus era o Cristo,
Pedro lançou a pedra fundamental na edificação da igreja. O
alicerce da igreja é a confissão de que Jesus é o Cristo, jamais
que Pedro é a pedra, pois não se constrói a base com um
pedregulho. Porque ninguém
pode lançar
outro fundamento,
além do que
foi posto, o
qual é Jesus
Cristo. 1
Coríntios 3:11.
A igreja é uma sociedade
cristocêntrica que foi justificada pela morte de Cristo, que vive
pela ressurreição de Cristo, que age pela graça de Cristo e que
espera a vinda de Cristo. Nada na igreja está fora da suficiência
de Cristo, por isso, a sua agenda tem que ser rigorosamente centrada
na pessoa de Cristo. Sendo assim, precisamos examinar com cuidado
quais são os itens essenciais da pauta no funcionamento de uma
igreja autêntica. O que caracterizar a igreja de Cristo de outra
comunidade qualquer? Essa é uma questão que precisamos analisar
usando algumas palavras-chave. Para melhor entendimento do assunto
vou salientar os termos marcantes que identificam a igreja. Primeiro,
a igreja é uma assembléia de pessoas regeneradas, que se
reúnem em nome de Jesus e na conexão de sua autoridade. Ela não é
um simples ajuntamento de indivíduos sujeitos apenas a um ritual sem
a plena submissão a Cristo. Porque, onde
estiverem dois
ou três
reunidos em
meu nome, ali
estou no meio
deles. Mateus
18:20.
A igreja é uma reunião
dos eleitos de Deus, e, nunca, uma elite dos esnobes que exigem o
reino dos céus. Na assembléia dos santos não há lugar para
pernósticos que demandam prestígio. A igreja não é um
assentamento de sem-céu reivindicando uma gleba no paraíso; é
apenas um grupo de gente crucificada que vive na dependência da
graça de Deus. A igreja é Cristo vivendo em seu povo, de modo que o
povo vive a vida de Cristo. Segundo, a igreja é uma assembléia de
adoração ao Cordeiro. Ela se reúne não para levar
vantagens, mas para cultuar o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo. Não há lugar no corpo de Cristo para a exibição
de um corpo sarado ou de corporativismo religioso. O centro do culto
é a pessoa de Cristo. Se adorarmos a Cristo buscando o
nosso interesse pessoal ou o nosso bem-estar, não estamos de fato
adorando a Cristo. Adoração é a prioridade da igreja. Ninguém que
foi alcançado pela obra salvadora de Cristo pode viver sem prestar
sempre o culto verdadeiro àquele que o salvou. A adoração cristã
é a resposta de um coração profundamente agradecido por uma tão
grande salvação. Qualquer pessoa inteligente pode adorar o Criador
pela sua criação, mas só os regenerados podem adorar o Cordeiro
imolado por sua salvação. De fato, o Pai não carece de coisa
alguma, mas o vemos na pista caçando um adorador. A procura de Deus
é por adoradores legítimos e não por atuantes em shows. Mas
vem a hora
e já chegou,
em que os
verdadeiros adoradores
adorarão o
Pai em
espírito e
em verdade;
porque são
estes que o
Pai procura
para seus
adoradores. João
4:23.
A verdadeira adoração
cristã tem como objetivo prioritário exaltar o Cordeiro de Deus, o
único Salvador, colocando-o em seu devido lugar em nossas vidas.
Ninguém, além dele, tem direito a destaque especial no verdadeiro
culto cristão. O cântico do coral celeste tem um refrão
inalterável: Digno é
o Cordeiro
que foi morto
de receber o
poder, e
riqueza, e
sabedoria, e
força, e
honra, e
glória, e
louvor. Apocalipse
5:12.
A adoração ao Cordeiro
vem antes da oração ao Pai e a oração ao Pai, quase sempre
precede a ação do Espírito Santo. Adorar, orar e agir são três
verbos congregados numa só palavra, adoração. Nesse vocábulo se
define a vivência da igreja no lance mais majestoso que um crente
presta àquele que é a razão de sua salvação. Terceiro, a igreja
é a assembléia que adora ao Cordeiro, recebendo em acolhimento
todos os indignos que vêm a Cristo. Uma das marcas registradas de
uma igreja de Cristo é o seu consentimento em receber os
desprezíveis. Portanto, acolhei-vos
uns aos
outros, como
também Cristo
nos acolheu
para a glória
de Deus.
Romanos 15:7.
Um indício da igreja é
a aceitação dos fracos com o mesmo amor com que ela foi aceita.
Acolhei ao que
é débil na
fé, não,
porém, para
discutir opiniões.
Um crê que
de tudo pode
comer, mas o
débil come
legumes; quem
come não
despreze o
que não
come; e o
que não come
não julgue o
que come,
porque Deus o
acolheu. Romanos
14:1-3.
Uma comunidade que
discrimina os anêmicos morais e desconsidera os estropiados
espirituais não pode ser considerada como uma casa de saúde no
reino de Deus. Certa feita, alguns pretensiosos fizeram objeções ao
tratamento que Jesus dava aos marginalizados e tendo
Jesus ouvido
isto, respondeu-lhes:
Os sãos não
precisam de
médico, e
sim os
doentes; não
vim chamar
justos, e sim
pecadores. Marcos
2:17.
A finalidade de um
hospital é o tratamento dos enfermos e uma das razões da igreja é
o asilo bondoso de miseráveis exilados. Mas os hipócritas nunca
simpatizaram com esse modo de Jesus agir, pois não gostam de uma
igreja acolhedora. E murmuravam
os fariseus e
os escribas,
dizendo: Este
recebe pecadores
e come com
eles. Lucas
15:2.
O quarto indício da
verdadeira igreja de Cristo é o amor com que os seus membros
se amam. Ninguém poderá ser considerado discípulo de Cristo se não
amar uns aos outros. O amor fraterno é o uniforme de serviço dos
discípulos de Cristo. Nisto conhecerão
todos que
sois meus
discípulos: se
tiverdes amor
uns aos
outros. João
13:35.
O amor é a grife da
conduta cristã e o protocolo que define toda a metodologia dos seus
expedientes. Segundo o apóstolo Paulo, qualquer ação na igreja
deve ser feita sob o patrocínio do amor, pois ele nunca se regozija
com a ruína das pessoas e sempre se alegra com o seu êxito. Todos
os vossos
atos sejam
feitos com
amor. 1
Coríntios 16:14.
Alguém disse
que no mundo de tanta incoerência e absurdos, as riquezas
voam, o conforto
desaparece, a esperança
fenece, a saúde empobrece,
somente o amor permanece.
O mandamento original de Cristo é tão somente amar, sintetizando
todos os preceitos num amor semelhante ao dele. Novo
mandamento vos
dou: que vos
ameis uns aos
outros; assim
como eu vos
amei, que
também vos
ameis uns aos
outros. João
13:34.
A igreja de Cristo
sucessivamente será conhecida pelo calibre do seu amor interno. O
dever pode nos levar a fazer as coisas com esmero, mas só o amor
pode nos levar a fazê-las com a maior perfeição, sempre
considerando o bem estar dos outros acima de nosso êxito e da nossa
honra pessoal. Amai-vos cordialmente
uns aos
outros com
amor fraternal,
preferindo-vos em
honra uns aos
outros. Romanos
12:10.
O amor faz a diferença
em qualquer relacionamento. Stephen Olford
disse que o amor é o
poder nuclear que conserva
unido o corpo da
igreja cristã. Paulo diz que quem ama tem
cumprido a lei. E Santo Agostinho pontua:
ame e faze o que
quiseres. Nenhum principio ético pode ir além das
dimensões do amor ágape. O quinto vestígio de uma igreja de Cristo
é a alegria. Northcote Deck afirmou
que um cristão sem alegria
é um difamador de
seu Senhor, enquanto Billy Sunday
insistia que se você não
tem alegria na vida
cristã, existe vazamento
em algum lugar de
seu cristianismo. Uma igreja assisada não
significa uma igreja sisuda. Pode-se viver com seriedade e
intimamente alegre. Aliás, C. S. Lewis
disse que alegria é coisa
séria no céu. Segundo a
Bíblia, a alegria íntima comprova a participação do crente no
Reino de Deus, uma vez que ele goza de um contentamento sem qualquer
motivação externa e sem a menor regulagem emocional. Porque
o reino de
Deus não é
comida nem
bebida, mas
justiça, e
paz, e
alegria no
Espírito Santo.
Romanos 14:17.
Uma igreja alegre
testemunha a presença de Cristo em suas celebrações. Não é
possível adorar o Deus da alegria com um espírito enfastiado. Maria
compôs muito bem a letra do seu cântico: Magnificat. Então,
disse Maria:
A minha alma
engrandece ao
Senhor, e o
meu espírito
se alegrou em
Deus, meu
Salvador, Lucas
1:46-47.
Finalmente, o sexto sinal
de uma igreja cristocêntrica é o anúncio sistemático da
pessoa de Cristo. A mensagem da igreja é Cristo. Vós,
porém, sois
raça eleita,
sacerdócio real,
nação santa,
povo de
propriedade exclusiva
de Deus, a
fim de
proclamardes as
virtudes daquele
que vos
chamou das
trevas para a
sua maravilhosa
luz; 1 Pedro
2:9.
Richard Baxter,
no século XVI, sustentava que se conseguirmos
pregar somente Cristo para
nosso povo, teremos pregado
tudo a eles. Andrew
Bonar também disse que há uma
profunda diferença entre
pregar doutrina e pregar
Cristo, sendo assim, a maior tarefa de um pregador é
afinar a sua viola no diapasão da vida de Cristo. Paulo sabia que
seria desqualificado se saísse do plano que o Rei deixou aos seus
arautos. Foi por isso que ele fincou o pé. Porque
decidi nada
saber entre
vós, senão
a Jesus
Cristo e este
crucificado. E
foi em
fraqueza, temor
e grande
tremor que eu
estive entre
vós. A
minha palavra
e a minha
pregação não
consistiram em
linguagem persuasiva
de sabedoria,
mas em
demonstração do
Espírito e
de poder, 1
Coríntios 2:2-4.
Ao terminar este estudo
quero deixar uma definição que me parece desenhar a verdadeira
comunidade dos santos. A igreja é uma assembléia cristocêntrica
dos adoradores aceitos pela graça, que vive para acolher os banidos
e bandidos, a fim de amá-los com o amor com que foi amada por
Cristo, e com alegria celebrar essa tão grande salvação que faz
questão de anunciar na pessoa de Cristo, como única razão de sua
existência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário