O PROGRESSO
SEM REGRESSO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/08/1998
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/08/1998
O cristianismo se caracteriza
primeira-mente pela pessoa de Cristo. Cristianismo é antes de tudo,
Cristo alcançando os homens. Thomas Arnold disse que a
diferença entre o
cristianismo e todos os
outros sistemas religiosos
consiste principalmente nisto:
Em todas as religiões
vê-se o homem procurando
a Deus, enquanto no
cristianismo temos Deus
procurando o homem. A fé
cristã baseia-se em Deus estreando a sua graça.
A obra da salvação tem sua
iniciativa no coração de Deus e sua execução, na pessoa de
Cristo. O plano e o
pro-pósito de Deus em
salvar são tão eternos
como Ele próprio. Nenhum
pecador jamais foi salvo por seu interesse pessoal por Deus, nem pela
sua diligência em dar o seu coração a Jesus. Somos salvos pela
atividade soberana da graça de Deus, ao nos atingir em cheio, por
meio da obra de Cristo. Mas, quando
se manifestaram
a bondade e
o amor pelos
homens da
parte de
Deus, nosso
Salvador, não
por causa de
atos de
justiça por
nós praticados,
mas devido a
sua misericórdia,
Ele nos
salvou pelo
lavar regenerador
e renovador
do Espírito
Santo, que
Ele derramou
sobre nós
generosamente, por
meio de Jesus
Cristo nosso
Salvador, a
fim de que,
justificados por
sua graça,
nos tornemos
seus herdeiros,
tendo a
esperança da
vida eterna.
Tito 3:4-7 (NVI).
Cristo não é apenas o Salvador, mas também a própria salvação.
Foi Ele quem realizou, em nosso benefício, a obra da salvação, e é
Ele quem opera em nós, os efeitos eternos da salvação. Todos
os dias podemos ver
algumas coisas novas em
Cristo. O rio do
seu amor não tem
margem nem fundo.
A salvação não é uma apólice de
seguro adquirida por nós, para nos ressarcir dos prejuízos
decorrentes do pecado. Antes de qualquer coisa, a salvação é o
testamento da graça de Deus concedida aos pecadores indignos, pelos
méritos de Cristo. Somos alcançados inicialmente pela suficiente
graça de Cristo e nos tornamos, deste modo, dependentes por inteiro
desta graça, para o nosso progresso. Pois é
pela graça
que vo-cês
são salvos,
mediante a
fé. Isso não
depende de
coisa alguma
que vocês
tenham alcançado
– é um
presente gratuito
de Deus; e
por não ser
algo merecido,
ninguém pode
se vangloriar
disso. Efésios
2:8-9 (CPH). Em razão da integridade da graça,
e, de sua integral realização, no caminho do cristão não há
sindicato, juizado de pequenas causas ou tribunais de apelação. A
vida do cristão não
é lutar por uma
posição, mas a partir
de uma posição. Não somos
nós que conseguimos atingir a justificação dos nossos pecados, mas
pela graça de Cristo recebemos uma posição, que não pode ser
alterada depois de ser concedida.
O programa de Deus que envolve a
salvação do homem não se constitui num paliativo para remediar um
acidente, mas é um projeto que antecede a própria criação. Deus
não foi surpreendido com o pecado, ainda que este não estivesse
nas cogitações positivas da sua arquitetura. Por mais complicado
que nos pareça entender este ponto, a graça preventiva já estava
acionada antes do desastre. E uma vez alcançados pela obra plena de
nosso Salvador, não há meio de anular os resultados permanentes de
sua eterna salvação. Jesus foi seriamente enfático ao afirmar: As
minhas ovelhas
ouvem a minha
voz; Eu as
conheço, e
elas me
seguem. Eu
lhes dou a
vida eterna,
e elas jamais
perecerão; ninguém
as poderá
arrancar de
minha mão.
Meu Pai, que
as deu para
mim, é maior
do que todos
e ninguém as
pode arrancar
da mão de
meu Pai. João
10:27-29.
Uma vez salvos, salvos para sempre.
Mas fomos salvos para uma jornada em frente. Não há retrovisor no
veículo que nos conduz aos céus. Não há retorno ou desistência
na experiência dos verdadeiros e autênticos regenerados. A
salvação implica em navegarmos a barlavento, isto é, a favor do
vento do Espírito. Replicou-lhe Jesus:
Ninguém que,
tendo posto a
mão no
arado, olha
para trás é
apto para o
reino de
Deus. Nós,
porém, não
somos dos que
retrocedem para
perdição; somos,
entretanto, da
fé, para a
conservação da
alma. Lucas
9:62 e
Hebreus 10:39.
Entretanto, a vida dos renascidos
não é uma vida perfeita. Todos aqueles que passaram pela graça do
novo nas-cimento são motivados ao progresso contínuo e persistente
de uma vida espiritual crescente. A estagnação divulga a imperícia,
ou melhor, a falta de experiência. Não podemos
buscar descanso ou
tranqüilidade em um mundo
em que aquele a
quem amamos nunca teve
nada disso. A normalidade sempre aponta para
o crescimento. Não faz parte dos moldes da vida o estacionamento dos
filhotes, crias ou rebentos. O modelo sempre indica o padrão normal:
A vida cresce e progride. Alguém já disse: A
salvação é um capacete,
não uma toca de
dormir. Certamente é uma anomalia o marasmo espiritual. A
paralisia do espírito atesta a ausência de vida espiritual. Os
melhores cristãos que
existem entre nós são
apenas cristãos em
formação. De forma alguma
são produtos acabados.
Irmãos, não penso
que eu mesmo
já tenha
alcançado, mas
uma coisa
faço: esquecendo-me
das coisas
que ficaram
para trás e
avançando para
as que estão
adiante, prossigo
para o alvo,
a fim de
ganhar o
prêmio da
chamada celestial
de Deus em
Cristo Jesus.
Filipenses 3:13-14
(NVI).
Somos salvos, mas não paralíticos.
Não há entrevados no caminho da santidade. Deus não nos chamou
para o imobilismo. Se você cair, não desista: levante-se! O padre
Michel Quoist foi muito feliz nesta idéia: É grave
se continuar no chão
depois que se levou
o tombo, mas é
ainda mais grave sentar-se
à beira da estrada,
crendo que já se
chegou ao fim. Não há
acidentes nem casualidades na vida do cristão. Não fomos chamados
para sermos espectadores da história, mas agentes do reino de Deus
neste mundo. Os empreendimentos na vida cristã não são obras do
acaso. São expressões vivas da graça de Deus na confiante
perseverança naqueles que não desistem. A persistência do cristão
é um sinal maduro da maturidade espiritual. Não
te ponhas de
emboscada, ó
perverso, contra
a habitação
do justo, nem
assoles o
lugar do seu
repouso, porque
sete vezes
cairá o
justo e se
levantará; mas
os perversos
são derribados
pela calamidade.
Provérbios 24:15-16.
A perseverança é um precioso elemento que favorece o êxito. Se o
justo pode cair sete vezes, significa que ele se levanta uma vez
mais. Prosseguir sempre na trajetória cristã é a condição
marcante de uma real experiência de transformação.
Os salvos, verdadeiramente salvos,
continuam avante na sua caminhada. O cristão jamais recua na sua
pere-grinação, diante das dificuldades des-te mundo, nem se envolve
com os sistemas que procuram dissolver a graça de Deus, ou que
minimizam o valor essencial do sacrifício de Jesus Cristo. Não há
fugitivos nem covardes nas fileiras dos mártires, pois o
covarde é alguém que
em emergências perigosas
pensa com as pernas.
No Cristianismo não há lugar para desertores nem coveiros da fé. O
cristão perfeito é aquele
que, tendo consciência de
seus próprios fracassos,
está decidido a avançar
para o alvo, confiante
somente na graça de
Cristo.
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