terça-feira, 17 de julho de 2012

A FÔRMA DA REFORMA


A FÔRMA DA REFORMA
Glenio
Fonseca Paranaguá


Quem diz o povo ser o Filho do homem? ...Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: ...Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Mateus 16:13b, 16 e 18.
Alexander MacLaren sustentava que uma igreja morna gera a incredulidade, tão certamente quanto um carvalho em decomposição gera cogumelos. E São Crisóstomo disse que nada obterá mais sucesso em dividir a igreja do que o amor ao poder. Este era o contorno que emoldurava a igreja no século XVI. DAubigné pontuava: A mercantilização das indulgências fizera do homem o seu próprio deus na esfera religiosa. Lutero gritava: Não tenho outro argumento mais vigoroso contra o governo do Papa do que o fato de ele reinar sem a cruz. A igreja havia perdido sua identidade. Negociantes habilidosos vendiam a consciência para comprar a coroa do poder papal. Janus mostrou que naqueles dias tristes, a Igreja de Roma descera ao último grau de abjeção. Rezavam as lendas populares que cada Papa não obtinha o trono senão vendendo a alma ao demônio, em troca da tiara. A tesouraria do mérito negociava o perdão dos pecados com um pedaço de pano. As indulgências se tornaram fonte de lucro para as construções do Vaticano. A igreja de Cristo havia se tornado uma máquina opressora de fazer hipócritas. Cristo pôs a igreja no mundo, mas Satanás não tem feito outra coisa senão esforçar-se para colocar o mundo na igreja. A igreja, que deveria ser edificada por Cristo, acabou virando um sistema de extorquir as pessoas crédulas.
Martinho Lutero, monge agostiniano, quando esteve em Roma, em 1510, ficou chocado com o mundanismo dos clérigos e desiludido com a indiferença religiosa deles. A falta de compromisso com a verdade, ou distanciamento da Palavra de Deus, levou a igreja longe demais no caminho da indecência moral e espiritual. Uma igreja sem a verdade não é uma igreja verdadeira, e uma igreja sem o Espírito não é uma verdadeira igreja. Foi neste contexto lamentável que, no dia 31 de outubro de 1517, o som de um martelo, em Wittenberg, foi o sinal para o começo de uma reforma que muitos já estavam esperando. A Reforma não se voltava contra a autoridade, mas contra a usurpação do poder. Lutero não investiu contra a igreja, mas contra a anarquia do seu conceito. O sistema religioso era político demais para ser santo e seus interesses egoístas demais para serem justos.
A Reforma foi um brado da graça na edificação da igreja de Cristo. Se Cristo é o construtor da igreja, nunca os homens, por mais astutos que sejam, conseguirão pervertê-la totalmente. Os dedos sujos dos religiosos não poderão toldar a santidade da igreja. Jesus sempre realizará alguma reforma na sua igreja, ao ponto de mantê-la o mais possível fiel aos seus princípios. A igreja é dele, e só Ele é competente para torná-la íntegra. Com grande certeza podemos depender de Cristo quanto à edificação de sua igreja. Aquele que morreu por ela, vive para a apresentar a si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Efésios 5:27. Assim, como Cristo é a raiz pela qual o santo cresce, Ele é a regra pela qual o santo anda. O fato de haver muitas igrejas que negam o que Cristo fez não invalida o senhorio de Cristo sobre a sua igreja. A verdadeira igreja de Cristo é aquela que se submete totalmente ao governo soberano do seu único Senhor e está disposta a obedecer voluntariamente a sua vontade. Um Cristo suplementado é um Cristo suplantado, mas o senhorio de Cristo é soberano em sua igreja. Por isso, a igreja de Jesus Cristo, que está sempre crescendo, tem como axioma: Ecclesia reformata sed semper reformanda, isto é, uma igreja reformada, mas sempre aberta a mais reformas.
A igreja de Jesus Cristo é um corpo vivo, dinâmico e evolutivo. A igreja é uma comunidade cristocêntrica: as suas atividades devem ser inspiradas e dirigidas por Cristo. O motivo é Cristo. O modelo é Cristo. A meta é Cristo. Sendo assim, a igreja está sempre evoluindo nas dimensões da grandeza de Cristo. Mas a igreja que evolui é aquela que foi assinalada com as marcas da cruz. Não a cruz teológica de uma doutrina, ou um emblema decorativo. As marcas da cruz são aquelas que estão cravadas no caráter. Usar uma cruz não substitui o ato de fé de ser crucificado na cruz com Cristo. A fôrma da Reforma é a cruz. Cristão sem os efeitos da cruz no seu interior é falsificação da realidade. A cruz é a única escada suficientemente alta para alcançar a soleira dos céus. Só os crucificados pertencem à igreja de Cristo. A verdadeira igreja é aquela que brota da sepultura e que traz as evidências da vida ressurreta, que pode ser definida com as mesmas palavras que traçaram os fundamentos da Reforma do século XVI.
Soli Deo Gloria. A glória pertence somente a Deus. Toda a glória do cristão autêntico é glorificar o Deus de toda a glória. Nenhuma faísca do brilho divino pode ser reivindicado por qualquer dos mortais. Fomos regenerados para glorificar unicamente ao Senhor da glória. Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 1 Coríntios 10:31. A vida marcada pela cruz é aquela que reconhece a trindade Divina como a única detentora de toda a glória.
Soli Gratia. A salvação do ser humano é totalmente pela graça. No caminho para o Reino de Deus não tem pedágio. Deus não requer recompensas. Ele não faz permuta nem aceita gorjeta. Ninguém pode conquistar o céu, pois ele é uma dádiva da graça. Charles Hodge disse: Nada que não seja gratuito é seguro para os pecadores... A não ser que sejamos salvos pela graça, não podemos absolutamente ser salvos. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8-9. Se não fosse completamente pela graça, haveria o risco de suborno. Por esta razão, somente a graça pode nos fazer crer que a salvação é somente pela graça.
Sola Scriptura. A Escritura Sagrada, a Bíblia, é a única fonte da revelação cristã. A única autoridade capaz de apontar os pensamentos fundamentais de Deus para o homem. A Bíblia é a bússola que aponta o rumo, e o mapa que orienta a viagem do cristão. É o roteiro que avalia suas experiências e a balança que pesa sua conduta. A não ser que a Palavra de Deus ilumine o caminho, toda a vida dos homens estará envolta em trevas e nevoeiro, de forma que eles inevitavelmente irão se perder. Somente as Escrituras podem dar certeza ao coração do homem. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. 2 Timóteo 3:16-17. A única reforma verdadeira é a que emana da Palavra de Deus.
A Reforma ainda preconizava o sacerdócio de todos os crentes, a santidade de todos os regenerados e a igreja como povo de Deus, sem hierarquias ou castas especiais. Estas marcas da Reforma Protestante precisam ser atualizadas na Reforma atual. A igreja do nosso tempo passa pelas mesmas crises de poder e de manipulação que acometia a igreja de Roma, nos tempos de Lutero. Somos, pois, convocados a assumir a mesma postura do reformador, tomando a mesma fôrma da Reforma. A cruz de Cristo é a coisa mais revolucionária que apareceu entre os homens. Sem cruz não se segue a Cristo. A reforma só será realidade para as pessoas que já foram crucificadas com Cristo e que, por isso, não têm mais nada a perder. Um reformador bradava: Deus cria a partir do nada. Portanto, enquanto o homem não for reduzido a nada, por meio da cruz de Cristo, Deus não poderá fazer nada com ele

AS OBRAS NA GRAÇA


AS OBRAS NA GRAÇA
 Glenio Fonseca Paranaguá


Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, para comigo não foi vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus que está comigo. 1Coríntios 15:10
A graça de Deus não encontra homens aptos para salvação mas torna-os aptos a recebê- la. Os salvos são o que são, pelo poder vivo da graça de Deus. Os salvos não se caracterizam por seus próprios méritos, mas pela graça do Mediador. Eu sou uma nova criatura em Cristo Jesus pela graça de Deus. E tudo que o cristão é e tem, só existe pela graça. Como pela graça de Deus somos o que somos, também por Sua graça é que não somos o que não somos. A graça desfaz o que éramos e nos torna o que somos. Assim como a graça realiza em nós o que somos, realiza por nós o que fazemos. No Reino de Deus os santos não fazem suas obras por iniciativa própria nem com esforço próprio. Nossa eficiência sem a suficiência de Deus é apenas deficiência. Primeiro, Deus realiza uma obra em nós pela graça, e depois, por meio da mesma graça realiza uma obra através de nós. A graça trabalha em nós, para que possamos trabalhar pela graça. Nós fazemos as obras, mas Deus opera em nós a realização das obras. Deus chama os homens pela sua graça e por esta mesma graça os transforma, e os envia ao mundo, a fim de realizar uma tarefa que a graça irá sustentar e concretizar. Todos os gigantes de Deus foram homens fracos que fizeram grandes coisas para Deus porque se basearam na presença divina com eles. Quando Deus, pela graça, chama alguém, Ele sustenta. A graça é suficiente para sustentar e realizar tudo aquilo que Deus tem estabelecido. A essência da doutrina da graça é que Deus é por nós.
Quando Deus salva uma pessoa por sua graça, Ele também a capacita. Assim, Deus qualifica aqueles a quem chama. Não é possível alguém ser salvo pela graça sem ser também habilitado por esta mesma graça, para a tarefa que Deus tem chamado. Deus chama, salva, santifica, envia e sustenta pela graça. Todos os homens de Deus que realizaram a obra de Deus foram apenas homens que se submeteram ao tratamento da graça, deixando a glória para Aquele que tudo operou.
A graça leva o homem a depender por completo de Deus e a fazer toda a sua obra na dependência da soberania e poder de Deus. É a graça quem impulsiona todo filho de Deus a orar. Sem oração não pode haver ministério cristão. Mas, a oração não pode ser um grande esforço do espírito humano. Se a nossa oração é uma iniciativa de nossa alma, logo se tornará um enfadonho exercício. Orar por mero dever é algo insuportável para o coração humano. Só os santos oram com prazer e expontaneamente em cada momento.
A graça nos move à oração como os ventos estimulam as velas do barco. Tentar fazer qualquer trabalho para Deus sem oração é tão inútil como tentar lançar um satélite com um estilingue. Mas, a oração, fruto de um esforço sem a graça, é uma tarefa desgastante, incômoda e aborrecida. A verdadeira vida cristã é uma expressão graciosa que nos move a orar. Porém, orar sem trabalhar é zombar de Deus e trabalhar sem orar é roubar de Deus a sua glória. O serviço da graça envolve oração e ação. Não podemos somente orar sem trabalhar, pois isto negaria a ordenança de Deus: No suor do teu rosto comerás o teu pão. Gênesis 3:19a. Também, trabalhar sem orar torna Deus dispensável.
A graça de Deus nos habilita orando no trabalho e trabalhando em oração para realizar os propósitos que a graça determina. Phillips Brooks ensina: Não ore pedindo uma vida fácil. Ore para ser um homem mais forte. Não ore pedindo uma tarefa equivalente às suas forças. Ore por forças equivalentes às suas tarefas. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus. 2Coríntios 3:4-5. Pela graça Deus nos aperfeiçoa e ainda nos coloca nas tarefas mais arrojadas. Deus não pergunta sobre nossa capacidade ou incapacidade, mas se estamos à disposição.
Não há desculpas para aqueles que se entregam à graça de Deus. A graça transforma fichas em moedas de ouro, pedregulhos em pérolas, doença em saúde, fraqueza em força e miséria em abundância. A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. 2Coríntios 12:9. A fraqueza do homem é a perfeita possibilidade do Deus onipotente. Um fraco na dependência total de Deus é um gigante nas suas mãos. O vaso cheio não se pode encher. Mas aquele que se encontra vazio está na boa condição de ser usado. Deus não aproveita no seu Reino os homens cheios de si mesmos. Não há utilidade para o serviço da graça quem se reveste dos valores da carne. O trabalho de Deus é feito por Deus, da sua maneira e com os seus métodos e instrumentos. E a história bíblica mostra com clareza, que Deus jamais usou os poderes humanos para promover os seus projetos.
As obras na graça são feitas por Deus na vida de homens fracos e frágeis que se dispuseram por completo a viver na dependência do próprio Deus, a fim de realizar tudo aquilo que Deus determinar. Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Filipenses 4:13. Pensar que você não pode fazer nada é quase tão arrogante quanto pensar que pode fazer tudo. A graça de Deus nos transforma na salvação e nos habilita de tal modo, que podemos fazer tudo aquilo que Ele estabelece em seu programa. Nossa humildade serve-nos falsamente quando nos leva a fugir de qualquer dever. A desculpa de inaptidão ou incapacidade é totalmente insignificante para nos desculpar.
Os mensageiros de Deus são também instrumentalizados por Deus para desenvolver as tarefas que a graça patrocina. Não há ócio no estilo da graça. Quando Deus quer um obreiro, chama um obreiro pela graça. Não há desculpas por falta de capacidade nem por falta de tempo. Deus nunca escolheu vadios ou inativos para o seu ministério. Deus não precisa de seus talentos, sabedoria, santidade e força. Pelo contrário, você, em fraqueza, precisa desesperadamente do poder do seu Espírito em seus trabalhos.
A obra na graça, é a obra de Deus em nós e suas obras por meio de nós. A verdade mostra que os homens na graça são os mais ativos e diligentes que existem, pois realizam o maior número de obras com o poder da graça de Deus, dentro do tempo que a graça estabelece, para o louvor e glória de Deus. Se o trabalho é feito em nome de Cristo e com o seu poder e supervisão, a honra é devida ao seu nome. Todos os mandamentos de Cristo são atos da graça, por isso é um privilégio estar ocupado com eles. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo mais abundantemente além daquilo que pedimos e pensamos, segundo seu poder que opera em nós. Efésios 3:20

USANDO OU AMANDO


USANDO OU AMANDO
 Glenio Fonseca Paranaguá

Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.  João 13:1. 
Alguém já disse com muita precisão, que Deus criou o homem para amar as pessoas e usar as coisas, mas o pecado transtornou tão profundamente o ser humano, que ele acaba amando as coisas e usando as pessoas. Na verdade o amor é uma realidade bem pouco conhecida na nossa experiência diária dos relacionamentos. Nós confundimos amor com interesses pessoais. Defendemos as causas do amor em nome do nosso egoísmo. Somos consumidos pela paixão, pensando que o nosso alvo é o amor.

Nós falamos muito de amor e temos algumas definições apropriadas para os nossos conceitos de amor, mas a realidade demonstra a incoerência entre o discurso e a vida. Eliane Watson foi bem objetiva quando tratou de sua grande crise: O meu maior problema não é amar o mundo todo. A minha maior dificuldade é amar meus conhecidos que moram na casa vizinha. As vezes falamos do nosso grande amor e da capacidade que temos em nos doar, enquanto os nossos interesses não são conflitados. Certa ocasião Nero, o imperador romano, falou publicamente no Senado que o seu preceptor Sêneca, era o seu melhor e mais fiel amigo; mas quando este amigo, no outro dia,  discordou de algumas posições extremadas assumidas pelo imperador, acabou perdendo a vida. Sêneca era amigo enquanto concordava totalmente com as posições do imperador. Sêneca agora estava morto e Nero choromingava a sua morte: Sêneca era meu amigo, mas eu sou amigo apenas daqueles que me obedecem fielmente! Este é o perfil psicótico da amizade despótica. Você é meu amigo se pensar como eu penso e se fizer como eu quero.

A verdadeira amizade não exige fidelidade compulsória, mas concede liberdade para que a correspondência responsável seja espontânea, livre e pessoal. Jesus tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. Jesus amou Judas que o traiu com uma amizade incondicional. A atitude antipática de Judas não podia intervir na realidade sublime de uma amizade verdadeira. Quando Judas se aproximou de Jesus com o beijo da traição, Jesus se manifesta com um coração realmente comprometido com a sua amizade. E logo, Judas aproximou-se de Jesus e lhe disse: Salve, Mestre! E o beijou. Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam. Mateus 26:49-50. Jesus não usa as pessoas, ele as ama em qualquer circunstância. Ele não deixa de amá-las por causa da infidelidade humana. Ele não as despreza em virtude de suas idéias contrárias. Jesus sabe muito bem que a única maneira de se ter amigos sinceros é ser sinceramente amigo, e profundamente amável. Matthew Henry percebendo esta realidade afirmou com amor: pessoas com as quais não concordamos, mas não precisamos afastá-las de nossa amizade.  Cremos que o amor é mais forte e mais poderoso que as diferenças de opiniões e muito mais profundo que os limites de nossos preconceitos. Há uma grande diferença entre aqueles que têm amigos e aqueles que são amigos. Muitos primam por conquistar amigos e se gabam de ter muitos amigos. Contudo, sofrem com o medo de perder e vivem na corda bamba das susceptibilidades para mantê-los em suas inconstâncias.  Outros são apenas amigos e não temem perdê-los, pois ainda que estes se vão, eles continuam verdadeiramente amigos. Eles não usam as pessoas, mas amam sem interesse, nem culpa.

A Bíblia fala de dois amigos íntimos que ultrapassam aos padrões vulgares das amizades negociadas, e das paixões medíocres e deformadas que caracterizam as perversões humanas. Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. 1Samuel 18:1. Estes dois se tornaram amigos incondicionais. Não se trata de uma amizade utilitária nem uma relação passional ou patológica. Era uma amizade de calibre eterno e de proporções verdadeiras. Davi e Jônatas tinham uma relação de amigos sinceros e não mera cumplicidade de vantagens lucrativas. Saul fez tudo para comprometer esta dedicação e colocou toda forma de incompatibilidade para abortar a afeição genuína que eles nutriam. Porém esta amizade não estava alicerçada em proveitos próprios, nem se fundamentava em carências psicológicas complementares. Não havia a necessidade doentia de aceitação nem o medo obsessivo da rejeição. Eles se amavam sem as paixões deformantes da alma, nem as vantagens lucrativas do egoísmo. Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão. Provérbios 17:17. Lembro-me de uma pessoa que dizia ser o melhor amigo de alguém, até ser confrontada por este nos seus interesses pessoais. Pouco a pouco a sua amizade evaporou-se. A volatilização do relacionamento estava baseado exatamente na utilização da amizade. Jônatas foi encurralado pelo pai para descartar a amizade com Davi, pois como Príncipe herdeiro, o seu reino estava ameaçado com a possibilidade de Davi se tornar Rei. Então, se acendeu a ira de Saul contra Jônatas, e disse-lhe: Filho de mulher perversa e rebelde; não sei eu que elegeste o filho de Jessé, para vergonha tua e para vergonha do recato de tua mãe? Pois, enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino; pelo que manda buscá-lo, agora, porque deve morrer. Então, respondeu Jônatas a Saul, seu pai, e lhe disse: Por que de ele morrer? Que fez ele? Então, Saul atirou-lhe com a lança para o ferir. 1Samuel 20:30-33a. Jônatas escolhendo a legítima amizade prefere perder o reino ao amigo; enquanto Saul, que só sabia usar as pessoas, prefere matar o filho, a conhecer os laços de uma amizade profunda.

Há muitas pessoas que se interessam pelas outras enquanto estas podem ser úteis, ou quando não causam ameaça aos seus interesses. Não raro confundimos amizade com utilização de influência ou prestígio conveniente. Se você me serve, então sua amizade pode ser meticulosamente engenhada. Muitas vezes, em face da solidão, nos tornamos amigos de pessoas que podem corresponder à nossa necessidade. Servir-se das pessoas é muito diferente de servir as pessoas com amor generoso e desprendido. Seja o que for a amizade, ela jamais se utiliza dos outros para o benefício pessoal. A prova de uma amizade legítima está na capacidade do amigo se doar pelo objeto de sua afeição. Muitos amam da boca para fora, mas os amigos amam de coração, até ao fim, em qualquer circunstância e sem qualquer interesse mesquinho, senão o de amar o amigo. Jesus foi um amigo dos seus discípulos, e os amou incondicionalmente até ao fim. Ele não amou por conveniência nem por solicitude de qualquer carência. Pois o amor precisa amar, ainda que não ganhe nada com isso.  E como dizia muito bem Thomas Merton, o amor busca apenas uma coisa: o bem do ser amado. Ele deixa todos os outros elementos secundários por conta de si mesmos. Deste modo, que a graça de Deus nos constitua amigos das pessoas e não desfrutantes de seus préstimos ou qualidades. Temos um projeto de vida maravilhoso de amar as pessoas e não usá-las. Examinemos as nossas relações e vejamos se estamos usando ou amando

segunda-feira, 16 de julho de 2012

PERDÃO, POR NÃO PERDOAR


PERDÃO, POR NÃO PERDOAR
 Glenio Fonseca Paranaguá


Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.  Lucas 6:37-38.
Um dos fundamentos básicos do Evangelho é a doutrina do perdão mediante o sacrifício vicário de nosso Senhor Jesus Cristo. A cruz é o único preço do perdão, capaz de pagar a dívida dos nossos pecados, e a justiça de Deus é que patrocina esta cobrança. Dr. Oswald Chambers sustentava com muita propriedade que é um completo absurdo dizer que Deus nos perdoa porque Ele é amor. A única base pela qual Deus nos pode perdoar é a cruz de Cristo. A lei não pode ser transgredida nem a pena comutada. A justiça de Cristo, declarada na corte do Tribunal celeste, é nossa única absolvição, completa e final. Para nos reconciliar com Deus, o Senhor Jesus Cristo nos incluiu juntamente com Ele na cruz e nos justificou completamente dos nossos pecados, a fim de sermos perdoados pela sua infinita graça. E como dizia Iain Murray, Deus nunca perdoa o pecado sem, ao mesmo tempo, mudar a natureza do pecador. Pecador perdoado é, de fato, um perdoador.

Eu sou fã incondicional da graça de Deus. Não há nada mais admirável e extraordinariamente fantástico do que a operação plena da graça de Deus. Jesus quando terminou a sua missão terrena e voltou para sua casa, deixou o portão aberto com um bilhete: Tudo está pago. Não apaguem as luzes, e não se preocupem com o consumo da energia. Não atendam aos cobradores, pois a conta já está quitada. E não se preocupem com os ladrões, tomei a providência de deixar todos os pertences assegurados. Está consumado. Vós sois a luz do mundo. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.  João 19:30, Mateus 5:14a e 16 e João 10:28-29.

Max Lucado afinou a sua pena ao escrever esta jóia: Ver o pecado sem a graça é desesperador. Ver a graça sem pecado é arrogância. Vê-los em série é conversão. Deus nos perdoou completamente de todos os nossos pecados mediante esta graça maravilhosa encarnada em Cristo Jesus. Perdão é ficar livre dos pecados mas também desembaraçado para perdoar. Se Cristo me perdoou de todos os meus pecados, porque ainda me mantenho reprimido quanto ao perdão que devo oferecer aos que me ofenderam? Nós nunca poderemos perdoar alguém mais do que Jesus já nos perdoou. Ora, se Deus nos perdoou tanto por meio da graça em Cristo, Ele também nos concede a graça para perdoarmos realmente aqueles que nos tem prejudicado. Todos aqueles que reconhecem a gravidade do seu pecado e a generosidade da misericórdia de Deus, se mostram sensíveis para desonerar os impostos lesivos que lhes foram tributados. Não é possível  usufruir do perdão gracioso de Deus e não ser capaz de perdoar com benevolência. Por outro lado, o perdoador percebe a arrogância que se esconde numa atitude de indisposição ao perdão. Alexander Alud mostra que a pessoa que sabe que é susceptível à queda estará mais pronta a perdoar as ofensas dos seus semelhantes. É preciso compreender a nossa humanidade falível, para poder exercer com complacência o perdão sincero. Se realmente experimentamos o perdão de Deus e conhecemos a nossa estrutura falida, não há porque negar o perdão a quem nos danificou. Não há transgressão tão grave que o amor legítimo não seja capaz de absolver. Não existe mágoa tão profunda que o genuíno perdão não releve por completo.

O Cristianismo é a manifestação integral do amor de Deus no sentido de perdoar perfeitamente o ser humano, a fim de torná-lo perito na arte graciosa de perdoar. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Efésios 4:32. Ninguém pode se declarar realmente salvo se não é capaz de perdoar o seu ofendedor. Não estamos dizendo que esta é uma atitude  fácil, ou que sejamos naturalmente habilitados para este mister. C S Lewis escreveu: Todos dizem que perdoar é uma idéia agradável até terem algo para perdoar. Mas, o perdão trivial é vulgar e leviano. Se está fácil perdoar, não se trata de uma ofensa autêntica, mas de um esbarrão que se desmancha com uma simples desculpa. Escusar é uma indulgência muito leve para as personalidades bem educadas. Perdoar não é uma mera desculpa de gente polida; é um gesto profundo de assumir a perda sem contabilizar todos os prejuízos. Perdoar é absolver o crime e banir do coração todo desejo de desforra. É soltar o réu distante do preconceito ressentido de uma possível recaída. É apagar a mácula sem a recordação sensível de uma nódoa permanente. Perdoar é esquecer que um dia foi ferido, pois os golpes foram sarados pelo bálsamo do sublime amor, sem deixar torpes cicatrizes. Aqueles que dizem que perdoam mas não esquecem, simplesmente enterram a machadinha, deixando o cabo de fora para usá-la da próxima vez.

Os animais matam por instinto. Os homens se vingam por maldade. Os salvos perdoam por amor. Se Deus nos perdoou tudo e completamente em Cristo Jesus, por que não liberamos o perdão aos nossos agressores? Errar é particularmente humano. Perdoar é essencialmente divino. Se somos humanos, erramos com freqüência; mas se somos filhos de Deus, pela fé em Cristo, temos a reiterada disposição para perdoar. Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de  humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Colossenses 3:12-14. Não há nada que nos identifique tanto com Deus, como a vida de amor, cheia das atitudes perdoadoras. Deus em Cristo nos perdoa os nossos pecados como se jamais tivessem sido cometidos, e nós, pela graça, somos capacitados a perdoar com a mesma disposição.

Ambrósio, um dos mais notáveis teólogos da igreja cristã, dizia: Não me vangloriarei por ser justo, mas por ser remido; não por ser livre do pecado, mas porque meus pecados são perdoados. Sua ênfase na dependência da graça removia totalmente qualquer presunção de auto-suficiência orgulhosa. Desde que Deus nos perdoa radical e continuamente em Cristo Jesus, nossa postura deve ser também de legítimos perdoadores, sem qualquer afetação de liberalidade, assim como Deus em Cristo nos perdoou. Deus nos perdoar, é próprio da sua graça, que nos justificou em Cristo. E nós perdoarmos, é conseqüência do amor de Cristo em nossos corações. Uma vez perdoados, para sempre perdoando. Nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto como o perdão

Por outro lado, o perdão deve ser também enfocado em relação a nós mesmos. Há muita gente que pensa como Ausonius: Você deve perdoar muitas coisas nos outros, porém nada em você mesmo. Isto é a copia fiel do recado da Serpente: Como Deus sereis. Esta teomania tem sustentado a mensagem do perfeccionismo com uma austeridade insuportável. Quem continua a temer castigos ainda não ouviu a Cristo nem à voz do Evangelho. Se Deus já me perdoou, por que eu também não hei de me perdoar? Nestes dias de complexo de culpa, talvez a mais gloriosa palavra seja, perdão. O perdão de Deus incondicional, por meio de Jesus Cristo; o perdão aos outros mediante o amor de Cristo em nossos corações; e o perdão a nós mesmos, por já termos sido perdoados totalmente pela graça.
Perdoa-me, por ser perdoado e não ter perdoado ainda aos outros, e a mim mesmo!

FUGAS E RESISTÊNCIAS


FUGAS E RESISTÊNCIAS
Glenio Fonseca Paranaguá

Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas.  1 Timóteo 6:11-12.

A história do homem na Terra tem sido uma trajetória de fugas e resistências. Todas as vezes que ele se sente ameaçado por qualquer sintoma hostil, fora do seu controle, ou oprimido por alguém, sua reação natural é fugir ou resistir. O ser humano sempre procura escapar daquilo que o amedronta ou assusta. E resiste àqueles que lhe causam coação. Desde que o pecado tomou conta do coração humano, a fuga tem sido uma marca de nossa espécie. Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. Gênesis 3:8. O medo assumiu o controle da alma, depois que a culpa tomou conta da mente. A melhor alternativa agora era fugir e ocultar-se com disfarces e proteções. Com máscaras de folhas e barreiras de troncos, o homem tentar encobrir as suas falhas, fugindo e escondendo-se da presença de Deus. Em face da transgressão moral e de sua rebeldia espiritual, cada passo de sua existência tem se caracterizado por uma postura essencialmente resistente. Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como  fizeram vossos pais, também vós o fazeis. Atos 7:51. Estevão estava mostrando aqui que os judeus eram resistentes ao Espírito por tradição genética. Desde Adão e Eva que nossa conduta racial vem se demonstrando obstinada com relação às revelações divinas.

Mas fugas que são absolutamente inúteis. Todo mecanismo que nos predispõe a distanciar da presença de Deus, causa um total absurdo. Ninguém pode fugir da presença de Deus. O salmista pergunta com muita inteligência e responde com sabedoria inconfundível: Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa.  Salmo 139:7-12.

A Bíblia fala da insensatez de um profeta que pretende fugir da presença de Deus. Freqüentemente encontramos pessoas com esta atitude insana. Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do Senhor, para Társis; e, tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor. Jonas 1:3. Muitos expedientes têm sido elaborados com a finalidade de prover o distanciamento do homem da presença de Deus. Mas todos eles correspondem ao mecanismo da avestruz que enfia a cabeça na moita, deixando todo o seu corpo de fora. O ser humano pode não ter consciência da presença de Deus, porém, jamais conseguirá fugir de sua presença.
Por outro lado, uma necessidade fundamental da fuga relacionada com alguns tipos de envolvimentos. As Escrituras instigam a inevitabilidade de fugir da idolatria. Fugir da presença de Deus é impossível. Contudo é imperioso que fujamos de tudo aquilo que assume o lugar de Deus. Portanto, meus amados, fugi da idolatria. 1Coríntios 10:14. A essência da idolatria é ter pensamentos indignos acerca de Deus. Por este motivo é forçoso para a saúde espiritual que fujamos de qualquer forma de idolatria. Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão. Tudo aquilo que esfria o nosso desejo de intimidade por Jesus Cristo, se constitui numa postura idólatra que deve ser renegada a qualquer custo. Ninguém deve resistir à idolatria, mas fugir dela. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 1João 5:21.

Do mesmo modo que devemos fugir da idolatria, somos exortados a fugir de tudo aquilo que aparenta piedade mas desmerece o poder de Deus. A Bíblia mostra que os tempos do fim serão tempos difíceis, pois os homens se mostrarão bastante egoístas, avarentos, arrogantes... tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. 2Timóteo 3:1...5. Piedade exterior e corrupção interior formam uma mistura revoltante, que deve ser abominada em uma fuga permanente. A Palavra de Deus não sustenta qualquer envolvimento com este tipo de pessoa que aparenta santidade sem a demonstração poderosa da vida de Cristo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. 1Coríntios 5:11. Está claro que é preciso fugir das companhias fingidas. William Secker afirmava com razão: Uma prostituta maquilada é menos perigosa do que um hipócrita disfarçado. Não adianta combater este tipo de comportamento; neste caso, a fuga é a única atitude satisfatória para o equilíbrio emocional do crente.

Fugir de Deus é um despropósito, mas fugir da impureza é necessário para a manutenção da singeleza de coração. A impureza contamina a mente, corrompe a moral, contagia o corpo, emporcalha as relações e polui a linguagem. Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa comete é fora do corpo; mas aquele que pratica a impureza peca contra o corpo. Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espirito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? 1Coríntios 6:18-19. O texto aqui exige a fuga da impureza e não o combate. É humanamente impossível alguém entrar no fogo sem se queimar e sair dele sem cicatrizes; como também, é inadmissível  envolver-se com a impureza sem trazer as marcas de suas manchas. Deus não pede que nós resistamos à impureza, mas fujamos dela, do mesmo modo que sustenta a fuga de todo o tipo de paixões determinantes da juventude. Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor. 2Timóteo 2:22. A Palavra de Deus sustenta a mensagem que nos mantém fora do perímetro das paixões, por isso, fugir delas é a única alternativa viável. Ninguém é capaz de impedir o surgimento das paixões, nem tão pouco é competente para resistir à sua fúria. A grande arma contra a impureza e as paixões é escapar de sua influência, retirando-se o mais distante possível dos seus limites.

As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre. Salmo 119:160. Nada mais seguro do que o terreno da verdade. Ainda que as verdades, como as rosas, tenham espinhos, os homens retos as levam sempre junto ao coração. Nossas almas devem ser o santuário e o refúgio da verdade. É uma grande estupidez tentar resistir à verdade. E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto a fé; eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles. 2Timóteo 3:8-9. Provavelmente estes dois homens fossem os sacerdotes de Faraó que tentaram com as suas artes mágicas resistir a Moisés, e acabaram desacreditados com o poder da verdade divina, revelada nas Escrituras.

Se alguém que nós devemos resistir com a verdade e em plena confiança de fé, este é o Diabo, o pai da mentira. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós. Tiago 4:7. Não podemos fugir de Deus, mas devemos fugir da idolatria, da hipocrisia, da impureza e paixões da mocidade. Não podemos resistir à verdade, porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade, 2Corintios 13:8, mas devemos resistir ao Diabo, porque ele fugirá de nós. Muitos fogem do Diabo, porque resistem à verdade. Mas aqueles que confiam na verdade de Deus podem resistir ao Diabo, pois têm a certeza de que ele fugirá. Quem tenta fugir de Deus resiste à verdade. Quem resiste ao Diabo com na verdade de Deus, tem a garantia da sua fuga. De quem fugir e a quem resistir, eis a questão!