O
SEGREDO DA QUIETUDE
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Aquietai-vos
e
sabei
que
eu
sou
Deus;
sou
exaltado
entre
as
nações,
sou
exaltado
na
terra.
Salmos
46:10.
Richard
Foster
afirma
que na
sociedade
contemporânea
nosso
Adversário
se
especializa
em
três
coisas:
ruído,
pressa
e
multidões.
O mundo
moderno é
muito
barulhento
e
frenético,
além de
preocupar-se
demais com
as massas.
Estamos
vivendo na
era do
barulho. O
volume do
som que
invade o
ambiente no
circuito
das cidades
é
descomunal.
A emissão
de som
em exagero,
tanto no
espaço
exterior
como nos
recintos
fechados, é
responsável
pela perda
gradativa
da acuidade
auditiva
das
pessoas. O
mundo está
ficando
surdo e
com isso
a zoada
aumenta
ainda mais.
Além
do barulho
externo
excessivo,
há o
tumulto da
alma. O
homem
moderno tem
sido
estimulado
emocionalmente
mais do
que
qualquer
outro da
história
humana, e
em
conseqüência
disso, sua
mente é
muito
agitada. A
excitação
constante
do sistema
nervoso tem
produzido
pessoas
mais
"ligadas"
e
inquietas,
que gritam
por dentro
numa
convulsão
de sintomas
que
assinalam
uma
extraordinária
ansiedade.
O
zunzunzum
do
mundo e
o brado
da alma
são
substâncias
que ateiam
o calor
íntimo das
pessoas,
bloqueando
o repouso
interior.
Somos uma
geração
intranqüila
que corre
de um
lado para
o outro
tentando
achar um
lugar de
lazer, mas
sem muito
êxito.
O
ser humano
não foi
feito para
esse agito.
O primeiro
lar da
raça
adâmica
foi um
jardim
sossegado,
onde o
deleite era
a essência
da comunhão
com Deus.
Ninguém
precisava
buscar lá
fora o
gozo, pois
a vida
com Deus
preenchia o
significado
da
existência.
Hoje, se
vive à
caça do
divertimento
a qualquer
custo e
não há
prazer que
atenda ao
rombo
produzido
pelo
pecado.
Remo
Cantoni
disse
que a
corrida
frenética
aos
prazeres
e
aos
divertimentos
nasce
de
um
desequilíbrio
interior,
do
tédio,
da
intolerância
do
próprio
estado
e
da
necessidade
de
cobrir
o
déficit
psicológico,
lançando
ao
eu
o
maior
número
possível
de
estimulantes
e
reagentes.
Essa busca
externa de
sentido é
o atestado
da falência
interior.
A
grande
necessidade
da alma
é o
descanso.
Jesus fez
uma
proposta
aos seus
discípulos
que sugere
férias no
domínio
dos
sentimentos.
Tomai
sobre
vós
o
meu
jugo
e
aprendei
de
mim,
porque
sou
manso
e
humilde
de
coração;
e
achareis
descanso
para
a
vossa
alma.
Mateus
11:29.
O
Pai fala
de modo
decisivo:
aquietai-vos
e
sabei
que
eu
sou
Deus.
Só na
quietude
podemos
saber que
Deus é
realmente
Deus. É
preciso uma
trégua na
agenda
cheia para
poder
conviver
com o
Pai. O
alvoroço e
a correria
são
obstáculos
para a
comunhão.
Na
academia de
Jesus há
duas
matérias
indispensáveis
para o
alívio da
alma:
mansidão e
humildade.
A mansidão
está
ligada com
o direito
de posse.
Bem-aventurados
os
mansos,
porque
herdarão
a
terra.
Mateus
5:5.
A
humildade
está
relacionada
à posição
do ser.
A
soberba
do
homem
o
abaterá,
mas
o
humilde
de
espírito
obterá
honra.
Provérbios
29:23.
A
mansidão
mexe com
as
prioridades
relacionadas
com o
ter,
enquanto a
humildade
está
ligada às
preferências
do ser.
A pessoa
mansa sabe
administrar
o seu
tempo do
ponto de
vista do
seu maior
tesouro.
Buscai,
pois,
em
primeiro
lugar,
o
seu
reino
e
a
sua
justiça,
e
todas
estas
coisas
vos
serão
acrescentadas.
Mateus
6:33.
A
ênfase da
mansidão é
a
precedência
daquilo que
tem o
maior
valor.
A
humildade
aponta para
o nosso
estado. O
homem é
húmus ou
argila.
Humano é
o pó
que ficou
de pé.
É o
húmus
vivificado
que anda
como gente.
Humilde é
o humano
que se
reconhece
húmus. É
o homem
que depende
inteiramente
de Deus.
A humildade
é pura
honestidade,
pois é
simplesmente
a percepção
da completa
nulidade
humana e
da sua
dependência
total de
Deus.
Sem
mansidão e
humildade
não há
lugar para
Deus na
agenda. O
estardalhaço
da alma
não
permite que
Deus faça
parte de
sua pauta,
por isso
é
imprescindível
o
aprendizado
das
disciplinas
espirituais.
Sendo
assim, é
preciso,
através da
graça
plena,
fazer
aquietar
esse
coração
agitado.
Volta,
minha
alma,
ao
teu
sossego,
pois
o
SENHOR
tem
sido
generoso
para
contigo.
Salmos
116:7.
Deus
quer nos
abençoar e
nós
precisamos
ordenar a
nossa alma
que volte
depressa ao
seu
sossego. Eu
sei que
não é
fácil esse
processo,
tampouco a
nossa alma
o quer,
mas é
a única
alternativa.
Assim
diz
o
SENHOR:
Ponde-vos
à
margem
no
caminho
e
vede,
perguntai
pelas
veredas
antigas,
qual
é
o
bom
caminho;
andai
por
ele
e
achareis
descanso
para
a
vossa
alma;
mas
eles
dizem:
Não
andaremos.
Jeremias
6:16.
Jesus
Cristo é
o caminho
do descanso
e não
podemos
andar por
ele sem
comunhão.
Fiel
é
Deus,
pelo
qual
fostes
chamados
à
comunhão
de
seu
Filho
Jesus
Cristo,
nosso
Senhor.
1
Coríntios
1:9.
Essa
comunhão
espiritual
necessita
de
solitude,
isto é:
tempo a
sós com
a Trindade.
A
intimidade
divina não
é assunto
para as
multidões.
O Senhor
mostrou aos
discípulos
a
indispensabilidade
de
afastamento
dos
observadores,
porque a
confiança
requer
transparência
e
informalidade.
Tu,
porém,
quando
orares,
entra
no
teu
quarto
e,
fechada
a
porta,
orarás
a
teu
Pai,
que
está
em
secreto;
e
teu
Pai,
que
vê
em
secreto,
te
recompensará.
Mateus
6:6.
Jesus
sempre
buscou
lugares
isolados
para
desenvolver
a sua
comunhão
com o
Pai. De
quando em
quando ele
saia
sozinho
para manter
um
relacionamento
mais
estreito
com o
Pai.
Tendo-se
levantado
alta
madrugada,
saiu,
foi
para
um
lugar
deserto
e
ali
orava.
Marcos
1:35.
A
solitude
não é
solidão. É
um momento
em nossa
agenda em
que nos
separamos
das
pessoas, a
fim de
ampliar o
nosso
relacionamento
com Deus.
Apesar de
nos
encontramos
sozinhos
não
estamos
solitários.
Nenhuma
pessoa que
esteja em
comunhão
com Deus
pode
encontrar-se
desacompanhada.
Os
momentos de
retiro são
ocasiões
de
quietude. A
alma
precisa
ficar
sossegada
para poder
ouvir a
voz de
Deus. O
silêncio é
um elemento
fundamental
para
escutar o
som suave
da voz
do Pai.
Veja como
Deus falou
com o
profeta
Elias. Ele
não falou
no meio
do tumulto,
mas na
suavidade.
Depois
do
terremoto,
um
fogo,
mas
o
SENHOR
não
estava
no
fogo;
e,
depois
do
fogo,
um
cicio
tranqüilo
e
suave.
1
Reis
19:12.
O
silêncio é
imprescindível
para poder
ouvir Deus
falar. Ele
é espírito
e a
sua voz
só será
ouvida em
nosso
espírito.
Para isso
é preciso
que
estejamos
calados e
a nossa
alma
serena. O
SENHOR,
porém,
está
no
seu
santo
templo;
cale-se
diante
dele
toda
a
terra.
Habacuque
2:20.
A
pressa, a
algazarra e
as
multidões
são
bloqueios
na comunhão
com Deus.
O sossego,
o silêncio
e a
solitude
são
indispensáveis
para a
comunicação
espiritual.
Não há
atalhos nem
caminhos
mágicos.
Cale-se
toda
carne
diante
do
SENHOR,
porque
ele
se
levantou
da
sua
santa
morada.
Zacarias
2:13.
Aquietai-vos
e
sabei
que
eu
sou
Deus.
Primeiro a
quietude,
depois o
conhecimento
pessoal de
Deus. Nossa
maior
necessidade
é nos
aquietar
silentes
diante do
trono da
graça e
esperar a
revelação
do Pai.
Bom
é
aguardar
a
salvação
do
SENHOR,
e
isso,
em
silêncio.
Lamentações
3:26.
A
solitude, o
silêncio e
a
simplicidade
são
fundamentais
nesse
processo da
quietação
emocional.
Se as
multidões
asfixiam a
pessoa e
a vozearia
transtorna
a calma,
o
corre-corre
assanha a
alma e
extingue
qualquer
centelha de
simplicidade.
A crise
mais aguda
da vida
espiritual
está
relacionada
com a
presunção
de
exclusividade
e
importância.
Há um
grande
risco na
esperteza
da mente.
Mas
receio
que,
assim
como
a
serpente
enganou
a
Eva
com
a
sua
astúcia,
assim
também
seja
corrompida
a
vossa
mente
e
se
aparte
da
simplicidade
e
pureza
devidas
a
Cristo.
2
Coríntios
11:3.
A
simplicidade
esvazia a
ostentação
e
desestabiliza
toda
manifestação
de
esnobismo.
Uma vida
simples não
quer dizer
uma vida
despojada
dos
recursos
que Deus
provê, mas
expressa um
viver
contente na
dependência
do que
Deus tem
providenciado.
A
simplicidade
conhece
o
contentamento
tanto
na
humilhação
como
na
abundância,
por isso,
numa mente
satisfeita
há uma
celebração
permanente.
Matthew
Henry
disse
que aquele
que
está
sempre
satisfeito,
embora
tenha
tão
pouco,
é
muito
mais
feliz
do
que
aquele
que
está
sempre
a
cobiçar,
mesmo
tendo
muito.
A mansidão
e a
simplicidade
são
responsáveis
pela
estabilização
da agenda
de acordo
com as
prioridades
de valor
eterno.
Ainda
quero
ressaltar
que a
descomplicação
é uma
das
características
marcantes
da
simplicidade.
Viver
contente em
qualquer
ocasião e
ser um
facilitador
das
relações
é um
patrimônio
social que
não tem
preço
nesse mundo
da afetação
dos
afetados.
Hoje,
mais do
que nunca,
precisamos
gozar da
quietude
espiritual.
Isso não
é tão
fácil
assim, mas
é
imperioso
que
busquemos o
caminho da
vida íntima
com Deus.
Como
mostrou
Victor
Alfsen,
Deus
pode
fazer
maravilhas
com
um
coração
quebrantado,
se
você
lhe
entregar
todos
os
pedaços.
A
minha alma
é muito
inquieta e
com excesso
de ruído.
Mas não
há
alternativa,
é preciso
aquietá-la
sob o
governo da
graça, a
única
escola
capaz de
levar a
cabo esse
programa,
sem
violentar a
personalidade.
Veja como
o salmista
é
enfático.
Pelo
contrário,
fiz
calar
e
sossegar
a
minha
alma;
como
a
criança
amamentada
se
aquieta
nos
braços
de
sua
mãe,
assim
como
essa
criança
é
a
minha
alma
para
comigo.
Salmos
131:2.
Quero,
porém,
ressaltar
que somente
a graça
de Deus
é
competente
na
aplicação
dos métodos
adequados
para as
disciplinas
espirituais,
e deste
modo, que
o Santo
Espírito
nos conduza
aos
exercícios
graciosos
que nos
capacitem
ao segredo
da
quietude.
Aleluia!
Nenhum comentário:
Postar um comentário