quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ACEITO OU RECEBIDO


ACEITO OU RECEBIDO
Por:
Glenio Fonseca Paranaguá


E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher, e não se envergonhavam. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.Gênesis 2:25 e 3:7
Antes do pecado, o homem e a mulher viviam num ambiente puro e gozavam de um coração puro. Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes, o seu entendimento e consciência estão poluídos. Tito 1:15. Adão e Eva eram puros e viviam na pureza mais santa, antes do pecado. Não havia maldade nem malícia. Mas depois do pecado, o fermento sutil da maliciosidade infiltrou-se em todos os processos comportamentais do ser humano. Sem o pecado não havia o menor problema para a nudez do casal. Eles eram puros e havia pureza de intenções. Logo após o pecado surgiu a vergonha. O casal foi invadido de um sentimento de temor ao perceber que estava nu. E Adão disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. Gênesis 3:10. Mas eles estavam nus desde o princípio. Eles foram criados nus. Eles viviam nus. Eles não se envergonhavam. Então, o que aconteceu? Abriram-se os olhos de ambos e se perceberam nus. O pecado é a atitude que reverte o centro de gravitação do homem. Eles estavam centralizados antes na vontade de Deus e gozavam da aprovação divina. Quando pecaram passaram a centralizar-se em si mesmos e buscavam a aceitação do outro. O pecado eleva o conceito próprio e busca numa avaliação de si mesmo a aceitação plena do outro. O homem centralizado no seu ego fica dominado pelos valores subjetivos de sua consideração e respeito próprio.
O pecado tirou o centro decisório do ser humano, de Deus, e o colocou no coração do próprio homem. Assim, o homem no seu pecado vive determinado pela sua imagem, e busca a sua aceitação por aquilo que os outros pensam ou acham dele. A impressão que nós damos aos outros é a matéria prima para a fabricação de nossa auto-imagem. Deste modo nós nos iludimos conosco mesmos, para depois enganar os outros com os dados de nossa personalidade. A procura de nossa aceitação é a ênfase principal da estratégia do pecado.
A hipocrisia torna-se uma expressão de vida. O que aparece é mais importante do que a realidade. Hipócrita é o homem que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Mateus 23:27. A religião de um modo geral se preocupa mais com a conduta do que com a intenção. Mais valem os atos vistos do que a atitude interior. O que interessa de fato, no âmbito religioso, é a aceitação pessoal diante dos outros. E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens, pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes. Mateus 23:5. Desde o Jardim do Éden que esta prática de fantasias vem se desenvolvendo. É mais importante a roupagem externa do que a realidade do coração. Mas o Evangelho de Jesus Cristo não enfatiza nem admite esta moda da alta costura fantasiosa, que se enfeita para parecer o que não é. Não nada pior do que ser por fora aquilo que não se é por dentro. Uma ferida aberta pode estar escondida debaixo de um manto de púrpura.
No Evangelho de Jesus Cristo o homem não precisa demonstrar suas virtudes e esconder os seus vícios e pecados, para ser aceito. Ele é recebido pela graça de Deus assim como é, na realidade. Deus não aceita a aparência, mas recebe o mais indigno pecador, para salvá-lo e libertá-lo de todo engano e pecado. Assim, nós somos aceitos por Deus através de Jesus Cristo que realizou uma obra perfeita, a fim de sermos recebidos como filhos de Deus. Nós não somos aceitos pelos nossos predicados, mas Deus nos aceita pelos méritos suficientes de Cristo. E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pelo qual nos fez agradáveis a si no Amado. Efésios 1:5-6.
Deus nos aceita em Cristo Jesus pela sua graça, nos justificando totalmente em seu corpo santo, e deste modo nos fazendo em Cristo, agradáveis a si mesmo. Em nossa inclusão juntamente com Cristo somos salvos da condenação do pecado, e libertados, pelo poder da vida de Cristo, do domínio do pecado. Não sou eu quem aceita a Cristo, mas foi Cristo quem me aceitou primeiro, fazendo-me participante de sua morte. Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8-9. Pela graça, Cristo nos atraiu a si mesmo quando foi levantado na cruz, para nos fazer co-participantes de sua morte. Mortos em seu corpo na cruz, somos ressuscitados em nova vida, para a glória de Deus. Por esta graça somos recebidos por Deus sem qualquer máscara de aceitação. Não há necessidade de tangas ou aventais que escondam as realidades interiores. Podemos nos apresentar com toda a autenticidade diante do trono da graça, buscando receber misericórdia daquele que é o Deus de toda misericórdia.
Deus nos aceita somente em Cristo, não por sermos aceitáveis, mas porque Jesus Cristo nos justifica plenamente pelos seus méritos, e se apresenta como única fiança de nossa vida. Ele é o penhor de toda a justificação e a eterna garantia de uma salvação completa. Ninguém precisa buscar aceitação dos outros quando tem a certeza de sua aceitação em Cristo. Todos aqueles que já foram salvos pela graça de Deus, podem usufruir um estado permanente de pura aceitação diante de Deus. Neste caso já não há mais qualquer preocupação com o disfarce ou dissimulação do viver. Uma vez aceitos pela graça em Cristo, podemos viver sem o menor medo de rejeição. Todo o que o Pai me virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. João 6:37. Não há recusa para aqueles que foram salvos e aceitos em Cristo. Assim, o coração aceito e satisfeito vive uma festa contínua.
Deus, por sua graça, nos identificou na morte em Cristo, para nos fazer quinhoeiros de sua morte, a fim de sermos libertos da obra maligna do pecado, sendo feitos filhos de Deus, aceitos e recebidos pela santidade da vida de Cristo. Participantes de sua morte, somos ainda compartes de sua ressurreição, tendo a certeza de nossa aceitação irrevogável pela graça de Deus. Esta maravilhosa operação do Evangelho nos possibilita uma libertação total de todos os procedimentos que visam nos tornar aceitáveis pelos nossos esforços. Todos aqueles que já se encontram aceitos pela graça de Deus não precisam mais usar as vestimentas que contribuem para a aceitação dos outros. Uma vez aceitos em Cristo Jesus, tornamo-nos possuídos de uma certeza absoluta e tranqüila da plena aceitação de Deus. Isto basta. Se Deus me aceitou em Cristo, sou uma pessoa aceitável diante dEle e deste modo quero viver para sua inteira glória e louvor

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