quarta-feira, 4 de abril de 2012

COM A VERSÃO DA CONVERSÃO


COM A VERSÃO DA CONVERSÃO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/07/1998
A conversão é um processo instaurado pela graça de Deus na experiência humana e administrado pelo poder do Espírito Santo, mas envolvendo uma decisão pessoal responsável. Somente Deus pode nos converter. Ninguém que foi convertido de verdade tem a consciência de que se converteu. Não há qualquer iniciativa do homem no projeto da conversão. Se estamos convertidos é porque fomos convertidos. Não há conversão autárquica e com autodinamia. Entretanto, ninguém pode negar a responsabilidade moral, que cada pessoa tem na deliberação individual.
A conversão é uma obra de Deus que envolve escolha deliberada. Sabemos, pelas Escrituras, que o ser humano, no seu pecado, não tem o menor interesse em buscar a Deus. Do céu, olha Deus para os filhos dos homens, para ver se quem entenda, se quem busque a Deus. Não justo nem se quer um, não quem entenda, não quem busque a Deus. Salmo 53:2 e Romanos 3:10,11. Não há cogitação de Deus na intenção natural do homem. Deus não faz parte da diligência inata e do empenho espontâneo de qualquer criança. Todo enfoque de Deus na realidade humana é induzido pelo sistema religioso, apesar das evidências irrefutáveis da criação. Deus não é lógico ao raciocínio ingênito e é um disparate ao pensamento egoísta do pecado; por isso, todo esforço em buscá-lo, antes de sermos buscados, é irrelevante e antipático.
A Bíblia mostra, que desde o princípio, quando o homem pecou, a iniciativa da busca é divina. Foi Deus quem veio ao encontro dos nossos pais camuflados e escondidos, propondo uma salvação. E chamou o Senhor Deus ao homem, e lhe perguntou: Onde estás? Então o Senhor Deus disse à serpente... Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar. Gênesis 3:9,14a,15. A história da salvação é uma sucessão de atitudes de Deus a procura do ser humano, com o propósito de libertá-lo do pecado. Todo empenho do encontro fica por conta da insistência celestial. Jesus veio dos céus a fim de buscar os pecadores: Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19:10. O assunto da salvação foi agendado por Deus e agenciado pelo Espírito Santo, enviando Jesus Cristo como único agente desta empreitada. Nunca estamos mais perto de Cristo do que quando nos encontramos perdidos, maravilhados com seu amor indizível.
Se Deus alguma vez apareceu na terra, visivelmente, foi na pessoa de Jesus Cristo, para promover a reconciliação do homem com Ele. Assim sendo, a conversão é um projeto de Deus, inaugurado por Deus, realizado em Cristo e levado a efeito pelo Espírito Santo, mediante o convencimento do pecador. Em face da resistência do pecado e da rebeldia do pecador contra Deus, o próprio Deus, em sua graça, convence o homem do seu estado de incredulidade e o leva, através da pregação do Evangelho, a querer o que antes era sua indisposição. Quando o Espírito vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo; do pecado, porque não crêem em mim. João 16:8-9. O pecador só passa a se interessar por Deus, quando é convencido pelo Espírito Santo, por meio da pregação da Palavra. Porque Deus nos buscou pela sua graça, nós podemos nos voltar a Ele, movidos por sua misericórdia. Nós amamos porque Ele nos amou primeiro. 1 João 4:19. Porque Ele me buscou com seu amor incondicional, meu coração foi conquistado pelo seu favor imerecido. A graça me convenceu; a graça me conquistou; a graça me levou a escolher a conversão, como uma decisão responsável.
A conversão é um processo de origem divina que culmina com uma preferência persuadida pela suficiência da graça. Não há coação nem imposição constrangedora. Nem uma pessoa é salva fora de sua resolução volitiva, mesmo sabendo que ninguém por si mesmo ambiciona esta deliberação. Se um homem pudesse desejar ele mesmo ser salvo, com a mesma facilidade poderia mudar de idéia e desejar perder a salvação. Mas somos capacitados pela graça a concluir a necessidade da decisão pessoal, apesar de verificar, que a vontade do homem no pecado não é livre, pois é escrava dos desejos e instintos depravados. Mesmo assim, Deus não violenta a decisão humana, mas con-vence o coração de tal modo, que deliberadamente resolve assumir a graça da decisão comprometida. Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças... Não é um esforço do homem para conseguir a conversão, mas uma determinação proveniente de uma capacidade oriunda do poder de Deus.
A conversão é um milagre e uma realização. É um processo soberano da graça divina e uma decisão persuadida da responsabilidade humana. É Deus quem nos converte, mas também somos convertidos e nos convertemos. Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Convertei-vos agora dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem me atenderam, diz o Senhor. Zacarias 1:4. O imperativo verbal não é exigência impossível. Quando Jesus ordenou ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e anda, não estava requerendo o impossível de um aleijado. Ao mesmo tempo que ordenava, habilitava. Convertei-vos, não é importunação de implicância, mas requisito da competência concedida por Deus.
A conversão tem toda uma motivação e operação divina, contudo tem um consentimento pessoal determinado pela graça de Deus. O grande poder de Deus na conversão de um pecador é a mais misteriosa de todas as suas obras, pois efetua tanto o querer como o realizar da sua boa vontade, sem jamais coagir a responsabilidade moral de cada pessoa. Nenhum homem pode ser convertido se Deus não o converter. Nenhum homem pode ser convertido se não se converter. Nenhum homem se converte se não quiser. Nenhum homem pode querer se Deus não agir mediante a sua graça, convencendo a sua vontade. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á. Mateus 16:25.
É Deus o causador de todo o processo de conversão, mas nunca podemos permitir que nossa teologia nos roube nossa responsabilidade. Somos moralmente responsáveis diante de Deus porque somos feitos à imagem de uma Divindade moral. A verdadeira conversão requer decisão ante a realização divina. A fé é um dom de Deus, mas também é uma posição do homem em face da graça operante. O arrependimento é uma dádiva da bondade de Deus, mas também é uma atitude humana em relação ao seu estado de pecado. O homem natural nunca deseja Deus, mas precisa, pela operação da graça divina, querer de modo efetivo a sua conversão, a fim de ser convertido. O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve diga: Vem! Aquele que tem sede, venha,
e quem quiser receba de graça a água da vida. A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao Senhor. Apocalipse 22:17, Atos 11:21. Não há conversão sem que Deus tenha convertido. Não há convertido que não se converteu. Converte-me, e serei convertido, porque tu és o Senhor, meu Deus. Na verdade, depois que me converti, arrependi-me; depois que fui instruído, bati no peito. Jeremias 31:18c, 19a.

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