NA CORTE
DA CORTESIA
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/05/1998
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/05/1998
"Quando
a rainha
Vitória veraneava
no Castelo
de Balmoral,
costumava fazer
longas caminhadas
pelas propriedades
rurais das
cercanias, inteiramente
incógnita. Em
uma destas
escapadas, vestindo-se
com trajes
campestres, fez-se
acompanhar à
distância por
um fiel
criado.
Ao
longo de
uma sinuosa
estrada, encontrou-se
com um
rebanho de
ovelhas, que
vinha sendo
tangido por
um jovem
camponês, o
qual, preocupado
com uma
possível debandada
dos animais,
gritou colérico:
- Saia
da estrada,
velha estúpida!
A
rainha sorriu,
procurou ocultar-se
em uma
das margens
da estrada,
mas nada
disse. Quando
o seu
servo chegou
perto do
irritado pastor,
informou-lhe que
aquela senhora
era a
rainha da
Inglaterra!
Ué!
- replicou
o constrangido
moço -
e por
que ela
não se
veste como
rainha?"
Este
episódio demarca
a formalidade:
como as
pessoas normalmente
encaram as
pessoas! Precisamos
identificar quem
são aqueles
que merecem
o nosso
tratamento mais
atencioso. Na
hierarquia dos
valores humanos,
há pessoas
que se
distinguem, e
conseqüentemente, exigem
uma acolhida
diferenciada. Se
a rainha
estivesse aparamentada
de rainha,
com toda
segurança, o
jovem pastor
teria demonstrado
o seu
respeito e
consideração. Não
resta dúvida
que ele
seria polido
com Sua
Majestade e
daria prova
de seu
maior respeito.
No entanto,
sua civilidade
era apenas
uma praxe
decorrente de
uma etiqueta
rigorosa, delimitada
pela aparência,
e nada
mais.
As
regras dos
cerimoniais impõem
comportamentos e
reclamam posturas
adequadas diante
daqueles que
exibem ou
aparentam importância.
Somos constrangidos
pelos papéis
desempenhados no
formalismo da
exterioridade. A
capa pode
ser o
disfarce que
ostenta a
exigência de
uma conduta
fingida, sem
qualquer sentido
de cortesia.
Muitas vezes
o orgulhoso,
trajando um
vestuário fino,
intimida o
espírito simples,
requerendo sua
reverência. Porém,
a vida
cristã genuína
assume a
característica de
verdadeira autenticidade.
O amor
seja
sem
hipocrisia.
Detestai
o
mal,
apegando-vos
ao
bem.
Amai-vos
cordialmente
uns
aos
outros
com
amor
fraternal,
preferindo-vos
em
honra
uns
aos
outros.
Romanos
12:9-10.
Não há
pretextos ou
formalidades no
âmago da
experiência cristã.
Prefiro arriscar-me
nos perigos
de um
tufão de
empolgação
religiosa a
experimentar o
ar parado
do formalismo
excessivo.
Prefiro a
autenticidade robusta
do amor,
ao comprometimento
covarde em
razão das
aparências. Prefiro
o grito
desesperado do
jovem pastor
diante da
mulher que
estorvava a
passagem do
seu rebanho,
do que
a urbanidade
fingida em
conseqüência da
indumentária da
rainha, constituindo-se
numa mordaça
da verdade.
Esta diplomacia
circunstancial é
um ridículo
chaleirismo.
Contudo,
a verdadeira
cortesia tem
postura e
procedimento. Não
podemos compactuar
com esta
mentalidade fingida
das aparências,
nem com
a rudeza
estúpida dos
destemperados. Há
um provérbio
francês que
ensina: Falar
bondosamente
não machuca
a língua.
A gentileza
não requer
distinção pessoal.
Não era
só a
rainha que
deveria ser
tratada com
delicadeza, mas
a mulher
estranha, que
passeava naquela
estrada. E
ao
servo
do
Senhor
não
convém
contender,
mas
sim
ser
brando
para
com
todos,
apto
para
ensinar,
paciente.
2Timoteo
2:24.
A suavidade
de Cristo
é o
ornamento
gracioso que
o crente
deve usar.
Não é
preciso ser
hipócrita, para
se ser
distinto. A
nobreza do
evangelho marca
a elegância
das atitudes.
Ser brando
no trato,
é um
retrato do
caráter cristão.
A
sabedoria
do
céu
é...
tratável.
Tenho
visto algumas
pessoas que
esboçam formas
grosseiras em
nome do
verdadeiro, legítimo
e positivo.
Brutalidade nada
tem haver
com identidade,
mas com
falta de
princípios ou
educação. Podemos
ser verdadeiros,
e amáveis.
Legítimos, mas
amenos. Positivos,
e ainda
assim, graciosos.
Que a
ninguém
infamem,
nem
sejam
contenciosos,
mas
cordatos,
mostrando
toda
mansidão
para
todos
os
homens.
Tito
3:2.
Alguém já
disse que
a cortesia
é uma
moeda que
circula,
independente de
câmbio, em
qualquer nação.
Podemos discordar
com fidalguia,
sem nos
tornar desagradáveis.
Nada
custa tão
pouco e
tem tão
sublime alcance
como a
cortesia,
afirmava Eleanor
L. Doan.
A delicadeza
abre portas
de ferro
e conquista
a atenção
de estátuas
de pedra.
Fomos redimidos
não somente
para sermos
legalmente salvos,
mas também
para sermos
moralmente sadios
e cordialmente
gentis. Podemos
realizar muito
mais em
prol do
evangelho, sendo
caridosos e
polidos, do
que qualquer
outra forma
de atuação.
Por isso
mesmo
vós,
empregando
toda
diligência,
acrescentai
à
vossa
fé
a
bondade,
e
à
bondade
o
conhecimento,
e
ao
conhecimento
o
domínio
próprio,
e
ao
domínio
próprio
a
perseverança,
e
à
perseverança
a
piedade,
e
à
piedade
a
fraternidade,
e
à
fraternidade
o
amor.
2Pedro
1:5-7.
Fé sem
bondade é
fraude. Bondade
sem conhecimento
é legítima
ostentação. Conhecimento
sem domínio
próprio acaba
em intolerância.
Domínio próprio
sem perseverança
só revela
exibicionismo. Perseverança
sem paciência
é pura
arrogância. Paciência
sem fraternidade
é obstinação.
Fraternidade sem
amor é
a invenção
da falsidade.
Amor sem
cortesia é
a impostura
da vaidade
egoísta, menos-prezando
o próximo.
O amor
nunca se
regozija com
a ruína
da reputação,
ou a
descoberta dos
pecados, erros
ou hipocrisias
de outrem,
por mais
indigno que
alguém se
apresente, o
amor delicado
sempre se
porta com
consideração e
age com
respeito.
A
regra dos
quatro esses
pode caracterizar
muito bem
o contexto
da verdadeira
cortesia. Sinceridade,
Simplicidade, Simpatia
e Serenidade.
Quando estas
quatro palavras
fazem parte
simultaneamente da
linha de
conduta, temos
traçado a
reta da
delicadeza amorosa,
que distingue
qualquer linguagem.
A sinceridade
e a
verdade são
as bases
de todas
as virtudes.
Alguém já
disse: Prefiro
os que
dizem não,
com
sinceridade,
aos que
dizem sim,
vacilantes.
Por outro
lado, a
sinceridade precisa
ser acompanhada
da simplicidade.
A sobriedade
é o
tapete que
a honra
pisa. Que
nossa sinceridade
jamais desprestigie
a singularidade
da singeleza
de coração,
pois a
simplicidade sempre
mantém as
pessoas simpáticas.
A simpatia
consiste num
parentesco dos
sentimentos, enquanto
a antipatia
se define
como o
divórcio das
vontades. Embora
a beleza
seja o
privilégio de
alguns, a
simpatia pode
ser um
ensejo para
que todos
progridam nesta
estima, desde
que marcados
de serenidade.
H. Spencer
dizia que:
O sinal
mais autêntico
do poder
não aparece,
propriamente,
no tom
exaltado de
voz, mas
na serenidade.
As relações
ficam sempre
mais estreitas
quando agimos
com serenidade.
O mundo
se torna
mais agradável
quando o
nosso procedimento
revela tranqüilidade.
Jesus nos
assegura: Vós
sois
o
sal
da
terra.
Mas
se
o
sal
se
tornar
insípido,
com
que
se
há
de
salgar?
Para
nada
mais
serve
senão
para
ser
lançado
fora
e
pisado
pelos
homens.
Mateus
5:13.
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