COM A
VERSÃO DA CONVERSÃO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/07/1998
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/07/1998
A
conversão é um processo instaurado pela graça de Deus na
experiência humana e administrado pelo poder do Espírito Santo, mas
envolvendo uma decisão pessoal responsável. Somente Deus pode nos
converter. Ninguém que foi convertido de verdade tem a consciência
de que se converteu. Não há qualquer iniciativa do homem no projeto
da conversão. Se estamos convertidos é porque fomos convertidos.
Não há conversão autárquica e com autodinamia. Entretanto,
ninguém pode negar a responsabilidade moral, que cada pessoa tem na
deliberação individual.
A
conversão é uma obra de Deus que envolve escolha deliberada.
Sabemos, pelas Escrituras, que o ser humano, no seu pecado, não tem
o menor interesse em buscar a Deus. Do céu,
olha Deus
para os
filhos dos
homens, para
ver se há
quem entenda,
se há quem
busque a
Deus. Não há
justo nem se
quer um, não
há quem
entenda, não
há quem
busque a
Deus. Salmo
53:2 e
Romanos 3:10,11.
Não há cogitação de Deus na intenção natural do homem. Deus não
faz parte da diligência inata e do empenho espontâneo de qualquer
criança. Todo enfoque de Deus na realidade humana é induzido pelo
sistema religioso, apesar das evidências irrefutáveis da criação.
Deus não é lógico ao raciocínio ingênito e é um disparate ao
pensamento egoísta do pecado; por isso, todo esforço em buscá-lo,
antes de sermos buscados, é irrelevante e antipático.
A
Bíblia mostra, que desde o princípio, quando o homem pecou, a
iniciativa da busca é divina. Foi Deus quem veio ao encontro dos
nossos pais camuflados e escondidos, propondo uma salvação. E
chamou o
Senhor Deus
ao homem, e
lhe perguntou:
Onde estás?
Então o
Senhor Deus
disse à
serpente... Porei
inimizade entre
ti e a
mulher, entre
a tua
descendência e
o seu
descendente. Este
te ferirá a
cabeça e tu
lhe ferirás
o calcanhar.
Gênesis 3:9,14a,15.
A história da salvação é uma sucessão de atitudes de Deus a
procura do ser humano, com o propósito de libertá-lo do pecado.
Todo empenho do encontro fica por conta da insistência celestial.
Jesus veio dos céus a fim de buscar os pecadores: Porque
o Filho do
homem veio
buscar e
salvar o
perdido. Lucas
19:10. O assunto da salvação foi agendado por
Deus e agenciado pelo Espírito Santo, enviando Jesus Cristo como
único agente desta empreitada. Nunca estamos
mais perto de Cristo
do que quando nos
encontramos perdidos, maravilhados
com seu amor indizível.
Se Deus
alguma vez apareceu na terra, visivelmente, foi na pessoa de Jesus
Cristo, para promover a reconciliação do homem com Ele. Assim
sendo, a conversão é um projeto de Deus, inaugurado por Deus,
realizado em Cristo e levado a efeito pelo Espírito Santo, mediante
o convencimento do pecador. Em face da resistência do pecado e da
rebeldia do pecador contra Deus, o próprio Deus, em sua graça,
convence o homem do seu estado de incredulidade e o leva, através da
pregação do Evangelho, a querer o que antes era sua indisposição.
Quando o Espírito
vier convencerá
o mundo do
pecado, da
justiça e do
juízo; do
pecado, porque
não crêem
em mim. João
16:8-9. O pecador só passa a se interessar por
Deus, quando é convencido pelo Espírito Santo, por meio da pregação
da Palavra. Porque Deus nos buscou pela sua graça, nós podemos nos
voltar a Ele, movidos por sua misericórdia. Nós
amamos porque
Ele nos amou
primeiro. 1
João 4:19. Porque
Ele me buscou com seu amor incondicional, meu coração foi
conquistado pelo seu favor imerecido. A graça me convenceu; a graça
me conquistou; a graça me levou a escolher a conversão, como uma
decisão responsável.
A
conversão é um processo de origem divina que culmina com uma
preferência persuadida pela suficiência da graça. Não há coação
nem imposição constrangedora. Nem uma pessoa é salva fora de sua
resolução volitiva, mesmo sabendo que ninguém por si mesmo
ambiciona esta deliberação. Se um homem
pudesse desejar ele mesmo
ser salvo, com a
mesma facilidade poderia
mudar de idéia e
desejar perder a salvação.
Mas somos capacitados pela graça a concluir a necessidade da decisão
pessoal, apesar de verificar, que a vontade do homem no pecado não é
livre, pois é escrava dos desejos e instintos depravados. Mesmo
assim, Deus não violenta a decisão humana, mas con-vence o coração
de tal modo, que deliberadamente resolve assumir a graça da decisão
comprometida. Se não
vos converterdes
e não vos
tornardes como
crianças... Não é um esforço do homem para
conseguir a conversão, mas uma determinação proveniente de uma
capacidade oriunda do poder de Deus.
A
conversão é um milagre e uma realização. É um processo soberano
da graça divina e uma decisão persuadida da responsabilidade
humana. É Deus quem nos converte, mas também somos convertidos e
nos convertemos. Não sejais
como vossos
pais, a quem
clamavam os
primeiros profetas,
dizendo: Assim
diz o Senhor
dos Exércitos:
Convertei-vos agora
dos vossos
maus caminhos
e das vossas
más obras;
mas não
ouviram, nem
me atenderam,
diz o Senhor.
Zacarias 1:4. O
imperativo verbal não é exigência impossível. Quando Jesus
ordenou ao paralítico: Levanta-te, toma
o teu leito
e anda, não estava
requerendo o impossível de um aleijado. Ao mesmo tempo que ordenava,
habilitava. Convertei-vos, não é importunação de implicância,
mas requisito da competência concedida por Deus.
A
conversão tem toda uma motivação e operação divina, contudo tem
um consentimento pessoal determinado pela graça de Deus. O grande
poder de Deus na conversão de um pecador é a mais misteriosa de
todas as suas obras, pois efetua tanto
o querer como
o realizar da
sua boa
vontade, sem jamais coagir a responsabilidade
moral de cada pessoa. Nenhum homem pode ser convertido se Deus não o
converter. Nenhum homem pode ser convertido se não se converter.
Nenhum homem se converte se não quiser. Nenhum homem pode querer se
Deus não agir mediante a sua graça, convencendo a sua vontade.
Porquanto, quem
quiser salvar
a sua vida,
perdê-la-á; e
quem perder a
sua vida por
minha causa,
achá-la-á. Mateus
16:25.
É Deus
o causador de todo o processo de conversão, mas nunca
podemos permitir que nossa
teologia nos roube nossa
responsabilidade. Somos moralmente
responsáveis diante de
Deus porque somos feitos
à imagem de uma
Divindade moral. A verdadeira conversão
requer decisão ante a realização divina. A fé é um dom de Deus,
mas também é uma posição do homem em face da graça operante. O
arrependimento é uma dádiva da bondade de Deus, mas também é uma
atitude humana em relação ao seu estado de pecado. O homem natural
nunca deseja Deus, mas precisa, pela operação da graça divina,
querer de modo efetivo a sua conversão, a fim de ser convertido. O
Espírito e a
noiva dizem:
Vem! Aquele
que ouve
diga: Vem!
Aquele que
tem sede,
venha,
e
quem quiser
receba de
graça a água
da vida. A
mão do
Senhor estava
com eles, e
muitos, crendo,
se converteram
ao Senhor.
Apocalipse 22:17,
Atos 11:21. Não há
conversão sem que Deus tenha convertido. Não há convertido que não
se converteu. Converte-me, e
serei convertido,
porque tu és
o Senhor, meu
Deus. Na
verdade, depois
que me
converti, arrependi-me;
depois que
fui instruído,
bati no
peito. Jeremias
31:18c, 19a.
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