O
CARNICÃO DO CARNAVAL
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Segundo
Jesus
há
dois
tipos
de
nascimento:
o
ato
de
nascer
natural
ou
carnal
e
o
novo
nascimento
sobrenatural
ou
espiritual.
Todos
os
seres
humanos
chegam
nessa
terra
através
de
um
corpo
nascido
da
carne,
mas
para
alguém
poder
entrar
no
reino
de
Deus
precisa
nascer
do
Espírito.
Aquele
que
nasceu
da
carne
necessita
nascer
do
Espírito,
a
fim
de
ser
feito
filho
de
Deus,
pois
o
Espírito
de
Deus
só
se
relaciona
com
o
espírito
do
homem
que
foi
regenerado.
O
próprio
Espírito
testifica
com
o
nosso
espírito
que
somos
filhos
de
Deus.
Romanos
8:16.
O
homem
natural
vive
pelas
leis
da
carne,
uma
vez
que
se
encontra
dominado
pelo
sistema
da
carne,
mas
o
homem
espiritual
tem
uma
outra
esfera
de
influência
completamente
diferente.
Os
dois
princípios
são
divergentes
e
antagônicos.
Não
há
o
menor
acordo
entre
a
carne
e
o
Espírito
nem
uma
aliança
entre
o
carnal
e
o
espiritual.
Porque
a
carne
milita
contra
o
Espírito,
e
o
Espírito
contra
a
carne,
porque
são
opostos
entre
si...
Gálatas
5:17.
O
homem
natural
não
pode
compreender
a
vida
espiritual
dos
filhos
de
Deus.
A
mente
carnal
tem
tanto
interesse
pelas
coisas
espirituais,
como
um
urubu
tem
um
apetite
voraz
por
alpiste.
A
natureza
da
carne
só
se
preocupa
com
as
coisas
da
carne,
e
não
adianta
forçar
essa
tendência
primitiva
dos
instintos
carnais.
Ora,
o
homem
natural
não
aceita
as
coisas
do
Espírito
de
Deus
porque
lhe
são
loucura,
e
não
pode
entendê-las
porque
elas
se
discernem
espiritualmente.
1Coríntios
2:14.
Tudo
na
vida
é
uma
questão
de
pendor,
por
isso,
nada
pode
ser
mais
excêntrico
do
que
um
carnal
tentando
viver
uma
vida
espiritual.
A
extravagância
das
aparências
patenteia
a
tremenda
patetice
da
hipocrisia
que
encobre
a
bicheira
com
o
manto
púrpura,
para,
de
algum
modo,
pretender
ocultar
as
manchas
de
sangue,
sem,
contudo,
poder
disfarçar
o
fedor
do
tecido
podre.
A
conduta
reflete
sempre
a
disposição
que
norteia
a
natureza
da
vida.
Porque
os
que
se
inclinam
para
a
carne
cogitam
das
coisas
da
carne;
mas
os
que
se
inclinam
para
o
Espírito,
das
coisas
do
Espírito.
Romanos
8:5.
A
origem
do
carnaval
começa
na
idade
média,
quando
a
Igreja
oficial
influenciada
pelas
tradições
pagãs,
procura
esvaziar
a
tensão
da
carne
reprimida,
com
uma
licença
artificial,
mas
autorizada
pela
hierarquia
do
poder
eclesiástico.
Já
que
a
mensagem
burocrática
da
religião
não
conseguia
promover
a
conversão
do
homem
carnal
em
espiritual,
o
jeito
foi
permitir
um
tempo
de
vazão,
para
deixar
sair
a
libido
reprimida
pelas
regras
e
regulamentos
dessa
camisa
de
força
legalista.
A
etimologia
da
palavra
carnaval
é
um
tanto
duvidosa.
De
acordo
com
M
Lübke,
o
vocábulo
deriva
dos
termos
latinos,
carne
e
levare,
significando
o
tempo
quando
a
Igreja
suprimia
o
uso
da
carne
no
cotidiano;
todavia
segundo
Petrocchi,
a
origem
vem
das
palavras
latinas
carne
e
vale,
significando:
adeus,
carne!
Essa
é
possivelmente
a
acepção
mais
provável,
pois
reflete
a
tendência
do
esvaziamento
repressivo
que
caracterizava
a
religião
opressora
e
dominante
da
idade
média.
O
carnaval
surgiu
como
uma
associação
complexa
de
três
festas
pagãs:
as
saturnais,
dedicadas
ao
deus
Saturno,
com
toda
a
sua
orgia,
as
festas
dionisíacas,
oferecidas
ao
deus
Dionísio,
patrocinador
das
bacanais,
e
as
festas
lupercais
consagradas
ao
deus
Luperco
ou
Pã,
para
assegurar
a
fertilidade,
e
se
caracterizava
pela
alegria
desabrida,
pela
eliminação
da
repressão
e
da
censura
e
pela
liberdade
de
atitudes
críticas
e
eróticas.
A
receita
foi
na
medida
para
a
propagação
de
um
tempo
de
folguedo,
de
recreio
desobrigado
e
desobediente,
depois
de
tanta
angústia
sufocando
a
carne.
O
bloco
religioso
denominado
evangélico
vem
espiritualizando,
hoje
em
dia,
essa
bagunça
carnal,
com
o
rótulo
de
cristoval,
sob
o
pretexto
de
evangelização
dos
pecadores
e
divertimento
inocente
para
os
jovens
da
igreja.
Com
a
aparência
modificada,
o
festival
da
carne
assume
o
controle
dessa
outra
banda
do
cristianismo,
fomentando
suas
velhas
estratégias
de
esvaziamento
da
pressão
moralista,
de
uma
religiosidade
opressora.
A
espiritualização
dos
festejos
da
carne
tem
causado
uma
confusão
na
identificação
do
perfil
da
verdadeira
experiência
cristã.
A
religião
é
especialista
na
arte
da
santimônia,
isto
é:
a
arte
da
simulação
de
santidade.
Porém
é
impossível
domar
o
homem
velho,
a
ponto
de
torná-lo
um
santo.
A
carne
reprimida
consegue
por
algum
tempo
portar-se
com
boa
aparência,
mas
é
preciso
um
escape
de
vez
em
quando.
A
função
do
carnaval
era
liberar
o
freio
dos
fiéis
por
três
dias,
pra
que
eles
se
tornassem
foliões
e
assim
dessem
expansão
à
carne,
esvaziando
a
tensão
contida
pelo
medo
dos
castigos.
A
carne
refreada
é
uma
tragédia.
Não
há
cabresto
capaz
de
moderar
os
instintos
da
carne,
nem
educação
religiosa
suficientemente
competente
para
represar
a
força
carnal.
Por
mais
que
o
homem
subjugue
sua
carne
com
métodos
repressores,
nada
tem
conseguido
no
sentido
do
descanso
espiritual.
Muita
gente
sincera
tem
procurado
com
todo
empenho
dominar
com
austeridade
os
seus
impulsos
carnais,
mas
sem
qualquer
sossego
na
alma.
O
apóstolo
Paulo
diz
que
tais
coisas,
com
efeito,
têm
aparência
de
sabedoria,
como
culto
de
si
mesmo,
e
falsa
humildade,
e
rigor
ascético;
todavia,
não
tem
valor
algum
contra
a
sensualidade.
Colossenses
2:23.
A
carne
sopeada,
isto
é,
sofreada
é
só
piada.
É
ridículo
tentar
sufocar
os
arrebatamentos
impulsivos
da
carne.
A
história
da
igreja
tem
demonstrado
o
escárnio
picante
de
uma
multidão
que
se
esforça
para
comportar-se
adequadamente
sob
o
patrocínio
legalista
de
uma
conduta
comedida.
É
impossível
alguém
conseguir
domesticar
a
carne,
por
outro
lado,
liberá-la
é
um
horror.
A
carne
sem
governo
é
tragédia
sem
limites,
pois
esse
carnegão
do
carnaval
é
realmente
podre.
Ora,
se
refrear
a
carne
é
impossível,
e
dar
permissão
aos
seus
instintos
é
uma
loucura,
qual
é
então
a
opção
que
temos
diante
do
problema
carnal?
Aqui
entra
o
evangelho
da
graça
realizando
um
milagre
maravilhoso.
Não
há
outro
meio
capaz
de
cuidar
profundamente
do
problema
da
carne,
senão
Cristo
Jesus
crucificado.
A
obra
eficiente
de
Cristo
visa
alcançar
o
pecador
em
toda
a
sua
abrangência.
Primeiro,
a
inclusão
do
pecador
em
Cristo
na
cruz,
depois
a
participação
efetiva
do
salvo
na
experiência
de
fé,
diariamente.
Os
dois
lados
experimentais
da
fé
cristã
se
baseiam
na
verdade
bíblica
da
união
do
pecador
com
Cristo,
e
na
confissão
pessoal
de
fé
sustentada
pela
palavra
de
Deus.
Inicialmente
o
pecador
se
vê
em
Cristo,
sendo
crucificado
com
ele,
e
em
seguida,
os
que
estão
em
Cristo
carregam
diariamente
no
seu
corpo
a
mortificação
do
Senhor
Jesus.
Isso
pode
ser
visto
claramente
nesse
três
versículos
das
Escrituras:
E
assim,
se
alguém
está
em
Cristo
é
nova
criação;
as
coisas
antigas
já
passaram;
eis
que
tudo
foi
feito
novo.
E
os
que
são
de
Cristo
Jesus
crucificaram
a
carne,
com
suas
paixões
e
concupiscências.
Levando
sempre
no
corpo
o
morrer
de
Jesus
para
que
a
sua
vida
se
manifeste
em
nosso
corpo.
Gálatas
5:24,
2Coríntios
5:17
e
4:10.
Ninguém
pode
refrear
a
sua
carne
de
modo
satisfatório
a
ponto
de
gozar
perfeita
tranqüilidade
espiritual,
tampouco
pode
dar
vazão
a
sua
carne
sem
que
sofra
as
conseqüências
de
uma
vida
culposa
e
descontente.
O
carnicão
do
carnaval
é
a
carniça
de
uma
vida
carnal
sem
o
menor
contentamento.
Como
afirma
J
Blanchard,
a
felicidade
superficial
sem
a
santidade
espiritual
é
um
dos
principais
produtos
de
exportação
do
inferno.Entretanto,
aquele
que
nasceu
do
Espírito
mediante
sua
morte
e
ressurreição
juntamente
com
Cristo
pode,
de
fato,
crucificar
a
carne
com
os
seus
desejos,
carregando
pela
fé,
sempre
e
por
toda
parte,
a
mortificação
do
Senhor
Jesus
em
seu
corpo.
Não
se
trata
de
uma
auto-extinção,
nem
de
uma
flagelação
de
si
mesmo,
mas
da
consciência
espiritual
de
fé,
que
revela
a
morte
de
Jesus
na
cruz
como
sendo
de
fato
a
morte
do
pecador.
Eu
estou
crucificado
com
Cristo;
logo,
já
não
sou
eu
quem
vive,
mas
Cristo
vive
em
mim;
e
esse
viver
que
agora
tenho
na
carne,
vivo
pela
fé
no
Filho
de
Deus,
que
me
amou
e
a
si
mesmo
se
entregou
por
mim.
Gálatas
2:20.
A
verdadeira
vida
cristã
não
sufoca
a
carne
com
expedientes
de
subjugação,
mas
por
outro
lado,
não
dá
vazão
aos
seus
desejos
e
apelos
obsessivos,
uma
vez
que
a
convicção
profunda
de
fé
adota
uma
postura
de
levar,
sempre
e
por
toda
parte,
os
efeitos
da
morte
de
Cristo
em
sua
carne,
andando
sob
a
consciência
revelada
pelo
Espírito
Santo
de
que
é
uma
pessoa
morta
para
o
pecado.
Andemos
dignamente,
como
em
pleno
dia,
não
em
orgias
e
bebedices,
não
em
mpudicícias
e
dissoluções,
não
em
contendas
e
ciúmes;
mas
revesti-vos
do
Senhor
Jesus
Cristo,
e
nada
disponhais
para
a
carne,
no
tocante
às
suas
concupiscências.
Andai
no
Espírito,
e
jamais
satisfareis
à
concupiscência
da
carne.
Romanos
13:13-14
e
Gálatas
5:16.
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