SUBSTITUIÇÃO
RADICAL
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Jesus
lhes
contou
uma
parábola:
Ninguém
corta
um
pedaço
de
pano
novo
para
remendar
uma
roupa
velha.
Se
fizer
isso,
além
de
estragar
a
roupa
nova,
o
pedaço
novo
não
vai
combinar
com
a
roupa
velha.
Ninguém
coloca
vinho
novo
em
odres
velhos.
Se
fizer
isso,
o
vinho
novo
arrebentará
os
odres
velhos,
o
vinho
se
derramará
e
os
odres
ficarão
arruinados.
Deve-se
colocar
vinho
novo
em
odres
novos.
Ninguém,
depois
de
beber
vinho
velho,
quer
vinho
novo,
pois
diz:
O
vinho
velho
é
melhor.
Lucas
5:36-39.
Jesus
estava lidando com os costumes, quando apresentou esta parábola. O
foco era a tradição. Os contemporâneos de Jesus estavam
incomodados com o procedimento dos seus discípulos, e lhe disseram:
Os discípulos de
João jejuam
freqüentemente e
fazem orações
e o mesmo
acontece com
os discípulos
dos fariseus.
Os seus
discípulos, porém,
estão sempre
comendo e
bebendo! Lucas
5:33. Qual é a explicação para esta atitude
tão incomum? O que significa esta rebeldia? Eles não estavam
entendendo a mudança de comportamento. Mesmo João Batista, um
mensageiro reformador, continuava nos costumes religiosos
estabelecidos. Porque esta mudança tão radical?
Jesus,
aqui, mostra a diferença marcante entre o velho sistema e o novo. A
ênfase do judaísmo religioso é basicamente a aparência. O que
está em jogo é aquilo que pode ser medido pelos espectadores. Mas
Jesus via que piedade exterior e
corrupção interior formam
uma mistura revoltante. A vida
espiritual que tem início nas aparências certamente acabará em
deserção. O ritualismo tem sido sempre o rival da verdadeira
experiência espiritual. Como dizia A. J. Gordon: O
ritualismo, à semelhança
de um eczema no
corpo humano, é geralmente
sintoma de condições
negativas no sangue. E Jesus
está propondo uma nova realidade que parte de dentro para fora.
Alguém já considerou que, a prática formal da religião é tão
desprovida de sentido como a clara do ovo, de sabor. Por isso, o
Senhor não estava levando em conta o modelo dos remendos
inoportunos.
O
cristianismo não se baseia numa mera reforma de um sistema antigo.
Jesus foi muito claro quando negou a possibilidade de consertar um
vestido velho com um pano novo. Não há recuperação para o
velhusco sistema deteriorado pelos preconceitos e formalismos
inconseqüentes. O obsoleto modelo judaico não comportava reparos.
Jesus mostrou que não era restaurador de antigüidades, nem estava
disposto a se envolver com a senilidade irrecuperável de uma fôrma
ultrapassada. O vinho novo não pode ser acondicionado num odre
velho. O prejuízo é duplo: arrebenta-se o odre e derrama-se o
vinho. A estrutura esclerosada não suportaria a força expansionista
do vinho novo. A composição estreitada do judaísmo não agüentaria
a mensagem expansível da graça de Deus. Um continente encurtado não
permite o desenvolvimento de um conteúdo dilatável. Fica impossível
a mensagem da graça espremida nas paredes da mentalidade judaica.
Por isso Jesus foi categórico: vinho novo só em odres novos. O
Evangelho da graça de Deus tem que se expressar numa estrutura
realmente nova.
A
verdade básica do cristianismo é novidade. Não há depósito de
bugigangas, nem oficinas de quinquilharias. Jesus é original e trata
com novidade. Sua proposta é fazer novas todas as coisas: E
aquele que
estava sentado
no trono
disse: Olhem,
Eu estou
fazendo tudo
novo. Apocalipse
21:5. Ele não aproveita nada do antigo modelo.
Não restaura nem reforma. Faz tudo novo. É uma nova criação que
não reutiliza as coisas velhas. Antes de tudo, Ele crucifica a velha
natureza e depois cria uma nova realidade, começando de dentro para
fora: primeiro o espiritual e depois, o físico. A regeneração do
espírito, depois a ressurreição do corpo. E
assim, se
alguém está
em Cristo, é
uma nova
criatura. As
coisas velhas
já passaram;
tudo é novo.
2 Coríntios
5:17.
Por
meio da obra suficiente de Cristo recebemos um espírito novo. Uma
nova mente, a mente de Cristo. Somos regenerados espiritualmente
através de nossa morte e ressurreição com Cristo, tornando-nos
novas criaturas. A Bíblia mostra o que é relevante para o ser
humano: Pois não
importa se
uma pessoa é
circuncidada ou
não; o que
realmente importa
é ser uma
nova criatura.
Gálatas 6:15. A
vida nova é conseqüência de uma nova geração. Isto significa que
a velha maneira de viver foi substituída pela mentalidade de Cristo.
A vida cristã não é a reconstituição do arcaico, mas a troca do
velho desígnio do pecado pela nova concepção da santidade. É a
nova vida da ressurreição de Cristo acionando toda a forma de
pensar da nova criatura, depois de consumar a morte da mentalidade
antiquada do sistema avelhentado do pecado.
O
projeto de Deus é nos tornar homens novos em Cristo Jesus,
semelhantes a Ele, a fim de vivermos com uma nova maneira de encarar
as coisas. O seu plano era nos fazer idênticos ao seu Filho, com a
mesma disposição de propósitos, por isso Ele aniquilou, na cruz, a
nossa inclinação fraudulenta e nos deu, na ressurreição, o seu
caráter sincero. Sabemos que,
em tudo o
que acontece,
Deus trabalha
para o bem
daqueles que
o amam,
daqueles a
quem Ele
chamou de
acordo com o
seu plano.
Deus os
conhecia antes
de o mundo
ser criado e
decidiu que
eles seriam
como o seu
Filho, para
que esse
Filho fosse o
primeiro entre
muitos irmãos.
Deus planejou
para que
essas pessoas
fossem como o
seu Filho, e
as chamou. E
não só as
chamou como
também as
declarou justas.
E não só
as declarou
justas como
também repartiu
a sua glória
com elas.
Romanos 8:28-30. O
objetivo primordial de Deus é nos tornar réplicas espirituais de
seu Filho. Somos regenerados com a vida de Jesus Cristo e passamos a
ter a mente de Cristo, para que possamos pensar os pensamentos de
Cristo.
As
novas
criaturas
geradas
por
Deus,
em
Cristo,
são
pessoas
com
outra
natureza
e
mentalidade.
Agora
que
Cristo
é
a
sua
vida,
elas
pensam
os
pensamentos
de
cima
e
agem
com
os
métodos
de
Deus.
As
novas
criaturas
são
livres
e
libertas.
Logo,
os
odres
que
suportam
a
amplitude
das
vidas
graciosas
não
podem
ter
as
mesmas
proporções
rígidas
dos
odres
que
norteavam
o
sistema
legalista.
É
impossível
para
um
cristão
transformado
pela
graça
de
Deus
conviver
livremente
num
sistema
poluído
pelas
idéias
e
costumes
judaizantes.
Jesus
mostrou
que
os
odres
gastos
da
religiosidade
formal
não
suportariam
a
novidade
em
distensão
que
a
graça
de
Deus
iria
proporcionar.
Por
outro
lado,
a
bitola
estreita
do
pensamento
ritualista
não
tolera
a
largueza
e
amplitude
dos
odres
novos.
A
lei
perfeita
da
liberdade
produz
um
estado
de
aceitação
incompatível
com
a
mentalidade
sufocante
do
farisaísmo.
Quem
foi
educado
num
regime
austero
tem
muita
dificuldade
em
conviver
com
a
liberdade.
Muitas
grades
que
são
postas
no
perímetro
dos
relacionamentos
para
conter
o
perigo
da
libertinagem,
de
fato,
visam
assegurar
o
medo
de
uma
vida
em
plena
liberdade.
Talvez
esta
seja
a
questão
que
Jesus
apontou
no
texto:
Ninguém,
depois
de
beber
vinho
velho,
quer
vinho
novo,
pois
diz:
O
vinho
velho
é
melhor.
Não
se
trata
tanto
da
qualidade
do
vinho,
mas
da
tradição.
É
verdade
que
em
questão
de
vinho,
normalmente
os
mais
velhos
são
melhores.
Mas
Jesus
está
enfatizando
a
pretensa
segurança
que
eles
sentiam
no
velho
sistema
já
estabelecido.
Parece
ser
mais
o
dano
que
o
novo
acarreta
ao
velho
do
que
o
oposto.
O
novo
sempre
ameaça
a
segurança
da
estabilidade.
Mas
o
Evangelho
de
Jesus
Cristo
rompe
as
barreiras
e
estabelece
a
novidade
da
vida
numa
estrutura
nova,
dinâmica
e
evolutiva.
O
vinho
novo
só
permanece
em
odres
novos.
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