A
SINGULARIDADE DA BÍBLIA
Glenio Fonseca Paranaguá
Glenio Fonseca Paranaguá
Temos,
assim, tanto
mais confirmada
a palavra
profética, e
fazeis bem em
atendê-la, como
a uma candeia
que brilha em
lugar tenebroso,
até que o
dia clareie e
a estrela da
alva nasça
em vosso
coração, sabendo,
primeiramente, isto:
que nenhuma
profecia da
Escritura provém
de particular
elucidação; porque
nunca jamais
qualquer profecia
foi dada por
vontade humana;
entretanto, homens
santos falaram
da parte de
Deus, movidos
pelo Espírito
Santo. 2Pedro
1:19-21.
O
segundo domingo de dezembro é definido, pelos evangélicos, como o
dia comemorativo da Bíblia. Temos neste livro uma biblioteca divina
de importância única na história da humanidade, pois se trata da
revelação escrita, do próprio Deus ao homem. O original não diz
que as palavras das Escrituras forma inspiradas por Deus, mas que
foram sopradas por Ele. A Bíblia é literatura de Deus. Foi Deus
quem a soprou aos seus amanuenses. A Bíblia é a carta que Deus nos
enviou, para revelar a sua pessoa. As palavras das Escrituras devem
ser consideradas palavras do próprio Deus, mediante o seu Espírito
que as insuflou no espírito dos homens que as redigiram. Toda
a Escritura é
inspirada por
Deus (no grego: theopneustos, soprado
por Deus) e útil
para o
ensino, para
a repreensão,
para a
correção, para
a educação
na justiça,
a fim de
que o homem
de Deus seja
perfeito e
perfeitamente habilitado
para toda boa
obra. 2Timóteo
3:16-17. Deus agraciou-nos
com sua autobiografia, de
forma que podemos conhecer
e ter seus pensamentos
em todas as áreas
de nossa vida.
A
Bíblia é uma Escritura divina com caligrafia humana. A letra é
terrena mas o conteúdo é celestial. Os escritores
bíblicos não inventaram
suas próprias palavras, de
acordo com as coisas
que haviam aprendido, mas
apenas expressaram as
palavras que receberam. Não
se trata de um produto da observação de pensadores profundos,
capazes de elaborar uma idéia e desenvolver uma teoria altamente
especulativa. A profecia
nunca foi
produzida por
vontade de
homem. Orígenes, um dos pais da igreja,
dizia: As Escrituras vêm da
plenitude do Espírito, de
modo que não há
nada nos profetas, na
lei, no evangelho ou
nas epístolas que não
desça da majestade divina.
A Bíblia fala no timbre da voz de Deus. O Senhor disse, o Senhor falou, veio a palavra do Senhor e expressões semelhantes, aparecem 3808 vezes no Antigo Testamento. A Bíblia não é nada mais do que a voz dAquele que assenta no trono. Cada livro, cada capítulo, cada sílaba, cada letra da Bíblia é um pronunciamento direto do Altíssimo. Não estamos aqui diante de uma produção literária do gênero humano, ainda que o ser humano tenha contribuído para a sua elaboração. João Calvino pontuou muito bem, quando procurou explicar a questão da essência bíblica: Observe... que a mesma reverência que temos para Deus também se deve à Escritura, porque ela procede unicamente dele, e não há nada do homem presente nela. Isto significa que o seu assunto é de autoria divina e todo o seu teor é de única responsabilidade dEle. Deus está comprometido com cada palavra de sua Palavra, e só Ele sabe interpretar a sua própria escrita. Conhecer a Palavra de Deus sem a revelação de Deus é tão impossível como enxergar sem iluminação. Ainda que tenhamos olhos perfeitos, se não houver luz, fica impraticável a nossa visão. O caminho mais curto para entender a Bíblia é aceitar o fato de que Deus está falando em cada linha. Ora, se Deus está falando em cada linha é bom ficar atento em cada palavra. A verdadeira visão do mundo é aquela revelação que Deus nos apresenta pelas Escrituras. Tudo o que precisamos fazer, é ouvir com atenção o que Deus está falando.
A Escritura, a Bíblia Sagrada, é o único livro de autoria de Deus. Da mesma forma como Deus é a única pessoa santa, a Escritura é o único livro santo. Ninguém pode relevar a importância da Bíblia e ficar isento de grandes conseqüências. Porque tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança. Romanos 15:4. Não é possível se chegar a um destino certo quando se vai pelo caminho errado. Há algum tempo atrás houve um acidente aéreo na Amazônia, como resultado de uma má leitura nos instrumentos de orientação de vôo. Quando o piloto pensava que estava chegando no aeroporto, sua rota rumava nas árvores frondosas da floresta. Muitas pessoas morreram em face do terrível desastre. Porém, muito mais sério do que o extravio da rota é a perda de direção quanto à orientação da Palavra de Deus. As Escrituras não nos foram dadas para ampliar o nosso conhecimento, mas para transformar a nossa vida, mediante a revelação do Salvador. Há dois temas dominantes na Bíblia: Um é a narrativa da sedução do homem pelo pecado; outro é a salvação do homem por Cristo. A salvação do ser humano é o propósito último de toda a Bíblia.
John Wesley suplicou com a ênfase de uma alma sedenta: Quero conhecer uma coisa: O caminho para o céu... O próprio Deus dignou-se a ensinar o caminho... Ele escreveu um livro. Oh, dá-me esse livro! A qualquer preço, dá-me o livro de Deus. Neste livro está o mapa que nos localiza corretamente. Está o roteiro que nos ensina o caminho. Está a bússola que nos orienta no rumo certo. Diante da Palavra, todos precisam ceder. Não há outra alternativa: Submeter-se à Palavra de Deus é um ato de fé; qualquer questionamento ou tentativa de alterá-la é demonstração de incredulidade. Não há nenhuma regra mais simples e mais significativa do que esta: Não almejar nada mais do que a conformidade com a vontade de Deus revelada em sua Palavra. A qualificação mais importante exigida do leitor da Bíblia não é erudição, mas, sim, rendição; não é perícia, mas disposição de ser guiado pelo Espírito de Deus. Se não estamos dispostos para obedecer à Palavra de Deus, não seremos capazes de ouvi-la corretamente.
A Bíblia é também uma unidade perfeita. A verdade de Deus sempre concorda consigo mesma. Não há incoerências nem contradições, tudo se encaixa com total precisão. A Bíblia explica a Bíblia. O mesmo Testador fez ambos os Testamentos. O Novo Testamento é um bom intérprete do Velho. Um se completa com o outro, o Antigo é a flor, enquanto o Novo é o fruto. As doutrinas da Bíblia não são isoladas, mas inter-relacionadas; portanto, o ponto de vista acerca de uma doutrina necessariamente afetará o ponto de vista aceito a respeito de outra. A Bíblia é única em unidade e sempre nova em sua atualidade. Os livros em geral, com o tempo, caducam, no entanto, este fenômeno não acontece com a Bíblia. O pregador inglês Spurgeon explicou muito bem esta questão com o seu enfoque: Muitos livros em minha biblioteca estão agora desatualizados. Foram bons enquanto eram novos, à semelhança das roupas que usei quando tinha dez anos de idade; mas, eu cresci e as deixei para trás. Ninguém jamais deixa para trás as Escrituras por ter crescido; esse livro se amplia e é mais conhecido à medida que passam os anos. A atualidade da Bíblia se encontra em sua eternidade. Eterna é a justiça dos teus testemunhos; dá-me a inteligência deles, e viverei. Salmo 119:144
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