OS
EFEITOS
EFICIENTES
DA
CRUZ
Glenio Fonseca Paranaguá
Glenio Fonseca Paranaguá
Quanto
ao
mais,
ninguém
me
moleste;
porque
eu
trago
no
corpo
as
marcas
de
Jesus.
Gálatas
6:17.
Todos
os seres humanos trazem do berço o sinal de Adão, isto é, a
presunção de serem como Deus. Essa rebeldia adâmica é denominada
de teomania, porque reflete o desejo de independência de Deus,
tentando converter a criatura como se fosse o Criador. Nossa história
é assinalada pela aspiração ao trono e todos os descendentes da
conspiração da serpente vivem serpenteando nas escadas em busca dos
lugares altos. A raça humana sofre da síndrome de altar. Há uma
epidemia generalizada de grandeza fomentando a glória do pináculo.
O alpinismo da notoriedade e a ascendência aos postos de comando são
metas que estimulam uma laia governada pelos desejos mais ardentes de
elevação, tecendo no jogo do poder uma teia viscosa de política
sórdida, que garanta um jirau na caça ao auge da posição. Ninguém
neste mundo está imune ao veneno da cobra. A teomania é percebida
até mesmo na sujidade da pirraça. O cantador de viola dizia em seus
versos de pé quebrado: Eu sou maior
do que Deus. Maior
do que Deus eu
sou. Eu sou maior
no pecar. Porque Deus
nunca pecou. Para ele era atraente
ultrapassar a Deus nem que fosse à vileza.
Entretanto,
Paulo se apresentou aos gálatas como alguém que carregava em seu
corpo as marcas de Jesus. Para ele havia algo mais significativo do
que a estimativa do pódio. Ele podia até subir numa plataforma,
desde que a glória fosse conferida apenas ao Senhor. Porque
dele, e por
meio dele, e
para ele são
todas as
coisas. A
ele, pois, a
glória eternamente.
Amém! Romanos
11:36.
As
evidências da cruz vêem assinaladas pelo esvaziamento do ego. Uma
pessoa que foi salva de verdade por Jesus, significa que ela foi
salva de si mesma. Aquele que se estima não tem a menor estimativa
do que é a salvação, uma vez que ela liberta a pessoa de si mesma.
E ele morreu
por todos,
para que os
que vivem não
vivam mais
para si
mesmos, mas
para aquele
que por eles
morreu e
ressuscitou. 2
Coríntios 5:15.
A
morte solidária de Cristo com o pecador tem como finalidade
principal alforriar o escravo de si mesmo, a fim de levá-lo a viver
para Deus. O pecado nos fez sujeitos a um déspota insuportável, o
nosso próprio egoísmo. Ninguém é mais insatisfeito do que o
ególatra, e ninguém pode ser mais contente do aquele que foi
emancipado de si mesmo através do sacrifício de Cristo. Porque
nenhum de nós
vive para si
mesmo, nem
morre para
si. Romanos
14:7.
Cristo
nos levou a morrer juntamente com ele para que nós possamos nos
renunciar a nós mesmos. Sem o desapego de nosso egotismo não haverá
verdadeira vida espiritual.O ego está contaminado de teomania
arrogante e não consegue se desapreciar, vivendo sempre em busca de
aplausos e reconhecimento. Somos uma raça inchada e iludida com a
obesidade de nossa presunção. A renúncia de nós mesmos é sempre
um resultado da consciência de nossa real imprestabilidade
pecaminosa. Enquanto acharmos que somos importantes e dignos de
aprovação nós teremos muita dificuldade de nos desestimar, por
isso mesmo a abdicação de nossa nobreza é um milagre da morte com
Cristo. A mentalidade atual da psicologia promove acima de tudo a
nossa auto-estima como a base do bem-estar emocional. Mas Jesus
sustenta a necessidade fundamental da abnegação como o alicerce do
seu discipulado. Dizia a
todos: Se
alguém quer
vir após
mim, a si
mesmo se
negue, dia a
dia tome a
sua cruz e
siga-me. Lucas
9:23. Não há cristianismo autêntico sem
estes quatro princípios essenciais.
Primeiro,
a liberdade corajosa. Se alguém
quer vir após
mim. Ainda que ninguém venha a Cristo porque
queira, ninguém poderá vir a ele se não o quiser. A vontade humana
corrompida pelo pecado não quer a Cristo, mas o Espírito Santo
mediante a loucura da pregação da Palavra convence o rebelde a
querer aquele que ele não queria. Ninguém crê porque quer crer,
além do mais ninguém é obrigado a crer. Mas quem crê, só crê
porque foi persuadido voluntariamente a crer com o milagre da fé.
Segundo,
a autonegação. A si
mesmo se
negue. Não há fé cristã sem a demissão de
nós mesmos. A sala do trono não pode ser ocupada por dois regentes.
Se Cristo é o rei, então o ego tem que se afastar. Não se trata de
mera resignação, mas de abdicação do mando. Porque,
se vivemos,
para o Senhor
vivemos; se
morremos, para
o Senhor
morremos. Quer,
pois, vivamos
ou morramos,
somos do
Senhor. Romanos
14:8.
Terceiro,
a atualização da morte. Dia a
dia tome a
sua cruz. A
experiência cristã começa com a pena de morte do pecador
juntamente com Cristo e continua com a sua reedição diariamente. A
cruz não é um simples instrumento de tortura, mas uma sentença de
extermínio que precisa de regularidade. O tempo de validade da cruz
é agora, por isso é imperiosa a sua reciclagem a cada instante,
trazendo sempre por
toda parte a
mortificação do
Senhor Jesus
no nosso
corpo, para
que a vida
de Jesus se
manifeste também
em nossos
corpos. 2
Coríntios 4:10.
Quarto,
a caminhada persistente. E siga-me.
Jesus não está convidando alguém para um passeio no Parque nem
para uma exibição numa passarela. Ele ordena ao discípulo a
segui-lo. No cristianismo, ninguém recebe um mapa de viagem e uma
bússola para a orientação, deixando que cada um faça o seu
próprio trajeto. A viagem do cristão obedece ao roteiro do guia. E
Jesus é o único Guia. Siga-me tem implicações com a atualização
da morte, com a autonegação e com a liberdade corajosa que define o
perfil daquele que verdadeiramente recebeu a Cristo como Senhor da
sua história. Os efeitos eficientes da cruz definem uma marcha sem
mochila e sem murmuração. O discípulo do Cordeiro não tem
permissão de abrir a sua boca para reclamar das condições da
viagem, muito menos para propalar os seus direitos, uma vez que Jesus
nunca prometeu boa vida na estrada, nem fez propaganda enganosa para
alguém levá-lo ao Procom Celestial. Talvez por isso Teresa de Ávila
tenha suspeitado: Senhor, se é
assim que tratas os
teus amigos, não é
de admirar que tu
tenhas tão poucos.
As
marcas de Jesus que o apóstolo Paulo se refere são as marcas de uma
vida estigmatizada pelas seqüelas da cruz. Nenhum peregrino da
via-crúcis tem licença de se defender ou autorização para se
promover. A passeata dos discípulos do Cordeiro é silenciosa diante
da platéia humana e exultante perante o trono da graça. Eles se
calam ante seus feitos pessoais, enquanto cantam exultantes ao
Cordeiro que já apagou todos os seus defeitos com o sangue
imaculado. Os santos não reivindicam tributos, tampouco fazem
crítica ao tratamento que o Pai determinou para sua jornada. Eles
têm uma ótica bem diferente do estrabismo que caracteriza os
descendentes de Adão. Veja como o velho viageiro enxergava o
horizonte: Porque para
mim tenho por
certo que os
sofrimentos do
tempo presente
não podem
ser comparados
com a glória
a ser
revelada em
nós. Romanos
8:18.
Enquanto
estivermos andando nesse caminho não há promessa de vida fácil.
Jesus não garantiu sucesso no percurso, pelo contrario, ele foi
enfático com as lutas, todavia apelou para que seus discípulos
fossem bem humorados. Bem-aventurados sois
quando, por
minha causa,
vos injuriarem,
e vos
perseguirem, e,
mentindo, disserem
todo mal
contra vós.
Regozijai-vos e
exultai, porque
é grande o
vosso galardão
nos céus;
pois assim
perseguiram aos
profetas que
viveram antes
de vós.
Mateus 5:11-12.
A
estrada é complicada, mas o hotel é uma constelação de estrelas
quando chegar ao fim da viagem. A recompensa no evangelho é um
assunto para o fim. No reino de Deus ninguém recebe propina para
promover os projetos. O prêmio é sempre no final. Não
temas as
coisas que
tens de
sofrer. Eis
que o diabo
está para
lançar em
prisão alguns
dentre vós,
para serdes
postos à
prova, e
tereis tribulação
de dez dias.
Sê fiel até
à morte, e
dar-te-ei a
coroa da
vida. Apocalipse
2:10.
Se
os efeitos da cruz removem de nós os direitos pessoais, eles também
retiram de nós a tendência de nos comparar com os outros. Quando
Jesus revelou a Pedro que teria uma morte atroz para glorificá-lo,
ele apontou para João querendo saber o que ocorreria ao discípulo
amado. Respondeu-lhe Jesus:
Se eu quero
que ele
permaneça até
que eu venha,
que te
importa? Quanto
a ti,
segue-me. João
21:22.
Ainda
que todos sejam escolhidos e aceitos pela graça, isso não significa
uma uniformização nos ministérios. A soberania divina tem o
direito de escolher um vaso para honra e outro para a desonra e não
há isonomia nas suas decisões. Ora, numa
grande casa
não há
somente utensílios
de ouro e
de prata; há
também de
madeira e de
barro. Alguns,
para honra;
outros, porém,
para desonra.
2 Timóteo
2:20.
A
escolha de Deus é soberana e ninguém tem autoridade para
controverter os seus propósitos. Por outro lado ninguém pode
desfazer aquilo que Deus faz em nossas vidas. Quem
és tu, ó
homem, para
discutires com
Deus?! Porventura,
pode o objeto
perguntar a
quem o fez:
Por que me
fizeste assim?
Romanos 9:20.
Quando
o Pai escolhe um vaso para um lugar de destaque, ninguém tem o
direito de discutir essa decisão. E quando ele convoca alguém para
uma missão penosa, ninguém precisa ter pena desse missionário. A
única alternativa que o verdadeiro discípulo tem é a que Jesus
disse a Pedro: Quanto a
ti, segue-me.
Na
casa de Aba não há lugar para competições pessoais ou
confrontos particulares. Os seus filhos têm as marcas do seu Filho
Jesus, por isso mesmo o julgamento na família se pauta pela vontade
soberana do Pai. Quem és
tu que julgas
o servo
alheio? Para
o seu próprio
senhor está
em pé ou
cai; mas
estará em
pé, porque o
Senhor é
poderoso para
o suster.
Romanos 14:4.
Quero
arrematar esse ponto com as palavras de Paulo quando iniciamos a
meditação: Quanto ao
mais, ninguém
me moleste;
porque eu
trago no
corpo as
marcas de
Jesus. As principais características do
caráter de Jesus são vistas nesta sua afirmação: Tomai
sobre vós o
meu jugo e
aprendei de
mim, porque
sou manso e
humilde de
coração; e
achareis descanso
para a vossa
alma. Mateus
11:29.
A
única canga em que nós estivemos juntos com Jesus foi lá na cruz.
Naquela ocasião ele morreu a nossa morte e na sua ressurreição nós
ganhamos a sua vida a fim de podermos andar em mansidão e humildade
de coração. A mansidão fala do nosso desapego com relação às
posses, enquanto a humildade aponta para a desestima de nós mesmos
em razão de sermos apenas pó. Se ainda temos apego a esses dois
vetores, precisamos de mais luz para a revelação dos efeitos
eficientes da cruz em nossas vidas
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