sexta-feira, 20 de abril de 2012

O TESTEMUNHO DA VIDA DO PR. ANTONIO ABUCHAIM


O TESTEMUNHO DA VIDA DO PR. ANTONIO ABUCHAIM
Por: Anésia Abuchaim
01/01/2005
Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina. Isaías 42:4.
Filho de Felício Abuchaim e Anna Dorta. Ele, libanês, ela, brasileira. Nasceu em Itajubi, interior de São Paulo, em 23 de outubro de 1919, era o mais velho de 10 irmãos. Converteu-se ao Evangelho bem jovem e, por querer servir a Deus como Pastor, seu pai o expulsou de casa, pois queria que ele fosse médico. Seu Felício era da seita Maronita e odiava os evangélicos. Anos mais tarde, Pastor Abuchaim lhe pregou a Palavra e ele se rendeu ao Senhor. Morreu convertido e testemunhando da graça de Deus. Dona Anna morreu anos antes do marido, também regenerada. Foi consagrado ao Ministério Pastoral no dia 8 de junho de 1941.
Mesmo como Pastor que agradava em cheio ao seu rebanho, não tinha vitória sobre certos pecados prediletos. Lutava desesperadamente para deles se livrar e não conseguia. Ele ouvira um, Pastor Leto ,falar: Nós morrer Cristo para o pecado. Pastor Abuchaim dizia: Coitado! Ele não aprendeu português direito, o certo é: Cristo morreu por nossos pecados. Mas um dia, lendo Romanos 6:1-2, Deus lhe revelou que havia uma morte para o pecado. Começou a clamar ao Senhor que lhe desse esta morte. E Deus não tardou em levá-lo ao verso 6 do mesmo capítulo. Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com Ele crucificado... O Espírito Santo fez este foi grudar na sua mente dia e noite, até que desceu para o coração em forma de e ele encontrou descanso e a tão desejada vitória sobre toda e qualquer forma de pecado. Aleluia!
Antes da sua experiência de Novo Nascimento, Pr. Abuchaim era muito envolvido com a liderança Batista. Foi Presidente da junta Mato-grossense, Secretário da mesma e outros cargos mais. Sempre gostou do trabalho itinerante. Era muito polêmico, com isto, muito apreciado por uns e detestado por outros. Depois da experiência da Regeneração, deixou os cargos e pegou as cargas. Passou a ser perseguido e até odiado por alguns dos seus antigos colegas. Mas longe de desanimar, isto o estimulava a continuar pregando a única verdade que liberta. Seu tema predileto era: A morte do homem velho. (Eu sou fruto desta preciosa verdade. Graças a Deus!!!). E daí em diante mais detestado ainda e muito perseguido.
Deus colocou no coração do Pastor Abuchaim uma paixão muito grande pelas almas perdidas, e em especial, pelos pobres. Ele começou a ver a necessidade dos povos ribeirinhos e ilhéus. Povo esquecido, povo carente de tudo, povo totalmente abandonado. Deus o chamou para esse campo. Ele, juntamente com alguns irmãos no interior de São Paulo, construíram um barco de madeira, movido por um motor de carro Ford 29, e com esse barco ele começou os trabalhos no rio Paranapanema. O barco era muito precário e não dava para ir muito longe. Então começou a sonhar com outro melhor e que pudesse atingir as ilhas do rio Paraná. Mãos à obra! Não demorou muito e o segundo barco estava singrando as águas do rio Paraná e alguns dos seus afluentes. Ele mudou-se para Porto Rico e deu continuidade ao trabalho. Visitava as ilhas e as barrancas do rio Paraná, levando roupas, calçados, cobertores, alimentos, remédios e em especial a Palavra de Deus para aquela gente que tanto amava. Anos mais tarde o Senhor o levou para Presidente Epitácio, onde construiu o terceiro barco de madeira, pois o anterior foi à pique. Ali ficou mais ou menos no meio do campo do trabalho fluvial. Um mês ele viajava rio acima, no outro, rio abaixo. Sempre havia ajuda de irmãos que davam uns dez dias de suas férias ou suas folgas, para viajar com ele. O barco era um verdadeiro Seminário, pois nele havia dois estudos bíblicos por dia, e todos os que viajavam no barco, aprendiam a pregar para aquela gente. Ele ainda construiu o quarto barco, mas este era de ferro. Quando o trabalho do rio terminou, este barco foi doado aos Batistas mato-grossenses, sendo então levado para a bacia do Prata, naquele estado. Em cada lar, era deixada uma Bíblia e a Palavra anunciada nos seus corações. Somente na eternidade é que saberemos quantos foram alcançados pela graça de Deus. Sei que não foram poucos.
Todos os donativos distribuídos, vinham de doações do povo de Deus. Os alimentos eram comprados com as ofertas recebidas pelo Pastor Abuchaim em suas conferências pelo Brasil a fora. Deus nunca deixou o barco parado por falta de provisão. Sempre havia recursos para suprir cada necessidade. Aleluia!
Toda autoridade ministerial do Pastor Abuchaim vinha da Palavra de Deus e do Espírito Santo. Se muitos não têm esta autoridade, o problema não está do lado de Deus, pois Fiel é o que vos chama, o qual também o fará. 1 Tessaloncenses 5:24. Deus chamou o Pastor Abuchaim, e o mesmo Deus fez a obra através dele. Glória pois a Ele!
Pr. Abuchaim sempre estava disposto a pregar a Palavra em qualquer lugar onde Deus abria uma porta. Foi a Rondônia várias vezes, inúmeras vezes ao Nordeste. Hoje podemos ver os frutos desse trabalho, com grupos em vários estados do nosso Brasil, crendo e pregando a Palavra da cruz.
Era irrequieto, ninguém o segurava em casa. Em Londrina, fazia estudo bíblico todas as manhãs em nossa casa, com quem quisesse participar. Saía para visitar pessoas nos hospitais, saía para fazer visitas nos lares. Fazia culto em várias casas. Uma vez por semana tinha culto em nossa casa. Pregava na Igreja, pregava nos acampamentos, pregava nas cidades circunvizinhas. E ainda achava tempo para escrever, para tocar seus instrumentos e compor seus cânticos.
Cri por isso falei... 2 Coríntios 4:13, ele acreditava que viria um avivamento verdadeiro em nossa Pátria, pelo Novo Nascimento. Por isso pregava com tanta certeza, com tanta paixão e com firmeza a Palavra da cruz.
Deus me deu a graça de ser sua companheira nos seus últimos 13 anos de vida. Primeiramente, o Senhor nos uniu no Ministério, depois nos uniu em casamento. Sempre que possível o acompanhava nas viagens e nos trabalhos. Fui muito abençoada com a Palavra que a cada dia Deus lhe revelava. Não tenho uma lembrança que marcou a minha vida. Tenho todas as lembranças do tempo que Deus nos concedeu juntos. Uma coisa tenho pedido a meu Pai: que me faça pregar a Sua Palavra e testemunhar do seu Nome, enquanto houver um sopro de vida em mim, como Ele fez com o meu amado. Filipenses 1:20 diz: Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.
Estávamos em Recife, terminando uma série de conferências. Era uma segunda feira, no dia seguinte estaríamos saindo para a Paraíba, depois para o Ceará e finalmente, para Teresina no Piauí. Mas meu Pai resolveu levá-lo para o Lar celestial. Era dia 8 de Junho de 1992, às 21 horas. Exatamente o dia e a hora em que ele completava 51 anos de ministério. O Pai o levou para comemorar esta data na glória. Aleluia! Ele deixou uma profunda dor no coração dos que o amavam, o meu sangra até hoje, mas me curvo diante da vontade soberana do meu Deus; e O adoro de todo coração, porque sei que o meu amado está gozando da presença eterna do Senhor que tanto amava.

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