A
RELEVÂNCIA DA RECONCILIAÇÃO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
A reconciliação é um programa da
administração divina. Deus é quem toma a iniciativa da
harmonização das partes ao tornar-se confinante com o fugitivo, a
fim de poder aproximar-se dele. Primeiro Deus se achega ficando bem
perto do pecador rebelde para em seguida atrair o seu coração para
ele mesmo.
Eu só posso buscar a Deus realmente
porque ele se aproximou da humanidade e se revelou na dimensão do
meu entendimento. Ninguém consegue buscar um Deus absoluto e
invisível, escondido nas nuvens do desconhecido, se ele mesmo não
se manifestar dentro dos limites da nossa abrangência racional.
Mesmo antes da encarnação do Verbo divino foi necessário ouvir a
voz de Deus para iniciar a aproximação. E
chamou o
SENHOR Deus
ao homem e
lhe perguntou:
Onde estás?
Gênesis 3:9.
O pecado separou a humanidade de Deus
tornando-a desertora. A história da nossa raça é um assunto de
evasão e invasão. Evadimos da presença de Deus e invadimos o mundo
dos esconderijos. Somos uma espécie apavorada que vive de máscaras
procurando labirintos e escondida em tangas e tocas construídas pela
religião. Ele respondeu:
Ouvi a tua
voz no
jardim, e,
porque estava
nu, tive
medo, e me
escondi. Gênesis
3:10.
Não foi o pecador sentenciado pela
desobediência e estigmatizado pela culpa quem deu o primeiro passo
em direção ao encontro. O pecado nos encheu de arrogância e nos
fez autônomos em relação ao Criador. No fundo da nossa alma há
uma aversão contra Deus que nos deixa indispostos para com ele. Por
isso, o
pendor da
carne é
inimizade contra
Deus, pois
não está
sujeito à
lei de Deus,
nem mesmo
pode estar.
Romanos 8:7.
O ser humano nunca iria se reconciliar
com Deus por conta própria. A reconciliação é um empreendimento
da graça de Deus, que se tornou impecavelmente concreto na
encarnação de Cristo. Foi justamente no corpo de Jesus que Deus e a
humanidade ficaram vizinhos na mesma pessoa. As duas naturezas,
divina e humana, unidas numa mesma pessoa é o mais próximo de Deus
que se pode chegar. Buscar ao Senhor enquanto está perto é
encontrar-se com Deus em Jesus.
Cristo Jesus é a aproximação de
Deus mais achegada ao ser humano que se pode ter. Quando as duas
naturezas se encontram numa única pessoa sem qualquer alteração na
essência ou redução na identidade, temos o milagre de um acordo
que vem promover a amizade eterna entre as partes. A união da
divindade com a humanidade é a reunião de conciliação onde são
desfeitos os efeitos da hostilidade do pecado.
A reconciliação que desfaz a
desavença não vem acusando o culpado. Ainda que o pecador seja o
responsável pelo desacordo, Cristo não incrimina o réu. A mensagem
do evangelho apresenta a parte ultrajada vindo em busca daquela que
afrontou sem qualquer incriminação. Na verdade, Cristo, a parte
afrontada, vem assumindo a culpa do culpado e oferecendo o seu perdão
incondicional sem acusá-lo por causa do seu tropeço.
Jesus não envergonha o pecador por
seu pecado, antes assume a vergonha do transgressor, sem, contudo,
culpá-lo por sua transgressão. O perdão só é verdadeiro perdão
quando aquele que perdoa assume a conta do devedor pagando-a
integralmente, sem acusá-lo pela dívida, nem cobrá-lo
posteriormente.
O perdão não é dado ao pecador em
decorrência do seu arrependimento, mas este passa a existir em razão
daquele. O arrependimento do sujeito não produz a reconciliação
com Deus, uma vez que é o perdão de Cristo que gera o
arrependimento, e ao mesmo tempo, a reconciliação. Ora,
tudo provém
de Deus, que
nos reconciliou
consigo mesmo
por meio de
Cristo e nos
deu o
ministério da
reconciliação, a
saber, que
Deus estava
em Cristo
reconciliando consigo
o mundo, não
imputando aos
homens as
suas transgressões,
e nos confiou
a palavra da
reconciliação. 2
Coríntios 5:18-19.
Cristo levou sobre si os pecados dos
pecadores e não jogou em rosto a culpa dos culpados. A vergonha dos
nossos atos lhe fora imputada, mas ele não nos envergonhou atirando
sobre nós a nossa infâmia. A reconciliação não agita a sujeira
decantada, nem sopra sobre a carniça para espalhar o mau cheiro. O
Espírito Santo não assopra corrupção. O Pai assume a
desmoralização do pecador e imputa a sua justiça através de
Cristo.
A reconciliação, portanto, parte do
Pai que resolve assumir os pecados dos pecadores mediante a morte de
seu Filho, sem fazer qualquer acusação contra os transgressores
mais indignos. Todo sistema de denúncia e incriminação não faz
parte da obra da redenção. A acusação é papel do Maligno e de
sua tropa. Então, ouvi
grande voz do
céu, proclamando:
Agora, veio a
salvação, o
poder, o
reino do
nosso Deus e
a autoridade
do seu
Cristo, pois
foi expulso o
acusador de
nossos irmãos,
o mesmo que
os acusa de
dia e de
noite, diante
do nosso
Deus. Apocalipse
12:10.
Na visão bíblica, a delação é um
papel sujo do acusador. O Espírito Santo nunca recrimina o implicado
a fim de aviltá-lo, nem expõe ao ridículo a feiúra do culpado.
Ainda que ele convença o réu da sua terrível infração, não é
do caráter divino a censura pública dos pecadores. O Advogado do
evangelho não faz exigências que maculem os seus clientes. Jesus
jamais defendeu o doloso realçando ao espectador a sua falcatrua.
A reconciliação promovida pelo Pai
não vem instigada por qualquer fórmula de repreensão ou acusação.
Na verdade Cristo assume a censura do acusado e levando sobre si a
pena do pecador não o bombardeia de queixas ou ensaboadelas. A obra
da redenção não salienta a vileza inegável do fraudulento diante
dos outros, uma vez que toda a sua culpa recai sobre o Cordeiro de
Deus que tira o pecado do mundo.
Olhando para a seriedade do julgamento
onde Cristo Jesus foi condenado é que nós podemos perceber a
gravidade do nosso pecado. Ao observar a truculência da sentença
vemos a magnitude da nossa transgressão, mas vemos também que não
há qualquer acusação da parte de Deus para nos enrubescer.
Todo aquele que procura acusar um
infrator não consegue promover uma verdadeira reconciliação. A
argüição em si mesma só fomenta resistência, ocasionando ainda
mais desavença. Por esse motivo, todo arrependimento genuinamente
cristão tem que ser a rigor livre de apelações e denúncias. Ou
desprezas a
riqueza da
sua bondade,
e tolerância,
e longanimidade,
ignorando que
a bondade de
Deus é que
te conduz ao
arrependimento? Romanos
2:4.
O remorso, normalmente, é fruto de
uma descoberta. Quando alguém é apanhado com a boca na botija, se
tem algum senso moral, com freqüência fica cabisbaixo. O fato de
ter sido desvendado o acontecimento acaba gerando vergonha e remorso.
Mas o arrependimento, primeiramente, não significa acabrunhamento
moral. O que leva o pecador a se arrepender é a bondade
incondicional de Deus.
Na obra da reconciliação com Deus há
um desgosto que é a causa da contrição, mas isto não quer dizer
vexame. O Pai não encabula o filho afrontando-o diante dos outros,
mesmo porque a
tristeza segundo
Deus produz
arrependimento para
a salvação,
que a ninguém
traz pesar;
mas a
tristeza do
mundo produz
morte. 2
Coríntios 7:10.
Sendo assim, buscar ao Senhor enquanto
está perto é buscar o Deus que nos buscou em seu amor eterno. Nós
só podemos buscá-lo porque ele nos buscou primeiro. Ele se tornou
adjacente ao homem na encarnação ao receber a natureza humana, e
mais achegado ainda na crucificação, quando tomou sobre si também
os nossos pecados. Aqui nós temos a perfeita identificação do
Salvador com o pecador trazendo a libertação da culpa.
Toda a operação que nos reconcilia
com Deus foi realizada pela Trindade Santa mediante o sacrifício de
Cristo. Embora tenhamos parte nesse processo, essa participação vem
através da nossa natureza pecadora e dos seus pecados, por isso não
temos nenhum direito. Porque, se
nós, quando
inimigos, fomos
reconciliados com
Deus mediante
a morte do
seu Filho,
muito mais,
estando já
reconciliados, seremos
salvos pela
sua vida; e
não apenas
isto, mas
também nos
gloriamos em
Deus por
nosso Senhor
Jesus Cristo,
por intermédio
de quem
recebemos, agora,
a reconciliação.
Romanos 5:10-11.
A rebeldia do pecado nos fez inimigos
de Deus, mas a obra perfeita de Cristo nos reconciliou com ele para
que sejamos também agentes da reconciliação. De
sorte que
somos embaixadores
em nome de
Cristo, como
se Deus
exortasse por
nosso intermédio.
Em nome de
Cristo, pois,
rogamos que
vos reconcilieis
com Deus. 2
Coríntios 5:20.
Os embaixadores do Reino de Deus não
são acusadores da vida alheia, muito menos jogadores politiqueiros.
O papel de um diplomata de Cristo é falar a mensagem da redenção
com o sotaque do céu. Os filhos de Aba não abonam qualquer tipo de
conversa maledicente, nem fazem parte do correio de más notícias. O
discurso desse corpo diplomático é construído no sentido da
reconciliação dos pecadores através da suficiência de nosso
Senhor Jesus Cristo.
Do mestre de canto sobre a ária “os
lírios”, dos filhos de Coré, o salmista diz: És
os mais belo
dos filhos
dos homens, a
graça escorre
dos teus
lábios, porque
Deus te
abençoa para
sempre. Salmo
45:3 (BJ). A
linguagem dos filhos abençoados de Deus é o fluir gracioso da
reconciliação dos sublevados e da edificação de sua família.
Nenhum membro da casa do Amor tem direito de falar a lengalenga que
ofende os trôpegos ou fere os sarados. Cristo se tornou próximo
para nos reconciliar com o Pai, e nós somos agora os embaixadores da
reconciliação para com todos os eleitos da graça. Bendito sejam os
reconciliados que vivem para o ministério da reconciliação
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