DOIS
HOMENS, DOIS
DESTINOS
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Havia
certo
homem
rico
que
se
vestia
de
púrpura
e
de
linho
finíssimo
e
que,
todos
os
dias,
se
regalava
esplendidamente.
Havia
também
certo
mendigo,
chamado
Lázaro,
coberto
de
chagas,
que
jazia
à
porta
daquele;
e
desejava
alimentar-se
das
migalhas
que
caíam
da
mesa
do
rico;
e
até
os
cães
vinham
lamber-lhe
as
úlceras.
Aconteceu
morrer
o
mendigo
e
ser
levado
pelos
anjos
para
o
seio
de
Abraão;
morreu
também
o
rico
e
foi
sepultado.
No
inferno,
estando
em
tormentos,
levantou
os
olhos
e
viu
ao
longe
a
Abraão
e
Lázaro
no
seu
seio.
Lucas
16:19-23.
Jesus
contou esta parábola que salienta dois homens. Dois homens, com dois
rumos. São duas vidas que seguem sentidos contrários. Estes homens
são da mesma raça, filhos do mesmo pai, Abraão. Ambos são judeus.
Vivem no mesmo país e na mesma cidade. Os dois tinham algumas
semelhanças, mas várias diferenças. A última semelhança foi a
morte. Ambos morreram. Embora fossem tão diferentes em suas vidas,
os dois chegaram ao mesmo fim. Este é o destino de todos os homens.
Eles
eram muito diferentes. Um era rico, o outro mendigo. Um comia com
fartura as iguarias requintadas, enquanto o outro se satisfazia com o
sobejo, com as migalhas que caíam da mesa do rico. O nobre se vestia
com roupas de grife, o mendigo com os seus andrajos. A pele do homem
rico era lustrosa e sadia, mas a de Lázaro era coberta de chagas.
Com muita probabilidade, mãos macias, de criadas treinadas,
massageavam, com cremes do mar Morto, o corpo nédio do ricaço,
enquanto a língua dos cães lambia as feridas do pobre indigente.
Nas diferenças, aqui na terra, só no nome o pobre levou vantagem.
Jesus chama um de rico, e o pobre de Lázaro. O rico parece que tinha
tudo, mas não tinha nome. O pobre era destituído de quase tudo, mas
era conhecido pelo seu nome. Lázaro era a forma grega de Eleazar, no
hebraico, Deus nos auxilia. Lázaro era pobre, mas tinha nome e tinha
Deus como seu arrimo. O rico se bastava, porém ficou incógnito. Era
apenas um rótulo. Valia pelo que tinha. Não era um substantivo
próprio, apenas um adjetivo.
Mas,
como falamos anteriormente, ambos morreram. A morte não poupa
ninguém. Morreu primeiro o mendigo, mais fraco, debilitado pela
vida. Porém, foi carregado pelos anjos para o Paraíso. A Bíblia
não fala de seu sepultamento. Não tinha dinheiro para comprar
caixão e terreno em cemitério. Não tinha parentes nem aderentes.
Morreu como indigente. Contudo, teve um séquito de anjos. O céu
estava presente no seu transporte. Morreu também o rico, e foi
sepultado. Certamente, teve enterro com pompas. Teve gente importante
carregando seu esquife. Velório de bacana é concorrido. Mas não
tinha a carruagem de Deus fazendo o transporte. Foi direto para o
inferno. Que paradoxo há entre aqui e lá!
Ambos
morreram, Lázaro e o rico. Entretanto, Lázaro foi para o Paraíso e
o rico para o inferno. Os destinos são diferentes. Um foi salvo e o
outro estava perdido. Será que a pobreza salva e a riqueza manda
para o inferno? Esta é uma questão muito apreciada por alguns. Há
um grupo de religiosos que pensa que a pobreza e o sofrimento servem
para purificação dos pecados. Ser pobre é uma virtude e ser rico é
um defeito. Já vi pregação que sustenta a pobreza como meio de
salvação. Alguns defendem que é impossível um rico se salvar,
baseando-se na palavra de Jesus: É mais
fácil passar
um camelo
pelo fundo de
uma agulha do
que entrar um
rico no reino
de Deus.
Marcos 10:25. É
verdade. Um rico que confia em sua riqueza como fonte de merecimento,
ou que depende de sua riqueza para negociar a salvação, está
totalmente perdido. Jesus foi específico: Filhos,
quão difícil
é para os
que confiam
nas riquezas
entrar no
reino de
Deus! Marcos
10:24b. Porém, não há perdição de rico por
causa de sua riqueza, nem salvação de pobre por causa de sua
pobreza. A salvação, do ponto de vista bíblico, é totalmente pela
graça, sem qualquer ingrediente humano. Deus não salva uma pessoa
por ser pobre, nem condena alguém por ser rico. A salvação de Deus
é obra absoluta da graça imerecida e do seu amor incondicional.
Lázaro
foi salvo porque confiou totalmente na suficiência da graça de
Deus. O rico foi para o inferno por causa do seu pecado de
incredulidade. Lázaro dependeu das misericórdias de Deus. O rico
era um auto-suficiente. Humildade e orgulho nada têm a ver com
pobreza e riqueza. Há muitos pobres orgulhosos, como também, há
ricos humildes. O orgulho fala de uma pessoa que se basta, que se
apoia em seus próprios méritos. A humildade aponta para aquele que,
se vendo indigno, depende completamente da graça de Cristo. Por
isso, a Bíblia ressalta: Deus resiste
aos soberbos,
mas dá graça
aos humildes.
Tiago 4:6b. A
humildade... é simplesmente
a percepção da completa
nulidade, assina Andrew Murray. O
grande contraste existente entre os dois homens da parábola não é
a riqueza e a pobreza, mas o orgulho e a humildade. Um era incrédulo
e não confiava na graça de Deus, o outro dependia totalmente da
suficiência da graça. Do ponto de vista de Deus, o rico era pobre e
o pobre era rico. Há valores que enriquecem os pobres e outros que
empobrecem os ricos. Não basta ter uma grande fortuna, é preciso
ser afortunado com as riquezas soberanas de Deus. O homem sem nome
armazenou muito tesouro, mas quando as coisas boas desta vida lhe
foram tiradas, ele não tinha nada com que atravessar o portão. O
pobre mendigo só conseguiu, aqui na terra, ajuntar moscas sobre suas
chagas, mas ainda assim, sua fé tinha crédito nos bancos
celestiais. Os melhores amigos de Deus são os homens humildes.
A
história dos dois continua atrás das cortinas. Jesus deu uma pala
do que acontece depois do desenlace. O que sabemos do outro lado da
vida foi contado por Jesus. Lázaro, de férias eternas, goza as
delícias da plenitude divina. No seio de Abraão, ele usufrui de
todas as bênçãos que a graça faculta. Mas o pobre rico, que
parece nunca ter erguido os olhos, de repente levanta sua cabeça e
lamenta-se com a quentura do aquecedor. O termostato do inferno vive
quebrado e a estufa assa sua alma. O calor o atormenta. Ele, que teve
tanta mordomia, agora, em razão da secura, suplica pelos favores de
um mendigo, que viveu desprezado em sua porta. Orgulho, no inferno, é
patético. O comando da terra se torna em queixa e lamentação,
ainda que em tom de autoridade: manda a
Lázaro... Apreciador de boa bebida, tenta
refrescar sua garganta com uma lambida na ponta do dedo do pobre
pedinte, umedecido com gotas de água. Que tragédia! O inferno é
desolador. Tanta fartura na terra e tanto tormento nesta sauna sem
suor. Seu clamor por misericórdia veio tarde demais. Não há ponte
do inferno para o céu e o abismo entre os dois é intransponível.
Por outro lado, a misericórdia só liga o céu e a terra. Não há
qualquer transação entre o Paraíso e o inferno, pois a
misericórdia está associada aos homens falidos em suas chances. Não
existe habeas-corpus para prisioneiros eternos. O tempo da
oportunidade fechou sua porta e não há chave que abra esta
fechadura. Tudo que precisamos decidir, com relação à salvação,
fica por conta da existência na terra.
O
tolo ainda continua tentando alternativas para o seu egoísmo. Lembra
de sua família, de seus cinco irmãos, e propõe uma solução
fantástica: Pai, eu
te imploro
que o mandes
à minha casa
paterna... a
fim de não
virem também
para este
lugar de
tormento. Lucas
16:27-28b. A pedagogia do inferno sempre quer
mudar a metodologia de Deus. A reivindicação advogava a
transigência dos propósitos divinos. Mas, a resposta do céu é
categórica: Eles têm
Moisés e os
profetas; ouçam-nos.
Lucas 16:29. Não
há trambiques nos critérios espirituais. A salvação de Deus será
sempre pela graça e por meio de sua Palavra imutável. Deus não faz
concessões: Se não
ouvem a
Moisés e aos
profetas, tampouco
se deixarão
persuadir, ainda
que ressuscite
alguém dentre
os mortos.
Lucas 16:31. Da
mesma forma que Jesus é a única pessoa que pode salvar os homens, a
Bíblia é o único livro que revela, claramente, Jesus como a
salvação. Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo e a salvação.
Não há alternativa: O caminho mais
curto para entender a
Bíblia é aceitar o
fato de que Deus
está falando em cada
linha. A Bíblia é um livro escrito com o sotaque
de Deus e, se não damos crédito a este livro, não temos outra
escolha. O destino destes dois homens foi traçado pela acústica. Um
ouviu a Palavra de Deus, o outro nada ouviu. A fé
vem pelo
ouvir, e
ouvir a
Palavra de
Deus. Romanos
10:17.
Nenhum comentário:
Postar um comentário