quarta-feira, 4 de julho de 2012

APÓS A AZIA, A APOSTASIA


APÓS A AZIA, A APOSTASIA
 Glenio Fonseca Paranaguá
Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade. 1Timóteo 4:1-3.
A apostasia é inevitável. As Escrituras mostram que haverá um tempo de excesso na alimentação espiritual. As pessoas estarão propensas a aceitar todo o tipo de informação que diz respeito à vida de fé. E não há como impedir a apostasia, pois o Espírito Santo mostra que é fatal esta atitude. Este adultério espiritual é conseqüência, em primeiro lugar, de uma falta de experiência verdadeira com o Senhor Jesus. Não há na Bíblia apostasia de Cristo. Há sim, a apostasia da igreja, como uma organização, e da fé, como uma crença. Há uma pregação falsa que leva muitas pessoas para as igrejas sem que estas tenham passado por um novo nascimento. Mas houve também entre o povo (Israel) falsos profetas, como entre vós (Igreja) haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmo repentina destruição. 2 Pedro 2:1. Nada pode ser mais trágico do que pregar uma mensagem cristã que não enfatize a necessidade fundamental da regeneração. Não estamos falando aqui nesta metodologia apelativa que leva os homens a tomarem uma decisão ao lado de Cristo. Nem tão pouco assinalando a velha doutrina que sustenta a necessidade da participação na igreja, para alguém ser salvo. São exatamente estas ênfases erradas que induzem muitos a confundirem novo nascimento com aceitação a Cristo ou integração na igreja. Na Idade Média a igreja vigente sustentava que só havia salvação na igreja. Isto é: Só havia salvação se a pessoa estivesse batizada e participando da igreja. Quem tivesse passado pelos ritos sacramentais tinha garantido a sua salvação. A igreja detinha o poder salvífico que conferia a todos os que estivessem aliados com a sua doutrina e governo. Assim, se alguém está na igreja é um salvo, e se participa efetivamente com sua presença contínua e com os seus presentes constantes, então, será um santo. A salvação era conferida pelos sacramentos dispensados pela igreja, e pelas boas obras corroboradas pelos membros.
Muito mais tarde o método apelativo da decisão humana veio também trazer uma contribuição significativa para o processo da apostasia. A apostasia nunca começa com uma forte explosão... começa de modo silencioso, vagaroso, sutil e insidioso. Com esta tática dos apelos e de uma mensagem rala do significado apropriado do sacrifício de Cristo, multidões ingressaram nas igrejas sem uma conversão autêntica e passaram a fazer parte do sistema religioso cristão sem que estivessem realmente regeneradas. A falta de uma prática verdadeira de fé na Palavra de Deus, a mensagem corrompida e viciada de uma religiosidade deturpada e a falsa experiência manipulada pelos sistemas geram uma disponibilidade para a apostasia. Um crente em declínio necessariamente será um crente em dúvida. A ausência da convicção determina a falência da perseverança. Não é possível sustentar o compromisso aquele que não está comprometido com a verdade e certo de sua total dependência de Deus.A apostasia sempre vem depois da decepção. O desilusionado acaba voltando as costas para os seus alvos, porque percebe que foi enganado. Mas, como dizia F. W. Faber, não decepções para aqueles cujos desejos estão sepultados na vontade de Deus. Somente os iludidos podem de fato ficar desiludidos em algum momento. Apostasia é uma expressão generalizada do desengano. muitas coisas que o mundo chama decepção, mas não existe tal palavra no dicionário da genuína. O que para os outros são decepções, para os que confiam são indicações do caminho de Deus. Por este motivo, não se encontra apostasia de novas criaturas, aqueles que foram transformados pela soberana graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Ora, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas passaram, e eis que tudo se fez novo. 2 Coríntios 5:17. Não há mais ponte de retorno para todos aqueles que foram conquistados pela suficiência onipotente da graça de Cristo. Ninguém mais do que Deus é necessário para assegurar-nos o amor de Deus.
Este desiluso que define o mundo religioso moderno é conseqüência de um cardápio variado na mesa espiritual. Cada dia que passa novas receitas de novas iguarias místicas estão ao dispor do público ávido destes manjares desvairados. Bolos de cura interior com recheio dos poderes latentes da alma; baba de anjo ao caldo das visões exotéricas; línguas emocionais saturadas com molho das profecias psicológicas; biscoitos de vento ao sopro do bafo hipnótico; pipoca rolante com sabor de riso descontrolado. E tudo isto preparado sob os auspícios de uma cozinha emocional e extremamente cativante, que mantém os frequeses governados pelos poderes alucinógenos de um fanatismo doentio.
Com este menu destituído de revelação bíblica e completamente fora do modelo apresentado no livro das receitas de Deus, vemos a cada movimento uma leva de desiludidos, fruto da confusão que vem tomando conta das igrejas cristãs nesta época, perdendo o rumo e apostatando de sua fé. Este é um sinal bem característico dos tempos finais. Uma estrutura superficial alicerçada nas bases movediças do emocionalismo e de um envolvimento sensual da sua compreensão. Gente inquieta à cata de sentimentos que validem sua instabilidade. Mestres movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio. 2 Pedro 2:3a. Tudo isto se torna muito favorável à proliferação e ao desenvolvimento de todas as expressões de renúncia da fé. A superficialidade das doutrinas bíblicas e a necessidade profunda de significado têm impelido muita gente boa a embarcar nesta onda atual de constatação emocional e de busca sensória da realidade espiritual. Foi por este motivo que o apóstolo Paulo exortou as igrejas da Galácia com estas palavras: Mas, ainda que nós mesmo ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que vos pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que recebestes, seja anátema. Gálatas 1:8-9. Toda a firmeza da Igreja se encontra nos fundamentos eternos apresentados na Palavra de Deus. Santo Agostinho costumava dizer: A vacilará se a autoridade das Escrituras Sagradas perder sua força sobre os homens. Precisamos render-nos à autoridade da Bíblia, pois ela não pode conduzir mal nem ser mal conduzida. Quer gostemos quer não, toda experiência cristã está determinada e delimitada pela revelação esquemática da Bíblia. A religião em que nosso Senhor foi criado era, antes e acima de tudo, uma religião de sujeição à autoridade de uma Palavra divina escrita. Assim, nenhuma experiência que sai dos limites estabelecidos pela Bíblia como um todo, pode ser levado à sério. Tenho por certo que, o excesso de comida extra-bíblica colocado sobre a mesa da igreja contemporânea vem causando uma azia progressiva em muita gente, e conseqüentemente originando os sintomas da apostasia. Todos aqueles que foram malogrados pelas sutis artimanhas de uma religiosidade falsa acabam se frustrando com as suas experiências e em seguida viram as costas para as suas crenças. Porque virá tempo em que não suportarão a doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4. Thomas Adams foi muito feliz com sua observação. Se você quer fugir de Deus, o diabo lhe emprestará tanto as esporas como o cavalo. Todo o cuidado com este assunto é pouco, pois a astúcia maligna começa em nossa própria vida. E a coisa está tão séria, que o Rev. Vance Havner pintou assim: Estamos tão abaixo do normal que se nos tornássemos normais, o povo pensaria que éramos anormais. Muitas práticas da igreja hoje são tão comuns que se assemelham ao menino que nasceu numa ilha onde todos os habitantes eram portadores de bócio. Quando ele foi com o seu pai ao continente e viu uma criança sem bócio, apontou espantado: Pai, olha um aleijadinho! De tanto convivermos com o anormal acabamos por achá-lo normal. E é por aí que vem a apostasia.

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