OBSTÁCULOS
AO
PROGRESSO
NA
PALAVRA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Vós
corríeis
bem;
quem
vos
impediu
de
continuardes
a
obedecer
à
verdade?
Gálatas
5:7.
A vida cristã é
comparada a uma corrida. Estamos participando de uma maratona
espiritual, que envolve desafios e impedimentos, mas é firme e
perseverante. Na peregrinação, patrocinada pelo reino de Deus, não
há hotéis de beira de estrada nem pousadas de descanso. Somos
chamados para uma jornada contínua e duradoura. Não há lugar para
desistência e desânimo. A marcha do peregrino comprometido é
incessante. Se tropeçar, não fica enleado com as circunstâncias. A
raiz de toda tenacidade está na razão dos valores absolutos que
norteiam seu alvo. Se alguém quiser acertar na sua caminhada,
precisa ter um objetivo indiscutível e de estimação eterna. A
salvação de Deus não é uma gambiarra para solucionar um acidente,
mas é um dom de proporções eternas. Assim, o salvo, uma vez salvo,
não pode ficar no meio da estrada. Deus não inicia uma obra que não
complete. Estou plenamente
certo de que
aquele que
começou a
boa obra em
vós há de
completá-la até
ao Dia de
Cristo Jesus.
Filipenses 1:6.
Deus não dá uma salvação que seja provisória. O plano de Deus
para salvação não é uma deliberação para consertar uma situação
inesperada, pois ela antecede a obra da criação, e, uma vez
outorgada ao pecador, não pode ser retirada, pois se trata de uma
salvação eterna. Eu lhes
dou a vida
eterna; jamais
perecerão, e
ninguém as
arrebatará da
minha mão.
João 10:28. Não é
possível se perder uma vida que é eterna, e ninguém poderá
arrancar uma ovelha das mãos do Pastor. Esta é a apólice segura da
Palavra de Deus.
Por outro lado, a Bíblia
também nos garante que aqueles que foram salvos pela graça não
fazem parte dos desertores. Não há fugitivos nas fileiras do reino
de Deus. Nós, porém,
não somos
dos que
retrocedem para
a perdição;
somos, entretanto,
da fé, para
a conservação
da alma.
Hebreus 10:39. A
renúncia da salvação não faz parte da obra da graça, nem do
caráter sadio de uma decisão moral. Ninguém que é são quer
desistir de sua saúde. Também o salvo não quer abandonar a
sublimidade de sua libertação. Não é normal alguém preferir a
dor do sofrimento. O retorno à vida de escravo denuncia a insanidade
do caráter que contraria fundamentalmente a essência da salvação.
Um salvo que quer voltar ao domínio do pecado é semelhante a um
náufrago que, retirado das águas, insiste em querer morrer afogado.
Está totalmente transtornado, o que foge, por completo, ao espírito
da salvação. A desistência da salvação é uma aberração
incompreensível para a mente sã. Não é possível ser salvo e
querer se perder.
Entretanto, na estrada da
experiência autêntica, exitem muitos obstáculos. Jesus mostrou,
com clareza, na parábola do semeador, que há pelo menos seis
estorvos ao progresso na Palavra, na vida do ser humano. Cada
barreira visa impedir a obra plena da salvação e garantir uma
grande confusão no discernimento do assunto. O diabo sempre prefere
pescar em águas turvas e agitadas. Sendo assim, os embaraços
servem, também, para dificultar toda a compreensão da obra perfeita
da salvação.
Jesus
mostrou que o diabo é o primeiro oponente do progresso na Palavra.
Sua ardilosa missão visa furtar a semente da Palavra de Deus, que
foi lançada no coração do homem. Com toda a esperteza do inferno,
ele insiste em retirar a palavra primeiro, para que esta não crie
raízes. A todos os
que ouvem a
Palavra do
reino e não
a compreendem,
vem o maligno
e arrebata o
que lhes foi
semeado no
coração. Mateus
13:19. Satanás, como um esperto ladrão,
retira do coração a mensagem da verdade e procura disseminar o
germe do engano. Geralmente, ele busca impedir que a boa semente
germine, antes de plantar o joio da falsidade. O uso
da falsificação é o
método mais natural usado
por Satanás para resistir
aos propósitos de Deus,
depois que ele conseguiu afastar a pessoa do entendimento,
conseqüente da verdade de Deus.
A segunda resistência,
que atrapalha o progresso espiritual na Palavra, está vinculado às
pressões da perseguição. Não tanto o acossamento violento, mas o
desdém. É muito difícil suportar a zombaria dos amigos e o
desprezo dos familiares. É angustiante passar por ridículo no mundo
dos valores humanistas. A perseguição com desmerecimento é muito
mais fulminante do que a perseguição com atrocidade. Mas,
certamente, as duas exercem grande força na paralisia do viajante.
Muitos ficam entrevados quando sofrem os vexames da atormentação. À
margem do caminho, há uma multidão de aleijados sofrendo o medo da
desconsideração e do sofrimento. A que
caiu sobre a
pedra são os
que, ouvindo
a Palavra, a
recebem com
alegria; estes
não têm
raiz, crêem
apenas por
algum tempo
e, na hora
da provação,
se desviam.
Lucas 8:13.
Em seguida, Jesus
mencionou, de acordo com três evangelistas, quatro barreiras que
sufocam intensamente o desenvolvimento na Palavra. Mateus, Marcos e
Lucas fazem referência a duas trincheiras que são comuns a todos.
Eles mostram que os cuidados
do mundo e
a fascinação
das riquezas acabam
por asfixiar o andamento do caminhante. Não resta dúvida que,
muitos, que pareciam vibrantes quando abraçaram a fé, hoje se
encontram desalentados e sem qualquer interesse. Os tentáculos
surpreendentes das preocupações com a subsistência e a sedução
empolgante das riquezas têm exaurido toda a energia que seria
necessária para o envolvimento com a Palavra. Alguém já disse que
os cuidados com o mundo empanam nossa visão de Deus. Enquanto
miramos os holofotes do sucesso, ficamos encandecidos para
percebermos a revelação de um Deus humilde. O encantamento
alucinante das riquezas também tem mutilado muitos andarilhos, que
hoje se encontram com os bolsos cheios e pesados, mas com pernas
fracas e estropiadas para poder andar na via do progresso espiritual.
Lesados e atrofiados, não conseguem carregar o peso dos cuidados
deste mundo e da alucinação pelo acúmulo das riquezas. As
areias douradas do mundo
são areias movediças que
atolam até a cabeça.
Nada pode abafar tanto a vida com Deus quanto a sangria cativante do
feitiço da fortuna e do fausto. O que
foi semeado
entre os
espinhos é o
que ouve a
Palavra, porém
os cuidados
do mundo e
a fascinação
das riquezas
sufocam a
Palavra, e
fica infrutífera.
Mateus 13:22.
Marcos ainda acrescenta,
nesta lista, uma quinta barreira, que ele denomina de as
demais ambições,
ou seja, ambições demais. A ambição, como
a morte, nunca se
farta. O homem bem-aventurado, para Jesus, é o pobre de
espírito. É aquele que tem um só anelo, uma única aspiração:
Deus mesmo. Mas as muitas ambições estrangulam o contentamento. O
ambicioso está sempre com dispnéia espiritual, porque nada pode
satisfazer o excesso dos seus desejos. Foi neste contexto que A.
Raine pontuou: Você pode atingir
o topo da escada
e então descobrir que
ela não está apoiada
na parede certa. O
descontentamento é a dívida que contraímos por não estarmos
satisfeitos com a suficiência de Cristo. Quem é pobre de ambições
é rico de satisfação, mas quem ambiciona sempre mais nunca se
agrada do que tem. As ambições em demasia sufocam a evolução na
Palavra; por isso muitos se encontram desaprovados nos testes da
caminhada.
Por fim, Lucas apresenta
o sexto entrave ao aperfeiçoamento na Palavra: os
deleites da
vida. Muitos pensam que estão gozando a vida
com os seus regalos, quando, na realidade, estão sendo glosados pela
vida; isto é: estão sendo rejeitados e anulados pelos seus próprios
prazeres. Há um risco muito sério quando gastamos nosso tempo e
dinheiro na compra dos deleites desta vida; podemos estar nos
vendendo como escravos de sentimentos insaciáveis. O homem mais
realizado é aquele que não precisa sair de seu lugar para se
divertir, uma vez que seu coração, cheio da presença de Cristo,
encontra a fonte das verdadeiras delícias.
Entretanto, os obstáculos
ao progresso na Palavra não são suficientes para destruir a
objetividade da graça. Sabemos que muitos ficam caídos, se
contorcendo nas sarjetas da história. Há muitos raquíticos que não
conseguem continuar a jornada, mas os
que esperam
no Senhor
renovam as
suas forças,
sobem com
asas como
águias, correm
e não se
cansam, caminham
e não se
fatigam, porque estes representam a boa terra
que frutifica: Mas o
que foi
semeado em
boa terra é
o que ouve
a Palavra e
a compreende;
este frutifica
e produz a
cem, a
sessenta e a
trinta por
um. Isaías
40:31 e
Mateus 13:23.
Cremos seriamente que a compreensão da Palavra passa pelo mistério
de Cristo crucificado, onde, pela graça de Deus, ganhamos a
revelação de nossa morte juntamente com Cristo, a fim de,
ressuscitados com a vida de Cristo, podermos, na verdade, frutificar
no desenvolvimento da Palavra. Em verdade,
em verdade
vos digo: se
o grão de
trigo, caindo
na terra, não
morrer, fica
ele só; mas,
se morrer,
produz muito
fruto. João
12:24. Todo progresso na vida cristã é
decorrente da substituição de nossa vida, pela vida de Cristo. Esta
é a única vida capaz de alcançar maturidade.
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