O
EXTERMÍNIO DE UM
MODELO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
O
fato de uma mulher poder parir, não a transforma em mãe. A
procriação é um ato puramente animal, que assegura a preservação
da espécie, mas a maternidade tem um sentido que vai além da
reprodução. Ser fêmea não é a mesma coisa do que ser mulher
feminina, por isso, ser apenas uma matriz, não é ser mãe.
A mãe
é bem mais do que uma genitora. O seu papel supera em muito as
fronteiras da concepção no espaço uterino, e o lance da
amamentação tem proporções que excedem ao simples gesto animal do
aleitamento.
A
maior missão que a mulher tem nesse mundo é a prerrogativa de ser
mãe. Mas lembre-se das palavras de Goethe: o
simples fato de ter
filhos não torna a
mulher mãe. Uma fêmea pode gerar uma
prole, e ainda assim não ser uma mãe. Essa é uma função além do
parto, que parte para a formação do caráter.
O
grande colapso na sociedade atual passa primeiramente pela falência
do desempenho materno. A função de mãe está em extinção. Temos
até muitas matrizes, porém faltam mães no mundo. Conceber uma cria
não é o mesmo que criar um filho.
O
apóstolo Paulo não é muito bem visto pela ótica feminista
moderna, pois ele encara o encargo de ser mãe como o ministério
fundamental da mulher. Ele sustentava que a mulher não deveria se
envolver com algo menor do que a sua grande missão. E reitera:
Todavia, será
preservada através
de sua missão
de mãe, se
ela permanecer
em fé, e
amor, e
santificação, com
bom senso. 1
Timóteo 2:14-15.
No
mundo moderno a fé evaporou-se, o amor virou lixo, a santificação
sumiu do mapa e o bom senso, no consenso geral, foi transformado em
contra-senso.
A
mãe, como o imã do lar, é um assunto fora de moda. Mas vale a pena
tecer alguns comentários. A história está cheia de pessoas que dão
o maior valor às suas mães. Abraham Lincoln
dizia: tudo quanto sou ou
espero ser devo à
minha mãe. Victor Hugo,
que parece ser o autor desse pensamento, afirmava: a mão
que embala o berço
governa o mundo, sendo assim,
arremata o provérbio português: Quem
pariu Mateus que o
embale.
O
epitáfio sobre o túmulo
da mãe do primeiro presidente americano, George Washington, é o
seguinte: Maria, a mãe de
Washington. Se ele foi quem foi, deve a Deus que o salvou
e à sua mãe que o criou no temor do Senhor.
O
imperador Napoleão afirmou que a
futura conduta, boa ou
má, de uma criança
depende unicamente da mãe.
Creio que há um pouco de exagero nisso, mas há muito de verdade
nessa afirmação. A Bíblia freqüentemente relaciona a conduta
adequada de alguns reis do povo israelita, ao papel positivo dos
pais, ressaltando de forma marcante, numa sociedade machista, a
figura materna.
Vou
dar um exemplo, entre muitos que a Escritura apresenta: Tinha
Joás sete
anos de idade
quando começou
a reinar e
quarenta anos
reinou em
Jerusalém. Era
o nome de
sua mãe
Zíbia, de
Berseba. Fez
Joás o que
era reto
perante o
SENHOR todos
os dias do
sacerdote Joiada.
2 Crônicas
24:1-2. Aqui vemos uma mãe marcante
confirmando essa tese influente e conformando apropriadamente a
conduta do seu filho no cenário político e social.
Theodore
Cuyler pontuou de forma definida o tema em questão:
O progresso do Reino
de Cristo depende mais
da influência fervorosa,
sábia e piedosa das
mães, que de quaisquer
outros elementos. Talvez por isso, o
apóstolo Paulo se torna muito incisivo quando comenta a experiência
da fé genuína na vida espiritual do jovem Timóteo: pela
recordação que
guardo de tua
fé sem
fingimento, a
mesma que,
primeiramente, habitou
em tua avó
Lóide e em
tua mãe
Eunice, e
estou certo
de que
também, em
ti. 2 Timóteo
1:5. Vemos claramente aqui uma corrida de
revezamento; a fé passa de mãe pra mãe.
Lóide,
a mãe de Eunice, foi um exemplo de fé sem falsidade. Eunice, a mãe
de Timóteo, seguiu o modelo da fé sem hipocrisia. As mães sem
máscaras não mascaram a vida dos filhos e com um padrão de vida
transparente influenciam gerações. Como insiste Eleanor
L. Doan, o mundo
está mais ansioso em
contemplar aqueles que
mostrem a sua fé,
do que aqueles que
a defendem.
Fala-se
muito, hoje em dia, em mulheres empresárias e mulheres executivas.
Mas fala-se muito mais em filhos executores que acabam executados,
gente traumatizada e famílias esfaceladas. Será que há alguma
relação estreita entre uma coisa e outra?
A
mulher, por séculos, foi um capacho numa sociedade tirana de macheza
alucinada. Durante esse tempo ela foi tratada como mero objeto de
consumo. Atualmente ela vem alcançando posição de destaque e
ocupando lugares relevantes no cenário social. Mas alguma coisa
parece não estar totalmente correta. Não sou daqueles que acham que
o lugar da mulher é na cozinha e no tanque, como dona de casa. Mas a
questão é: quem vai fazer o papel da mãe? Quem vai educar o filho?
A babá? Os professores?
Espero
que a associação feminista não venha babar de raiva, com o que vou
dizer. Sei que nessa época, ter uma baby-sitter para
cuidar dos filhos, muitas vezes, é imperioso. Mas, a bem da verdade,
não coloque o bem mais precioso que você tem aos cuidados apenas de
uma babá. Uma ama-de-leite não pode estimar o deleite que o seu
filho causa ao coração, nem aprecia o valor do bebê, que você
tanto ama. Ninguém pode substituir a mãe na educação do filho.
Não basta dar presentes para o filho. Você, como mãe, precisa
estar presente no desenvolvimento emocional da criança.
Uma
mãe vale mais do que dezenas de professores. Só ela é capaz de
ensinar os bons modos que o amor constrói. Um bom exemplo é mais
importante do que enxurrada de informações e esse investimento na
educação significa economia com psicólogos, casas de recuperação,
advogados e outros instrumentos usados para amenizar o Deus-nos-acuda
da carência materna.
A
ausência da mãe na educação dos filhos é uma das causas
principais da deformação familiar em qualquer época e
principalmente nos dias atuais. Nenhuma pessoa pode suprir a mãe na
formação do caráter do seu filho, e somente a verdadeira mãe tem
as condições de compensar o amor e a firmeza, na medida certa. Esse
vazio da mãe no lar vem causando uma profunda crise de identidade
nas crianças.
A mãe
é um modelo proativo que estabelece um padrão centrado em
princípios, para que seu filho possa imitar. A brecha causada pela
falta da mãe no desenvolvimento da criança é um drama que tem
proporções de tragédia. Até um fio
de cabelo projeta a
sua sombra, sendo assim, a maneira mais
eficiente de ensinar, é ser um exemplo no lar. Como disse Walter
Knight, o exemplo é
um idioma que todos
os homens podem
compreender. Quando falta o modelo da mãe na casa, a
criança fica sem uma bitola estável.
Não
é exagero: quase sempre, o equilíbrio da personalidade é fruto de
um lar compensado. E a harmonia do lar comumente cruza pela estrada
de uma mãe que tem a cabeça arejada e o coração aquecido. Um
pouco de bom senso,
um pouco de tolerância
e um pouco de
bom humor, e você
não imagina como poderia
tornar agradável a sua
permanência neste planeta
e como tornaria mais
feliz o relacionamento com
os outros.
O
modelo de mãe encontra-se na UTI, em estado terminal. Muitas
mulheres estão mais preocupadas com o sucesso profissional, do que a
sua missão de mãe. Porém, vale a pena tentar reanimá-lo, pois não
há incumbência mais significativa do que criar filhos, já que as
mães têm nas mãos hoje, o destino do futuro do mundo.
Joquebede,
a mãe de Moises, não viu alternativa para salvar seu filho, diante
das atrocidades do Faraó, senão colocá-lo num cesto betumado, no
rio Nilo, para ser encontrado pela princesa. Teve também a precaução
de deixar Miriam, sua filha, como vigia, cuidando dos detalhes.
Quando
a filha de Faraó encontra o menino, Miriam se apresenta propondo uma
criadeira para tomar conta da criança. Só que a ama era a própria
mãe, aquela que verdadeiramente ama o filho, de todo o coração. A
princesa manda chamar a mulher, e lhe oferece uma remuneração para
criá-lo. Então, lhe
disse a filha
de Faraó:
Leva este
menino e
cria-mo; pagar-te-ei
o teu
salário. A
mulher tomou
o menino e
o criou.
Êxodo 2:9.
O
salário de uma mãe é o privilégio inexprimível de criar o filho
para a glória de Deus, cultivando um afeto profundo com a família,
por meio da saúde emocional favorecida pelo amor integral, e
transformando-o num instrumento de bênção na sociedade. Pena é,
que este modelo está sendo aniquilado. Deus, salve as mães!
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