A
ÊNFASE NO EVANGELHO
Glenio Fonseca Paranaguá
Porque
Cristo enviou-me
não para
batizar, mas
para pregar o
evangelho; não
em sabedoria
de palavras,
para que a
cruz de
Cristo se não
faça vã. 1
Coríntios 1:17.
Glenio Fonseca Paranaguá
Jesus
determinou claramente que seus discípulos pregassem o Evangelho. Não
há a menor dúvida na ordem do Senhor Jesus. Ide
por todo o
mundo e
pregai o
Evangelho a
toda criatura.
Marcos 16:15. A
missão principal que glorifica a Jesus Cristo é a pregação do
Evangelho. Os discípulos deveriam se envolver fundamentalmente com a
pregação marcante da boa nova ou Evangelho da salvação. Tudo o
que eles deveriam fazer para as pessoas era: Pregar o Evangelho. O
fato de pregarmos a Bíblia nem sempre significa que estamos pregando
o Evangelho. Muitas vezes nossas prédicas ressaltam mais a lei do
que a graça. A lei aponta para aquilo que precisamos fazer; enquanto
a graça trata do Evangelho, de tudo aquilo que Deus já fez por nós
em Cristo Jesus, e está fazendo em nós, mediante o seu Espírito.
Pregar o Evangelho nada tem a ver com a mensagem que mostra aquilo
que o homem tem que realizar. A ênfase da pregação do Evangelho se
fundamenta em tudo o que Deus já fez por meio de Jesus Cristo. Peter
De Jong dizia que uma das características
dos falsos profetas e
pregadores tem sido sempre
pregar o que o
povo quer ouvir. A mensagem do
Evangelho causa constrangimento ao mérito humano, pois anula por
completo os valores e importância de nossa parte. Como ensina
Agostinho, a graça de Deus
não encontra homens aptos
para a salvação, mas
torna-os aptos a recebê-la.
Sabemos
pelas Escrituras que a mensagem do Evangelho se vincula
essencialmente com a morte e ressurreição de Jesus Cristo. A boa
notícia proclamada na base do Evangelho se fundamenta na morte e
ressurreição de Jesus, produzindo efeitos universais e eternos em
favor de cada pessoa. Também vos
notifico, irmãos,
o Evangelho
que já vos
tenho anunciado;
o qual também
recebestes e
no qual
também permaneceis;
pelo qual
também sóis
salvos, se o
retiverdes tal
como vo-lo
tenho anunciado;
se não é
que crestes
em vão.
Porque primeiramente
vos entreguei
o que também
recebi: que
Cristo morreu
por nossos
pecados, segundo
as Escrituras,
e que foi
sepultado, e
que ressuscitou
ao terceiro
dia, segundo
as Escrituras.
1Coríntios 15:1-4.
Aqui o apóstolo Paulo mostra que a pregação do Evangelho aborda os
resultados decorrentes da morte, sepultamento e ressurreição de
Jesus Cristo, em benefício da humanidade. A Bíblia revela que o
pecado entrou no mundo por um homem e contaminou a raça inteira.
Todos nós já nascemos neste mundo corrompidos pelo pecado e
particularmente depravados. Em virtude do pecado original somos uma
geração perversa e radicalmente contrária a tudo que se relaciona
à santidade de Deus. Nascemos iníquos; cada
um tende a agradar
a si mesmo, e
a tendência de agradar
o eu é o
início de toda a
desordem. A criança mais ingênua já traz uma dose
mortal de rebeldia, fingimento e egoísmo, que a torna naturalmente
desobediente, mentirosa e possessiva. Os mais profundos problemas do
homem estão dentro dele mesmo. É em
nosso coração que está
o mal, e é
de lá que ele
precisa ser arrancado, já
dizia o revolucionário e agnóstico Bertrand Russell. Mesmo sem
apresentar uma solução satisfatória para o coração do homem,
Russell sabia que o problema do homem está nele mesmo, e que tudo
o que o homem
toca, ele perverte, como
ensinava Philip Hughes.
O
Evangelho é a solução de Deus para o problema do coração do
homem. Do mesmo modo que o pecado entrou no mundo por um homem,
Adão, poluindo completamente toda a humanidade; assim também,
por um homem, Jesus Cristo, entrou a graça do Evangelho para
libertar todo aquele que nele crê. O Evangelho
é a mensagem cristã
destinada àqueles que
fizeram o melhor que
podiam e falharam. É o
anúncio de Deus que apresenta a conclusão final para a questão
embaraçosa do pecado no coração humano. O grande pregador inglês
Campbell Morgan mostrou com precisão: O
Evangelho não denuncia
pecado nem pronuncia
julgamento. Ele anuncia
salvação. Ele é a proclamação dos atos divinos de
libertação plena, realizados em Jesus Cristo, em prol do condenado
indigno e incapaz. O Evangelho da graça é a satisfação de Deus às
exigências da lei. Não há requerimento da lei que não esteja
cumprido nos requisitos do Evangelho.
Deste modo, pregar o Evangelho é anunciar abertamente e com clareza tudo aquilo que Cristo fez na cruz em proveito de todos os pecadores. É apregoar a morte de Jesus como total favorecimento da graça, na substituição do pecador. Ninguém precisa se sacrificar mais, para conseguir amenizar as conseqüências do pecado. Pregar o Evangelho é publicar os efeitos espirituais da reabilitação moral mediante a justificação compartilhada no sacrifício de Cristo crucificado. Uma vez que Deus nos identificou na morte juntamente com Cristo, temos garantido o nosso perdão incondicional. Pregar o Evangelho é enaltecer a obra consumada da Cristo, contentando as solicitações reclamadas na ética requintada da lei. É aclamar a vitória de Cristo ressuscitado como suficiente para suprir os efeitos do pecado, no coração do ser humano.
O grande risco do Cristianismo é pregar religiosidade presumindo estar pregando o Evangelho. Não há nada mais distante do Evangelho do que uma religião baseada em nossos esforços, a fim de merecer as credenciais da salvação e nos tornar empenhados no programa da santificação. O Evangelho não é uma conquista de nossa diligência, mas uma dádiva de Deus ante nossa inabilidade espiritual e vileza moral. O Evangelho da graça procede da cruz, de Cristo crucificado, assim como, a luz e o calor na terra provêm do sol. Por este motivo, o apóstolo Paulo tomou o cuidado de mostrar o perigo de se esvaziar a pregação do Evangelho com a sublimidade de palavras. Freqüentemente nós deixamos escapar a essência do Evangelho com um discurso eloqüente tecido na excelência das palavras. O apóstolo enfrentou esta crise quando esteve em Atenas. Por isso, quando chegou em Corinto tomou o cuidado de pregar uma mensagem particularmente evangélica. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. 1Coríntios 2:2,4-5.
A mensagem do Evangelho está estribada totalmente na graça de Deus sob os efeitos da obra de Cristo crucificado. A ênfase na pregação do Evangelho recai no milagre Divino de transformar o pecador pelos méritos suficientes de Jesus Cristo crucificado. A pregação viva do Evangelho é um desencadear maravilhoso de prodígios. E a maior maravilha que Deus pode fazer atualmente, é tomar um homem do mundo, contaminado pelo pecado, sem a menor evidência de santidade, e torná-lo santo mediante a obra perfeita de Cristo crucificado, colocando-o de volta naquele mesmo mundo impuro, conservando-o santo, pelo poder da vida de Cristo ressuscitado. Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, e também do grego. Romanos 1:16. O Evangelho não nos torna perfeitos aqui na terra, mas nos faz perfeitamente dependentes de toda a perfeição de Cristo, para que, a nossa perfeita aceitação diante de Deus, seja somente, mediante a graça
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