sexta-feira, 1 de junho de 2012

O TEMPO DE DEUS NO TEMPO DO HOMEM


O TEMPO DE DEUS NO TEMPO DO HOMEM
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá


Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. 1Tessalonicenses 5:24 e Filipenses 1:6.
O tempo é uma medida do homem. Só os homens precisam demarcar o seu tempo. Mas o tempo não é nada mais do que a borda da eternidade. Deus não tem relógio, nem calendário, nem agenda. Deus trabalha com a eternidade. Sendo assim, Ele tem todo tempo para trabalhar no tempo do homem. O momento de Deus não está determinado pelo cronômetro. Ele não tem pressa nem está forçado pelas contingências, Ele não age sob pressão. Deus não pára para consultar-nos. O ponto fixo do universo, o fato inalterável, é o trono de Deus. Ninguém pode estorvar os planos de Deus.
Quando Deus chama, Deus faz. Quando Deus começa, Deus acaba. Não é possível haver desistência na vocação divina, nem retardo no seu cronograma. Na economia de Deus não existe o elemento surpresa que cause acidentes. O que Deus faz, Ele sempre teve o propósito de fazer. Não há impedimento que interrompa os propósitos soberanos de um Deus onisciente, onipotente e onipresente. Quando o Senhor convoca alguém para o seu Reino, Ele mesmo conclui a obra iniciada nesta pessoa. Na sua exposição não há obras inacabadas. A causa de Deus nunca corre perigo; o que Ele começou na alma ou no mundo, levará até o fim. Não há barreiras para a sua vontade nem coincidência nos seus projetos. Tudo o que Ele faz é a expressão real da sua vontade soberana e absoluta. Deus é lei para si mesmo e... não tem nenhuma obrigação de prestar contas de suas atitudes a quem quer que seja. Tudo quanto aprouve ao Senhor, Ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos. Salmo 135:6.
O tempo de Deus não se enquadra no ritmo das estações. O relógio do céu não coincide com os ponteiros da terra. O kairós, tempo de Deus, difere essencialmente do cronos, o compasso das eras. Vindo, porém, a plenitude do tempo (kairós), Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Gálatas 4:4-5. Jesus nasceu no momento oportuno dos decretos divinos, ainda que se discuta o calendário. Este tempo de Deus não é dirigido pela cadência dos segundos, minutos ou horas. Deus não se encontra sob a pressão da história, nem é coagido pelas exigências da época. Ele está fora do tempo e opera no tempo de acordo com a sua livre, independente e desobrigada vontade. O tempo de Deus não é extemporâneo mas é atemporal. Deus não tem um tempo certo para agir como se fosse o momento favorável, Ele não tem horário para marcar o cartão, mas age num certo tempo, segundo o ensejo de sua soberana vontade. No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. Salmo 115:3. A soberania de Deus não é arbitrariedade, como alguns a julgam erroneamente, pois Deus tem suas razões, baseado em sua sabedoria infinita, as quais nem sempre decide revelar.
Em matéria de Reino de Deus, quem decide a ocasião é o próprio Deus. A salvação é, antes de qualquer coisa, uma adequada manifestação da graça de Deus na vida do pecador, no instante divino. Não há casualidade nos limites supremos do Reino de Deus. Ninguém pode ser salvo porque deliberou voluntariamente que seria salvo. Quando alguém é salvo, é por determinação preferencial da imperante vontade de Deus. O plano de Deus para a salvação não é uma decisão para remediar uma situação; ele antecede a obra da criação. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. João 1:11-13. Se alguém resolveu receber a Cristo como Senhor, foi porque Deus veio primeiro alcançá-lo com sua graça prévia. Nós só podemos recebê-lo, porque Ele antecipadamente nos aceitou e nos conquistou com seu amor. Todo acaso tem propósito, quando Deus governa. Nós amamos porque Ele nos amou primeiro. 1João 4:19. No Reino da graça, a iniciativa toda parte da expressão magnífica do amor de Deus. Quem decide preliminarmente é a soberana graça de Deus. A nossa busca por Deus é resultante de sua busca por nós. Se houve um dia em que nós nos encontramos com o Deus da graça, por meio de Jesus Cristo, este encontro foi promovido e agendado pelo próprio Deus.
É verdade que a mim cabe receber a Cristo; mas, só posso recebê-lo, porque Ele me foi dado pela graça. O ato de receber pressupõe uma dádiva. Jesus é o dom de Deus ao mundo, Ele é um presente dado e não um prêmio obtido. A salvação não é uma aquisição que alcançamos pelo nosso desempenho. Ninguém pode dizer: adquiri a minha salvação, conquistando o favor de Deus. Se recebemos a Cristo, é porque Ele nos foi dado. Se Ele nos foi dado, a iniciativa procede do doador. O tempo de nossa salvação foi fixado por Deus como manifestação graciosa do seu amor, e não agendado por nós em razão de nosso prestígio. Deus nos dotou de sua graça doando-nos a salvação. Primeiro, Cristo se inclinou para nós, concedendo-nos graciosamente todas as coisas e realizando em nosso favor tudo que diz respeito à nossa completa salvação. Depois, em razão de sua perfeita graça, nós o recebemos mediante a fé, movida pela sua graça plena. Não é o homem que delibera o momento de Deus em seu tempo, mas é Deus que determina o seu tempo no tempo do homem. Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim... Gálatas 1:15-16a. Não foi quando Paulo quis, mas quando aprouve a Deus. É Deus quem decide.
Se alguém está motivado em buscar a Deus, saiba, antes de qualquer coisa, que esta motivação vem do trono da graça de Deus. Ninguém pode buscá-lo sem antes ser buscado por Deus. A causa de nosso interesse espiritual por Deus mesmo é ocasionada pelo próprio Deus em nós. Se o desejamos é porque fomos alcançados pelos seus desejos. Antes que nós o procurássemos, Ele já nos havia encontrado. Jesus mostrou a Natanael a precedência da visão divina. Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, Eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. João 1:48. Este encontro não foi acidental. Jesus encontrou com Natanael antes que este tivesse qualquer solicitude por Ele. O encontro foi marcado na agenda celestial como expressão suficiente da graça de Deus. Isto não é incidente eventual, mas um plano cercado dos propósitos divinos. Deus não faz nada dentro do tempo que não tenha decidido fazer desde a eternidade. Assim não há casualidades na vida do cristão. Tudo está deliberado pela sublime e soberana providência de Deus. O que Deus pretende, Ele decreta; o que permite, previu. Quando Deus começa uma obra numa vida, Ele não deixa esta pessoa no meio da estrada. Feliz é o homem que Deus envolvido em tudo de bom e de mau que acontece na vida. Uma fé firme na absoluta providência de Deus e em sua soberana vontade é a solução para todos os conflitos da mente. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. Quando Deus começa uma boa obra, Ele mesmo a completa

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