APÓS
A
AZIA,
A
APOSTASIA
Glenio Fonseca Paranaguá
Glenio Fonseca Paranaguá
Mas
o
Espírito
expressamente
diz
que
em
tempos
posteriores
alguns
apostatarão
da
fé,
dando
ouvidos
a
espíritos
enganadores,
e
a
doutrinas
de
demônios,
pela
hipocrisia
de
homens
que
falam
mentiras
e
têm
a
sua
própria
consciência
cauterizada,
proibindo
o
casamento,
e
ordenando
a
abstinência
de
alimentos
que
Deus
criou
para
serem
recebidos
com
ações
de
graças
pelos
que
são
fiéis
e
que
conhecem
bem
a
verdade.
1Timóteo
4:1-3.
A
apostasia é inevitável. As Escrituras mostram que haverá um tempo
de excesso na alimentação espiritual. As pessoas estarão propensas
a aceitar todo o tipo de informação que diz respeito à vida de fé.
E não há como impedir a apostasia, pois o Espírito Santo mostra
que é fatal esta atitude. Este adultério espiritual é
conseqüência, em primeiro lugar, de uma falta de experiência
verdadeira com o Senhor Jesus. Não há na Bíblia apostasia de
Cristo. Há sim, a apostasia da igreja, como uma organização, e da
fé, como uma crença. Há uma pregação falsa que leva muitas
pessoas para as igrejas sem que estas tenham passado por um novo
nascimento. Mas houve também
entre o povo (Israel)
falsos profetas, como entre
vós (Igreja) haverá
falsos mestres, os quais
introduzirão encobertamente heresias
destruidoras, negando até
o Senhor que os
resgatou, trazendo sobre si
mesmo repentina destruição.
2 Pedro 2:1. Nada pode ser
mais trágico do que pregar uma mensagem cristã que não enfatize a
necessidade fundamental da regeneração. Não estamos falando aqui
nesta metodologia apelativa que leva os homens a tomarem uma decisão
ao lado de Cristo. Nem tão pouco assinalando a velha doutrina que
sustenta a necessidade da participação na igreja, para alguém ser
salvo. São exatamente estas ênfases erradas que induzem muitos a
confundirem novo nascimento com aceitação a Cristo ou integração
na igreja. Na Idade Média a igreja vigente sustentava que só havia
salvação na igreja. Isto é: Só havia salvação se a pessoa
estivesse batizada e participando da igreja. Quem tivesse passado
pelos ritos sacramentais tinha garantido a sua salvação. A igreja
detinha o poder salvífico que conferia a todos os que estivessem
aliados com a sua doutrina e governo. Assim, se alguém está na
igreja é um salvo, e se participa efetivamente com sua presença
contínua e com os seus presentes constantes, então, será um santo.
A salvação era conferida pelos sacramentos dispensados pela igreja,
e pelas boas obras corroboradas pelos membros.
Muito
mais tarde o método apelativo da decisão humana veio também trazer
uma contribuição significativa para o processo da apostasia. A
apostasia nunca começa com
uma forte explosão...
começa de modo silencioso,
vagaroso, sutil e
insidioso. Com esta tática dos apelos e de uma
mensagem rala do significado apropriado do sacrifício de Cristo,
multidões ingressaram nas igrejas sem uma conversão autêntica e
passaram a fazer parte do sistema religioso cristão sem que
estivessem realmente regeneradas. A falta de uma prática verdadeira
de fé na Palavra de Deus, a mensagem corrompida e viciada de uma
religiosidade deturpada e a falsa experiência manipulada pelos
sistemas geram uma disponibilidade para a apostasia. Um crente em
declínio necessariamente será um crente em dúvida. A ausência da
convicção determina a falência da perseverança. Não é possível
sustentar o compromisso aquele que não está comprometido com a
verdade e certo de sua total dependência de Deus.A apostasia sempre
vem depois da decepção. O desilusionado acaba voltando as costas
para os seus alvos, porque percebe que foi enganado. Mas, como dizia
F. W. Faber, não há
decepções para aqueles
cujos desejos estão
sepultados na vontade de
Deus. Somente os iludidos podem de fato ficar
desiludidos em algum momento. Apostasia é uma expressão
generalizada do desengano. Há muitas coisas
que o mundo chama
decepção, mas não existe
tal palavra no dicionário
da fé genuína. O
que para os outros
são decepções, para os
que confiam são indicações
do caminho de Deus.
Por este motivo, não se encontra apostasia de novas criaturas,
aqueles que foram transformados pela soberana graça de nosso Senhor
Jesus Cristo. Ora, se alguém
está em Cristo, nova
criatura é, as coisas
velhas já passaram, e
eis que tudo se
fez novo. 2 Coríntios
5:17. Não há mais ponte de retorno para todos aqueles
que foram conquistados pela suficiência onipotente da graça de
Cristo. Ninguém mais do que Deus é necessário para assegurar-nos o
amor de Deus.
Este
desiluso que define o mundo religioso moderno é conseqüência de um
cardápio variado na mesa espiritual. Cada dia que passa novas
receitas de novas iguarias místicas estão ao dispor do público
ávido destes manjares desvairados. Bolos de cura interior com
recheio dos poderes latentes da alma; baba de anjo ao caldo das
visões exotéricas; línguas emocionais saturadas com molho das
profecias psicológicas; biscoitos de vento ao sopro do bafo
hipnótico; pipoca rolante com sabor de riso descontrolado. E tudo
isto preparado sob os auspícios de uma cozinha emocional e
extremamente cativante, que mantém os frequeses governados pelos
poderes alucinógenos de um fanatismo doentio.
Com
este menu destituído de revelação bíblica e completamente fora do
modelo apresentado no livro das receitas de Deus, vemos a cada
movimento uma leva de desiludidos, fruto da confusão que vem tomando
conta das igrejas cristãs nesta época, perdendo o rumo e
apostatando de sua fé. Este é um sinal bem característico dos
tempos finais. Uma estrutura superficial alicerçada nas bases
movediças do emocionalismo e de um envolvimento sensual da sua
compreensão. Gente inquieta à cata de sentimentos que validem sua
instabilidade. Mestres movidos pela ganância,
e com palavras fingidas,
eles farão de vós
negócio. 2 Pedro 2:3a.
Tudo isto se torna muito favorável à proliferação e ao
desenvolvimento de todas as expressões de renúncia da fé. A
superficialidade das doutrinas bíblicas e a necessidade profunda de
significado têm impelido muita gente boa a embarcar nesta onda atual
de constatação emocional e de busca sensória da realidade
espiritual. Foi por este motivo que o apóstolo Paulo exortou as
igrejas da Galácia com estas palavras: Mas, ainda
que nós mesmo ou
um anjo do céu
vos pregasse outro
evangelho além do que
já vos pregamos, seja
anátema. Como antes temos
dito, assim agora novamente
o digo: Se alguém
vos pregar outro evangelho
além do que já
recebestes, seja anátema.
Gálatas 1:8-9. Toda a firmeza da Igreja se
encontra nos fundamentos eternos apresentados na Palavra de Deus.
Santo Agostinho costumava dizer: A fé
vacilará se a autoridade
das Escrituras Sagradas
perder sua força sobre
os homens. Precisamos
render-nos à autoridade da
Bíblia, pois ela não
pode conduzir mal nem
ser mal conduzida. Quer
gostemos quer não, toda experiência cristã está determinada e
delimitada pela revelação esquemática da Bíblia. A
religião em que nosso
Senhor foi criado era,
antes e acima de
tudo, uma religião de
sujeição à autoridade de
uma Palavra divina escrita.
Assim, nenhuma experiência que sai dos limites estabelecidos pela
Bíblia como um todo, pode ser levado à sério. Tenho por certo que,
o excesso de comida extra-bíblica colocado sobre a mesa da igreja
contemporânea vem causando uma azia progressiva em muita gente, e
conseqüentemente originando os sintomas da apostasia. Todos aqueles
que foram malogrados pelas sutis artimanhas de uma religiosidade
falsa acabam se frustrando com as suas experiências e em seguida
viram as costas para as suas crenças. Porque virá
tempo em que não
suportarão a sã doutrina;
mas, tendo grande desejo
de ouvir coisas agradáveis
ajuntarão para si mestres
segundo os seus próprios
desejos, e não só
desviarão os ouvidos da
verdade, mas se voltarão
às fábulas. 2 Timóteo
4:3-4. Thomas Adams foi muito feliz
com sua observação. Se você quer
fugir de Deus, o
diabo lhe emprestará tanto
as esporas como o
cavalo. Todo o cuidado com este assunto é pouco,
pois a astúcia maligna começa em nossa própria vida. E a coisa
está tão séria, que o Rev. Vance Havner
pintou assim: Estamos tão abaixo
do normal que se
nos tornássemos normais, o
povo pensaria que éramos
anormais. Muitas práticas da igreja hoje são tão comuns
que se assemelham ao menino que nasceu numa ilha onde todos os
habitantes eram portadores de bócio. Quando ele foi com o seu pai ao
continente e viu uma criança sem bócio, apontou espantado: Pai,
olha um aleijadinho! De tanto convivermos com o anormal acabamos por
achá-lo normal. E é por aí que vem a apostasia.
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