AS BÊNÇÃOS
DO VALE SOMBRIO
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/09/1998
Por: Glenio Fonseca Paranaguá
01/09/1998
O
vale da
sombra da
morte pode
ser uma
garganta estreita,
profunda e
escura, no
território de
Israel, onde
ladrões cruéis
e feras
vorazes aguardavam
suas vítimas,
para atacar.
Era um
lugar cavernoso,
apavorante e
arriscado, em
que cada
ovelha corria
o embaraço
de um
súbito ataque
exterminador. Era
uma depressão
estrangulada e
fria que
sufocava qualquer
viandante que
tivesse de
cruzá-la. Alguns
sugerem que
neste vale
havia precipícios
íngremes e
perigosos, grutas
escuras e
traiçoeiras e
desfiladeiros rigorosos
por onde
passaria um
animal por
vez. Era
um ermo
desabitado e
agreste que
intimidava o
mais afoito
dos ovinos.
O
vale da
sombra da
morte pode
representar um
tipo da
estrada íntima,
isolada e
individual que
cada um
de nós
tem que
passar nesta
nossa peregrinação.
É um
caminho limitado,
rigoroso e
restrito, sem
qualquer solidariedade
humana, nem
companheiros de
viagem. É
o caminho
do isolamento
pessoal, da
solidão profunda
e da
responsabilidade
intransferível. O
seqüestro dos
amigos nos
segrega no
pátio particular
da singularidade
e temos
que andar
na trilha
original de
nossa exclusiva
decisão. Como
dizia Kierkegaard,
a solidão
é necessária
ao
recolhimento,
ao
aprofundamento
de si,
à
transfiguração
de si,
à
transfiguração
de toda
a existência.
Ainda que
o nascimento
seja marcado
por uma
comitiva, não
há séquito
no vale
da sombra
da morte,
ou, na
insulada decisão
pessoal. Todos
nós temos
que passar
sozinhos pelo
deserto do
encontro com
Deus.
O
vale da
sobra da
morte é
um lugar
de solidão,
para nos
conduzir à
solitude. Quando
temos que
ficar sozinhos,
precisamos de
um verdadeiro
companheiro. A
solidão nos
mantém fora
da companhia
de outras
pessoas; a
solitude nos
leva à
comunhão íntima
e isolada
com Deus.
Quando a
nossa agenda
fica desocupada
dos compromissos
com as
pessoas, ganhamos
espaço para
a intimidade
com Deus.
Somente quando
estamos a
sós, podemos
nos encontrar
face a
face com
Ele. As
grandes elevações
da alma
só são
possíveis na
solicitude e
no silêncio.
Muitas vezes
Deus nos
conduz ao
gargalo estreito
das privações,
a fim
de abrir
uma porta
larga à
comunhão com
Ele. Não
temerei
mal
nenhum,
porque
Tu
estás
comigo.
Posso algumas
vezes estar
sozinho, mas
nunca
solitário,
porque Deus
está comigo.
A presença
do Senhor
transforma a
solidão em
comunhão.
O
vale da
sombra da
morte é
uma experiência
vital para
a intimidade
pessoal com
Deus. Parece
mesmo que
no reino
de Deus
não existe
ganho sem
sofrimentos. Quando
somos deixados
em apuros
temos a
tendência de
correr para
o colo
que nos
pareça mais
seguro. A
comunhão com
Deus quase
sempre tem
se desenvolvido
a partir
dos vales
escuros e
sombrios. O
propósito das
provações da
vida é
a edificação,
não o
nosso prejuízo.
O ostracismo
surge da
irritação permanente
de um
grão de
areia empurrando
as ostras
para o
isolamento. Quando
a ostra
é ainda
muito pequena,
flutua na
superfície da
água, sem
concha, como
se fosse
um pedaço
de gelatina.
Logo que
a concha
começa a
formar-se, a
ostra torna-se
demasiadamente pesada
para boiar,
sendo puxada
para o
fundo do
mar, agarrando-se
a um
rochedo, onde
fica susceptível
da penetração
de pequenos
corpúsculos irritantes
e difíceis
de serem
expelidos. Uma
vez impossi-bilitada
de expulsar
o corpo
estranho, a
ostra começa
a fabricar
um fluído
que vai
cobrindo o
corpo irritante
e endurecendo
em forma
de camadas.
Assim
surgem as
pérolas de
grande valor.
No vale
sombrio das
águas profundas
e no
agravamento enfadonho
do grão
de areia,
a ostra
ferida segrega
contínua substância,
até a
criação de
uma formosa
pérola. O
vale da
sombra da
morte freqüentemente
se constitui
num campo
de tratamento
de Deus
para o
nosso progresso.
A noite
faz as
estrelas brilharem
e os
vales sombrios
nos revelam
a presença
de Deus.
Ainda que
todos nos
tenham abandonado,
ainda que
as reservas
se tenham
esgotado, ainda
que as
pedras dificultem
o caminhar,
uma coisa
se torna
cada vez
mais certa:
Deus é
o
nosso
refúgio
e
fortaleza,
socorro
bem
presente
nas
tribulações.
Portanto
não
temeremos...
Salmo
46:1-2a.
A presença
marcante de
Deus só
pode ser
percebida adequadamente,
quando estamos
passando pelo
vale apertado
das provações.
Muitas vezes
nós precisamos
passar pelo
sufoco para
despertar da
sonolência. Quando
Deus nos
permite atravessar
o vale
da sombra
da morte,
Ele quer
nos salientar
a sua
presença bem
real. Sempre
que houver
escuridão em
nosso redor,
pensemos: O
Senhor tem
um propósito.
Ele deseja,
antes de
tudo, que
tenhamos
confiança
nele.
Uma convicção
permanente da
presença e
cuidado de
Deus deve
constituir o
equilíbrio de
uma ovelha
experiente.
O
vale é
da sombra
da morte,
mas a
presença é
do Senhor
da vida.
Se temos
a consciência
da companhia
de Deus,
mesmo que
o vale
seja frio,
escuro e
apavorante, a
serenidade assumirá
o controle
da situação.
Mesmo que
a penúria
esboce as
suas garras,
a segurança
da Palavra
de Deus
dominará o
nosso espírito.
Seja a
vossa
vida
sem
avareza.
Contentai-vos
com
as
coisas
que
tendes;
porque
ele
tem
dito:
De
maneira
alguma
te
deixarei,
nunca
jamais
te
abandonarei.
Assim,
afirmemos
confiadamente:
O
Senhor
é
o
meu
auxílio,
não
temerei;
que
me
poderá
fazer
o
homem?
Hebreus
13:5-6.
Ainda que
a sombra
do vale
manifeste o
gelo da
morte, a
luz da
presença de
Deus acaba
esquentando o
coração, com
a certeza
de sua
Palavra imutável.
Se há
um vale
sombrio a
transpor, vale
a pena
confiar totalmente
naquele cuja
Palavra vale
eternamente. E
disseram
um
ao
outro:
Porventura,
não
nos
ardia
o
coração,
quando
ele,
pelo
caminho,
nos
falava,
quando
nos
expunha
as
Escrituras?
Lucas
24:32.
Quando
o temor
bater à
porta do
nosso coração,
nada melhor
que pedir
a Jesus
para atendê-la,
pois corajoso
é aquele
que teme
a Deus,
mas não
teme as
circunstâncias, quando
Deus está
presente. A
ovelha sempre
viaja tranqüila
ouvindo a
voz do
seu Pastor,
uma vez
que a
turbulência do
coração é
acalmada pela
suavidade de
sua voz
e pela
curvatura do
cajado. Se
houver escorregões
no abismo,
com certeza,
lá estará
o Pastor
encurvado na
perambeira, tomando
nos seus
braços a
acidentada. Deixemos
que Deus
cuide de
nossas necessidades.
Nós não
precisamos de
nada, a
não ser
dele. Não
é o
rebanho que
cuida do
Pastor, mas
o Pastor
do rebanho.
Ele nos
proporciona
refrigério
quando estamos
cansados;
cura-nos quando
doentes;
restaura-nos na
caminhada;
guia-nos a
caminhos retos,
apesar de
íngremes;
acompanha-nos
pelo vale
com vara,
para
defender-nos
dos adversários
e o
cajado para
retirar-nos de
buracos;
prepara-nos uma
mesa no
meio do
ódio; e
nos protege
com os
anjos gêmeos,
bondade e
misericórdia.
Ainda
que
eu
ande
pelo
vale
da
sombra
da
morte,
não
temerei
mal
nenhum,
porque
Tu
estás
comigo.
A consciência
da presença
de Deus
faz a
diferença na
hora da
crise, pois
os propósitos
de Deus
sempre contam
com sua
provisão. Se
estamos passando
pelo vale
sombrio das
grandes provações,
consideremos este
fato mais
como uma
bênção do
que uma
omissão de
Deus. A
soberania de
Deus não
é arbitrária,
como alguns
a julgam
erroneamente,
pois Deus
tem suas
razões,
baseado em
sua sabedoria
infinita, as
quais nem
sempre decide
revelar.
Jesus nunca
prometeu solucionar
todos os
nossos problemas,
nem responder
todos os
nossos questionamentos.
Ele prometeu
sim, estar
presente em
toda a
nossa existência,
como garantia
de sua
graça. E
eis
que
eu
estou
convosco
todos
os
dias
até
à
consumação
do
século.
Mateus
28:20b.