A
FÉ É A ANTÍTESE
DO MEDO
Glenio Fonseca Paranaguá
Glenio Fonseca Paranaguá
No
amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo.
Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é
aperfeiçoado no amor. 1 João 4:18.
O
primeiro sentimento que o cabeça da raça humana experimentou depois
do pecado foi o medo. Logo depois que Adão transgrediu o mandamento
divino, ele foi invadido por um clima de pavor. Ele
respondeu: Ouvi
a tua voz
no jardim, e,
porque estava
nu, tive
medo, e me
escondi. Gênesis
3:10.
Ao
ouvir a palavra de Deus Adão teve medo. É interessante observar
este ponto com atenção. A Bíblia diz: Assim, a
fé vem pelo
ouvir e o
ouvir da
palavra de
Deus. Romanos
10:17. Mas, quando Adão ouviu a palavra de
Deus no jardim, porque estava nu, teve medo e se escondeu. Ao ouvir a
palavra de Deus, em vez de fé, medo. O pânico veio em conseqüência
do pecado e da sua nudez. Adão e Eva foram criados totalmente
despidos. No Jardim do Éden não havia necessidade de roupa, uma vez
que a temperatura era agradável e as condições favoráveis para
uma vida sem cobertura. Eles eram imaculados, mas não ficavam
acanhados nem ruborizados de viverem desnudos. Ora,
um e outro,
o homem e
sua mulher,
estavam nus e
não se
envergonhavam. Gênesis
2:25.
Todavia,
logo depois da transgressão apareceu um sentimento de terror quando
Adão se percebeu pelado. Esse estado de desnudamento evidencia a
descompostura que o pecado causou na personalidade, produzindo todo
tipo de esconderijo. O medo é o promotor das máscaras e o aliciador
dos agentes que solicitam a aprovação externa. A partir do receio
de não ser aceito incondicionalmente, a história humana toma um
outro rumo. Os jardineiros viraram estilistas num instante. De uma
hora para outra os horticultores que cultivam o Paraíso foram
transformados em modistas costurando folhas. Adão e Eva agora
estavam preocupados com o guarda-roupa, pois o medo da rejeição
exigia que eles bordassem complementos para a grife da tribo. Adão,
ao ouvir a voz de Deus, foi dominado pela paúra em seu coração em
razão do pecado e não deu lugar à fé. O medo teceu uma tanga com
as fibras da figueira porque a sua fibra moral foi atacada pelo
sentimento de deserção. A culpa afastou o casal da comunhão com o
Criador e os dois se enfiaram nas moitas tentando achar asilo na
embaixada do faz de conta. Desde aquele momento a raça humana passou
a morar no casebre do temor. Somos uma casta escrava do medo e temos
muita dificuldade de entrar na casa do amor. A timidez impede que
vivamos com autenticidade. A culpa existencial herdada dos nossos
primeiros pais nos deixa sempre desconfiados e com receio de não
sermos recebidos como filhos na família do Pai. De modo geral nós
temos sintomas de senzala.
A
história da raça adâmica é uma narrativa de disfarces, fugas e
esconderijos. O gênero humano vive escapando da aceitação
incondicional do Pai, usando, com freqüência, expedientes astutos
que assegurem o seu assentimento ao custo dos seus próprios
esforços. Com medo de ser rejeitado o sujeito procura ser aceito
através daquilo que faz. Assim, a religião se torna uma fábrica de
executivos em busca da excelência. O temor é a matriz da conduta e
a sobreexcelência a raiz que suporta esta pose esnobe. Porém, o
apóstolo João procura nos mostrar que na casa do amor não existe
medo. A aceitação do Pai não computa valores, nem contabiliza
despesas. O pecador é recebido como filho, única e exclusivamente
pelos méritos do Cordeiro. O amor do Pai não está atrelado a
excelência do objeto do seu amor. Ele não é colecionador de obras
raras e não me ama porque eu sou digno do seu amor. A sua graça
aposta apenas no desdouro da minha queda, já que não posso me
classificar com a minha justiça cheirando a carniça. Mas
todos nós
somos como o
imundo, e
todas as
nossas justiças,
como trapo da
imundícia; todos
nós murchamos
como a folha,
e as nossas
iniqüidades, como
um vento, nos
arrebatam. Isaías
64:6.
A
verdade nua e crua é que o pecado me tornou irrecuperável por mim
mesmo. Não há solução para mim senão pelo amor de Pai. Mas ele
nos ama incondicionalmente. Isto significa que Deus não olha para as
nossas qualidades pessoais, tampouco para os nossos defeitos graves.
Sendo assim, a nossa adoção como filhos na casa do Pai não depende
dos nossos méritos, mas da expressão do seu amor revelado em
Cristo.
O
Cordeiro que tira o pecado foi imolado antes da fundação do mundo.
Adão e Eva perderam tempo cosendo aventais que murchariam antes do
fim da tarde. Os animais que foram sacrificados eram as únicas
expressões do amor de Deus para cobrir a nudez do casal. Fez
o SENHOR Deus
vestimenta de
peles para
Adão e sua
mulher e os
vestiu. Gênesis
3:21. Jeová além de ser o alfaiate é também
o camareiro. Graça significa Deus dando e fazendo tudo a quem só
tem demérito.
O
medo da rejeição exige aceitação a todo o custo, mas no amor não
existe medo. O amor lança fora toda apreensão, uma vez que o
indigente senta-se à mesa como um membro da estirpe real. O Pai nos
aceitou em Cristo em seu amor irrestrito e somos herdeiros do reino
celestial. Porque eu
estou bem
certo de que
nem a morte,
nem a vida,
nem os anjos,
nem os
principados, nem
as coisas do
presente, nem
do porvir,
nem os
poderes, nem
a altura, nem
a profundidade,
nem qualquer
outra criatura
poderá separar-nos
do amor de
Deus, que
está em
Cristo Jesus,
nosso Senhor.
Romanos 8:38-39.
Brennan
Manning diz que muitos cristãos
permanecem temerosos, pois
se apegam ainda à
idéia de um Deus
muito diferente da que
foi pregada por Jesus.
O temor é a causa do aborto da fé e esse medo do fracasso é um
paralisante do progresso espiritual. Contudo, aquele que sabe
verdadeiramente que o Pai o aceitou em Cristo com amor total, não
teme se arriscar no seu testemunho de fé, ainda que insipiente. A
queda é parte do desenvolvimento no andar da criança e, na
caminhada cristã, só tem insucesso quem se atreve a andar. Quem
confia no amor do Pai não teme ser desaprovado porque depende apenas
da sua aprovação na suficiência de Cristo. Jesus disse aos
discípulos que teriam problemas nesse mundo, todavia ele assegurou
que a sua vitória pessoal era a garantia do nosso sucesso, isto é,
o seu triunfo é o nosso troféu. Estas coisas
vos tenho
dito para que
tenhais paz
em mim. No
mundo, passais
por aflições;
mas tende bom
ânimo; eu
venci o
mundo. João
16:33.
Como
alguém disse com bom humor, Cristo prometeu
uma aterrissagem segura,
mas não um vôo
sem turbulência. Embora tenhamos muitas
tribulações nessa marcha aqui e agora, nada pode desbotar a
tonalidade do seu amor sem fronteira. Por isso, a fé se firma apenas
na imutabilidade do Pai amoroso, não ficando intimidada com as
pressões deste mundo e com as cobranças legalistas. Que
diremos, pois,
à vista
destas coisas?
Se Deus é
por nós,
quem será
contra nós?
Romanos 8:31.
A
pregação do medo promove uma obediência encabrestada. Há muita
gente dócil e flexível que preenche os seus requisitos morais
debaixo de apavoramento. São pessoas submissas enquanto reprimidas.
Mas os filhos amados do Pai obedecem simplesmente por amor. O medo
produz tormenta e os atormentados não são pessoas saudáveis, por
isso mesmo, só o amor consegue originar personalidades sadias. A
casa do amor é o único lugar seguro onde as pessoas não temem os
habitantes do casebre do temor. Robert Hart
dizia que o amor de Deus
é sempre sobrenatural,
sempre um milagre, sempre
a última coisa que
podemos merecer. Esse milagre sobrenatural e
imerecido é a causa de nossa aceitação com confiança. Eu creio
que o Pai me aceitou em Cristo por causa do seu amor profundo e sem
arrependimento. Nada poderá me afastar do seu amor irrestrito. A fé
que o Pai me deu não teme ser descartada como um traste qualquer. Na
casa do Pai não há amedrontamento, nem pessoas alimentando-se com a
síndrome do pânico. Jesus foi muito evidente quando disse aos seus
discípulos: Não temais,
ó pequenino
rebanho; porque
vosso Pai se
agradou em
dar-vos o seu
reino. Lucas
12:32. O rebanho pode ser pequeno, mas o reino
do Pai foi oferecido com prazer. Se nós vivermos com medo não
poderemos jamais viver pela fé. O medo é o avesso da fé. Quem teme
não consegue confiar, por esse motivo Jesus prontamente falou com
firmeza aos discípulos apavorados com medo de fantasma: Tende
bom ânimo!
Sou eu. Não
temais! Mateus
14:27.
O
mundo está cheio de assombrações e as tempestades são de
arrepiar, mas quando o Pai está no comando e o seu amor é o arrimo
de nossa sorte, então não tem por que temer. Alguém disse que o
medo é o início
da ansiedade, e esta,
o fim da fé,
mas a verdadeira fé
varre a ansiedade e
apaga o medo. O medo veio com
Adão e paralisa as pessoas, mas em Jesus vem a fé que suscita o
progresso espiritual. Ele é o único agente e gerente da verdadeira
fé. A vida cristã deve ser conduzida, olhando
firmemente para
o Autor e
Consumador da
fé, Jesus, o
qual, em
troca da
alegria que
lhe estava
proposta, suportou
a cruz, não
fazendo caso
da ignomínia,
e está
assentado à
destra do
trono de
Deus. Hebreus
12:2.
A
teologia do medo é responsável por uma conduta subserviente e
bajuladora. Os escravos do temor só obedecem porque não há
alternativa. Entretanto, os filhos de Aba são pessoas livres que
correspondem livremente motivados pelo amor que estimula a fé. Na
casa do amor, isto é, a igreja do Deus vivo, ninguém é coagido com
espantalhos apavorantes nem submetido à tortura da punição. O Pai
amoroso não é o deus do medo, também não é fobia, a reverência
a ele.
O filho de Aba crê no evangelho atraído pela boa notícia do amor revelado na cruz. O ico constrangimento que vemos aqui é a compulsão do amor incondicional demonstrado em Cristo, e isto é assunto de fé. Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. 2 Coríntios 5:14
O filho de Aba crê no evangelho atraído pela boa notícia do amor revelado na cruz. O ico constrangimento que vemos aqui é a compulsão do amor incondicional demonstrado em Cristo, e isto é assunto de fé. Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram. 2 Coríntios 5:14
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