quinta-feira, 14 de junho de 2012

A GRATIFICANTE GRAÇA


A GRATIFICANTE GRAÇA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá


O Evangelho é antes de qualquer coisa uma expressão da graça de Deus. Não haveria a boa notícia do Evangelho sem a primazia da graça. Toda a obra da salvação começa com a manifestação da graça. Desde que o pecado entrou no mundo, a graça iniciou sua missão salvadora. Se não houvesse doença, não haveria médico. Se não houvesse sinistros, os seguros perderiam seu valor. Se não houvesse incêndios, qual a necessidade de bombeiros? Se não houvesse pecado, a graça não teria significado. Uma vez que o pecado se instalou na raça humana, a graça de Deus se manifestou trazendo salvação à humanidade. Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça. Romanos 5:20. A lei serve para demonstrar a gravidade do pecado. Ninguém jamais foi salvo pelo cumprimento da lei. Toda obra de Deus voltada para a salvação do homem se baseia na graça.

O apóstolo Paulo vê na graça a causa de sua essência cristã. O que sou, sou pela graça. Isto significa que Deus foi quem fez tudo o que diz respeito à sua experiência espiritual. Quando Saulo nasceu de novo, foi pela graça. Se Paulo conseguiu crer em Cristo como seu único Senhor e Salvador, foi a graça que o levou a crer. Se ele está buscando comunhão com Deus, é a graça que está patrocinando esta empreitada. Desde que haja evolução em sua vida de santidade, é a graça que cuida deste progresso. Ele não vê outra alternativa para a sua vida cristã. A sua vocação é matéria graciosa. Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça... Gálatas 1:15. Ninguém pode ser salvo sem que Deus o chame pela sua graça. A vivificação miraculosa de um regenerado antecede qualquer movimento de sua parte. Menina! Levanta. Foi o que Jesus disse à finada filha de Jairo. A palavra graciosa de Jesus primeiro deu vida à jovem e depois causou a ação de levantar-se. Defunto não pode se levantar. A menina foi vivificada ou ressuscitada antes de reagir à ordem de Jesus. A vocação celestial é primeiramente uma regeneração monergística, isto é, um trabalho único de Deus. Ninguém pode se gerar. Também ninguém pode se regenerar. Se fomos gerados, isto dependeu de nossos pais. Se fomos regenerados, isto foi obra exclusiva de Deus. Não há auto-geração nem auto-regeneração. No rigor mortis, nós precisamos ser ressuscitados da morte, pelo poder soberano da graça de Cristo. Homens mortos espiritualmente não podem decidir, sem a intervenção sobrenatural da graça de Deus. Não fomos nós que iniciamos o processo da salvação. Não quem busque a Deus. Romanos 3:11b. Foi Deus quem graciosamente nos buscou em Cristo Jesus. O apóstolo Paulo tinha plena consciência deste fato. Se Deus não nos vivificar primeiro e não inclinar o nosso coração para Ele, jamais O buscaremos. Alguém já disse que: se Deus não escolhesse alguns homens sem quaisquer condições, ninguém jamais O escolheria sob quaisquer condições. O pecado nos faz autônomos. Se Deus não nos eleger, nós jamais O escolheremos. O homem não se converte porque deseja, mas deseja converter-se porque Deus em sua graça o alcançou primeiro. Tudo o que somos na vida cristã é resultado soberano da graça de Deus. Martinho Lutero enfatizava: Os salvos são escolhidos não por seus próprios méritos, mas pela graça do Mediador.

Tudo o que os salvos são neste mundo e no vindouro, são exclusivamente pela suficiência da graça de Deus. Santo Agostinho dizia que Deus escolheu-nos não porque cremos, mas para que creiamos. A fé é um dom de Deus. Não conquistamos a graça, pela fé, mas recebemos a fé, pela graça. Não é a fé que alcança a graça. Deus não negocia com o homem. A Bíblia mostra que Jesus é o autor e consumador da fé. Ele é o doador da fé e não mero efeito de nossa fé. Ele nos outorga a fé, a fim de crermos pela fé, nele. A fé que salva não é oferecida por Deus ao homem; é-lhe conferida. O pecado nos tornou incrédulos com relação a Deus. Ninguém nasce portando fé. Ela é uma imputação divina. Somos agraciados com a fé. Não há nenhum mérito em crer. Trata-se apenas do ato de receber um favor conferido. A capacidade de crer nos foi concedida gratuitamente por Deus. Podemos fazer uma paráfrase aproximada de Efésios 2:8 com estas palavras: Porque é pela graça que vocês estão sendo salvos através da fé, mas esta não é sua propriamente, é um presente gracioso de Deus. A fé não é uma aptidão natural, é um dom generoso e gratuito de Deus. E não é merecimento, mas pura demonstração da misericórdia. Ninguém recebe fé por que tem alguma qualidade especial. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Romanos 9:16. E misericórdia é a preferência pelos desqualificados. Se há alguma condição para sermos alcançados pelas misericórdias de Deus, a única é nos acharmos totalmente na miséria. Só os indignos da misericórdia podem ser feitos dignos da graça de Deus. Como dizia Thomas Watson, estão mais bem preparados para as maiores misericórdias aqueles que se consideram indignos das menores.

Depois de mostrar que a sua vida cristã era uma conseqüência da graça de Deus, o apóstolo Paulo passa a demonstrar que o seu ministério era um resultado eficiente desta mesma graça. Ele foi categórico: O que sou, sou pela graça. Mas também, o que faço, faço somente pela graça. Paulo vê o poder operante da graça em sua vida, a ponto de pronunciar uma aparente arrogância: Trabalhei muito mais do que todos os outros apóstolos. Todavia não eu, mas a graça de Deus comigo. Não há graça indolente. É incompatível viver na graça negligentemente. Não há inativos no reino de Deus, nem aposentados ou pensionistas do INSS celestial. No ministério do evangelismo universal não se fala de licença prêmio, licença sem vencimentos ou encostados. Todos os convocados pela graça salvadora são comissionados pela graça realizadora. Viver na graça é também viver pela graça, e graça preguiçosa não é graça. O cristão nunca tem falta do que precisa quando possui as insondáveis riquezas da graça de Deus em Cristo. Paulo exorta ao seu filho na fé Timóteo: Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. 2Timóteo 2:1. A suavidade do Evangelho da graça não significa viver em férias permanentes. O descanso da alma oferecido por Jesus nada tem a ver com moleza ou indisposição. É na fraqueza que a graça se mostra mais eficiente. A dependência total de Deus implica na desistência completa de nós mesmos. Somente aqueles que estão inteiramente fracos poderão ser inteiramente fortalecidos pelo poder da graça de Deus. Todos aqueles que se encontram incapazes para o ministério do evangelismo podem muito bem ser capacitados pela suficiência da graça divina. Deus não pergunta sobre nossa capacidade ou incapacidade, mas se estamos à disposição de sua graça. Deus, por sua graça, faz em nós uma obra salvadora, e, pela mesma graça, por meio de nós, opera uma obra em favor da salvação dos outros. A graça que nos salva é a mesma graça que nos impulsiona no serviço da pregação do Evangelho. Um empresário pode dar emprego a alguém, mas não a capacidade. Contudo, Deus quando nos dá o que fazer, nos dá o sustento e as condições de fazer. Como insistia Santo Agostinho, nós fazemos as obras, mas Deus opera em nós a realização das obras. Quando Deus chama alguém Ele envia, quando envia, Ele o capacita, quando o capacita, Ele mesmo realiza a obra através deste instrumento que Ele sustenta. Ninguém é permitido ir em nome de Deus, a não ser aqueles que são enviados, capacitados e sustentados por Ele.

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