A CRUZ,
NA CRUZ
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/05/1998
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/05/1998
A
cruz de
Cristo é
a matéria
mais subversiva
que campeia
nos limites
do pensamento
humano. Não
há tema
que perturbe
mais a
coerência da
lógica e
cause tantos
desacordos, inconformidades,
polêmicas e
perseguições como
a mensagem
oriunda da
cruz. Por
mais agudeza,
que o
homem seja
dotado, e
por mais
penetração, que
tenha no
terreno do
entendimento, a
pregação de
Cristo crucificado,
sempre se
constituirá numa
aberração no
âmbito de
sua compreensão
natural. Há
uma insuficiência
na descrição
do assunto,
e há
uma grande
inconsistência na
argumentação, ao
nível da
inteligência humana.
Então, nada
mais justo
do que
considerar a
pregação da
cruz, uma
demência desvairada.
Para o
homem natural
a proclamação
de Cristo
crucificado é
uma alienação
mental, fruto
de um
desatino insano,
insustentável e
extravagante. Só
os dementes
são capazes
de elaborar
uma teoria
tão inconsiderada
e absurda,
como esta
que anuncia
a vitória
plena, por
meio da
morte. Como
pode uma
rendição se
constituir num
triunfo? Quando
foi que
a renúncia
redundou em
glória? Não
há qualquer
sinal de
normalidade neste
tipo de
argumentação, é
o que
supõe o
ser humano.
Entretanto,
a mensagem
da cruz
é um
projeto que
precede a
fundação do
mundo. É
um plano
elaborado pelo
raciocínio de
Deus, que
visa anular
a elevação
dos sentimentos
de grandeza,
produto da
altivez do
pecado. Como
um perfeito
arquiteto, Deus
já previu
o escape,
antes que
houvesse o
acidente. Ele
idealizou a
saída de
emergência, antes
que surgisse
a possibilidade
do incêndio.
Foi dentro
de um
enfoque abrangente,
que o
apóstolo Pedro
disse: Sabendo
que
não
foi
mediante
coisas
corruptíveis,
como
prata
ou
ouro,
que
fostes
resgatados
do
vosso
fútil
procedimento
que
vossos
pais
vos
legaram,
mas
pelo
precioso
sangue,
como
de
cordeiro
sem
defeito
e
sem
mácula,
o
sangue
de
Cristo,
conhecido,
com
efeito,
antes
da
fundação
do
mundo,
porém
manifestado
no
fim
dos
tempos,
por
amor
de
vós.
1Pedro
1:18-20.
A cruz
não é
incidente de
percurso, nem
um acidente
na história.
A graça
de Deus
já havia
providenciado uma
alternativa ante
a realidade
possível do
pecado. João,
na revelação
que teve
na ilha
de Patmos,
fala do
Livro da
Vida
do
Cordeiro
que
foi
morto
desde
a
fundação
do
mundo.
Apocalipse
13:8b.
Não resta
dúvida que
a cruz
fazia parte
dos propósitos
de Deus,
e que,
o plano
de Deus
para a
salvação não
é uma
decisão para
remediar uma
situação; ele
antecede a
obra da
criação.
Deus não
foi surpreendido
pela presença
do pecado,
nem teve
que improvisar
uma alternativa
inesperada, para
o sobressalto
de última
hora.
O
recado da
cruz já
estava preparado,
pois, o
pecado mal
havia se
instalado e
Deus se
apresenta com
a notícia
evangélica daquele
que seria
ferido no
seu calcanhar.
Quando Deus
interpelou a
serpente, deixou
bem claro
que haveriam
ferimentos dos
dois lados,
uma vez
que a
morte do
representante da
humanidade atingiria
em cheio
a cabeça
daquele que
tinha o
poder da
morte. Porei
inimizade
entre
ti
e
a
mulher,
entre
a
tua
descendência
e
o
seu
descendente.
Este
te
ferirá
a
cabeça,
e
tu
lhe
ferirás
o
calcanhar.
Gênesis
3:15.
Ficou ainda
mais patente
a objetividade
da morte
como resultado
do pecado
e a
veridicidade da
cruz como
seu executivo,
quando fez
o
Senhor
Deus
vestimenta
de
peles
para
Adão
e
sua
mulher
e
os
vestiu.
Gênesis
3:21.
A morte
dos animais
apela para
a existência
do sacrifício
e nos
leva a
concluir que,
posteriormente, Abel
foi aceito
em razão
de sua
oferta está
determinada nos
limites do
Cordeiro que
havia sido
imo-lado antes
da fundação
do mundo.
Toda
a história
do povo
de Israel
se realiza
sob o
emolduramento saliente
do Cordeiro
substituto. A
demonstração mais
clara deste
ponto foi
o episódio
em que
Abraão ofereceu
o seu
filho Isaque,
em holocausto,
e no
momento crucial,
aparece o
cordeiro. O
sacrifício do
cordeiro passou
por todas
as épocas
da história
de Israel,
apontando sempre
para o
evento da
cruz de
Cristo. E
sob a
luz desta
visão, os
profetas traçaram
um perfil
nítido daquele
que era
desprezado
e
o
mais
rejeitado
entre
os
homens,
homem
de
dores
e
que
sabe
o
que
é
padecer;
e,
como
um
de
quem
os
homens
escondem
o
rosto,
era
desprezado,
e
dele
não
fizemos
caso
algum.
Isaías
53:3.
A cruz
é uma
senda que,
aos olhos
do mundo,
torna-se
desonrosa e
cheia de
afrontas.
Mas a
cruz é
o único
caminho para
a coroa.
Ela reflete
uma verdade
sin-gular, capaz
de atingir
profundamente o
núcleo do
egoísmo humano.
A
grande mensagem
do cristianismo
deriva substancialmente
dos efeitos
eternos da
cruz. Sua
abordagem é
o tema
mais relevante
de toda
a Bíblia.
Podemos nos
pronunciar sobre
todas as
matérias da
Bíblia, mas
se descuidarmos
da prédica
que destaca
Cristo crucificado,
omitimos a
mensagem que
engloba o
poder de
Deus e
manifesta a
sua sabedoria
eterna e
soberana. A
ênfase na
pregação de
Cristo crucificado
é o
assunto de
mais urgência
e que
requer insistência
e persistência.
O apóstolo
Paulo radicaliza
sua posição
com estas
palavras: Porque
decidi
nada
saber
entre
vós,
senão
a
Jesus
Cristo
e
este
crucificado.
E
foi
em
fraqueza,
temor
e
grande
tremor
que
eu
estive
entre
vós.
A
minha
palavra
e
a
minha
pregação
não
consistiram
em
lin-guagem
persuasiva
de
sabedoria,
mas
em
demonstração
do
Espírito
e
de
poder,
para
que
a
vossa
fé
não
se
apoiasse
em
sabedoria
humana,
e
sim
no
poder
de
Deus.
1Coríntios
2:2-5.
O
inferno coloca
todo o
seu arsenal
contra a
pregação que
enfoca e
ressalta a
sublimidade da
cruz de
Cristo, porque
esta mensagem
ataca frontalmente
todos os
interesses escusos
e perversos,
que se
misturam na
fachada da
religiosidade hipócrita.
Os inimigos
da cruz
de Cristo
tentam por
todos os
motivos crucificar
a cruz,
com a
sua pregação.
E a
tática mais
requintada desta
estratégia é
desfazer o
escândalo da
cruz ou
pretender anular
o seu
valor. A
Bíblia mostra
que tanto
os
judeus
pedem
sinais,
como
os
gregos
buscam
sabedoria,
mas
nós
pregamos
a
Cristo
crucificado,
escândalo
para
os
judeus,
loucura
para
os
gentios;
mas
para
os
que
foram
chamados,
tanto
judeus
como
gregos,
pregamos
a
Cristo,
poder
de
Deus
e
sabedoria
de
Deus.
1Coríntios
1:22-24.
Os judeus
representam a
religiosidade legalista
e o
formalismo comportamental
que pretende
incutir vida
espiritual a
partir da
prática exterior
de regras
e preceitos.
Em Gálatas
5:11,
o apóstolo
mostra que
o exercício
da circuncisão
desmancha o
escândalo da
cruz. Eu,
porém,
irmãos,
se
ainda
prego
a
circuncisão,
por
que
continuo
sendo
perseguido?
Logo,
está
desfeito
o
escândalo
da
cruz.
Tudo aquilo
que eu
exerço, que
faz minguar
a totalidade
da obra
da cruz,
constitui-se num
instrumento de
diluição da
radicalidade escandalosa
do poder
de Deus,
revelado pela
cruz. Por
outro lado,
quando usamos
da excelência
das palavras
e do
esplendor da
filosofia, podemos
cair no
risco de
invalidar o
significado da
cruz. Porque
não
me
enviou
Cristo
para
batizar,
mas
para
pregar
o
evangelho;
não
com
sabedoria
de
palavra,
para
que
se
não
anule
a
cruz
de
Cristo.
1Coríntios
1:17.
Esta posição
é a
característica dos
gentios ou
pagãos que
se encontram
no seio
da igreja,
usando de
uma linguagem
requintada e
hermética, que
acaba inutilizando
o valor
singular da
cruz. Desfazer
o escândalo
da cruz
por meio
de procedimentos
formais de
religiosidade, ou
tentar anular
a cruz
com o
idioma legendário
da especulação
vazia são
os expedientes
cruéis da
cultura tumultuosa
do inferno.
A
religião se
interessa com
as evidências
dos sinais.
O perfil
do religioso
é percebido
pelo fascínio
que nutre
em face
do miraculoso.
Se há
prodígio, aí
prolifera o
espírito da
religiosidade. Na
outra ponta,
o mundo
busca a
eloquência da
sabedoria. As
explicações e
os significados
assumem o
comando da
existência, de
tal modo,
que ter
orgulho do
que se
sabe é
demonstração da
maior ignorância.
Entretanto, os
que crêem
no Evangelho
pregam a
Cristo crucificado,
escândalo para
o religioso
milagrento, loucura
para o
secularizado especulador;
contudo, poder
de Deus
e sabedoria
de Deus,
para os
que crêem.
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