O
CONHECIMENTO PESSOAL DO
PAI
Glenio Fonseca Paranaguá
Glenio Fonseca Paranaguá
E
a vida eterna
é esta: que
te conheçam
a ti, o
único Deus
verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3.
verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3.
Muita
gente diz que conhece a Deus pessoalmente. Por exemplo, Jó achava
que o conhecia, mas depois admitiu que o seu conhecimento fosse de
segunda mão. Eu te
conhecia só
de ouvir, mas
agora os meus
olhos te
vêem. Jó
42:5. Ele tinha notícias e
noções de Deus que não representavam qualquer traço de
intimidade.
Muita
gente pretende conhecer a Deus intelectualmente. É um saber
designado pelo entendimento teológico. Esse é um esforço na
tentativa da compreensão do absoluto no diâmetro da razão, mas que
sempre esbarra nos limites da metafísica. Por mais explicável que
seja a ciência da cognição divina, nós estaremos em terreno
limitado pelo pensamento tridimensional. A razão não consegue
definir o indefinível. Muita gente não sabe como conhecer a Deus. É
aqui que entra a importância da revelação. O conhecimento de Deus
não é adquirido por diligência pessoal ou método didático. Jesus
foi bem claro quando afirmou: Tudo me
foi entregue
por meu Pai.
Ninguém conhece
o Filho,
senão o Pai;
e ninguém
conhece o
Pai, senão o
Filho e
aquele a quem
o Filho o
quiser revelar.
Mateus 11:27.
Fica
bem evidente nesta afirmativa que o conhecimento de Deus é um
assunto de revelação. Nem o Pai, nem o Filho são conhecidos pelo
homem natural de um modo convencional como se conhece a realidade
fenomenológica. O Filho é apresentado pelo Pai na dimensão física
para iniciar o processo da revelação, todavia a sua realidade
efetiva é primordialmente espiritual. O Filho de Deus encarnado no
Jesus histórico é o ponto de partida da revelação. Como a mente
natural não pode compreender a dimensão espiritual sem primeiro
usar as categorias tridimensionais, o Filho na dimensão humana é a
porta para revelação da realidade espiritual. Sem a manifestação
do Filho no âmbito físico fica impossível, para a mente racional,
entrar no terreno da realidade espiritual. Por outro lado, o campo da
percepção espiritual é também espiritual. Só uma mente
espiritual pode conhecer as realidades espirituais. Ora,
o homem
natural não
aceita as
coisas do
Espírito de
Deus, porque
lhe são
loucura; e
não pode
entendê-las, porque
elas se
discernem espiritualmente.1
Coríntios 2:14.
Deus
é espírito e só poderá ser conhecido espiritualmente mediante
revelação dada pelo Filho. O ser humano é carnal e não consegue
entender a vida espiritual se antes não passar pelo novo nascimento.
O que é
nascido da
carne é
carne; e o
que é
nascido do
Espírito é
espírito. Não
te admires de
eu te dizer:
importa-vos nascer
de novo. João
3:6-7. A mente natural não compreende a
realidade espiritual sem o novo nascimento.
Cristo,
o Filho de Deus, encarnado em Jesus, o Filho do Homem, é o canal que
converte o homem natural em homem espiritual mediante a sua morte e
ressurreição. Na cruz, Cristo nos incluiu na sua morte, e na
ressurreição Jesus nos fez parceiros de sua nova vida, para que nós
fôssemos feitos filhos de Deus. Essa transformação é a única
ponte capaz de converter os descendentes de Adão em filhos
espirituais do Pai celestial. Porém, todo esse processo começa com
Deus Pai. O Pai nos dá o Filho e nos leva a ele. Veja como Jesus
coloca o assunto: Ninguém pode
vir a mim
se o Pai,
que me
enviou, não
o trouxer; e
eu o
ressuscitarei no
último dia.
João 6:44. O Pai
enviou o seu Filho e, por graça, nos leva a crer nele. Ninguém
poderá vir ao Filho se o Pai não o atrair a ele mesmo. Não é o
desejo do pecador que o faz buscar a Cristo, mas é a condução do
Pai. Todos aqueles que vão a Cristo é porque o Pai os guiou até
ele.
A
obra de Cristo transformando o homem natural em homem espiritual é
um projeto do Pai. E para Jesus fica muito claro que ninguém poderá
vir a ele se o Pai não fizer essa aproximação. E
prosseguiu: Por
causa disto,
é que vos
tenho dito:
ninguém poderá
vir a mim,
se, pelo Pai,
não lhe for
concedido. João
6:65.
Como
vimos anteriormente, ninguém poderá conhecer de fato o Pai se o
Filho não o quiser revelar. A revelação do Pai é um assunto do
Filho. Só o homem espiritual tem as condições espirituais de
conhecer a realidade espiritual do Pai. O conhecimento do Pai é uma
revelação pessoal do Filho, bem como a viagem em direção ao Pai
ninguém pode fazer senão pelo Filho. Respondeu-lhe
Jesus: Eu sou
o caminho, e
a verdade, e
a vida;
ninguém vem
ao Pai senão
por mim. João
14:6.
Aqui
temos uma realidade espiritual bem equilibrada. Ninguém vem ao Filho
se o Pai não o trouxer e ninguém vem ao Pai senão pelo Filho. O
Pai enviou o seu Filho ao mundo para que ele pudesse converter o
homem natural em espiritual e desse modo o revelar como o Pai de uma
família semelhante ao seu Filho. O Pai leva os pecadores ao Filho e
o Filho transforma os pecadores em filhos do Pai para levá-los ao
Pai. Do Pai para o Filho e do Filho para o Pai com a finalidade de um
relacionamento familiar. Porquanto aos
que de
antemão conheceu,
também os
predestinou para
serem conformes
à imagem de
seu Filho, a
fim de que
ele seja o
primogênito entre
muitos irmãos.
Romanos 8:29. O
propósito do Pai é ter uma família conforme a imagem do seu Filho,
a fim de conhecê-lo em sua intimidade relacional.
A
revelação do Pai é o objetivo do Filho. Cristo colocou toda a sua
ênfase na manifestação da graça e na proclamação de Deus como o
Pai de todos aqueles que ele regenerou através da graça plena. O
evangelho é a boa notícia de que Deus é Pai de uma grande família
que crê na suficiência do Filho. O conhecimento do Pai é,
portanto, um relacionamento de família. A igreja de Jesus Cristo não
é uma mera organização. É, antes de tudo, uma reunião familiar.
O foco da revelação cristã é que Deus é Pai e que nós somos
membros de sua família, por isso a nossa conversa deve ser sempre
caseira: Quando orardes,
dizei: Pai,
santificado seja
o teu nome;
venha o teu
reino; o pão
nosso cotidiano
dá-nos de
dia em dia;
perdoa-nos os
nossos pecados,
pois também
nós perdoamos
a todo o
que nos deve;
e não nos
deixes cair
em tentação.
Lucas 11:2.
Conhecer
a Deus como Pai não é um saber acadêmico nem qualquer informação
a respeito dele. Há muita gente que sabe muito sobre Deus, mas não
o conhece como seu Pai legítimo. A grande crise existencial da
igreja é a falta de intimidade paterna. Hoje, poucos conhecem
pessoalmente a Deus como Pai. Temos uma multidão de bastardos
reivindicando direitos como sindicalistas amotinados. Todavia, a
oração de filhos é uma conversa doméstica. Deus não é patrão
nem seus filhos são empregados. Ninguém precisa demandar com o Pai
das misericórdias, pois ele sabe do que precisamos antes mesmo que
lhe apresentemos nossa causa. Não vos
assemelheis, pois,
a eles;
porque Deus,
o vosso Pai,
sabe o de
que tendes
necessidade, antes
que lho
peçais. Mateus
6:8.
A
petição de filho não é um discurso para uma conquista, mas o
diálogo de um relacionamento. Como dizia Santo Agostinho, a
natureza da bondade divina
não está apenas em
abrir àqueles que batem,
mas também em levá-los
a bater e pedir.
Um Pai amoroso busca comunhão com os seus filhos queridos e para ele
não faltam pretextos para essa camaradagem. Cristo se propôs a
revelar a paternidade de Deus em seu amor eterno. O conhecimento
pessoal do Pai amoroso e eterno é o desejo mais profundo do filho
que se percebe amado incondicionalmente. Nada mais pode satisfazer o
coração desse filho querido do que a intimidade intensa e
relacional com o seu próprio Pai. Jesus disse aos seus discípulos
que se eles o conhecessem, conheceriam também ao seu Pai. Se
vós me
tivésseis conhecido,
conheceríeis também
a meu Pai.
Desde agora o
conheceis e o
tendes visto.
João 14:7.
Filipe
percebeu que esse era o ponto central da revelação, e solicitou:
Senhor, mostra-nos o
Pai, e isso
nos basta.
João 14:8. Ele
queria conhecer realmente aquele que era o alvo do advento do Cristo.
O seu contentamento só seria verdadeiro se ele se satisfizesse com a
demonstração do Filho a respeito do Pai. Foi aqui que Jesus fez a
mais intensa revelação de identidade entre o Filho e o Pai.
Disse-lhe Jesus:
Filipe, há
tanto tempo
estou convosco,
e não me
tens conhecido?
Quem me vê
a mim vê
o Pai; como
dizes tu:
Mostra-nos o
Pai? Não
crês que eu
estou no Pai
e que o
Pai está em
mim? As
palavras que
eu vos digo
não as digo
por mim
mesmo; mas o
Pai, que
permanece em
mim, faz as
suas obras.
João 14:9-10.
A
vida eterna foi sumariada por Jesus no processo do conhecimento do
Deus verdadeiro e do seu Filho. A grande revelação do Filho é a
comprovação de que o verdadeiro Deus é o Pai de uma família
gerada na pessoa do Filho. A relação entre o Filho e o Pai é tão
íntima que quem vê o Filho encarnado, vê o Pai exaltado. A falta
da visão de Jesus é responsável pela ausência na revelação do
Pai. Hoje, mais do que nunca, a igreja precisa do conhecimento
pessoal do Filho para poder conhecer pessoalmente o Pai. A miopia que
embaça o Filho acaba ofuscando o Pai.
A visão espiritual dessa igreja é conhecer a Cristo crucificado e fazê-lo conhecido em todo lugar por meio da graça, a fim de que em tudo o Pai seja glorificado como o único Deus verdadeiro.Nossa tarefa eterna e pessoal se sintetiza no conhecimento íntimo do Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, e do Pai de toda graça, através da revelação do Espírito Santo expressa na sua Palavra. Que o Senhor nos faça perseverantes nessa empreitada. Amém
A visão espiritual dessa igreja é conhecer a Cristo crucificado e fazê-lo conhecido em todo lugar por meio da graça, a fim de que em tudo o Pai seja glorificado como o único Deus verdadeiro.Nossa tarefa eterna e pessoal se sintetiza no conhecimento íntimo do Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor, e do Pai de toda graça, através da revelação do Espírito Santo expressa na sua Palavra. Que o Senhor nos faça perseverantes nessa empreitada. Amém
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