quarta-feira, 4 de julho de 2012

CONTRIBUINDO COM O CONTRIBUINTE


CONTRIBUINDO COM O CONTRIBUINTE
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá
Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem com alegria. 2 Coríntios 9:7.
A vida cristã genuína é um produto inteiro da graça de Deus, e a salvação em Cristo engloba todas as esferas da experiência humana. Quando Deus nos salva pela nossa crucificação juntamente com Cristo, salva também nossa mentalidade. Todos aqueles que foram alcançados pela graça de Deus foram transformados radicalmente na sua maneira de viver. Um cristão é alguém que recebeu, na ressurreição com Cristo, a natureza capaz de obedecer alegremente aos decretos de Deus. Não há cristianismo autêntico se não houver alegria no cumprimento das ordens de Deus. Alguém já disse que a alegria é o resultado natural da obediência do cristão à vontade de Deus revelada. É impossível ser cristão verdadeiro e não ser obediente aos mandamentos de Deus. É impossível ser um cristão obediente, de fato, e não ser alegre quando obedece. É possível alguém obedecer sem alegria, mas essa imposição do dever torna-se insuportável. Até agora, não conheci alguém que pague os seus impostos com alegria. O espírito fica indisposto ao pagar imposto.
É possível, também, um verdadeiro cristão desobedecer aos mandamentos divinos. Mas, quando desobedece, fica muito triste. A tristeza freqüentemente acompanha a vida de rebeldia. Ninguém pode ser realmente feliz fora dos propósitos de Deus. Uma pessoa transgressora dos mandamentos de Deus pode até ter sucesso na vida, mas jamais terá contentamento. Satisfação e êxito nem sempre são sinônimos. O bem-estar social não é traduzido como uma vida ditosa. Quanta gente afortunada não é venturosa. Tanto a obediência compulsória como a infração dos princípios de Deus causam descontentamento da alma. E o reflexo deste sentimento é a murmuração.
Uma das esferas que evidenciam uma real experiência com Jesus Cristo é a maneira como lidamos com o dinheiro. O cabresto monetário é mais forte do que se pensa. Ninguém pode ser considerado livre se ainda é dominado pelo poder dominante da economia. Uma pessoa realmente convertida não vive governada pelas conversões financeiras. A salvação da alma é também uma salvação do bolso. Poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa do que a maneira como ela usa o dinheiro, afirma J. Blanchard. Aqui está um retrato nítido de uma legítima conversão. O que fazemos com o dinheiro fala muito de perto da qualidade do nosso caráter cristão. A cruz crucifica a carteira.
Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida. Malaquias 3:10. Deus não precisa de dinheiro. Quando Ele ordena para trazemos todos os dízimos à casa do tesouro não está querendo levar vantagem com esse expediente. Ele não está pedindo algo para si mesmo. O Senhor do universo não vive de gorjetas. A contribuição no reino de Deus não é uma propina para satisfazer as ambições de um Deus ganancioso, nem um meio lucrativo de angariar fundos. Do ponto de vista da verdadeira expressão do cristianismo, a oferta é um tratamento da graça para o medo da falência e as pressões da cobiça. Nós aprendemos a ganhar, quando aprendemos a dar com alegria. O que nos torna ricos neste mundo não é o que tomamos, mas, sim, o que damos com alegria. Uma vida que sabe repartir conhece a matemática do céu muito bem. Mais bem aventurado é dar que receber. Atos 20:35b. Spurgeon dizia que muitos homens ficam de mãos vazias porque não conhecem a arte de repartir. O medo de perder e a ganância por ganhar causam muitos estragos no equilíbrio da personalidade. Muita gente fica segurando com tanto zelo a sua contribuição que acaba ficando atrofiada na manifestação da generosidade. As pessoas raquíticas em contribuir normalmente são miseráveis e mesquinhas. E ninguém é mais desgostoso com a vida do que os sovinas.
A mordomia cristã é a medicina da alma para os efeitos da usura. Quando aprendemos a contribuir com liberalidade e alegria, ganhamos a dimensão espiritual de liberdade e percebemos o significado permanente de emancipação. Não é possível ser um bem aventurado de Deus e viver mal-humorado na obediência à Palavra de Deus. Vida liberta indisposta é contradição. Observância das ordenanças divinas, contrariado, é um sufoco. Ninguém pode viver com autenticidade uma experiência cristã amuada. A alegria na contribuição é o resultado da graça, na vida transformada. Santo Agostinho dizia que o cristão deve ser um "aleluia" da cabeça aos pés. E Lutero reforçava: O cristão deve ser uma doxologia viva. Um cristão sem alegria acaba difamando o seu Salvador e Senhor. A salvação é coisa séria em matéria de alegria. A felicidade no cristianismo está demarcada em cada expressão vivida em fidelidade aos princípios de Deus. Alguém já disse que o segredo da felicidade está profundamente ligado à firmeza da fidelidade. Um homem fiel ao Senhor normalmente é feliz com o Senhor. A obediência sem alegria é tortura. Ser fiel e não ser feliz é escravatura emocional. Por isso, a afirmação categórica da Bíblia é: Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos. Filipenses 4:4. Ser alegre na contribuição e contribuir com alegria de coração é um patrimônio rico de uma eterna salvação, conquistada na cruz. Não basta dar. É preciso dar com liberalidade. Não é suficiente ser liberal. É preciso que a liberalidade seja essencialmente alegre, sem ostentação e cheia de gratidão.
A Bíblia coloca a contribuição como um privilégio. Não é um mero dever, mas um grande prazer. A graça de Deus operou de tal maneira nos crentes da Macedônia que eles buscavam ocasião para serem participantes no ministério das ofertas. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos. 2 Coríntios 8:3 e 4. O apóstolo Paulo demonstra que eles não foram constrangidos a contribuir, mas espontaneamente se tornaram cooperadores dos necessitados. O modelo dos crentes macedônicos é muito diferente do esquema que corre na igreja atual. Hoje em dia, é preciso fomentar o encargo das contribuições. É preciso suplicar. Temos visto poucas pessoas jubilosas quando estão oferecendo sua participação nesse empreendimento. Muitos contribuem por interesse. Há sempre um jogo lucrativo que envolve esse procedimento. Alguns o fazem como rotina, para satisfação das tradições. Outros, ainda, são pressionados pelos sistemas religiosos, mas, a verdadeira motivação nem sempre é focalizada.
Cada um contribua como tiver proposto no coração. A contribuição cristã é assunto do coração. É indício de amor. É desprendida. É voluntária. É evidência de um coração co-crucificado com Cristo. Somente os corações libertos e realmente agradecidos são capazes de ofertar com alegria. Não é possível ser cristão e não contribuir de coração, com alegria e liberalidade, com o espírito da maior gratidão. Todos aqueles que foram convertidos pela graça de Deus em Cristo são verdadeiramente cooperadores privilegiados na obra do reino de Deus. Não há desculpas ou evasivas. Cada um contribua. Ninguém está isento deste ministério, senão os incrédulos avarentos e mesquinhos. Cada um contribua de coração, com alegria, na casa do tesouro, onde está recebendo o alimento espiritual. A participação do contribuinte deve ser sempre ligada ao ministério em que está sendo edificado. Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui. Gálatas 6:6. O contexto aqui dá a entender que nessas coisas boas estão relacionadas também as coisas materiais. Isso pode ser visto ainda no enfoque que o apóstolo Paulo dá, com relação à oferta feita pelos crentes da Macedônia. Isto lhes pareceu bem, e mesmo lhes são devedores; porque, se os gentios têm sido participantes dos valores espirituais dos judeus, devem também servi-los com bens materiais. Romanos 15:27. Não é uma lei de compensação mercantilista, mas a expressão voluntária de um coração transformado pela obra suficiente de Cristo crucificado e profundamente agradecido pela sua crucificação juntamente com Cristo. A contribuição cristã não é um pagamento pelos serviços prestados, mas a materialização do louvor ante a riqueza maravilhosa da graça salvadora, saneadora e santificadora em nossas vidas libertas. Graças a Deus pelo seu dom inefável! 2 Coríntios 9:15.

Nenhum comentário:

Postar um comentário